Obedeça e Submeta-se: Daddies Underground 1

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Resumo

"Você entrou no meu bar vestida de vermelho, achando que sobreviveria a mim. Sente-se. Esse foi o seu primeiro erro. Você veio aqui para ser fodida, não para ser cortejada." Danielle tem lutado contra sua saúde mental e crises de pânico desde que foi estuprada certa noite, e seu namorado não tem ajudado em nada. Na verdade, ele só piora a situação, e quando sugere um relacionamento aberto acreditando que ela não fará nada, já que nunca sai de casa, ele comete um erro. Danielle sai, sim, e acaba indo parar no único lugar onde dizer "não" não é nada fácil. Um bar de motoqueiros, cercada por homens de couro, cobertos de tatuagens que a olham como se quisessem devorá-la todas as noites. E o que ela não sabe é que a maioria dos homens ali não apenas faz sexo; eles vão muito além disso, considerando que são investidores em um clube de BDSM.

Status
Completo
Capítulos
72
Classificação
4.9 61 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Este é o primeiro livro de Daddy's Underground: uma série sobre um motoclube que se conecta a Dirty Daddies Underground.


POV de Danielle

Observo as pessoas se movimentando pelo restaurante, seus gestos um borrão de pressa e barulho. Elas parecem não notar que estou aqui no canto, e por isso, sou grata. Recolho os pratos e copos deixados para trás e desapareço pela porta que me protege do resto do mundo.

Se eu pudesse sobreviver sem trabalhar, não sairia de casa de jeito nenhum. Depois de colocar a louça na pia, viro-me para o gerente. Ele me faz um sinal com a cabeça.

— Pode ir, garota. Nos vemos amanhã — diz ele.

Faço que sim, saio para a noite e corro para casa. Quando entro, o apartamento está silencioso. Olho em volta, mas Sam não está aqui. Pego um copo d'água, sento-me no sofá e sinto meu celular vibrar.

O nome dele pisca na tela.

Deveríamos jantar fora. Venha me encontrar.

Jantar fora? Ele está falando sério agora?

Não vou sair, Sam.

Envio a mensagem, coloco o celular de lado e me encolho nas almofadas. De alguma forma, apesar de ainda ser cedo, acabo pegando no sono. A próxima coisa que ouço é a porta batendo com força.

Dou um pulo, assustada, enquanto ele entra com uma mala na mão. Seus olhos pousam em mim, inescrutáveis, e ele joga a bolsa de lado antes de sentar pesadamente do outro lado da sala.

— Eu ofereço para a gente sair e você se recusa? — Sua voz é fria, cortando o silêncio.

Dou de ombros, tentando não me encolher sob seu olhar. Não é tão fácil assim. Eu não saio mais. A ideia de estar em lugares lotados quando não preciso faz meu peito apertar tanto que mal consigo respirar.

— Eu não posso — sussurro.

— Você está falando sério? Porra, Danielle, estou de saco cheio dessa merda.

Sua voz sobe de tom e eu me encolho. Olho para ele, com a boca entreaberta, mas nenhuma palavra sai. Fecho a boca novamente e desvio o olhar.

— Esse teatro todo de 'coitadinha de mim, tenho medo de ficar perto de pessoas' está realmente começando a me irritar — ele grita.

Pelo menos não é ele quem tem que conviver com isso. — Você não ajudou em nada — sussurro.

A cabeça dele vira tão rápido que eu congelo.

— Você vai me culpar porque está com medo de viver?

Balanço a cabeça rapidamente. — Não quis dizer isso, mas...

— Não. Nem começa. Dez anos. É esse o tempo que namoramos, Danielle. A gente saía o tempo todo, e agora você não sai mais.

Enxugando os olhos, viro o rosto. — Se eu pudesse, eu sairia — digo suavemente.

— Você pode. Você vai trabalhar. Então você pode sair e ser normal comigo.

Cruzo os braços apertados contra o corpo, tentando encontrar algum senso de calma, mas não funciona.

Ele solta uma risada sarcástica e curta. — Não acredito que você tentou me culpar. Você é a razão pela qual seus amigos pararam de ligar e se importar, não eu.

— Isso não é verdade. Eles pararam de vir aqui porque você estava sempre presente. Eles não gostavam disso — respondo bruscamente.

— Não. Isso é o que eles diziam para serem educados. Eles pararam de te ver porque você nunca sai de casa.

— Isso importa? — pergunto, com a voz trêmula.

— Claramente não — ele murmura.

O silêncio que se segue é denso e desconfortável. Ele me observa por um longo tempo antes de falar novamente.

— Olha, eu tentei. Você não se importa. Você não quer ouvir. O que quer que eu faça, você recusa. Talvez precisemos mudar as coisas.

Meu coração dispara. Sento-me mais ereta, com os olhos arregalados. — Mudar o quê? — pergunto.

— Nós — ele diz secamente. — Acho que deveríamos abrir nosso relacionamento.

Solto uma risada amarga. — Porque isso vai curar meus problemas de saúde mental, né? — respondo com rispidez.

— Não estou tentando te curar, estou? Mas talvez, se for aberto, isso te incentive a sair e fazer coisas. Eu não estarei aqui todas as noites. Também não estarei perto dos seus amigos.

— Isso é uma piada — sussurro.

— Não. Não é. Estou entediado, Danielle. Você quer ficar trancada sem fazer nada, então vá em frente. Mas não espere que eu faça o mesmo.

Ele se levanta e vira as costas para mim, deixando o peso de suas palavras pairando no ar como uma porta que se fecha.

— Você realmente quer começar a ver outras pessoas? — pergunto, com a voz baixa, mas firme.

— Por que não? Talvez seja isso que precise para você finalmente perceber que estou bem aqui. Tento todo santo dia, e você só me fecha as portas.

— Gritar comigo não é tentar — digo, tentando argumentar, embora saiba que a esta altura isso raramente funciona.

— Eu não grito — ele retruca, ainda mais alto do que antes. — Porra, Danielle, talvez esse relacionamento aberto ajude. Talvez você encontre alguém com quem queira sair.

Eu rio com desprezo, o som soa áspero na sala silenciosa. — Como? Eu nem saio de casa, e você espera que eu encontre alguém?

— Isso não é problema meu. Tentei de tudo e nada funciona. Você não quer minha ajuda, então não vou oferecê-la. E, com certeza, não vou ficar aqui sentado esperando sua saúde mental se resolver sozinha.

Faço que sim lentamente, enquanto o aperto no meu peito se espalha como fogo. — Então está bem. Relacionamento aberto, então, Sam — digo, cada palavra sendo cuidadosa e deliberada. — Se você realmente quer que a gente saia com outras pessoas, vamos fazer isso. Talvez você tenha razão. Talvez seja exatamente o que preciso para me lembrar de que ainda sou desejada.

Ele ri, um som cruel e vazio. — Foi isso que começou tudo isso, não foi? Alguém que te queria demais. Então você deveria ficar aliviada por eu não querer.

Fico encarando-o, com as mãos fechadas em punhos. — Quer saber? Ótimo. Vamos fazer isso — digo, e então corro para o quarto.

Que se foda. Se o objetivo dele era me motivar a sair de casa, parabéns. Ele conseguiu.

Abro as portas do guarda-roupa, deslizando os cabides com força até encontrar os vestidos que não toco há anos. Meus dedos fecham em torno de um curto e justo, vermelho, que ainda tem um leve cheiro de perfume e lembranças. Coloco-o sobre a cama e vou para o banheiro.

O banho é rápido. Meus movimentos são focados, mecânicos, como se eu estivesse construindo uma armadura em vez de apenas me vestir. Seco o cabelo, passo maquiagem no rosto com precisão treinada e finalmente visto o vestido. Ele se molda ao meu corpo como uma segunda pele.

Muito bem. Um bar. Tem que ter algum por perto.

Abro o Google, digito a palavra e pesquiso. O primeiro nome que aparece é The Fallen Gods.

Certo. É para lá que eu vou.

Jogo meu celular em uma pequena bolsa preta e saio do quarto. Sam ainda está na sala, e seus olhos se arregalam levemente quando me vê.

— O que você está fazendo? — ele pergunta, com o tom carregado de descrença.

— Vou sair. Relacionamento aberto, lembra? — respondo, já a meio caminho da porta.

Ele solta uma risada amarga, balançando a cabeça como se eu tivesse acabado de fazer papel de boba. — Você é muito idiota se acha mesmo que vou acreditar nisso. No máximo, você vai até a loja e volta. — Ele pega o próprio celular sem nem olhar para mim. — Não me espere — ele murmura, e então sai.

Então é isso que ele realmente pensa. Que sou incapaz. Que não farei isso.

Bom, ele está muito enganado.

Eu vou fazer.