Capítulo 1
Albert Beaumont — "Albie"
Eu me movo por este salão de festas do caralho como um fantasma, invisível e observador, deslizando por todos esses babacas brilhantes que fingem ser os deuses do universo. A alta sociedade em sua melhor forma — ou devo dizer, a mais falsa? Pirralhos sustentados por fundos fiduciários que se exibem em seus smokings caros demais, abutres interesseiras espremidas em vestidos nos quais mal conseguem respirar, e merdas importantes que fedem a dinheiro velho e colônia barata. Por onde olho, é a mesma porra: sorrisos falsos, elogios dissimulados e conversas tão rasas que você poderia se afogar na merda toda.
Quando eu era mais jovem, achava que esse mundo era mágico. Ainda me lembro do meu primeiro baile, parado sob esses mesmos lustres estúpidos, de olhos arregalados e impressionado. Tudo brilhava e todos importavam — ou pelo menos fingiam que importavam. Eu seguia meu pai como um cachorrinho ansioso, observando-o abrir caminho pela multidão com aquele sorriso afiado do caralho. Ele não estava apenas circulando pelo salão; ele estava desmantelando-o peça por peça, cada aperto de mão era um jogo de poder do caralho, cada palavra, uma arma.
E eu? Eu achava que fazia parte disso. Achava que era importante. Achava que os acenos de aprovação de seus parceiros de negócios, o jeito que as mulheres inclinavam a cabeça quando falavam comigo, significavam algo. Porra, eu era tão ingênuo. Eu não via as cordas. Eu não percebia que era apenas mais uma peça no tabuleiro de xadrez do meu pai, preparado e polido para ser usado quando fosse conveniente para ele.
Agora? Agora eu vejo o que isso realmente é: um circo do caralho. O glamour é fino como papel, o tipo de porcaria barata que descasca se você olhar de perto. Mais um evento de arrecadação de fundos do caralho para algum político atolado em escândalos. As mesmas conversas cansativas sobre participações de mercado e casas de veraneio. As mesmas risadas ocas de piadas que não têm graça nenhuma. É exaustivo.
A pior parte? Eu ainda sei jogar esse jogo. Eu odeio, mas virou uma segunda natureza agora, como respirar. Eu poderia encantar essa sala inteira se quisesse — dizer as coisas certas, dar o sorriso certo, fazer todos acreditarem que eu me importo. Mas eu não me importo. Não mais. A emoção já foi embora faz tempo, substituída por essa sensação pesada e roedora no meu estômago. Talvez seja nojo. Talvez seja a percepção de que tudo isso — o poder, o dinheiro, a influência — é apenas uma máquina gigante que mastiga as pessoas e as cospe como algo irreconhecível.
E, ainda assim, aqui estou eu, porra. Por quê? Porque eu não tenho escolha. Sou o chefe da maldita família Beaumont agora. Isso significa que meu trabalho é aparecer, sorrir, apertar a mão de pessoas em quem eu não mijaria nem se estivessem pegando fogo. Assinar cheques para causas nas quais não acredito. Fingir que estou nem aí para manter o legado.
O legado. Jesus Cristo, que montanha de merda. Não é um legado — é uma sentença de prisão. Meu pai passou isso para mim como se fosse uma grande honra, mas tudo o que fez foi me prender como uma âncora do caralho. Eu não posso mais ser uma pessoa; sou apenas um mascote do império Beaumont. E as expectativas? Elas nunca acabam. Não basta administrar os negócios da família e manter os abutres à distância. Ah, não, eu também preciso me casar.
É isso mesmo. O príncipe herdeiro dos Beaumont precisa de uma princesa do caralho. Mas não qualquer princesa. Não, ela tem que ser o tipo certo de mulher. Dinheiro antigo, modos impecáveis, um sobrenome de família que consiga se sustentar nas colunas de fofoca. O tipo de esposa que pode ficar ao meu lado nesses eventos malditos e parecer ter sido esculpida em mármore — perfeita, intocada e completamente sem alma.
Amor? Paixão? Essa porra não entra na conta. Isso não é sobre romance; é sobre negócios. Uma fusão em renda branca e pérolas. Um acordo que consolida poder e riqueza, porque é isso que importa. Não se eu gosto dela, ou se ela gosta de mim. Porra, isso seria pedir demais.
"Albert, quando você vai sossegar?" Em cada evento do caralho, é a mesma pergunta, sussurrada atrás de sorrisos falsos ou lançada contra mim como uma granada. Como se eu já não estivesse acorrentado a essa maldita família, como se eu não tivesse sacrificado cada grama da minha liberdade para carregar o nome Beaumont.
Mas eis o detalhe: eu já pensei sobre isso. Sobre como seria chegar em casa para alguém que se importa comigo. Não com a minha conta bancária, não com o meu sobrenome — comigo. A ideia de ter uma esposa, alguém real, alguém que enxergue através de todo esse brilho do caralho e ainda queira ficar por perto... Porra, é tentador.
Mas esse não é o tipo de esposa que eu deveria ter. Não, espera-se que eu escolha alguma socialite robótica, treinada desde o nascimento para sorrir nos momentos certos e falar sobre as causas certas. Um press release ambulante. Um manequim com postura perfeita e guarda-roupa de marca. Foda-se isso. Foda-se *ela*. Não preciso de outra mentirosa do caralho na minha vida.
Então aqui estou eu, bebendo champanhe que tem gosto de arrependimento, forçando um sorriso que não é verdadeiro e apertando mãos de homens em quem eu não confiaria nem para limpar minhas calhas. Porque é isso que o chefe da família Beaumont faz. Nós aparecemos. Nós aguentamos. Nós sorrimos, porra.
Mesmo enquanto o peso de tudo isso nos esmaga até o chão.
Não pode haver algo no meio-termo? Alguém real? Alguém que não se importe com quanto eu valho, mas que se importe de verdade com quem eu sou?
Não pode haver algo no meio-termo? Alguém real? Alguém que não dê a mínima para o quanto eu valho, mas que se importe de verdade com quem eu sou? Será que é pedir demais? Alguém que olhe para mim e veja além do nome do caralho, além da pilha de dinheiro e do legado ridículo. Alguém que realmente se importe se estou feliz, se estou cansado, se comi mais do que duas refeições do caralho num dia. Cristo, eu não preciso de uma princesa perfeita ou de uma coitada qualquer — eu só quero alguém que seja de verdade.
Não que eu seja o sonho de consumo de alguém. Eu sei como sou. Eu noto os olhares de lado quando entro em uma sala, as avaliações rápidas enquanto as pessoas me medem. Inferno, eu mesmo me avalio toda vez que vejo meu reflexo no espelho, e deixe-me dizer, o veredito não é exatamente brilhante.
Tenho corpo de jogador de futebol americano — o que, surpresa, é o que eu jogava na faculdade. Não que eu precisasse; eu não tinha bolsa de estudos nem nada. Os Beaumont não *precisam* de bolsas. Eu jogava porque gostava da sensação de bater em algo. Porque lá naquele campo, por algumas horas, eu não era apenas mais um babaca rico com um fundo fiduciário. Eu fazia parte de algo. Eu importava pelo que eu conseguia fazer, não pelo que eu possuía. Mas a faculdade foi há muito tempo, e o corpo de jogador de que eu costumava me orgulhar mudou. Robusto? Com certeza. Sólido? Porra, sim. Mas não vamos dourar a pílula — estou com uma barriga agora, e ela é um pouco mais pronunciada do que costumava ser. Anos sentado no trono do legado Beaumont fazem isso com você. Uísques demais tarde da noite, jantares caros demais, estresse demais do caralho.
Não sou alto, moreno e bonito. Não sou um Adônis esculpido que faz as mulheres suspirarem quando entro numa sala. Não, sou baixo, pálido e tenho um porte de quem conseguiria levantar um piano no supino, mas que fica sem fôlego subindo um lance de escadas. Meu rosto? É tão comum quanto qualquer outro. Cabelo castanho, ficando cinza nas têmporas. Um maxilar que pode ter sido afiado um dia, mas que está ficando arredondado agora. Nada em mim grita "galã", a menos que o seu galã seja um rebocador.
Mas eu sei qual é o meu traço mais atraente. Não é meu rosto, não é meu charme — embora eu possa ligá-lo quando preciso. Não é minha risada ou meu sorriso ou o jeito como conduzo uma conversa. É o meu nome do caralho. É isso. É só o que todos veem. Albert Beaumont. O nome sozinho vale mais do que a maioria das pessoas verá em dez vidas. E é isso que me torna desejável. Não *eu*. Não o homem por trás do nome. É o poder, o dinheiro, as conexões, o peso bruto do império Beaumont.
É exaustivo. Saber que cada olhar, cada sorriso, cada conversa sussurrada não tem nada a ver com quem eu sou e tudo a ver com o que eu represento. Saber que quando as pessoas dizem meu nome, elas não estão pensando em mim — estão pensando no que eu posso fazer por elas. Saber que cada mulher que já flertou comigo fez as contas mentalmente, calculando meu patrimônio líquido antes mesmo de decidir se gosta do meu rosto.
E sim, talvez eu pudesse ter sido o tipo de cara que não estava nem aí para isso. Talvez eu pudesse ter entrado no jogo, ter me tornado um daqueles babacas convencidos que jogam dinheiro por aí como confete e tratam as mulheres como acessórios. Mas foda-se isso. Não é quem eu sou. Não é quem eu quis ser. Eu quero alguém que olhe para mim — *mim* — e não veja cifrões. Alguém que não dê a mínima para o meu nome, que não se importe com o carro que eu dirijo ou com a cara que o brasão da minha família tem.
Mas, neste mundo, isso é uma ilusão do caralho. As mulheres na minha órbita não são reais. Elas são polidas, pré-embaladas e perfeitamente ensaiadas, prontas para assumir o papel da esposa perfeita dos Beaumont, como se estivessem fazendo um teste para isso a vida toda. Elas sorriem para as câmeras, têm alguns herdeiros para garantir seu lugar na mesa da família e depois passam o resto de seus dias fazendo compras, bebendo coquetéis caros e fingindo que seu trabalho de caridade não é nada mais do que um jeito de se exibir para suas amigas igualmente rasas.
E eu? Eu ficaria preso a uma mulher que não sabe a primeira porra sobre mim. Alguém que nem se daria ao trabalho de perguntar, que não estaria nem aí para as minhas noites sem dormir ou para o jeito que meu maxilar trava quando estou prestes a perder a paciência. Alguém que me veria apenas como um ingresso para uma vida de luxo. Eu passaria meus dias a vendo desfilar de alta-costura e minhas noites desejando ter tido coragem de ir embora.
Foda-se isso.
Então sim, prefiro ficar sozinho a acabar com alguém que conta zeros em vez de batimentos cardíacos. Alguém que não me vê, que não *quer* me ver além do que posso dar a ela. Eu quero mais. Inferno, talvez isso me faça um idiota do caralho. Talvez me faça ingênuo, mesmo depois de anos vivendo neste mundo cruel e sem alma. Mas se manter esse pingo de esperança custar minha sanidade, que assim seja. Melhor perder a cabeça do que perder a última gota da minha dignidade.
Porque eu vi o que acontece quando você se casa pelos motivos errados. Eu vi pessoas neste mundo definharem sob o peso de suas próprias escolhas, presas em gaiolas douradas que elas mesmas construíram. Eu vi a miséria silenciosa, o amargor afiado em seus olhos quando pensam que ninguém está olhando. E vi o quão rápido as rachaduras se formam quando não há amor, não há paixão, não há conexão de verdade. Nenhum dinheiro, nenhum poder, vale esse tipo de morte lenta.
Preciso de uma bebida. Abro caminho pela multidão, esquivando-me de apertos de mão e do tipo de conversa forçada que faz meus dentes rangerem. Passo por pelo menos duas interesseiras que parecem não entender que um olhar penetrante e um aceno educado não são convites para porra nenhuma. Só quero um momento de paz do caralho, uma bebida forte e talvez um segundo para respirar sem sentir como se as paredes estivessem se fechando.
Chego ao bar, prestes a pedir um uísque puro — algo forte o suficiente para suavizar as arestas desta noite — quando a vejo.
E, porra, ela é linda.
Não daquela maneira genérica e padronizada em que todas as outras mulheres nesta sala são bonitas. Não do tipo "passei três horas com uma equipe de beleza para parecer que acordei assim". Não, ela é o tipo de beleza que tira o ar antes mesmo de você perceber que foi atingido. Cabelo cor de cobre que brilha sob a luz baixa, caindo sobre um ombro como uma cascata do caralho. Um vestido azul que adere ao corpo dela em todos os lugares certos, as costas nuas o suficiente para fazer um homem esquecer como se respira. É o tipo de vestido que grita "olhe para mim", que praticamente exige atenção. É ousado, desafiador e talvez um pouco perigoso.
E sim, à primeira vista, ela parece qualquer outra interesseira do caralho nesta sala. O tipo de mulher que está aqui para encontrar um marido rico, para se agarrar a alguém como eu e sangrá-lo até o fim com um sorriso no rosto.
Mas então eu vejo seus olhos.
Cinzas. Tempestuosos. Cautelosos.
Há algo neles que me faz parar na hora. Algo que não pertence a uma sala como esta. Não é aquele olhar faminto e calculista com o qual me acostumei, aquele que diz: Quanto ele vale e quão rápido posso colocar minhas garras nele? Não, seus olhos têm algo a mais — algo real. Uma espécie de profundidade, um lampejo de desafio, como se ela estivesse desafiando qualquer um a subestimá-la. Como se ela soubesse de alguma piada cósmica que o resto de nós é estúpido demais para entender.
E isso me faz pausar.
Porque eu já vi todos os tipos de mulher que este mundo tem a oferecer. Eu sei como elas se movem, como falam, como elas *caçam*. Mas essa aqui? Ela não se move como o resto delas. Ela não tem aquele toque predatório, aquela aparência de perfeição praticada. Ela é elegante, sim, mas há uma nitidez nela, uma tensão sutil no modo como ela se porta, como se estivesse pronta para sair correndo se alguém chegar perto demais.
Eu me encosto no bar, tentando ignorar o modo como meu pulso acelerou.
"Uísque puro", digo ao barman, minha voz mais grossa do que pretendia.
Eu não olho para ela, não diretamente, mas posso sentir sua presença ao meu lado, como uma nuvem de tempestade do caralho chegando. É magnético, e isso me deixa puto porque não quero me sentir assim. Não aqui. Não agora. Não sobre alguém que provavelmente é apenas mais uma atriz do caralho nessa performance sem fim.
Mas aqueles olhos.
Aqueles olhos do caralho vão ser um problema.
Eu não a conheço. Nunca a vi em eventos como este, e acredite em mim, já vi minha cota desses encontros malditos. O que me diz uma de duas coisas: ou ela é nova no jogo ou está tentando a sorte escalando uma escada diferente do caralho esta noite. Talvez ela ache que pode subir alguns degraus.
E, honestamente? Ela parece perdida. Completamente fora de seu alcance. Está escrito em todo o seu ser — como se ela estivesse tentando se misturar, mas as bordas não se encaixam muito bem. Ela está lá parada, agarrando seu drinque como se fosse um salva-vidas, seus olhos percorrendo a sala como se tentasse descobrir o que diabos está fazendo aqui. Ela não está falando com ninguém, nem mesmo se dando ao trabalho de fingir rir das piadas sem graça de algum babaca rico.
Essa é a coisa sobre as interesseiras — elas sabem como desempenhar o papel do caralho. Elas praticamente nascem sabendo o roteiro: o sorriso fácil, a risada suave, a inclinação sutil da cabeça que grita: Estou interessada, mas só se sua conta bancária tiver uma vírgula nela. Mas essa aqui? Ela não está jogando o jogo. E isso — foda-se — isso chama minha atenção.
Inclino a cabeça, estudando-a pelo canto do olho. Na superfície, ela poderia passar por uma delas — o cabelo, o vestido, o jeito que ela se porta. Está tudo lá. Mas há algo mais por baixo. Algo bruto, não polido. Ela está mudando o peso de um pé para o outro, sua postura rígida, seus movimentos estranhos, como se esperasse que alguém a chamasse e dissesse que ela não pertence a este lugar. É quase cativante, de um jeito que me irrita, porque que porra alguém como ela está fazendo aqui se está tão obviamente fora de lugar?
O que diabos você está fazendo aqui? A pergunta queima no fundo da minha mente. Ela claramente não é uma de nós, não de verdade. O que a torna ou muito corajosa ou muito estúpida do caralho.
E sim, talvez ela seja apenas mais uma delas, alguém nova no jogo que ainda não entendeu as regras. Mas eu faço isso há tempo suficiente para saber melhor. O jeito que ela se porta, o jeito que ela olha em volta, não é calculado. Não é ensaiado. Se ela é uma interesseira, ela é uma péssima uma. E, por alguma razão do caralho, não consigo parar de olhar para ela.
Decido fazer um movimento. Por que não? Eu sei lidar com uma interesseira. Inferno, eu lido com elas a minha vida toda. Se ela é ingênua o suficiente para achar que pode se infiltrar no mundo dos Beaumont sem saber como jogar, esse é problema dela, não meu. Talvez eu brinque com ela um pouco, a deixe na dúvida. Inferno, talvez eu a leve para minha casa por uma noite, coce a coceira e depois a mande embora antes mesmo que ela perceba o que, porra, aconteceu.
Porque é isso que eu faço. É assim que mantenho as coisas limpas. Sem cordas, sem drama, sem merda nenhuma. Apenas uma foda rápida, e depois eu caio fora.
Não costuma ser meu estilo. Não tenho o hábito de usar as pessoas assim — bom, não com frequência, de qualquer forma. Mas esta noite? Foda-se. Ela é bonita o suficiente para justificar o risco. Aquele tipo de beleza que fica com você muito tempo depois que a noite acaba. O tipo que se queima na sua memória, não importa o quanto você beba para esquecer.
Ainda assim, eu sei como é. Mulheres como ela — aquelas que parecem boas demais para ser verdade — são sempre um problema. Um problema lindo, com curvas que poderiam destruir um homem, se ele não tomar cuidado. E talvez eu esteja entediado o suficiente esta noite para me deixar ser um pouco destruído.
Eu me aproximo dela devagar, sem pressa, porque não há necessidade de assustá-la ainda. Se ela está em terreno desconhecido, a última coisa que quero fazer é empurrá-la para o abismo antes de ter me divertido. Conforme chego mais perto, noto os pequenos detalhes que confirmam o que eu já suspeitava: ela não está confortável. Ela não está fingindo que está à vontade como o resto dos urubus rondando este salão. Ela está tensa, incerta e tão perdida quanto eu pensei a princípio.
Ótimo. Isso faz dela um desafio.
Eu me encosto no bar, pedindo uma bebida sem olhar diretamente para ela. Não preciso chegar com tanta sede ao pote. Espero que ela me ignore, porque é assim que geralmente acontece até eu soltar a porra do meu nome. Até perceberem quem eu sou, sou só mais um cara de terno. Mas então, seus olhos se voltam para mim, e puta que pariu, eu sinto como um solavanco direto no peito.
Ela não diz nada. Não sorri. Nem sequer me dá aquele olhar educado e ensaiado que aprendi a esperar. Não, ela apenas... olha para mim. Com firmeza. Como se estivesse tentando me despir apenas com o olhar e, por algum motivo, está funcionando.
Aqueles olhos. Cinzentos, tempestuosos, afiados como cacos de vidro. São perigosos para caralho. Há algo neles que não consigo identificar, algo que não combina com o cabelo cor de cobre e o vestido feito para chamar a atenção.
Pela primeira vez em muito tempo, sinto-me exposto. Como se ela estivesse descascando todas as camadas que passei a vida aperfeiçoando, olhando além dos ternos, do sobrenome e do dinheiro para algo que eu nem sabia que ainda estava lá.
Tomo um gole do meu uísque, tentando manter a calma, mas não adianta. O olhar dela está mexendo comigo e não consigo me livrar disso. Não gosto nada disso. Eu deveria ser o cara no controle, o cara que puxa as cordas. Mas o olhar dela? Parece um movimento de poder dos infernos, e nem sei se ela sabe que está fazendo isso.
Ainda assim, não recuo. Dou um passo mais perto, casual, mas deliberado, e os olhos dela permanecem fixos em mim. Ela não está intimidada, não tenta bater os cílios ou parecer tímida. Ela está apenas observando, avaliando, como se estivesse tentando decidir se valho o tempo dela ou se sou só mais um babaca de terno.
É enlouquecedor. E, ainda assim, aqui estou eu, inclinando-me, pronto para a primeira cartada.
“Aqui pelo Jameson Frett?”, pergunto, mantendo o tom leve, como se eu estivesse realmente me importando com o evento beneficente ou com o político canalha para quem ele serve. Não ligo. Só quero uma desculpa para falar com ela, para entendê-la.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, alguém me deixou curioso. E isso? Isso é perigoso.
“Algo assim”, ela responde, e meu Deus, a voz dela é como manteiga. Desliza sobre mim como veludo, quente e suave, baixa e natural. O tipo de voz que faz você querer chegar mais perto só para ouvir mais.
É. Algo assim. Algo como conseguir uma chance com um babaca rico e estúpido que tem mais dinheiro do que juízo, que vai sorrir e distribuir notas como se fosse doce. Um cara como eu. Já vi isso mil vezes antes: mulheres como ela não estão nem aí para nada, exceto pelo lucro.
Consigo sentir isso no olhar dela. Ela está me medindo, jogando um jogo, e provavelmente sou apenas mais um bastardo rico que ela acha que pode usar para subir na vida.
Porra. Nem sei se odeio isso ou se acho patético. Mas não sou estúpido o suficiente para cair nesse tipo de coisa novamente. Já vi tudo isso antes; essas mulheres não querem a mim. Elas querem a vida que posso oferecer. O status, o poder, a grana.
E, ainda assim, aqui estou eu. Envolvido nessa porcaria de dança como um completo idiota. Tanto esforço para não entrar no jogo.
“Qual é o seu nome?”, pergunto, esperando o de sempre: uma história elaborada sobre como a vida dela é excitante, os lugares onde esteve, as pessoas que conhece. O tipo de mentira que a aproxima de caras como eu.
“Angie”, ela diz, e não há hesitação.
“Só Angie?”, pergunto, arqueando uma sobrancelha, com o tom afiado. Ela dá de ombros, tomando outro gole de sua bebida como se não se importasse de qualquer maneira.
“Só Angie. E você?”, ela pergunta, como se estivesse tentando fazer tudo isso parecer casual.
“Então eu sou só Albert. Albie, como meus amigos me chamam”, digo, esperando o lampejo de reconhecimento em seus olhos. O momento em que ela percebe quem eu sou — porque é assim que essa porra geralmente acontece.
Mas ela não reage. Sem surpresa aí. Ela provavelmente não conecta o Albert aos Beaumont; afinal, há vários Alberts nos círculos sociais de elite, ela provavelmente não se importa com qual deles sou, ela pegou um e agora vai tentar tirar o que puder, como qualquer boa interesseira.
Os olhos dela permanecem fixos nos meus, sem piscar, sem se abalar, como se ela não estivesse nem um pouco interessada em saber quem sou. Balela. Eu conheço o tipo. Ela provavelmente está se fazendo de tímida, guardando aquela faísca de reconhecimento até ser mais conveniente — até que possa sacá-la como um ás na manga. É sempre assim, não é? Você dá corda o suficiente e elas te enforcam com ela.
“Só Albie”, ela repete, como se estivesse testando o sabor. O canto de seus lábios se curva no menor vislumbre de um sorriso, e que se dane se aquilo não me atingiu como um soco no estômago. O tipo de sorriso que faz você se perguntar se ela sabe algo que você não sabe. O tipo que faz você querer que ela saiba algo que você não sabe.
“Só Angie”, ecoo, recostando-me na cadeira, tentando parecer relaxado. O couro range sob mim e o copo de bourbon na minha mão parece pesado demais, como se estivesse me prendendo à terra quando tudo o que quero é flutuar. Flutuar para longe disso. Dela. De como a voz dela continua serpenteando pelo meu cérebro como fumaça.
“Só Angie”, ela repete, brincando com o canudo na bebida, os dedos delicados, mas deliberados. Tudo nela é deliberado. O jeito que o cabelo cai em ondas sobre os ombros, o modo como a blusa desce o suficiente para manter minha atenção. Ela é uma obra-prima da manipulação. E aqui estou eu, na primeira fila, como um completo idiota.
“Então, o que você faz, Angie?”, pergunto, porque não consigo me controlar. Porque mesmo sabendo onde isso vai dar — onde sempre dá — não consigo simplesmente ir embora.
Ela dá de ombros, com a expressão indecifrável, e toma outro gole da bebida. “Isso e aquilo”, ela diz, num tom tão casual que poderia ser apenas ar.
Ah, vai se foder. “Isso e aquilo” é código para: *vou te dizer o que você quer ouvir se você mostrar dinheiro suficiente*. Conheço esse jogo bem demais para cair nele. Pelo menos, é o que digo a mim mesmo.
“Vaga”, digo, com a voz carregada de deboche. “Deixa eu adivinhar: você é influenciadora. Ou artista. Ou, espere... você é uma empreendedora, certo? Algum tipo de visionária que se fez sozinha e vai mudar o mundo, só esperando pela grande chance?”
Ela sorri com isso, uma curva preguiçosa nos lábios que não deveria ser tão devastadora. “Não sou tão interessante assim”, ela diz, num tom monótono, mas cortante.
Jesus Cristo, eu a odeio. Odeio como ela não hesita, como não me dá a satisfação de vê-la perturbada. Odeio como ela me faz sentir que sou eu quem está no palco, fazendo um teste para conquistar sua atenção.
“Bem, não se subestime”, digo, girando o bourbon no copo. “Você parece o tipo ambicioso. Tem todo aquele ar de ‘mulher misteriosa com um plano’.”
Ela se inclina para frente, o suficiente para eu notar a linha da clavícula, a curva sutil do pescoço. Porra. “E você parece o tipo de cara que acha que já sabe de tudo”, ela diz, a voz ainda com aquele veludo amanteigado, deslizando sob minha pele como uma navalha embrulhada em seda.
Eu rio, com rispidez. “Ah, eu sei. Acredite, querida, já vi esse filme antes. Sei exatamente como termina.”
Ela inclina a cabeça, analisando-me como se eu fosse um quebra-cabeça que ela tenta resolver. Ou talvez como se já soubesse a resposta e estivesse apenas esperando que eu a alcançasse. “Sabe mesmo?”, ela pergunta, a voz suave, mas carregada de algo afiado. Um desafio.
Porra. Porra. Porra. Esse é o problema com mulheres como ela: não precisam se esforçar para te foder. Elas só precisam existir, sentar ali, parecer daquele jeito e falar daquele jeito, e de repente, você está desmoronando mais rápido do que consegue se segurar.
“Eu sei”, digo, com a voz mais firme agora, mais controlada. Viro o resto do meu bourbon de uma vez só, a queimação me trazendo de volta à realidade, nem que seja por um segundo. “Mas ei, não vou estragar o suspense. Vamos ver onde essa dança nos leva.”
Ela sorri novamente, lenta e deliberadamente, como se estivesse saboreando cada segundo. “Vamos”, ela diz, e por um momento, não sei se ela está zombando de mim ou concordando. Talvez os dois. Provavelmente os dois.
E, assim, estou de volta à porra do jogo.
O barman deixa outra bebida na minha frente, sem eu pedir, mas é bem-vinda, e a deixo ali por um momento. O líquido âmbar captura a luz fraca, um brilho quente contra o peso frio que se instala no meu peito. Que porra estou fazendo?
Ela nem tenta me vender uma história, o que de alguma forma torna tudo pior. Se ela estivesse inventando alguma bobagem sobre dificuldades na faculdade de artes ou sobre estar “entre projetos”, eu poderia ignorar. Rir disso mais tarde. Mas ela não me dá nada, e essa página em branco é pior do que qualquer história triste. É como se ela estivesse me desafiando a preencher as lacunas, a projetar todas as minhas merdas nela.
“Ok”, digo, inclinando-me, com os cotovelos sobre a mesa. Observo os olhos dela acompanharem o movimento e, por uma fração de segundo, acho que vejo algo cintilar ali. Interesse? Cálculos? Puta que pariu, eu não sei. “Então você não quer falar sobre o que faz. Tudo bem. Vamos falar sobre o que você quer.”
Suas sobrancelhas se levantam, apenas um pouco. “O que eu quero?”, ela repete, como se as palavras fossem estranhas. Seus lábios se contraem, como se ela estivesse segurando o riso, e Deus, como odeio o fato de que esse sorriso me faz sentir que sou eu quem está perdido.
“É”, digo, dando de ombros como se não fosse nada demais. Como se essa conversa não estivesse me corroendo por dentro. “Todo mundo quer alguma coisa. Especialmente quando está sentado em um bar, bebendo sozinho e falando com estranhos. Então, Angie, qual é o seu objetivo?”
Ela não responde imediatamente. Em vez disso, pega a bebida e a gira na mão, o gelo tilintando suavemente contra o vidro. Suas unhas estão pintadas de vermelho escuro — sem lascas, sem imperfeições. Outro detalhe deliberado. Outra peça do quebra-cabeça que não quero resolver, mas não consigo parar de encarar.
Finalmente, ela olha para mim, com o olhar firme. “O que te faz pensar que eu tenho um objetivo?”, ela pergunta, a voz leve, mas os olhos afiados.
Ah, faz-me o favor. Rio, recostando-me na cadeira e passando a mão pelo cabelo. “Porque todo mundo tem um objetivo. Especialmente aqui.”
“Ah, eu sei disso, Albie”, ela murmura perto de mim, seu perfume causando estragos na minha mente. “Mas e se eu não quiser jogar esse jogo? E se eu só quiser me livrar do sobrenome? Só esta noite?”
As palavras dela pairam no ar entre nós, pesadas e elétricas. “Livre do sobrenome”, ela disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Como se livrar do peso dos privilégios e das expectativas fosse tão fácil quanto tirar um par de saltos no fim da noite. Balela. Ninguém simplesmente abandona o jogo, não aqui. Não em um lugar como este.
Mas, que droga, o jeito que ela diz isso manda um arrepio pela minha espinha. É uma mentira — claro que é uma mentira —, mas é uma boa mentira. O tipo em que você quer acreditar, mesmo sabendo a verdade.
“Se livrar do sobrenome, é?”, murmuro, inclinando-me o suficiente para que o ar entre nós fique tenso. O perfume dela, algo quente e levemente doce, envolve-me como um laço, tornando difícil pensar com clareza. Ela está perto, perto demais, e todos os alarmes na minha cabeça estão disparando, gritando para eu me afastar. Mas não me afasto.
“Só esta noite”, ela repete, a voz agora mais suave, quase um sussurro. Seus lábios estão curvados em algo que não chega a ser um sorriso, e seus olhos... Jesus, seus olhos são *perigosos*. Estão firmes e afiados, como se ela estivesse me avaliando para algo que eu nem percebi que estou prestes a perder.
Fodeu.
“Tudo bem”, digo, com a voz baixa, entrando na brincadeira porque, que diabos mais eu deveria fazer? “Vamos fingir que somos apenas Angie e Albie. Sem jogos, sem essa merda toda. Apenas duas pessoas presas na mesma sala, tentando sobreviver a mais uma noite de...”, gesticulo vagamente pelo local, com a mão esbarrando no copo. “...essa porra de desfile.”
Sua bufada me pega de surpresa. Não é delicada nem educada — não, é crua e um pouco alta demais para este lugar e, por algum motivo, parece honesta de um jeito que nada mais aqui parece.
“Deus, não”, ela diz, balançando a cabeça como se eu tivesse perguntado se ela gosta de ser atropelada por um ônibus. O cabelo brilha conforme ela se move, caindo sobre o ombro como num comercial de xampu. “Odeio esse tipo de evento. Os sorrisos falsos, a puxação de saco, esse barulho constante. Juro, parece que as pessoas não sabem calar a boca a menos que estejam tentando sugar sua vida.”
Suas palavras são duras, quase afiadas demais, mas o jeito como ela diz? É como se estivesse me contando um segredo, como se estivesse descascando uma camada de sua armadura o suficiente para eu ver as rachaduras por baixo.
“E ainda assim”, digo, inclinando a cabeça e deixando um sorriso torto surgir nos lábios, “aqui está você.”
Ela não recua. Se algo, sua expressão endurece uma fração, como se ela esperasse esse golpe. “Bem, não estou aqui pela companhia”, ela diz, erguendo o copo e dando um gole lento.
“Ah, eu percebi”, respondo, observando-a por cima da borda do meu copo. “Você parece que preferiria estar em qualquer outro lugar.”
Seus lábios se contraem novamente, mas desta vez há algo diferente em seu sorriso — algo mais selvagem, mais sombrio. Puta merda. É como encarar uma arma carregada.
“Eu preferiria estar em boa companhia”, ela diz, baixando o tom de voz o suficiente para fazer minha pressão subir.
Aí está. A deixa. A isca. E, como um idiota, eu mordo.
“Em boa companhia”, ecoo, girando o bourbon no copo, com os olhos fixos nos dela. “Então, o quê? Está dizendo que eu poderia me qualificar?”
Sua risada é suave, quase provocante, e rasteja sob minha pele como eletricidade estática. “Ainda não sei”, ela diz, inclinando a cabeça como se me inspecionasse. “O que você acha, Albie? Você acha que tem o necessário?”
Jesus Cristo. O jeito que ela diz meu nome é uma arma dos diabos, fatiando minhas defesas como se fossem feitas de papel. Inclino-me para frente, reduzindo a distância entre nós, e abaixo a voz o suficiente para igualar a dela.
“Acho que você gosta de jogar”, digo, com as palavras deliberadas, cada uma caindo com o peso de um desafio. “E acho que você está acostumada a ganhar.”
Seu sorriso aumenta, lento e predatório, e por uma fração de segundo, juro que o resto da sala desaparece. “Talvez eu esteja”, ela diz, com o tom leve, mas os olhos ardendo. “Mas aqui está a questão, Albie: eu não jogo um jogo que não posso vencer.”
Fodeu.
A pior parte? Ela não está mentindo. Posso ver isso no jeito que ela se porta, no modo como o olhar dela não vacila por um segundo sequer. Ela tem aquele tipo de confiança que não se aprende — ou você nasce com ela, ou a arranca do mundo com as mãos sangrando.
Mas há algo mais em seus olhos, algo que me faz pausar. Não é apenas confiança. É fome. E eu já vi esse tipo de fome antes.
“Vou te dar esse crédito”, digo, virando o último gole do bourbon e colocando o copo na mesa com um baque satisfatório. “Você é boa. Muito boa mesmo. Mas não sou o tipo de cara que quer ser mastigado e cuspido.”
Os olhos dela vão até meu copo vazio e depois voltam para mim, e ela arqueia uma sobrancelha, como se estivesse me desafiando a ir embora. “Talvez você não seja”, ela diz, com a voz tão suave quanto o bourbon que ainda queima na minha garganta. “Mas talvez você seja. Que tal descobriremos?”
E assim, eu sei que estou fodido.
Não é do jeito habitual também. Isso não é o tipo de fodida em que eu conheço o roteiro — onde a interesseira exibe seu melhor sorriso falso, bate os cílios como uma porra de princesa da Disney e finge que passou a vida toda esperando para encontrar um homem como eu. Não, isso é pior. Este é um território desconhecido, o tipo de perigo que parece caminhar descalço sobre vidro quebrado só para ver se você sangra.
Ela não é como as outras. Sem risadinhas sedutoras, sem elogios açucarados, sem joguinho fingido para me convencer de que sou o presente de Deus para esta porra de Terra. Ela é crua. Ela é, porra, real. E isso? Isso me faz querer provocá-la. Com força. Para ver qual é o seu limite — ou se ela sequer tem um.
E talvez seja por isso que eu me inclino, só um pouco, baixando a voz para algo grave e deliberado, afiado o suficiente para cortar. “Eu tenho um quarto lá em cima”, digo, com cada palavra encharcada de desafio.
Estou observando-a como um falcão agora, procurando pelos sinais de sempre. O brilho da ganância em seus olhos, o sorriso calculista, a mudança sutil na postura que diz que ela já está planejando o próximo passo. Mas nada acontece. Suas bochechas coram, apenas um pouco — este leve e, porra, delicioso toque de rosa que se espalha pela sua pele como o primeiro sinal de uma rachadura no gelo.
“Será mais silencioso do que aqui”, acrescento, mantendo meu tom firme, como se estivesse apenas constatando um fato. Sem pedir. Sem implorar. Apenas jogando no ar para ver o que ela faz com isso.
E ela não faz porra nenhuma. Ela só fica lá, com os olhos cravados nos meus, inabalável e indecifrável. É enlouquecedor o jeito que ela não reage. Nada de risada coquete, nem sorriso de lado, nem aquela merda de joguinho “talvez eu vá, talvez não”. Ela apenas olha. Como se estivesse me dissecando de dentro para fora, decidindo se valho a dor de cabeça ou se sou apenas mais um rico babaca jogando conversa fora.
E aqui está a parte fodida: eu quase quero que ela diga sim. Eu quase quero ver até onde ela vai levar isso, quão fundo ela vai entrar, o quanto ela vai me deixar desmoronar antes de decidir puxar o tapete debaixo dos meus pés.
Mas, ao mesmo tempo, não tenho certeza se estou pronto para a resposta dela.
“Você mal me conhece”, ela diz finalmente, com a voz suave, quase suave demais para o peso do momento. Não é uma pergunta — é uma afirmação, um aviso, como se estivesse me desafiando a cair fora antes que as coisas saiam do controle.
Deixo meus olhos percorrerem seu corpo, lentos e deliberados, demorando um segundo a mais do que deveria em lugares proibidos. Quero que ela sinta, que saiba que não estou brincando. Foda-se a sutileza.
“Gosto do que conheço até agora”, respondo, meu tom frio, controlado, cada palavra escorrendo com o tipo de confiança que nem sinto totalmente.
E lá está. Aquela rachadura que eu estava esperando. Ela cora, puta que pariu, furiosamente, seus lábios se abrindo em um suspiro agudo e involuntário, como se eu tivesse acabado de puxar o tapete debaixo dela. É a primeira reação real que consegui arrancar dela a noite toda e, por um segundo — apenas um segundo —, sinto como se tivesse vencido.
Mas então ela se recupera, mais rápido do que eu esperava, sua máscara voltando para o lugar como se nunca tivesse saído. Seus olhos se estreitam ligeiramente, como se estivesse puta consigo mesma por ter me deixado ver aquele momento de vulnerabilidade. Como se estivesse puta comigo por eu ter notado.
“Você está brincando com fogo, Albie”, ela diz, com a voz firme, mas agora há uma lâmina nela, afiada o suficiente para cortar. Envolta em seda, é, mas perigosa pra caralho.
Perfeito.
“Então vamos queimar, Angie”, murmuro, minha voz grave, deliberada, desafiando-a, porra, a levar isso até o fim. É um limite, uma provocação e, talvez, a coisa mais próxima da honestidade que ofereci a noite toda.
Mas aqui está a questão — ela é só mais uma interesseira. É isso que continuo dizendo a mim mesmo, pelo menos. Uma interessante, com certeza, mas é tudo a mesma merda. Um jogo para vencer. Um mistério para desvendar. Outra carta fora do baralho em meio a movimentos previsíveis. Nada que uma foda bem dada em um quarto de hotel não resolva — tirar o brilho, deixá-la na pilha com todas as outras. De volta ao meu mundo, onde tudo é limpo, polido e tão satisfatório quanto beber bourbon aguado.
Se ela acha que está sendo esperta com essa rotina de “sem nomes”, o problema é dela. Já joguei esse jogo centenas de vezes e sempre saio por cima. Isso? Isso não vai ser diferente.
Pelo menos, essa é a mentira que conto para mim mesmo.
Porque a verdade é que ela me pegou pela garganta, e ela nem sabe, porra. O jeito que ela está parada ali, mantendo sua posição, sem se jogar aos meus pés por causa do nome Beaumont — é algo inebriante, porra. Perigoso. O tipo de perigo que me deixa equilibrado na borda, inclinando-me só para ver quão longe consigo cair antes de atingir o chão.
“Vamos queimar, Albie”, ela responde, com a voz suave, quase tímida, como se não percebesse o que, porra, está fazendo comigo.
E, de repente, eu me perdi.
Me perdi, porra.
Eu nem penso. No segundo em que as palavras dela deixam seus lábios, algo dentro de mim se parte, como um fio esticado demais. De repente, nada mais importa — esta festa, essa farsa, todo esse mundo dourado que construí ao meu redor. Eu estendo a mão e agarro a dela. Pequena. Quente. Real. Real demais, porra. É o tipo de toque que faz o resto do meu mundo parecer um globo de neve — perfeito e intocável, mas oco pra caralho.
Antes que eu possa me impedir, estou puxando-a comigo, abrindo caminho pela multidão como um homem em uma missão. Os sorrisos falsos, as risadas movidas a champanhe, o tilintar das taças — tudo vira um borrão. Ruído de fundo. Esquecível. Porque tudo em que consigo pensar é nela. Sua mão na minha, seus saltos batendo contra o chão polido enquanto ela acompanha o passo, o jeito que ela não pergunta para onde estamos indo.
Foda-se. Ela é a única coisa aqui que parece real, e eu serei um maldito se deixar isso escapar.
As portas do elevador se fecham com um zumbido suave, isolando-nos do resto do mundo. O ar muda, elétrico, pesado, carregado com toda a merda que não dissemos, mas que não precisamos dizer. Olho para ela, e ela está me encarando, com o peito subindo e descendo como se ela tivesse acabado de correr uma maratona, porra. E talvez ela tenha — talvez nós dois tenhamos, fugindo do que quer que essa noite devesse ser.
Eu nem espero. No momento em que as portas fecham, estou em cima dela. Minhas mãos encontram sua cintura, puxando-a contra mim, e eu esmago meus lábios nos dela como se fosse a única maneira de respirar. Maldita seja. Ela tem gosto de bourbon e algo mais sombrio, algo imprudente, algo que eu sei que vai me destruir, porra.
Seus braços disparam, envolvendo meu pescoço, puxando-me para mais perto como se ela estivesse esperando por isso, e foda-se se isso não me faz entrar em parafuso. Empurro-a contra a parede do elevador, prendendo-a ali, meu corpo pressionando o dela como se eu não conseguisse ficar perto o suficiente. O metal frio atrás dela só torna seu calor ainda mais insuportável e, por um segundo, juro que perco o contato com a realidade.
Suas unhas arranham a nuca do meu pescoço, afiadas o suficiente para arder, e isso manda um choque de calor direto pela minha espinha. Gemo contra sua boca, minhas mãos descendo, agarrando seus quadris, puxando-a mais firme contra mim.
“Albie”, ela arqueja, interrompendo o beijo por apenas um segundo, sua voz sem fôlego, trêmula, destruída. E Jesus, o jeito que ela diz meu nome — como se não fosse apenas um nome, como se fosse uma promessa, porra — faz meus joelhos quase cederem.
“Não diga isso”, eu rosno, meus lábios roçando nos dela enquanto falo. “Não torne isso complicado.”
Sua risada é baixa, quase um sussurro, mas não há nada de suave nela. É afiada, mordaz, como se ela soubesse exatamente o que, porra, está fazendo comigo. “E se eu quiser que seja complicado?”, ela murmura, seus lábios se curvando em um sorriso que posso sentir contra os meus.
Cristo. Ela vai me arruinar.
O elevador apita, as portas abrindo para revelar o corredor do meu quarto, mas eu não me movo. Ainda não. Estou ocupado demais memorizando como seus lábios se sentem contra os meus, o jeito que suas mãos estão agarradas à minha camisa como se ela não quisesse me deixar ir.
Finalmente, afasto-me o suficiente para olhar para ela, e que se dane, ela é linda. Seu cabelo está um pouco bagunçado, seus lábios vermelhos e inchados, seus olhos mais escuros do que estavam há cinco minutos. Ela parece o caos, e eu quero mergulhar de cabeça nele.
“Vamos”, digo, minha voz rouca, e sem esperar uma resposta, agarro sua mão novamente e a conduzo pelo corredor.
Não sei para onde isso vai. Não sei que porra estou fazendo. Tudo o que sei é que entrei fundo demais, e não tem como eu sair disso ileso.
E a pior parte?
Eu nem ligo.
Mal passamos pela porta antes que suas mãos estejam no meu cabelo, sua boca na minha, e Jesus Cristo, porra, é como se ela estivesse tentando me consumir por inteiro. Chuto a porta para fechar atrás de nós sem olhar, tateando em busca da tranca porque a última coisa que preciso é que algum babaca da festa entre e estrague isso.
Seus lábios estão em toda parte — minha boca, meu maxilar, a lateral do meu pescoço — e quando ela morde o lóbulo da minha orelha, essa pequena mordida afiada, eu perco o controle. Um som gutural e baixo escapa antes que eu possa impedi-lo, e sinto seu sorriso contra minha pele como se ela soubesse exatamente o quanto está me provocando.
“Você acha que está no controle aqui, não é?”, eu rosno, agarrando-a pelos quadris e girando-a, jogando-a de volta contra a parede. Minhas mãos a prendem no lugar, meu corpo pressionando o dela, e que se dane, o jeito que ela se encaixa em mim é quase bom demais.
Sua respiração falha, mas ela não recua. Suas unhas cravam em meus ombros, afiadas e implacáveis, e ela me puxa para mais perto, como se tentasse me despedaçar peça por peça. “E se eu estiver?”, ela sussurra, sua voz baixa, ofegante, e porra, ela está zombando de mim.
Eu rio, áspero e amargo, arrastando minha boca pela curva do seu pescoço, deixando um rastro de beijos que a fazem se contorcer. “Querida”, murmuro contra sua pele, minha voz rouca e espessa de calor, “você não tem a menor ideia de com quem está lidando, porra.”
Sua risada é suave, perigosa, e isso me ilumina de dentro para fora. “Então me mostre”, ela diz, suas palavras roçando minha orelha, e de repente, estou perdido.
Eu a levanto, suas pernas se envolvendo na minha cintura como se fosse a coisa mais natural do mundo, e começo a carregá-la em direção à cama. Ela está mordendo meu lábio inferior, puxando com força suficiente para fazer minha cabeça girar, e minhas mãos estão em toda parte — suas coxas, suas costas, a curva da sua bunda. Eu quero tudo dela.
Seus dedos apertam meu cabelo, puxando o suficiente para arder, e é como se ela soubesse exatamente como apertar meus botões. Quando a jogo na cama, ela me puxa junto, suas pernas se entrelaçando nas minhas, seus lábios roçando meu maxilar enquanto ela solta essa risada ofegante que faz meu sangue ferver, porra.
“Você é sempre tão mandão?”, ela provoca, sua voz trêmula, sem fôlego, como se ela estivesse tentando se segurar naquele ato de durona, mas escorregando o suficiente para me deixar ver o que há por baixo.
“Só quando sei o que quero”, eu rosno, minhas mãos já deslizando pelos seus lados, arrastando-se pela curva suave de seus quadris enquanto agarro a bainha de seu vestido e começo a puxá-lo para cima.
O tecido desliza para cima, revelando coxas cremosas que parecem tão macias que poderiam me matar, porra, quadris largos feitos para destruir o foco de um homem, e uma bunda que é nada menos que pecaminosa. Redonda, firme, grande e implorando pelas minhas mãos, meus dentes, meu tudo, porra.
Continuo empurrando o vestido, centímetro por centímetro, minha respiração ficando mais pesada conforme mais dela é exposta, e santa porra, é como se ela tivesse sido esculpida a partir de todas as fantasias mais sombrias de qualquer homem. Sua barriga reta se contrai sob meu toque e, antes que eu possa terminar de arrancar o maldito vestido, ela levanta os braços, ajudando-me a rasgá-lo sobre sua cabeça como se ela não pudesse se livrar dele rápido o suficiente.
E então — Jesus Cristo. Dois peitos perfeitos, porra, saltam livres, redondos e cheios, com mamilos tão rosados que parecem ter estado corados por mim este tempo todo, apenas esperando minha boca, minha língua, meus dentes.
“Puta que pariu”, murmuro, minha voz rouca, praticamente gutural, enquanto a devoro com os olhos. Ela está espalhada na cama agora, seu cabelo uma bagunça selvagem ao redor da cabeça, seu peito ofegante, e seu corpo envolto apenas em uma calcinha de seda preta que parece tão delicada que eu poderia arrancá-la com uma mão só.
E talvez eu faça isso.
Foda-se. Por um segundo, eu apenas encaro, absorvendo tudo, o jeito que seu corpo se espalha pela cama, sua pele corada, seus olhos escuros e semicerrados enquanto ela me observa. Não há vergonha no jeito que ela está deitada ali para mim, sem hesitação, e é o suficiente para tirar o ar dos meus pulmões.
Agarro suas coxas, afastando-as um pouco mais, e arrasto minhas mãos sobre suas curvas, minhas palmas amassando a carne macia de seus quadris e bunda. O calor de seu corpo se infiltra na minha pele, e posso sentir a tensão enrolada em seus músculos, o jeito que ela treme levemente sob meu toque.
Sua respiração falha quando me abaixo, arrastando minha boca ao longo da curva de seu pescoço, provando sua pele. Ela é quente e doce, com um toque de sal, e cada centímetro dela parece fogo sob meus lábios. Continuo descendo, cada vez mais, deixando um rastro de calor por sua clavícula, seu peito, até que fecho minha boca sobre um daqueles mamilos perfeitos.
Ela arqueia sob mim, suas mãos agarrando meus ombros, suas unhas raspando minhas costas com força suficiente para arder. O som que ela faz — esse gemido agudo e ofegante — dispara direto por mim, e eu a agarro com mais força, puxando seus quadris contra os meus como se precisasse sentir cada parte dela agora mesmo, porra.
A cama range mais alto agora, protestando sob o peso do nosso movimento, sob o jeito febril que seu corpo se enrola ao meu como um torno. Suas pernas se apertam na minha cintura, prendendo-me no lugar, e que se dane se esse não é exatamente o lugar onde eu quero estar. Minhas mãos deslizam mais abaixo, gananciosas e brutas, agarrando sua bunda com força suficiente para fazê-la ofegar, puxando-a para mais perto como se eu tentasse nos fundir.
Cada parte dela é fogo. Minha boca desce por seu corpo, provando sua pele, deixando um rastro de calor sobre suas curvas — seu peito, suas costelas, a cavidade macia de seu estômago. Ela é uma obra-prima, porra, e ela sabe disso. O jeito que ela treme sob meu toque, o jeito que sua respiração falha toda vez que me movo para baixo — é como se ela estivesse me desafiando a perder a cabeça por ela.
E maldito seja, eu já perdi.
Sua pele é cremosa, perfeita, impecável de uma maneira que não parece justa. Macias em todos os lugares certos, suas curvas parecem ter sido esculpidas para arruinar homens como eu. Cada beijo, cada mordida, cada arranhão dos meus dentes arranca outro som de seus lábios, esses gemidos suaves e ofegantes que só me deixam mais duro, me deixam mais ganancioso.
O fogo entre nós não está apenas consumindo — está obliterando. Está me despedaçando e me reconstruindo ao mesmo tempo, e eu não consigo parar, porra. Minhas mãos encontram a tira delicada de seda que se agarra aos seus quadris — sua última barreira, a única coisa entre nós — e eu não hesito. Meus dedos engancham nela, arrastando a calcinha por suas coxas, jogando-a de lado como se não fosse nada.
E então eu vejo.
Jesus Cristo, porra.
Uma mancha macia e perfeitamente aparada de pelos ruivos, o mesmo cobre flamejante de seu cabelo, logo acima da boceta mais suave e perfeita que já vi na vida. Foda-se. Ela é ruiva natural. Uma fantasia ganhando vida, espalhada na minha cama como um sonho, porra, que eu tenho desde que era jovem demais para saber das coisas.
Rosa. Corada. Perfeita.
Sua pele cremosa capta a luz fraca, brilhando como se ela tivesse sido pintada em calor, suas coxas se abrindo o suficiente para fazer minha boca salivar. Ela está úmida, brilhante, e é tão obsceno, porra, que mal consigo pensar direito.
“Maldita seja”, murmuro baixo, minha voz rouca, gutural, como se tivesse sido raspada. Minhas mãos deslizam por suas coxas, abrindo-a mais, e santa porra, ela é perfeita. Nem me dou ao trabalho de tentar conter. Minha boca está nela antes que eu possa pensar duas vezes, provando-a, devorando-a, me afogando na doçura dela.
Ela grita, suas mãos voando para o meu cabelo, puxando com força, mas isso só me estimula mais. Ela é viciante. Cada som que ela faz, cada tremor em suas coxas, cada arqueada de suas costas — é como gasolina no fogo que já arde dentro de mim.
E não tem como voltar atrás, porra.
“Albie…” ela geme, seus olhos cinzas cravados em mim, apoiada nos cotovelos para que possa me ver. “Porra, você está me comendo tão bem. Você gosta disso?”
Porra, ela é do tipo que gosta de uma sacanagem suja.
No momento em que as palavras dela me atingem, é como uma dose de adrenalina direto na minha alma, porra. Se eu gosto? Caralho, ela não faz ideia. Minha língua trabalha nela como se fosse a última coisa que eu fosse provar na vida, e talvez seja verdade, porque nada — nada — poderia se comparar a isso. Ela é puro pecado estirada abaixo de mim, tremendo e porra, encharcada, sua voz um coquetel de gemidos ofegantes e palavras sujas que me dão vontade de destruí-la completamente.
“Eu gosto, porra?” eu rosno contra ela, minha voz abafada enquanto falo dentro do seu calor úmido, meus lábios arrastando nela de um jeito que faz o corpo inteiro dela estremecer. Não dou a ela a chance de responder porque não é uma pergunta — é um fato. Estou obcecado. Viciado. Ela é uma droga do caralho, e eu já estou tendo uma overdose.
Suas coxas se prendem aos lados do meu rosto, tremendo como se ela estivesse se segurando para não cair, e eu apenas pressiono com mais força, gemendo contra sua pele como um animal selvagem do caralho. Minhas mãos agarram seus quadris, meus dedos cravando com força suficiente para deixar marcas, porque eu quero que ela sinta isso por dias. Semanas. Porra, para sempre.
Sua voz falha quando ela grita de novo, a cabeça jogada para trás, seu cabelo ruivo formando uma auréola selvagem contra meus travesseiros, seus peitos arfando enquanto seu corpo se arqueia. Ela é divina pra caralho, cada centímetro dela — cada curva, cada gemido, cada respiração maldita que ela dá — está me levando mais fundo para uma parte primitiva e fodida de mim que eu nem sabia que existia.
“Albie”, ela arfa, e porra, o som do meu nome saindo da boca dela desse jeito faz coisas comigo que eu nem consigo colocar em palavras. Seus dedos se entrelaçam no meu cabelo, puxando com força suficiente para arder, mas eu não ligo. Eu amo isso pra caralho. Quero que ela me despedace se for isso que faz ela gozar.
“É, baby?” eu digo com a voz rouca, arrastando minha língua sobre seu clitóris inchado e úmido antes de sugá-lo para dentro da minha boca só para ver ela perder o juízo de vez. Ela grita, as costas arqueando, os quadris batendo contra o meu rosto, e eu a agarro com mais força, mantendo-a presa. “Me diz. Fala de novo. Fala pra mim, porra, o quanto você ama isso.”
A respiração dela falha, e ela está ofegante agora, suas coxas tremendo, seu peito corado em um tom delicioso de rosa que se espalha para o pescoço e bochechas. Seus olhos cinzentos travam nos meus novamente, e eles estão selvagens, desesperados, como se ela estivesse à beira de desmoronar.
“Eu amo”, ela solta, a voz se quebrando em um gemido, e Jesus Cristo, eu acho que posso gozar só de ouvir ela dizer isso. “Eu amo tanto. Por favor — porra — não para.”
Sua súplica faz algo comigo, algo primitivo e fodido que me faz redobrar a atenção, arrastando meus dentes levemente sobre seu clitóris só para vê-la desmoronar. E ela desmorona. De um jeito espetacular pra caralho. Seu corpo fica tenso, cada músculo travando, e então ela goza, um grito rasgando sua garganta que é tão cru que quase me deixa orgulhoso.
“Garota boa”, eu rosno contra ela, sem diminuir o ritmo, sem dar a ela a chance de acalmar enquanto eu a fodo com a boca. Ela está soluçando agora, suas mãos agarrando meus ombros, meu cabelo, qualquer coisa que ela consiga alcançar, e eu devoro tudo — literal e figurativamente. Cada som, cada movimento, cada segundo dela se desfazendo é combustível para o fogo que queima dentro de mim.
“Albie”, ela geme de novo, mal conseguindo formar a palavra, seu corpo ainda tremendo conforme as ondas do orgasmo passam por ela. E foda-se se isso não me faz querer ainda mais. Eu me afasto, lambendo os lábios, saboreando o gosto dela em mim enquanto olho para seu rosto corado e atordoado.
“Eu gosto?” repito, minha voz pingando diversão e uma fome primitiva enquanto subo pelo corpo dela, deixando-a sentir todo o peso de mim a pressionando. Meus lábios roçam sua orelha, e não consigo evitar o sorriso que se abre no meu rosto. “Baby, eu estou faminto pra caralho. E você nem chegou perto de estar pronta para o que eu quero fazer a seguir.”
“É?” ela respira, as pernas ainda bem abertas, o rosto uma bagunça deliciosa e fodida. Seu cabelo ruivo se espalha ao redor dela como um incêndio, e seus lábios — inchados, entreabertos, implorando — se curvam no menor dos sorrisos. Esse sorriso é perigoso. É uma arma, e está apontado direto para o pouco de autocontrole que ainda me resta.
“Você vai me deixar ver seu pau, baby?” ela provoca, a voz uma mistura de ofegante e pecaminosa, e porra, eu estou acabado.
Minhas mãos já estão no meu cinto, tateando como um maníaco. “Você quer ver meu pau?” eu digo com a voz rouca, puxando a tira de couro com um estalo seco e jogando-a no chão sem pensar duas vezes. Meu zíper segue o mesmo caminho, o som alto no silêncio quente do quarto. “Você vai fazer muito mais do que só ver essa porra.”
Os olhos dela caem imediatamente, travando no volume crescente que tensiona minha cueca, e sua língua sai para umedecer o lábio inferior. Maldita, ela parece que quer me devorar vivo. Só o pensamento faz meu pau pulsar, e quando o olhar dela volta para o meu, há um brilho de malícia naqueles olhos cinzentos tempestuosos. Ela sabe muito bem o que está fazendo comigo.
“Me mostra”, ela sussurra, a voz rouca e cheia de desafio, e porra, eu nem hesito. Abaixo minhas calças, chutando-as para longe sem qualquer delicadeza, e deixo a cueca cair também.
Sua respiração ofegante é como gasolina no incêndio que ruge dentro de mim. Seus olhos se arregalam, os lábios se entreabrindo enquanto ela me observa, e o silêncio se estende por tanto tempo que eu quase perco o juízo.
“Jesus Cristo”, ela finalmente respira, a voz mal acima de um sussurro, as bochechas ficando ainda mais vermelhas enquanto seu olhar permanece fixo no meu pau. “Você é enorme, Albie. Tipo… caralho.”
Meus lábios se curvam em um sorriso presunçoso e selvagem enquanto dou um passo em direção à cama, deixando-a ver de perto. “Você acha que dá conta, baby?” eu provoco, a voz baixa, rude, carregada de arrogância. “Porque assim que eu estiver dentro de você, não vou parar até ter arruinado qualquer outro pau para você. Você vai pertencer a mim, porra.”
As pernas dela tremem, abrindo-se ainda mais em um convite, e a maneira como seu peito sobe e desce — rápido e irregular — me diz que ela está tão destruída quanto eu. “Tenta a sorte”, ela desafia, a voz trêmula de desafio e luxúria, e aquele sorriso maldito está de volta, me provocando. Me desafiando. Me desarmando por completo.
“Você está brincando com fogo”, eu rosno, subindo na cama, pairando sobre ela enquanto agarro seus pulsos e os prendo acima da cabeça. Meu pau roça na barriga dela, sujando sua pele com líquido pré-gozo, e sua respiração aguda envia um arrepio direto pela minha espinha. “Tem certeza que quer fazer isso, Ruiva? Porque uma vez que eu entrar, eu não vou soltar mais.”
A respiração dela falha, suas coxas se apertam mais ao redor dos meus quadris, seu corpo inteiro se arqueando em minha direção como se ela estivesse desesperada para sentir cada centímetro de mim contra ela. “Eu queria isso desde o momento em que te vi”, ela sussurra, a voz trêmula, uma mistura perfeita de fome e desafio. Seus olhos cinzentos travam nos meus, brilhando como aço em brasa, me desafiando a dar tudo o que tenho. “Agora para de falar essa porra e me mostra o que esse pau consegue fazer.”
É isso. Esse é o gatilho maldito.
Um rosnado rasga meu peito, baixo e gutural, enquanto eu me inclino, meu pau pulsando contra seu calor úmido. A tentação de apenas empurrar — cru e imprudente — é avassaladora, mas eu não sou um idiota. Não importa o quão perfeita ela pareça estirada abaixo de mim, corada e encharcada e desesperada, eu sei como as coisas são. Garotas como ela não caem no seu colo sem um preço. Ruiva deslumbrante com uma boca pecaminosa e um corpo feito para ser adorado? É, seria estúpido pra caralho não jogar com inteligência.
Estico a mão para a gaveta da cabeceira, pego uma camisinha, rasgando a embalagem com os dentes enquanto mantenho meu olhar fixo nela. Ela solta um gemido manhoso, os quadris rolando contra mim enquanto as coxas tremem, mas eu apenas sorrio, convencido. A frustração dela é deliciosa pra caralho.
“Você é um provocador do caralho”, ela sibila, as mãos agarrando meus ombros, as unhas cravando na minha pele.
Coloco a camisinha com facilidade, a borracha esticando bem sobre meu pau, e olho para ela. “Paciência, baby”, murmuro, a voz baixa e áspera, cada palavra pingando diversão. “Se você quer que eu te destrua, vamos fazer do meu jeito.”
Seus olhos cinzentos se estreitam, seus lábios se curvando em um sorriso astuto e perigoso que faz meu sangue ferver. “Do seu jeito, é?” ela provoca, a voz quase ronronando enquanto suas unhas arranham meu peito, deixando linhas vermelhas. “Você acha que está no comando aqui?”
Pressiono a cabeça do meu pau contra sua entrada, empurrando apenas um pouco, e o corpo inteiro dela dá um solavanco, um suspiro agudo escapando de seus lábios. “Isso é bonitinho”, eu rosno, a voz cheia de arrogância enquanto me pressiono contra ela, deixando-a sentir meu tamanho, me lubrificando com a umidade dela. “Você pode fingir o quanto quiser, mas nós dois sabemos quem manda aqui.”
A respiração dela vem em suspiros curtos e frenéticos, as coxas tremendo enquanto ela se contorce abaixo de mim, seu corpo implorando por mais mesmo enquanto seus lábios se torcem em um sorriso. “Para com essa porra”, ela dispara, a voz aguda e carente, as unhas cravando na minha pele. “Você está me deixando louca, Albie. Só me fode logo.”
“Não até você implorar”, eu rosno, minha pegada em seus quadris apertando enquanto a mantenho no lugar, provocando-a com movimentos lentos e deliberados que a fazem gemer e se contorcer. “Se você quer esse pau, vai ter que merecer, Ruiva.”
Sua cabeça cai para trás contra os travesseiros, um rosnado de frustração escapando de seus lábios enquanto ela se arqueia contra mim. “Você é um babaca do caralho”, ela resmunga, a voz trêmula, mas não dá para ignorar o calor em seu olhar quando ela olha de volta para mim.
“E você ama isso, porra”, eu provoco, empurrando o suficiente para esticá-la antes de recuar, sorrindo quando ela geme de frustração. “Agora fala. Implora para eu te foder. Implora para eu te fazer minha.”
Ela olha para mim, seus olhos cinzentos selvagens, desesperados, os lábios trêmulos enquanto ela puxa uma respiração instável. “Por favor”, ela finalmente sussurra, a voz falhando enquanto suas unhas arranham minhas costas, deixando um rastro de fogo. “Por favor, Albie. Me fode. Eu preciso de você. Eu preciso do seu pau. Por favor.”
“Garota boa”, eu rosno, e sem mais um segundo de hesitação, eu entro nela de uma vez, enterrando-me até o talo em uma estocada brutal.
O grito dela corta o quarto, cru e gutural, seu corpo inteiro travando enquanto sua buceta se aperta ao meu redor como um torno. “Puta que pariu”, eu sibilo, minha cabeça caindo em seu ombro enquanto me movo fundo dentro dela, saboreando a forma como ela se estica para me receber. “Você é tão apertada, Ruiva. Tão perfeita pra caralho. Você parece o paraíso.”
“Porra”, ela solta, a voz tremendo, as pernas envolvendo minha cintura para me puxar ainda mais para dentro. “Você é tão grande, Albie. Você é enorme pra caralho. Eu consigo sentir você — ai meu Deus, eu consigo sentir você em todo lugar.”
“É?” eu digo com a voz rouca, recuando apenas o suficiente para entrar de novo, mais forte desta vez, fazendo-a gritar. “Você gosta disso, baby? Você gosta do jeito que eu te preencho? Você gosta de ser esticada por esse pau?”
“Sim”, ela grita, as unhas cravando nas minhas costas enquanto seus quadris sobem para encontrar os meus. “Sim, porra, eu amo. Não para. Não se atreve a parar essa porra.”
Eu aumento o ritmo, entrando nela como um homem possuído, o som de seus gemidos e o estalo úmido da pele contra a pele alimentando o fogo que queima em meu peito. Seu corpo é perfeito abaixo de mim, macio e quente e tremendo, e a forma como a buceta dela me agarra — apertada, molhada e perfeita pra caralho — me faz sentir como se estivesse perdendo o juízo.
“Você é minha”, eu rosno, minha voz baixa e rude enquanto me enterro até o talo, me movendo fundo dentro dela. “Essa buceta é minha. Fala, Ruiva. Fala que você pertence a mim, porra.”
“Eu sou sua”, ela arfa, a voz quebrando enquanto sua cabeça cai para trás contra os travesseiros, seu cabelo ruivo uma bagunça selvagem. “Eu sou sua, Albie. Eu pertenço a você, porra.”
“Garota boa”, eu rosno, entrando nela mais forte, mais rápido, enquanto seus gemidos aumentam, mais desesperados. “Agora goza para mim. Goza toda em cima do meu pau, sua putinha nojenta.”
E quando ela finalmente faz isso — seu grito ecoando pelo quarto, seu corpo convulsionando ao meu redor, suas unhas enterradas nos meus ombros como se ela estivesse tentando se ancorar à realidade — eu sei que eu ganhei essa porra.
A buceta dela se aperta ao redor do meu pau tão forte que é quase insuportável, a umidade dela escorrendo pelas minhas coxas enquanto continuo batendo nela, implacável, brutal, movido pela necessidade animal de extrair cada gota de prazer dela. Ela está destruída — completamente fodida — e o jeito que ela está gemendo, soluçando meu nome entre suspiros, me diz que ela não dá a mínima que eu não seja o bastardo mais bonito do recinto.
Meu estômago mexe a cada estocada, um lembrete afiado de todas as cervejas e comidas de merda que compõem minha vida não tão glamorosa, mas será que ela se importa? Porra nenhuma. Ela está longe demais, ocupada demais arfando, gemendo e tremendo abaixo de mim, com as pernas travadas ao redor da minha cintura como se ela não quisesse que eu parasse.
Mas esse é o negócio dela, né? Ela não se importa com quem está fodendo ela, desde que seja bom e ela ache que vai tirar alguma coisa disso. Eu vejo tudo tão claramente agora. Ela não está aqui porque gosta de mim — não de verdade. Ela está aqui porque acha que sou um dia de pagamento. Um bilhete para algo maior. E quando a manhã chegar, quando a névoa dos orgasmos e do suor desaparecer, ela vai ficar lá, parecendo presunçosa pra caralho, achando que encontrou ouro.
O pensamento me faz entrar nela ainda mais forte, meus dedos cravando em seus quadris tão rudemente que eu sei que ela vai ficar roxa. “Toma”, eu rosno entre dentes cerrados, as palavras escapando antes que eu possa detê-las. “Pega cada centímetro dessa porra. Você queria isso, não queria? Agora está recebendo.”
Sua cabeça cai para trás, um gemido gutural rasgando sua garganta enquanto suas unhas arranham minhas costas. “Porra, sim”, ela grita, sua voz rouca e crua. “Não para, Albie. Não se atreve a parar essa porra.”
As palavras dela são uma viagem para o meu ego, uma dose de adrenalina pura que me faz sentir como um rei do caralho. Mas mesmo enquanto dou a ela exatamente o que ela está implorando — batendo nela com tanta força que a estrutura da cama sacode contra a parede — eu não consigo desligar a voz no fundo da minha cabeça. Ela não se importa com você. Essa é a verdade, não é? Ela não se importa com o homem dentro dela, aquele que está suando e grunhindo e dando a ela a melhor foda da vida dela. Tudo o que ela se importa é com o que ela pode tirar.
A percepção não me faz parar. Porra, se alguma coisa, me faz ir com mais força. Se ela está aqui para tirar algo, eu vou fazer ela merecer essa porra.
“Você gosta disso, Ruiva?” eu rosno, minha voz baixa e áspera enquanto me inclino, meu hálito quente contra sua orelha. “Você gosta de ser comida desse jeito? Você gosta de ser usada?”
Seus gemidos aumentam, seus quadris batendo para encontrar os meus enquanto ela arfa: “Sim, Albie, porra — sim. Me usa. Me usa, porra.”
Jesus Cristo, ela curte mesmo. Claro que curte. Garotas como ela — querem algo sujo. Querem algo bruto. Querem sentir que estão sendo destruídas, que estão se perdendo nisso. E talvez seja só isso — uma transação maldita onde eu fico com o corpo dela e ela fica com… qualquer porra que ela esteja buscando.
Mas foda-se. Se esse é o jogo, eu vou jogar para ganhar.
Agarro suas coxas, empurrando-as para trás, dobrando-a ao meio enquanto entro nela mais forte, mais fundo, fazendo-a gritar. “Você é minha agora”, eu rosno, minha voz um rosnado selvagem enquanto assisto ela se desmanchar abaixo de mim. “Entendeu? Essa buceta é minha. Você não pode ficar com ela, mas por enquanto, você vai me dar tudo, porra.”
“Sim!” ela grita, seu corpo tremendo enquanto outro orgasmo a atravessa, sua buceta se apertando ao meu redor tão forte que parece que está tentando me puxar para mais fundo. Sua cabeça cai para trás, o cabelo ruivo selvagem e bagunçado contra meus lençóis, seus olhos cinzentos se fechando enquanto ela surfa na onda disso.
E por um segundo — um único segundo maldito — eu quase acredito. Eu quase acredito que aquele gemido, aquele grito, aquele corpo trêmulo abaixo de mim seja real. Que ela está aqui por mim. Mas então o pensamento rasteja de volta, frio e afiado: Ela não te quer. Ela quer o que você pode dar a ela.
Isso não me para. Isso não importa porra nenhuma. Se ela quer me usar, eu vou usá-la de volta. Esse é o acordo que fizemos, quer ela perceba ou não. Ela ganha o ouro dela, e eu fico com a alma dela, porra.