Capítulo Um - Imundície
Nate
A água está escaldante — o vapor se enrola pelo vidro, embaçando o espelho até que o reflexo desapareça. Preciso que seja assim. Não quero me ver. Não quero olhar nos meus próprios olhos enquanto faço isso.
Mas não consigo parar.
Minha testa pressiona o azulejo, o calor martelando minhas costas, deslizando pelo meu peito em correntes incessantes. Minha mão já está envolta no meu pau, o punho apertado, bombeando de forma lenta e bruta, como um castigo.
Como uma penitência.
Mas não é o suficiente.
Nunca é.
Porque tudo o que vejo — atrás das minhas pálpebras, debaixo da água, afogando qualquer pensamento limpo — é ela.
Talia.
Pela sob mim. Geme meu nome daquele jeito arruinado e sem fôlego que ficou marcado nos meus ossos, porra.
Eu gemo, mordendo o lábio com força, acariciando mais rápido agora. Sem sutileza. Sem paciência. Apenas uma necessidade crua — feia, brutal, doentia.
Ela está em toda parte.
De joelhos na minha frente.
De costas, embaixo de mim.
Debruçada na bancada da cozinha, ofegando enquanto eu a abro, seus dedos arranhando a madeira, implorando por mais.
“Porra,” eu solto, minha voz baixa e destruída ecoando pelas paredes de azulejo.
Eu me odeio.
Odeio o jeito que meu corpo me trai toda maldita vez que penso nela.
Eu não deveria mais desejá-la. Não deveria mais precisar dela. Não depois de tudo.
Não depois de Lydia.
Minha mão se move mais rápido. Mais forte. Meus quadris dão um solavanco para frente, perseguindo o prazer que eu não deveria estar ansiando.
Eu não deveria querê-la.
Eu não deveria me lembrar do gosto dela na minha língua.
Mas eu lembro.
Eu lembro de tudo.
O som suave que ela fez na primeira vez que enfiei meus dedos dentro dela.
O jeito que ela me olhou enquanto gozava, como se estivesse se despedaçando só para mim.
O jeito que as unhas dela cravavam nos meus ombros, me marcando, me possuindo.
A voz dela — quebrada e crua — enquanto sussurrava Nate…
Eu gemo de novo, mais alto desta vez, minha testa batendo contra o azulejo com um baque surdo e brutal.
Não consigo parar.
Meu pau está latejando na minha palma, liso de sabão e suor, as veias saltadas enquanto fodo meu próprio punho como se fosse ela.
Deus, eu consigo sentir ela.
Apertada. Molhada. Se contraindo ao meu redor.
Suas pernas tremendo enquanto eu a arruino.
Seus suspiros ofegantes se transformando em pedidos imundos e desesperados.
“Mais forte — por favor, mais forte—”
Eu movimento mais rápido, os quadris dando solavancos, meu estômago se contraindo conforme o orgasmo se forma — agudo, quente, impossível de impedir.
Eu não deveria dizer o nome dela.
Eu não deveria.
Mas escapa mesmo assim — gutural, selvagem, arrancado de algum lugar profundo do meu peito.
“Talia — porra, Talia—”
Eu gozo com um gemido violento, sujando tudo com força, jatos atingindo meu estômago, misturando-se com a água enquanto ela lava minha vergonha.
Mas a imundície permanece.
Ela sempre permanece.
Meu peito arfa. Minhas pernas tremem. Minha mão desliza até o azulejo, agarrando-o como se fosse a única coisa me mantendo de pé.
E ainda assim, mesmo agora — vazio, esgotado, enojado — eu a vejo.
Toda vez que fecho os olhos.
A cada segundo de cada maldito dia.
Ela é tudo em que penso.
Tudo o que quero.
E eu a odeio por isso.
Mas não tanto quanto me odeio.
Porque estou preso.
Acorrentado a uma vida da qual não consigo escapar.
Um casamento que não posso deixar.
Não depois do que Lydia fez.
Não depois do que ela sabe.
Eu deveria ter sido mais esperto.
Deveria ter sido mais forte.
Mas no segundo em que provei Talia, perdi cada gota de controle que eu pensava ter.
E agora?
Agora sou um prisioneiro.
Do meu casamento.
Da minha culpa.
Da minha obsessão por uma garota que nunca mais poderei ter, porra.
E a pior parte?
Eu já estou ansiando por ela de novo.
Mesmo com a água ainda correndo.
Mesmo com a culpa me sufocando.
Eu ainda estou ficando duro de novo, meu pau tremendo na minha palma.
Porque não há como consertar isso.
Sem salvação.
Não mais.
Só existe ela.
E eu já fui longe demais.
Me enxugo rápido e de forma bruta, sem me preocupar em fazer a barba. Minha pele ainda arde, mas não é mais por causa da água.
Coloco um jeans e uma camisa, meu maxilar rígido, a respiração curta, temendo o momento em que terei que sair deste quarto. Mas não posso me esconder aqui o dia todo, porra.
Empurro a porta e saio, indo direto para as escadas, ignorando o peso pesado que já torna o ar denso no segundo em que passo pelo patamar.
Ela está esperando.
É claro que ela está esperando, porra.
Não olho em direção à sala de jantar. Não a reconheço. Continuo andando, direto para a cozinha, onde posso me afogar em café preto e fingir que não estou me sufocando dentro da minha própria maldita casa.
Mas a voz dela cortou o ar, doce como veneno.
“Diane ligou.”
Eu travo no meio do passo.
Minha mão aperta o encosto da cadeira pela qual eu estava prestes a passar, os nós dos dedos ficando brancos com o rangido da madeira.
Ela sabe exatamente o que está fazendo.
Não me viro.
Mas ela não precisa que eu me vire.
A voz dela rasteja pelo ambiente — sedosa, lenta, banhada em diversão.
“Ela estava se perguntando por que você não tem retornado as ligações dela.” Uma risada suave e seca. “Ou as do Kev.”
Meu estômago dá um nó, apertado e agudo.
Continuo olhando para a cafeteira, como se, se eu me concentrasse o suficiente, pudesse desaparecer.
Mas ela continua.
“Não se preocupe,” Lydia ronrona, seu tom pingando de falsa doçura. “Eu não contei a verdade para ela.”
Ainda não me viro.
Eu não consigo.
Mas eu a ouço se mexer na cadeira, o barulho dela contra o chão enquanto cruza uma perna sobre a outra, presunçosa e satisfeita.
“Eu não contei a ela que você tem ignorado eles,” ela diz, a voz baixando, ficando mais fria, mais mortal. “Porque você está ocupado demais batendo uma para a lembrança de ter fodido a filhinha perfeita deles.”
Meu estômago afunda.
Eu aperto a bancada agora, com força suficiente para que meus dedos doam, meu maxilar cerrado com tanta força que meus dentes latejam.
Ela ri novamente, suave e cruel.
“Uma ótima garota, não era?” Lydia provoca. “O anjo do papai. A queridinha da mamãe. Eles nunca teriam imaginado o que ela deixou você fazer com ela. Como ela implorou por isso. Como ela gritou por isso, porra.”
Meu peito queima.
Eu a odeio.
Odeio cada palavra que cai dos lábios dela.
Mas a pior parte — a parte que me faz sentir doente — é que meu pau ainda treme com a lembrança.
“Enfim…” A cadeira de Lydia range novamente, mais devagar desta vez, deliberada. Ela se levanta, os passos leves, mas certos, enquanto caminha em minha direção.
Ainda não me movo.
Não consigo.
Eu ouço seus saltos clicarem pelo chão.
Ouço ela parar bem atrás de mim.
Sinto a respiração dela contra o meu pescoço enquanto ela se inclina, a voz suave, debochada, vitoriosa.
“Ela também nos convidou,” ela ronrona.
Silêncio.
Meu pulso martela.
“Para o churrasco de despedida da faculdade de Talia. Neste sábado.” Lydia termina, suas palavras cortando como vidro. “Kev insistiu. Apenas família.”
Eu esfrio.
Gelo puro, porra.
A mão de Lydia roça meu ombro, suas unhas arrastando pelo tecido da minha camisa — zombando, provocando, desafiando-me a reagir.
“Eu disse a eles que adoraríamos ir,” ela sussurra.
Meu estômago cai até os meus malditos joelhos.
E quando finalmente me viro, tarde demais, devagar demais, Lydia já está se afastando.
Vitoriosa.
Sorrindo.
Porque ela sabe que eu vou.
E ela sabe exatamente o que isso fará comigo.
Fico ali — entorpecido, fervendo, me afogando nisso — vendo-a desaparecer pelo corredor, sua risada ecoando em meus ouvidos.
Porque em dois dias, estarei de volta à casa deles.
De volta sob o teto deles.
Com ela.
E não tem como, porra, eu sobreviver a isso.
Ainda estou ali — congelado, destruído — quando a voz dela flutua de volta pelo arco aberto, suave e despreocupada, como se ela estivesse discutindo planos de jantar em vez de me dilacerar viva.
“Ah,” Lydia acrescenta, pausando o tempo suficiente para torcer a faca mais fundo. “Não se esqueça…”
Meu estômago revira, mas não consigo parar de ouvir.
“Temos nosso compromisso esta tarde.”
Meu peito se fecha.
Seus saltos clicam uma, duas vezes — passos lentos e deliberados, feitos para garantir que eu ouça cada palavra enquanto ela passeia em direção às escadas.
“Você não gostaria de perder isso,” ela continua, sua voz pingando de diversão venenosa. “Afinal de contas…”
Outra pausa.
Fecho os olhos com força, rezando para que ela não diga isso.
Mas é claro que ela diz.
“...nós temos um futuro para planejar, querido.”
A risada dela a segue escada acima — aguda, cruel, triunfante.
E eu fico ali, me afogando nos escombros.
Porque eu já sei o que essa consulta significa.
Não é sobre esperança.
Não é sobre amor.
Não é sobre consertar o que está quebrado entre nós há anos.
É sobre controle.
Sobre punição.
Sobre me prender a ela para sempre.
Porque Lydia não vai me deixar ir.
Não depois do que ela viu.
Não depois do que ela sabe.
E eu já estou fundo demais na armadilha dela para conseguir sair.
Olho para o chão, com os punhos cerrados, o peito vazio e o coração disparado.
Porque esta tarde, eu deveria estar sentado em uma porra de uma clínica de fertilidade com a mulher que eu odeio.
Enquanto tudo o que consigo pensar é na filha do homem que mais confia em mim.
E, pela primeira vez na minha vida, não tenho certeza se vou sobreviver ao dia sem destruir tudo.
Passam-se horas até que eu olhe para o relógio.
Passadas das duas.
A consulta dela era às uma e meia.
O telefone na minha mesa não para de tocar — o nome dela piscando na tela repetidamente, vibrando contra a madeira como se estivesse zombando de mim.
Eu não atendo.
Eu nem olho para essa porra.
Deixe tocar.
Deixe que ela fique lá sozinha em alguma sala de espera estéril, folheando revistas ultrapassadas enquanto fervilha de raiva e planeja sua próxima punição.
Eu não dou a mínima.
Eu não vou.
Eu soube disso no segundo em que ela falou de manhã, com a voz pingando veneno. Aquele sorriso açucarado quando ela me lembrou. Aquele olhar provocador, como se ela achasse que eu ainda participaria do seu joguinho.
O foda-se para isso.
Eu queimaria este casamento inteiro até o chão antes de deixar ela me arrastar para uma clínica de fertilidade.
Em vez disso, estou na obra.
O pessoal saiu para almoçar há mais de uma hora, me deixando sozinho na estrutura semiesqueleto do que deveria ser uma casa personalizada de um milhão de dólares à beira do lago. Vigas expostas acima, serragem densa no ar, o cheiro de pinho impregnado nos meus pulmões.
Eu deveria estar trabalhando.
Eu deveria estar conferindo as plantas espalhadas na mesa improvisada, medindo a posição da ilha da cozinha, garantindo que as linhas hidráulicas combinem com as novas plantas baixas.
Mas não consigo me concentrar.
Meus olhos ficam embaçados sobre as páginas.
Minha caneta bate distraidamente contra a borda da madeira, de forma aguda, rápida e impaciente.
Porque minha mente não está aqui.
Está lá.
De volta à casa do lago.
De volta àqueles primeiros dias depois que partimos.
Deus, aqueles dias foram um inferno.
Mal me lembro de dirigir de volta. As milhas se misturaram, a estrada se estendendo infinitamente sob os pneus enquanto Lydia sentava ao meu lado, cantarolando com o rádio como se não tivesse acabado de detonar uma bomba sob a minha vida.
Ela não mencionou o vídeo.
Não mencionou Talia.
Ela apenas sorriu, porra.
Sorriu e interpretou a esposa perfeita, a mão descansando na minha coxa, as unhas traçando círculos lentos no meu jeans como se fôssemos apenas mais um casal voltando das férias.
Eu não conseguia falar.
Eu não conseguia respirar, porra.
O peso daquilo pairava sobre o meu peito, denso e sufocante, cada milha me arrastando para mais perto do nó que ela tinha enrolado ao redor do meu pescoço.
E quando chegamos em casa — quando desliguei o motor e fiquei ali segurando o volante como se fosse a única coisa que me impedia de desmoronar — ela se inclinou, beijou minha bochecha e sussurrou tão suavemente que ainda me causa arrepios.
“Bem-vindo de volta, querido.”
Como se nada tivesse acontecido.
Como se ela já não tivesse decidido como isso ia terminar.
Fiquei entorpecido nos primeiros dias.
Andando pela casa como um fantasma, aparecendo no trabalho, fingindo me importar com plantas e licenças, quando tudo o que eu conseguia ouvir — a cada segundo, a cada respiração — era a voz dela na minha cabeça.
Eu me pergunto o que Diane pensaria.
Ou Kev.
Como você acha que eles reagiriam ao descobrir que a filhinha perfeita deles deixou você foder com ela desse jeito?
Ainda consigo sentir a náusea que tomou conta de mim quando ela disse isso. O jeito que meu estômago revirou, a bile queimando minha garganta.
Ela me deixou ficar com isso.
Deixou-me me afogar nisso.
Sorrindo. Rindo. Servindo uma bebida para mim e fingindo que estamos bem, como se ela não estivesse segurando toda a minha vida na palma da mão.
Eu deveria saber que ela não pararia por aí.
Lydia não faz ameaças que não pretende cumprir. Ela é paciente assim — estratégica. Ela espera até que você se convença de que talvez tenha acabado. Talvez ela tenha parado com seus jogos.
Então ela te lembra exatamente com quem você está lidando.
Foram três noites depois que voltamos quando ela finalmente atacou.
Cheguei em casa tarde, mais tarde do que o normal, depois de dirigir sem rumo pela cidade até mal conseguir ver direito. Lembro-me de entrar pela porta, exausto, morrendo de fome, desesperado para esquecer tudo — mesmo que por apenas uma hora, porra.
Ela estava esperando.
Sentada no sofá, pernas cruzadas, taça de vinho na mão, o cintilar da lareira projetando sombras no rosto dela.
Como uma cena de um filme de terror dos infernos.
“Dia difícil?”, ela perguntou, com a voz doce como xarope.
Eu a ignorei. Caminhei direto para a cozinha. Eu não conseguia nem olhar para ela.
Mas ela não me deixou ir muito longe.
“Nate.”
Eu congelei, com a mão na maçaneta da geladeira, o peito apertando.
Seus saltos estalaram contra o piso de madeira, lentos e deliberados enquanto ela caminhava em minha direção, sem pressa, saboreando cada passo.
“Eu tenho pensado”, ela disse, circulando-me como uma predadora. “Sobre nós. Sobre o futuro.”
Eu não respondi.
Eu não conseguia.
Ela colocou o vinho no balcão, perto o suficiente para que o aroma me atingisse — doce, seco, intenso.
E então, ela tirou o telefone do bolso.
Meu estômago afundou.
Ela desbloqueou, passando casualmente pela galeria com um sorrisinho presunçoso, como se estivesse olhando fotos de férias.
Então ela estendeu para mim.
O vídeo.
Eu não precisava ver para saber o que era. Meu instinto já tinha me dito.
Mas eu olhei mesmo assim.
Porque sou fraco desse jeito.
E lá estava.
Eu.
Ela.
Talia.
Nua, contorcendo-se, encharcada de suor e pecado, sua voz crua e quebrada enquanto ela me implorava para continuar.
Lembro-me de como o quarto girou. Do jeito que meus joelhos quase cederam.
A voz de Lydia estava suave quando ela finalmente falou.
“É por isso que você jogou tudo fora?”, ela perguntou, inclinando a cabeça, fingindo curiosidade. “Ela soa tão desesperada, não é?”
Eu não conseguia me mexer.
Não conseguia respirar.
“E a melhor parte?” Ela se inclinou, perto o suficiente para que seu perfume quase me sufocasse. “Agora ela te odeia e você está preso a mim.”
O sorriso dela se alargou.
Eu me encolhi.
Ela riu.
Não foi alto — não aquela risada aguda e dramática que ela reserva para jantares e eventos públicos. Não, essa foi suave, baixa, feita apenas para mim.
Uma vitória privada.
“Ela nunca mais vai olhar para você da mesma forma”, ela murmurou, seus lábios roçando o lóbulo da minha orelha. “Você destruiu tudo, Nate. Qualquer pequena fantasia que ela construiu em torno de você — qualquer sonho patético que ela tinha — acabou agora.”
Eu estava tremendo.
Minhas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo, os nós dos dedos brancos, minha respiração curta e ofegante.
A voz de Lydia baixou ainda mais, presunçosa e venenosa.
“E sabe qual é a parte mais engraçada?”, ela sussurrou. “Eu nem precisei levantar um dedo.”
Ela se afastou, seus olhos brilhando com malícia.
“Você fez tudo sozinho.”
Foi aí que ela foi embora.
Calma. Graciosa. Como se não tivesse acabado de arrancar minha espinha e deixado sangrando no chão da cozinha.
Não sei quanto tempo fiquei ali depois que ela saiu.
Tempo suficiente para que o gelo em minhas veias derretesse em raiva.
Tempo suficiente para perceber que não era só dela que eu tinha raiva — era de mim mesmo.
Porque ela estava certa.
Eu terminei tudo.
Eu destruí a garota.
Eu olhei para Talia nos olhos e a despedacei de propósito.
Fui eu quem saiu, deixando-a naquele quarto, para salvar a minha própria pele.
Isso não foi obra da Lydia.
Isso foi eu.
Tudo, porra, fui eu.
Eu a afastei.
Eu a quebrei.
E eu nunca me odiei tanto.