Ligada ao Arrogante

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Resumo

Lily Summers, a filha rebelde de um dos Alfas mais poderosos da América do Norte, passou os últimos dois anos tentando levar uma vida normal entre os humanos. Após ser preterida como Alfa e forçada a um casamento político que nunca quis, Lily deixou Crimson Moon para conquistar sua liberdade. Mas, quando uma série de ataques violentos ameaça o equilíbrio delicado entre vampiros e lobisomens, ela é forçada a retornar ao mundo que jurou abandonar.

Status
Completo
Capítulos
52
Classificação
4.9 23 avaliações
Classificação Etária
18+

1

Eu estava acelerando pela estrada sem a menor preocupação, enquanto minha amiga, no banco do passageiro, gritava de medo. Eu não conseguia evitar. Eu adorava a velocidade.

Como lobisomem, eu estava acostumada a correr pela floresta com o vento no rosto, cascalho sob as patas e a adrenalina correndo nas veias. Isso aqui? Isso não era nada. Só mais uma diversão.

“Me lembra por que eu entro no carro com uma maluca como você?”, perguntou Marsha, minha única amiga humana, enquanto tentava salvar o cabelo do caos.

Os cachos de Marsha eram lindos, mesmo que ela dissesse que eram impossíveis de domar na maior parte do tempo. Depois dessa viagem, porém, eles praticamente teriam vida própria.

“Porque você ama minha Lambo”, eu disse, beijando o volante e rindo quando Marsha me olhou de um jeito estranho.

“Eu seriamente não sei por que eu ando com você”, ela murmurou, balançando a cabeça.

“Porque você me ama, sua piranha.”

“Droga. Talvez você tenha razão”, ela rebateu, com um sorriso sarcástico.

Nós duas caímos na risada. Eu me virei para olhá-la. “O que eu faria sem você, Marsh?”

Os olhos dela se arregalaram. “Primeiro de tudo, awn. E segundo, sua louca, presta atenção na estrada!”

Revirei os olhos. “Tá bom”, murmurei, e pisei ainda mais no acelerador. Naturalmente, Marsha reclamou o caminho inteiro até a faculdade.

Chegamos ao campus vivas. Marsha me mandou um beijo, nos despedimos e seguimos em direções opostas.

Assim que entrei na sala, a Professora Crane me cumprimentou com um aceno breve e continuou a aula. Sinceramente, foi um alívio. Lá na alcateia, eu teria levado uma bronca por chegar atrasada. Aqui? Só um aceno. Como eu amo a faculdade humana.

Eu estava indo para o meu lugar de sempre quando um cheiro muito familiar me atingiu.

Segui o rastro até a última fileira.

Lá estava ele, sentado com um livro na mão. Olhando melhor, percebi que o livro era sobre psicologia. Revirei os olhos. Se ele ia entrar de penetra em uma aula de antropologia, podia pelo menos trazer o livro certo.

“Que porra você está fazendo aqui?”, disparei.

O homem à minha frente deu um sorriso largo e abriu o livro, revelando o celular escondido dentro dele.

“Ah, só vendo esse meme que achei no Discord. Sabia que lontras dão as mãos enquanto dormem? Elas fazem isso para não se separarem.” Ele virou o celular e me mostrou uma foto de duas lontras abraçadas.

Era fofo, claro, mas eu não ia cair na dele. Eu o conhecia bem demais.

“Drew, o que você está fazendo aqui?”

Drew era meu irmão gêmeo. Três minutos mais velho e muito mais arrogante, por uns dez anos pelo menos.

“Preciso que você volte”, disse ele, o sorriso sumindo e dando lugar a um semblante sério. Aí estava, o seu verdadeiro eu.

“E você veio aqui me dizer isso pessoalmente? Você deixou a alcateia desprotegida?”, sussurrei entre dentes.

Drew era um Alfa e descuidado demais para o cargo.

“Não está desprotegida. Ken está cuidando das coisas. Você sabe que eu não podia mandar mais ninguém. Você é muito teimosa, droga. Sou o único que pode conseguir te convencer.”

Relaxei um pouco. Ken, nosso Beta, era a única pessoa em quem eu confiava para liderar quando Drew e eu não estávamos.

“Vem comigo”, eu disse, agarrando seu pulso e arrastando-o para fora da sala.

Tínhamos chamado a atenção de metade dos alunos. Ótimo. Como se eu já não me sentisse uma deslocada.

Fechei a porta atrás de nós e me virei para encará-lo.

Drew suspirou e passou a mão na nuca.

“Não entendo por que você abandonou todos nós por esses humanos”, disse ele, como se as palavras doessem fisicamente. “Eu e você... somos sangue. Esses humanos? Eles não são nada. Este não é o seu lugar.”

“Drew, eu fui embora por um motivo”, respondi, de braços cruzados.

“Eu sei”, disse ele, com a voz baixa. “Mas eu não posso mudar o acordo com Claus, Lily. Aquilo foi decisão do papai.”

“E é exatamente por isso que eu não vou voltar. O Alfa agora é você, Drew, não o papai”, eu disse. “Eu não vou me casar com aquele esnobe mimado e arrogante. Agora, se me dá licença, eu tenho aula.”

Bati a porta na cara dele antes que pudesse responder.

Ao voltar para o meu lugar, a Professora Crane me lançou um olhar de desaprovação.

Murmurei um palavrão baixinho.

Muito obrigada, Drew.