Mais Que Isso (Romance MM)

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Resumo

🔞 Uma noite é o suficiente para borrar as linhas entre a amizade e algo mais profundo, e nada será como antes. 🔞

Status
Completo
Capítulos
37
Classificação
4.8 16 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1


Aviso Legal e de Conteúdo:

Esta história é uma obra de ficção. Todos os personagens, eventos e situações são fictícios, e qualquer semelhança com pessoas reais ou eventos reais é mera coincidência.

A história contém conteúdo sexual explícito, intensidade emocional e psicológica, e temas destinados a um público adulto.

Recomendado para leitores maiores de 18 anos.



Tudo estava bem.

Honestamente, tudo estava bem. Eu estava me divertindo. Eu tinha meu melhor amigo, nós saíamos, jogávamos videogame por horas, conversávamos sobre garotas. Ele sabia tudo sobre mim. E eu sabia tudo sobre ele. Nós estávamos juntos todos os dias.

Então, é. Tudo estava bem.

Até agora.

"Eu quero te contar uma coisa", Alex diz. Nós dois estamos jogados no sofá, um pouco bêbados. Acabamos de voltar de uma noite fora. Tem uma caixa de pizza vazia na mesa à nossa frente. Um programa idiota está passando na TV ao fundo.

A verdade é que ele está agindo de um jeito estranho hoje. Um pouco distante. Como se algo estivesse pesando nele. Mais de uma vez eu o flagrei olhando para mim, mas a mente dele claramente estava em outro lugar. Então, imagino que ele tenha algo sério para dizer.

"Bom, então fala logo."

Ele não fala de imediato. Ele está sentado ao meu lado, com a cabeça apoiada no encosto do sofá, encarando o teto.

Por que ele não está dizendo nada?

"Você vai falar ou não?" pergunto de novo, cutucando-o com o joelho. Estou ficando um pouco nervoso. O que poderia ser tão difícil de dizer?

Ele vira a cabeça lentamente. Seus olhos se prendem aos meus. Escuros. E estranhos. Eu espero.

Ele engole em seco.

"Eu quero te beijar", ele diz.

Sua voz está firme. Calma.

Eu travo. O quarto gira ao meu redor. Não sei dizer se é por causa da bebida ou do choque.

Minha reação não vem imediatamente. Eu apenas fico sentado ali, como se alguém tivesse pausado a cena. Minha boca está aberta. Meus olhos presos nele.

Então eu caio na risada.

Ah, qual é. Eu jurava que ele ia me contar algo importante.

Eu limpo as lágrimas dos olhos com as costas da mão.

"Eu estou falando sério", ele diz. Seu tom não muda. Ele está falando muito sério. Seu rosto está completamente indecifrável. Nem um sorriso sequer.

A risada morre na minha garganta.

Ele levanta a mão lentamente, fecha os dedos sob o meu queixo. Seus olhos descem para os meus lábios.

Que porra é essa?

Não sei como reagir ou o que dizer. Minha boca abre e fecha sem sair nenhum som. Que porra ele está fazendo? Ele me confundiu com alguma das ex dele ou algo assim?

"Eu não disse que ia fazer isso. Relaxa", ele diz. Sua voz é baixa, rouca. Quase um sussurro.

"Não que isso importe..." ele faz uma pausa.

"Você vai ter esquecido disso amanhã mesmo."

Então ele puxa a mão de volta, mas seus olhos permanecem fixos em mim.

Meu corpo leva alguns segundos para processar, então eu pulo do sofá.

"Nossa, é, nós não vamos beber juntos de novo, Alex. Você realmente não aguenta a bebida."

Ele solta uma risada leve, coloca as mãos atrás da cabeça e olha para mim como se estivesse gostando disso.

"Eu?" ele sorri. De lado, ou talvez só pareça de lado para mim, não sei. "Você é quem nem consegue ficar em pé direito."

Eu reviro os olhos. Ou tento, já que o quarto também está meio que girando. Verifico as horas no meu celular. Está tarde.

"Eu vou para o lado", digo, dando um passo em direção à porta.

"Toma um café ou toma um banho ou algo assim, não sei."

Deus, por que a porta está tão longe?

Eu o ouço rir atrás de mim de novo.

Pego a maçaneta e abro a porta.

"Boa noite."

Então eu saio e escorrego para o meu apartamento ao lado.


E esse foi o começo do fim de que "tudo estava bem".

Porque eu não esqueci. Nem no dia seguinte, nem no outro. Na verdade, isso continua se repetindo na minha cabeça. Mas eu nunca toco no assunto com o Alex. Estou convencido de que foi apenas o álcool falando naquela noite. Ainda assim, ouvir algo assim do meu melhor amigo realmente mexeu comigo.

Eu e Alex basicamente crescemos juntos. Nossos apartamentos eram um ao lado do outro. Nossos pais eram amigos. Íamos para a escola juntos, brincávamos juntos. Éramos praticamente inseparáveis desde crianças. Nunca houve chance de isso ser algo além de uma forte amizade.

Então, eu só preciso tirar isso da cabeça e parar de agir de forma estranha quando estamos a sós. Como se eu não o conhecesse. Como se eu não o conhecesse a vida toda. Foi o álcool naquela noite. Só isso.

Além disso, eu sou hétero. E ele é...

bem.

Digamos apenas que o Alex pega garotas como quem troca de camisa. Ele é do tipo que vira cabeças por onde passa:

mais alto que eu, cabelo escuro, corpo atlético e aquele cabelo preto rebelde que, de alguma forma, sempre parece perfeito sem ele nem se esforçar.

Enquanto isso, eu preciso de uma hora inteira na frente do espelho só para não parecer que lutei com um urso.

Ele, por outro lado, atrai as pessoas sem levantar um dedo. Como se fosse magnético.

Como agora.

Eu juro, fiquei no banheiro por cinco minutos. Cinco. E quando volto, já tem uma morena alta praticamente grudada nele. Como ele faz isso?

Sento-me ao lado deles no bar, mas duvido que qualquer um dos dois note que voltei. Fico rolando o feed do celular, belisco os salgadinhos na tigela à minha frente, mas minha mente está em outro lugar.

Meu olhar volta para ele e pousa em sua mão, descansando casualmente na cintura dela. Ela está basicamente pendurada nele. Uma mão no peito dele, sorrindo para ele como se estivesse num comercial de perfume, porra.

Eu olho para cima e encontro os olhos do Alex.

Ele está me encarando. Firme. Sem piscar. Eu travo. Quero desviar o olhar, mas não consigo. Fui pego. Tem algo sombrio nos olhos dele.

Ele se inclina e sussurra algo no ouvido dela sem tirar os olhos de mim.

Ela levanta a cabeça, franze a testa, pega a bolsa no bar e vai embora como uma diva qualquer.

Alex vem e senta ao meu lado, cruzando os braços sobre o balcão.

"Por que ela foi embora assim?" pergunto, curioso.

Ele dá de ombros, indiferente. "Não estava a fim dela."

Olho por cima do ombro para a morena, que agora ri alto com as amigas. Ela é deslumbrante, e honestamente não entendo. Volto-me para ele.

"Por que não? Ela parece o seu tipo."

"Ela não é", ele responde secamente.

Sério? Todo esse tempo, cada garota com quem ele saiu parecia exatamente com ela. Eu juraria que esse era o seu tipo. Será que conheço tão pouco meu melhor amigo?

"Ok, então do que você gosta, de verdade?" pergunto, arqueando uma sobrancelha.

Ele dá um sorriso torto e se inclina. Lentamente. Sua respiração está quente no meu ouvido.

"De você", ele sussurra.

E, de repente, eu paro de respirar.

Ai meu deus! Não de novo.

Eu me afasto e olho para ele. Sua expressão é quase um desafio.

"Ah, qual é, isso de novo não. Toda vez que você bebe..."

"Eu não estou bêbado", ele diz, gesticulando para o copo meio cheio à sua frente.

"Da última vez você..."

Ah não. Eu não deveria ter mencionado. Minha mão vai para a boca.

Ele levanta uma sobrancelha. "Da última vez eu o quê?"

Eu engulo em seco.

"Da... da última vez... você disse..." eu calo a boca. Meu rosto está em chamas.

"É?" ele diz suavemente, me incentivando.

"Você disse que queria me beijar." Eu solto tudo de uma vez.

Um sorriso presunçoso aparece nos lábios dele.

"Você se lembra."

Sinto o sangue subir às orelhas. Dou-lhe um olhar de lado.

"Claro que me lembro, seu babaca. Eu só... não esperava que você dissesse uma porra dessas, e eu—"

"E como isso te fez sentir?" ele interrompe.

Eu o encaro, atordoado.

O que ele quer que eu diga? O que ele espera que eu sinta?

Ele apenas senta ali, me observando. Esperando.

"Me diga, Niko... o que isso causou em você?"

Ele insiste.

"Você estava bêbado. Você não sabia o que estava dizendo."

"Eu não estava tão bêbado. Eu sabia exatamente o que estava dizendo."

Ele se inclina um pouco mais. Coloca a mão no meu ombro. A ponta do dedo roça a base do meu pescoço suavemente, e eu me arrepio.

"Então?" ele diz. "Como você se sente sobre isso?"

Sua voz está baixa. Rouca.

Eu não sei o que está acontecendo.

Minha cabeça está uma bagunça. Nada faz sentido agora.

Não consigo pensar direito. Talvez seja por isso que dou de ombros.

"Eu... eu não sei", murmuro.

Quando olho para ele, ele parece quase surpreso.

"Então você me deixaria?" ele pergunta.

Minhas mãos estão suadas. Minha boca está seca.

Estou tão confuso.

Talvez seja por isso que eu aceno com a cabeça. Só uma vez.

O jeito que ele me olha agora faz meu estômago revirar.

"Vem pra casa comigo", ele diz.

Sua voz está mais grossa agora, carregada de algo que não consigo nomear.

Claramente, eu não sei mais o que estou fazendo.

Mas aceno de novo. E o sigo, em silêncio, para fora do bar.

Que porra eu estou fazendo?

Eu nem posso colocar a culpa no álcool.

Estou completamente sóbrio.

E a partir daquele momento, nada mais estava "bem".

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