Runaway Groom
Este era o melhor dia da vida de Sophia Leclair!
O sol da tarde banhava a vinícola com uma luz dourada, envolvendo tudo em uma névoa suave e sonhadora. Fileiras de cadeiras brancas ladeavam o gramado da cerimônia, com pétalas espalhadas pelo corredor como confetes em tons de blush.
Taças de cristal cintilavam ao vento, enquanto o aroma de rosas e champanhe preenchia o ar.
Cada centímetro deste dia tinha sido planejado com perfeição.
O vestido de noiva de Sophia abraçava suas curvas na medida certa, a seda arrastando atrás dela como um suspiro.
Seu cabelo estava preso em ondas suaves, com os fios dourados capturando a luz.
Ela parecia um sonho—e sentia-se como um também, flutuando pelo momento como a princesa que toda garotinha um dia imaginou ser.
Sua suíte nupcial estava barulhenta com risadas.
Catherine, sua melhor amiga e madrinha, ajeitava o véu de Sophia enquanto as outras madrinhas passavam taças de champanhe.
"Você está nervosa?", provocou uma delas.
"Mais para animada", Sophia sorriu. "Em menos de uma hora, serei oficialmente a Sra. Thompson."
Ela girou um pouco no lugar, com o coração palpitando.
Ethan Thompson estava prestes a se tornar o homem mais sortudo do mundo — e ela estava pronta para ser dele.
O quarto fervilhava com uma confusão feliz — chapinhas ainda quentes, batons sendo passados de mão em mão, garotas tirando selfies.
Mas, logo ali do outro lado, a suíte do noivo estava silenciosa.
Silenciosa demais.
***
Lá fora, perto do arco onde os votos seriam trocados, o rádio do cerimonialista chiou novamente. "Estamos prontos para o noivo."
Nenhuma resposta.
Os convidados estavam sentados. O quarteto começou a tocar. O noivo deveria entrar primeiro no corredor.
Mas o noivo não apareceu.
Cinco minutos se passaram.
Depois dez.
Então o padrinho apareceu — sozinho. Ele caminhou rapidamente até a primeira fileira, agachando-se ao lado dos pais de Sophia.
Ele sussurrou algo.
A mão da mãe dela foi ao peito. O rosto do pai ficou pálido.
***
De volta à suíte nupcial, o clima começava a pesar.
Sophia estava lá, calçando apenas um dos saltos, esperando o sinal para entrar.
Talvez fossem apenas os nervos, mas quanto mais ela esperava, mais sentia que algo estava errado.
Ela olhou para a porta.
Ainda ninguém.
O sorriso de Catherine havia desaparecido. Ela franziu a testa. "Vou verificar. Tem algo errado."
Ela mal tinha chegado à porta quando ela se abriu — e o padrinho estava ali.
"Ele sumiu", disse ele.
"Como assim, sumiu?", Catherine piscou.
"Ele não está na suíte. Procuramos por toda parte. Ele deixou o celular. Não sabemos onde diabos ele se meteu."
O mundo de Sophia girou.
Ela não acreditou, até sair correndo da suíte em direção ao gramado da cerimônia.
Cabeças se viraram. Vozes se calaram. As pessoas já estavam cochichando.
Ethan havia desaparecido.
Não havia bilhete. Nem pedido de desculpas. Apenas um celular esquecido no balcão do camarim e mil perguntas sem resposta.
Sophia ficou ali por um minuto inteiro, balançando levemente nos saltos, com o sorriso congelado como o de uma boneca com defeito.
A música continuou tocando.
Alguém tossiu. E então, os murmúrios começaram.
"Meu Deus, coitadinha." "Ele a abandonou?" "Ouvi dizer que eles brigaram na semana passada... algo sobre—"
Sophia saiu da plataforma antes que alguém pudesse tocá-la. Seu rosto queimava. Seus pulmões pareciam papel amassado.
Um borrão de vozes cresceu ao seu redor. Os braços de sua mãe estavam ali de repente, quentes e trêmulos.
A mão de seu pai fechou-se desajeitadamente em seu ombro.
Catherine correu para o lado dela, sussurrando algo que poderia ser um consolo, mas tudo soava como ruído estático.
E ainda assim, parada ali no centro de tudo, envolta em seda e ilusão, Sophia sentia-se completamente sozinha.
Sozinha — e ridícula.
Porque naquele momento, com a máscara de cílios ardendo nos olhos e os sussurros rodopiando como fumaça pelo ar, ela percebeu algo terrível:
Este deveria ser o dia mais lindo de sua vida.
E tinha se transformado em uma piada de mau gosto.
***
Naquela noite, bêbada com duas garrafas de tinto e um punhado de algo doce e ardente, Sophia se encolheu na cama do hotel com seu vestido amassado e chorou até sua maquiagem derreter.
Ela rolava as fotos no celular com dedos trêmulos, cada deslizar de tela sendo mais doloroso que o anterior.
Fotos dele — deles — passavam diante de seus olhos.
Quatro anos de memórias. Férias em praias ensolaradas, selfies tremidas em festas, beijos de Ano Novo, manhãs silenciosas abraçados na cama.
Eles tinham conversado sobre tudo.
Sobre a casa que comprariam depois do casamento, sobre pintar o quarto do bebê um dia.
Sobre ter um golden retriever e chamá-lo de Henry.
Sobre ter dois filhos — um com os olhos dele, um com a risada dela.
E agora ele tinha ido embora.
Ela encarou a última foto juntos — um registro do jantar de ensaio, ele sorrindo com um braço em volta da cintura dela — e sentiu como se pudesse vomitar.
Seu polegar tremia enquanto ela dava zoom no rosto dele.
E então o dique rompeu.
Ela enterrou o rosto no travesseiro do hotel e soluçou tanto que suas costelas doíam, enquanto seu vestido se prendia ao corpo como uma fantasia que ela não conseguia tirar.
Ela estava finalmente bêbada o suficiente para admitir agora.
Ele não foi embora por medo ou por ter desistido na última hora. Não porque brigaram. Não porque ele não estava pronto.
Ela sabia exatamente por que Ethan tinha fugido.
Porque ele nunca poderia aceitar o que ela tentou lhe contar. Nunca aceitar quem ela realmente era — por baixo da voz suave, por baixo da doçura.
Ele não conseguiu engolir a verdade.
Ela se lembrou do jeito que ele a olhou depois que ela confessou — como se ela tivesse arrancado a própria pele e mostrado algo podre por baixo.
E talvez ele estivesse certo. Talvez fosse podre mesmo.
Porque que tipo de mulher tinha fantasias como aquela?
Ela deixou a garrafa escorregar de seus dedos, com a cabeça tombando para trás contra a cabeceira.
Aquele foi o momento em que o conto de fadas rachou.
Aquele foi o momento em que ele a viu como ela realmente era.
E correu.
***
Depois do que pareceu uma eternidade, Sophia sentou-se e pegou a garrafa de vinho novamente, drenando o último gole do conteúdo amargo e avermelhado em um longo trago.
E só então ela pegou o celular de novo, ainda tremendo, ainda chorando, com a intenção de ligar para Catherine. Pretendia soluçar na caixa postal da melhor amiga até desmaiar.
Mas seu polegar errou.
De alguma forma, ela tocou em um contato diferente — aquele salvo como "Catherine’s bf".
O telefone tocou. Uma vez. Duas vezes. Então:
"Sophia?"
Uma voz masculina grave.
Ela fungou. "Quem é você? Passe a Catherine."
Uma pausa. "Nós não estamos mais juntos."
"Então por que você está com o celular dela?", ela rebateu, com a voz embargada.
Outro silêncio. Então: "Você está bêbada?"
"Não", disse ela, passando a manga pelo rosto. "Eu só estou... cansada."
"Onde você está?"
"Por quê?", ela respondeu ríspida, com a voz subindo. "Eu não preciso de nenhum de vocês. Não preciso da sua pena, nem da sua falsa preocupação, ou do que quer que você pense que está fazendo. Homens — homens são covardes egoístas e sem espinha! Só passe a porra do telefone para a Catherine!"
A voz dele veio mais baixa desta vez. "Me diga onde você está. Eu a mandarei aí."
Aquilo finalmente a fez pausar.
Ela piscou e então assentiu lentamente, como se aquilo fizesse todo o sentido. "Ok. Estou no Verona Hotel. Quarto 1407. Obrigada."
O cara não disse mais nada. Apenas uma respiração silenciosa. Então a linha caiu.
Sophia deixou o celular escorregar de sua mão e se encolheu novamente nos travesseiros, com a máscara de cílios manchando suas bochechas.
Ela não se lembrava de muito depois daquilo.
Apenas a sensação de braços a levantando. O perfume dele. O clique silencioso de uma porta de hotel fechando atrás deles.
E o calor de uma voz murmurando seu nome na escuridão.
O jeito que ela se entregou, pensando ser um sonho.
O jeito que ele não a impediu.