Capítulo 1: A ômega sem cio
Obrigada por ler a minha história 🖤 Por favor, note que esta pretende ser uma história curta — rápida, picante e feita para ser devorada de uma só vez (quando concluída). Esta história ainda está em andamento desde 9 de novembro de 2025.
Eles me chamavam de maldição. Uma ômega que nasceu sem aroma.
Sem lubrificação. Sem cio.
Desde o momento em que fiz quinze anos e meu corpo não desabrochou como deveria, os sussurros começaram.
Defeituosa. Inútil. Desperdiçada.
Eles me mantinham trancada. Não porque eu fosse perigosa — não, eu era dócil demais para isso —, mas porque eu era uma decepção. Uma anomalia em um reino onde ômegas eram valorizadas por uma única coisa: sua capacidade de procriar.
As bonitas eram dadas em casamento.
As fogosas eram leiloadas para os nobres.
E as outras… bem. Quando entravam no cio, elas valiam alguma coisa.
Mas eu?
Nada se agitava em mim. Nenhuma febre. Nenhuma fome. Nenhum cheiro de doçura madura que levava os alfas à loucura.
Eu era intocada pela biologia.
Sem pretendente.
E, portanto, indesejada.
Aos vinte e um anos, minha presença envergonhava a corte… minha família… até os criados que costumavam me mimar quando criança desviavam o olhar.
Sem cio significava sem casamento.
Sem vínculo.
Sem utilidade.
Eu me tornei uma mancha no nome da nossa família — uma ômega que não desabrochava.
E então, eles encontraram uma solução.
"Mandem ela para os Reis." Foi Lorde Calverin quem disse isso primeiro. Eu o ouvi tarde da noite, sua voz baixa e cruel enquanto conspirava na sala de estar oeste com meu pai.
Eu não deveria estar acordada e, certamente, não deveria estar ouvindo.
Mas eu sempre ouvia mais do que eles pensavam.
"Ela está velha demais para ser mantida como uma princesa", sibilou Lorde Calverin, com a voz carregada de impaciência. "Você a mantém escondida, alimentada e vestida como se valesse algo. Mas ela não vale. Ela é um fardo."
"Ela é minha filha", respondeu meu pai, embora, mesmo assim, não houvesse fogo em sua voz.
"Então dê a ela um propósito", disse Calverin. "Os Reis Gêmeos devem receber uma oferenda antes da próxima lua cheia. E se ela morrer na cama deles, será uma misericórdia silenciosa."
Uma pausa.
"Melhor que ela morra sendo útil do que apodrecer em silêncio… talvez possamos trocá-la por um casamento para Ophelia."
Ophelia.
A dourada. O orgulho do legado dos meus pais.
Aquela que desabrochou antes de sangrar.
Ela entrou em seu primeiro cio aos quatorze anos e, aos quinze, os alfas tropeçavam uns nos outros para sentir seu aroma. Nobres. Comandantes militares. Filhos de duques. Até um príncipe estrangeiro enviou um emissário para perguntar sobre seu status.
Ela era tudo o que eu não era.
Exuberante. Fértil. Obediente, mas inteligente o suficiente para fazer os homens acreditarem que a ideia fora deles. Ela estava sempre envolta nas sedas mais finas, o cabelo arrumado como as musas dos pintores da corte, seu sorriso treinado até parecer real.
E, no entanto — apesar de todo aquele poder e atenção — eles a mantinham solteira.
"Estamos esperando pelo par ideal", minha mãe dizia. "Alguém digno da nossa Ophelia. Alguém com influência."
Agora eu entendia. Eles não esperaram por amor ou cautela. Esperaram porque precisavam de uma moeda de troca.
E eu era o preço.
Mandem a quebrada para os reis selvagens.
Deixem que ela seja oferecida como um pedaço de carne, uma curiosidade. Um teste.
E, em troca, garantam uma aliança. Um noivado. Talvez até uma coroa para Ophelia.
-
Eu cerrei os dentes até agora, semanas depois de ter ouvido — ouvindo o eco da voz de Calverin, tão presunçosa e cruel que meu estômago revirou.
"Ela não tem cio", ele dissera. "Eles saberão no momento em que ela entrar na sala. Mas se isso despertar algo neles — se decidirem mantê-la, testá-la — então já teremos vencido."
Eu era uma aposta. Um substituto em algum esquema político maior para garantir um trono para minha irmã.
Eles não esperavam que eu sobrevivesse.
E eles não se importavam.
Contanto que eu estivesse fora da vista, longe de seus corredores e fora dos retratos da família.
"Se ela quebrar, quebrou", ouvi alguém murmurar na manhã em que me vestiram com gaze de fios vermelhos e me enfiaram em uma carruagem. "Pelo menos ela será de alguma utilidade antes de morrer."
Eu não disse nada.
Eu aprendi que o silêncio era mais seguro do que as lágrimas.
A estrada para a Fortaleza Negra era longa, mas eu mal notei as árvores que passavam ou o céu escurecendo. Minha mente girava.
Então, agora, vestida de vermelho que eu não escolhi e pintada como uma boneca sacrificial, eu me sentava em uma carruagem rumo à Fortaleza Negra — tendo apenas o silêncio e a humilhação como companheiros.
Eu não sentia nada.
Nenhum tremor.
Nenhuma dor.
Nenhuma centelha de mudança sob minha pele.
Apenas o vazio familiar que me definira por anos.
Eles esperavam que os Reis me quebrassem.
Que me usassem.
Que enviassem meu corpo de volta em pedaços — se é que o enviariam de volta.
E talvez esse fosse o objetivo.
Uma solução silenciosa para um problema inominável.
Uma ômega indesejada enviada para os alfas mais temidos do reino.
Não para ser honrada.
Não para ser acasalada.
Apenas… descartada.
Ninguém esperava pelo que aconteceria a seguir.
Nem eles.
Nem os Reis.
Nem mesmo eu.