Wrecked by You | Red Lodge Hearts - Livro 2

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Resumo

Ele nunca quis mais do que um caso passageiro. Ela não está aqui para nada sério. Então, por que eles não conseguem se afastar? Jake Tanner vive de charme fácil e diversão sem compromisso. Ele é o tipo de cara que consegue se livrar de uma multa na conversa, conseguir um encontro e ignorar os próprios sentimentos. Mas quando Avery Dalton chega à cidade — intensa, linda e absolutamente desinteressada em romance — ele se vê perseguindo algo com que não consegue brincar para sair ileso. Recém-saída de um término difícil, Avery quer apenas uma coisa: paz. Ela tem um novo negócio para administrar, barreiras para reconstruir e zero paciência para um paquerador de cidade pequena com um sorriso matador. Mas Jake não é apenas um problema — ele é um problema persistente. E quanto mais tempo ela passa com ele, mais ela vê o homem por trás da autoconfiança. Quando o que era "casual" se torna complicado, eles terão que decidir se vale a pena arriscar para quebrar as regras pelas quais ambos sempre viveram.

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
5.0 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Jake Tanner

A vida em Red Lodge é um tédio do cacete.

Tipo, um tédio daqueles que suga a alma e murcha os bagos.

Você tem a Sra. Dottie e a Sra. Beatrice brigando na padaria sobre quem usou noz-moscada demais, porra. Tem o prefeito organizando um evento de "Muffin & Mindfulness" na prefeitura, como se isso fosse consertar os buracos da Main Street. E ainda tem o cume da montanha — lindo, claro, se você gosta de ficar olhando para pedras e neve até questionar a sua própria existência.

Às vezes, eu juro que a maior emoção desta cidade é adivinhar qual velho vai peidar mais alto durante a noite de pôquer.

O único entretenimento de verdade?

A turista gata ocasional que aparece na cidade com aquele sorrisinho de "snow bunny", calça de ioga e zero porra de noção de quão frio Montana fica em dezembro. Deus as abençoe. Elas chegam achando que isso aqui é um filme do Hallmark, e eu tenho a camisa de flanela, o distintivo e o sorriso cafajeste para fazer parecer que é — pelo menos por uma noite.

É, eu sei quem eu sou.

Eu paquero. Eu dou piscadinhas. Eu pago o latte. Talvez eu não retorne a ligação depois.

Não porque eu seja um idiota (bom, talvez um pouquinho), mas porque ninguém nunca fica. Turistas vão embora. Paixões de verão derretem. E as garotas que realmente ficam? Elas já me conhecem bem demais para cair no meu teatrinho.

Jake Tanner: charmoso pra caralho, emocionalmente indisponível e orgulhoso disso, porra.

Porque vamos ser sinceros: compromisso? Sentimentos? Mandar mensagem para alguém só para dar um oi?

Não é minha praia.

Eu patrulho a cidade. Mostro o distintivo. Falo rápido, sorrio mais rápido ainda e garanto que ninguém seja idiota o suficiente para causar problemas de verdade.

E ultimamente?

Está tudo muito quieto.

Até os bêbados no Rudy's estão educados agora. Um cara até pediu desculpas por vomitar no beco na última sexta-feira. Pediu desculpas. Tipo, sinceramente. Que porra é essa?

Então é isso.

A vida em Red Lodge?

Morta.

Tipo, morta e enterrada, sem pulso, só com jazz suave e desconto para idosos.

Empurro a porta da lanchonete, o sininho tilintando como se tivesse algum motivo para estar alegre, e entro na mesma porra de cena de toda manhã desde a era do Pleistoceno.

O mesmo banco. O mesmo café. Os mesmos moradores fingindo que não estão ouvindo nossas conversas, mesmo que a Dottie já saiba qual é o tamanho da minha cueca e qual marca de lubrificante o Dean derrubou sem querer da prateleira no posto de gasolina uma vez.

O Dean já está lá, enfiando ovos na boca como se não comesse desde o governo Bush, com açúcar de confeiteiro na manga e absolutamente zero vergonha na cara.

O Noah está ao lado dele, curvado sobre o celular, digitando o que eu sei ser uma mensagem para a esposa.

A esposa dele.

Com quem ele mora.

Que, porra, saiu da cama dele há uns quinze minutos e está agora... sei lá, em casa, escovando o cabelo ou assando muffins, ou qualquer coisa que anjos com cheiro de pêssego fazem às oito da manhã — e esse cara está mandando mensagem para ela.

Eu me deslizo para o banco com um gemido dramático, pego a torrada do prato do Dean como se fosse minha (porque agora é) e digo: "Vocês dois são uns babacas deprimentes".

Noah nem pisca. Continua digitando, com os polegares voando como se fosse urgente.

"O quê?", eu pergunto. "Esqueceu de dizer como está o tempo hoje? Saiu de casa sem beijar os pés dela? Esqueceu de dizer que sente falta dela depois que ela se descolou do seu pau literalmente uma hora atrás?"

Dean bufa tão forte que o café quase sai pelo nariz.

Noah? Nem se mexe. Só aperta enviar e finalmente olha para cima, calmo como um monge, porra.

"Ela perguntou se eu queria iogurte."

Eu pisco. "Iogurte. É nisso que seu vínculo espiritual se baseia agora? Leite fermentado do caralho?"

"Ela está fazendo compras", ele diz, tomando seu café como se eu não tivesse acabado de acusá-lo de ser um marido capacho. "Ela queria saber se eu preferia pêssego ou morango."

Dean tosse. "Pêssego. Obviamente."

"Morango", Noah diz sem nem hesitar. "Mas valeu pelo palpite, seu estranho."

Dean dá de ombros. "Sua esposa tem cheiro de pêssego. Pareceu temático."

Eu jogo as mãos para o alto. "Jesus Cristo, eu estou no inferno. Inferno de verdade. É nisso que minha vida se transformou. Meu melhor amigo está aqui escolhendo sabores de iogurte com a esposa como se isso fosse preliminar, e você está aí dando significados simbólicos às frutas do casamento deles."

Dean limpa a boca com um guardanapo e olha com uma cara muito séria. "Chama-se paralelismo literário. Tente ler um livro de vez em quando, Deus do Tinder."

Noah dá um sorriso de canto. "Ou conversar com uma mulher por mais de quinze minutos sem tirar a camisa."

"Ei", eu retruco, apontando o dedo para os dois. "Eu tenho conversas profundas. Semana passada mesmo, tive uma conversa sincera com aquela morena da loja de aluguel de esquis."

Dean levanta uma sobrancelha. "Aquela que foi embora durante o intervalo?"

"Tá bom, ela foi embora", admito. "Mas eu me abri emocionalmente."

"Você perguntou se ela gostava mais do seu abdômen flexionado ou relaxado."

"Isso é vulnerabilidade emocional", eu murmuro, pegando o xarope e afogando minha torrada. "Só que do tipo físico."

Dean diz com cara de tacho: "Você é o motivo de eu beber".

"Você não bebe."

"Exatamente."

O celular do Noah vibra de novo. Ele olha, sorri como um homem que acabou de receber uma selfie de topless e digita uma resposta como se não fosse nada.

"Não ouse, porra", eu aviso. "Não sorria desse jeito."

Dean se inclina, olhando para ele com desconfiança. "O que ela disse?"

Noah olha para cima, inocente pra caralho. "Ela pegou os dois."

"Os dois o quê?"

"Sabores de iogurte."

Eu solto o garfo. "Espero que você engasgue com essa felicidade doméstica."

Noah dá de ombros. "Inveja não combina com você, Tanner."

Dean dá um sorriso. "Parece mais desespero."

"Eu vou dar choque nos dois enquanto vocês dormem, seus merdas."

Nancy aparece com a cafeteira. "Os meninos precisam de alguma coisa?"

"Sim", eu murmuro, encarando o homem casado e feliz à minha frente. "Uma máquina do tempo. E possivelmente uma namorada. De preferência uma que não esteja porra de radiante porque passou a noite fazendo artesanato com um policial gostoso."

Nancy dá um sorriso. "Melhor estocar iogurte, então."

Dean perde a compostura. Ele chega a chiar de rir.

Eu apenas gemo e bato a testa contra a mesa.

"Me matem agora", eu murmuro. "Ou me mandem uma mulher que não fale de granola e quadros do Pinterest. Só uma. Só uma mulher gostosa, brava, emocionalmente indisponível, com uma bunda grande e aquela vibe de 'não me enche o saco', que não acredite em relacionamentos."

E foi aí que a porta da lanchonete se escancara.

Com força.

O sino tilintando, o ar frio entrando.

Botas. Uma cara fechada. Uma voz muito afiada.

"Algum de vocês idiotas sabe onde posso encontrar o cara que estacionou a viatura como um puta de um idiota e bloqueou metade do beco?"

Dean levanta as sobrancelhas.

Noah toma seu café.

Eu olho para cima lentamente.

E lá está ela.

Usando calças cargo, com um olhar assassino e atitude suficiente para fazer meu pau levantar e prestar atenção.

Bem.

Quem procura, acha, porra.

Jesus, ela é gostosa.

Tão gostosa que esqueço como minhas pernas funcionam por um segundo.

E ruiva também — não, acaju, talvez. Cor escura, rica e brilhante pra caralho, presa num daqueles coques práticos que dizem: Eu sei usar ferramentas e vou usar, porra. Aquela tem que ser a cor natural dela. Não tem como sair de uma caixa. O que só me faz querer tirar essas calças cargo dos quadris mais apertados que o pecado e ver se esse fogo vai até lá embaixo.

Cinturinha fina. Quadris largos e suculentos. Coxas que poderiam esmagar uma melancia e me fazer dizer obrigado. E aquela bunda? Jesus Cristo. Redonda, empinada, foderosa. Tipo, eu poderia quicar uma moeda nela e perder a minha alma. Não tem muito em cima, claro, mas com uma bunda daquelas? Eu faria um voto de celibato para o resto do corpo. Prioridades.

Ela é alta também. Não gigante, tipo garota de vôlei de um metro e oitenta, mas não é nada frágil ou delicadinha. Membros longos. Ombros largos. Construída como se carregasse caixas e desse socos em paredes de gesso. Construída como se ela fosse odiar tudo em mim e eu ainda assim quisesse destruí-la em todas as superfícies desta lanchonete.

"Puta merda", eu murmuro, com os olhos ainda presos nela como se ela pudesse desaparecer se eu piscasse. "Quem é essa?"

Noah nem levanta os olhos do café. "Aquela é a Avery."

"Avery", eu repito, com a boca seca.

"Abriu a loja de equipamentos de neve. A Juliet tem andado com ela. Deu luvas para ela semana passada."

"Ela deu luvas para a Juliet", eu repito, como se isso fosse relevante para o que está acontecendo na minha calça agora.

Dean me encara por cima da borda da caneca. "Jesus Cristo, você já está suando."

"Não estou suando", eu retruco. "Só estou... apreciando a vibe dela."

"Ela está literalmente gritando com alguém."

"É uma vibe quente."

Dean revira os olhos. "Você fica de pau duro se uma mulher estiver de botas e tiver uma atitude ruim."

"Não julgue meu fetiche, Morrison."

Ela pisa fundo até o balcão da Nancy e bate um molho de chaves com a força de alguém que não tem absolutamente nenhuma paciência para a merda dos homens. Eu me inclino para frente, sem vergonha, arrastando os olhos pelo corpo dela novamente.

"Puta que pariu", eu sussurro. "Essa bunda deveria ser ilegal. Tipo porte velado, mas para homens com problemas de compromisso."

Dean diz inexpressivo: "Por favor, me diz que você não vai dar em cima dela".

"Ah, eu vou dar em cima dela respeitosamente", eu digo, levantando como se meu pau tivesse sua própria agenda. "Vou me oferecer para pedir desculpas por cada viatura que já foi estacionada de lado na história da humanidade."

Noah nem levanta a cabeça. "Você vai levar um soco no pau."

"Tudo bem. Um preço pequeno a se pagar."

Dean bufa. "Para quê? Uma ordem de restrição e um par de bolas azuis?"

Eu o ignoro.

Porque ela vira.

E ela me vê.

Sobrancelhas arqueadas. Olhos afiados. Cinzentos. Tempestuosos. O tipo de olhar que poderia cortar vidro — e a minha dignidade.

E eu juro por Deus que meu coração dá uma fisgada, porra.

Mas eu sorrio assim mesmo.

Porque Jake Tanner não fica com medo.

Ele transa.

Então me inclino de volta no banco, faço meu melhor sorriso cafajeste e dou aquela olhada nela. Lenta. Apreciativa. Sem nem fingir ser sutil. Deixa ela ver. Deixa ela sentir.

Ela inclina a cabeça. Não sorri.

Não pisca.

E, de repente, não tenho certeza se ela quer me foder ou me dobrar ao meio e me jogar no trânsito.

Spoiler: pra mim, qualquer uma das duas serve.

"Bom, oi aí, Problema", eu digo, com a voz baixa e preguiçosa, pura malícia e charme. "Você é nova na cidade ou só nova em gritar com meu carro como se ele tivesse insultado seu cachorro?"

Os olhos dela se estreitam como se estivesse tentando decidir se sou uma pessoa real ou apenas uma doença venérea ambulante de botas.

você o babaca que estacionou no meio do beco atrás da Gear Up?"

Eu pisco, pego no flagra. "Defina babaca."

Dean geme atrás de sua caneca. "Deus nos ajude."

Avery cruza os braços. Base firme. Queixo erguido. Olhos fixos em mim como se eu fosse um animal selvagem que ela está pensando em sacrificar.

Eu amo essa mulher, porra.

Ela aponta o polegar para a porta. "Você bloqueou meu caminhão de entregas. Tive que descarregar trinta caixas de botas de inverno na mão porque sua viatura estava estacionada como se você tivesse tirado a carteira num delírio febril."

Eu sorrio mais largo. "Você carregou tudo aquilo sozinha? Caramba. Você é sempre tão forte ou só quando está puta e gostosa assim?"

Suas narinas se abrem. Se abrem.

É aí que eu sei que estou perdido.

Ela dá um passo à frente. "Você acha que isso é um elogio?"

Eu assinto. "Se ajuda, eu estou excitado e apavorado agora."

"Bom", ela diz. "Você deveria estar."

Dean engasga.

Noah murmura: "É. Ele está apaixonado".

Avery olha para o meu distintivo e depois volta para o meu rosto. Ela parece não estar impressionada.

Tipo, dolorosamente não impressionada.

"Vocês policiais de Red Lodge sempre estacionam como crianças bêbadas?"

"Só os charmosos", eu digo. "E ei — se eu soubesse que o beco era seu, teria estacionado pior só para ter você aqui dentro gritando comigo com essa calça."

Seus olhos se estreitam até virarem frestas.

“Você é uma violação ambulante do RH, não é?”

Dou um tapinha no meu distintivo. “Não se preocupe. Eu *sou* o RH.”

Ela solta o ar com força, balança a cabeça como se eu fosse a pior dor de cabeça do mundo e se vira de volta para o balcão. Mas não sem antes murmurar entre dentes:

“Puta merda. Essa cidade.”

E, que Deus me ajude, eu a observo se afastar como se tivesse acabado de ser salvo e condenado ao mesmo tempo.

Dean chuta minha canela por baixo da mesa.

“O quê?”, pergunto, tentando parecer inocente enquanto ajeito meu jeans.

“Você acabou de assediar sexualmente sua futura esposa?”

Noah dá um sorriso de lado. “Ele vai casar com ela ou morrer tentando.”

Eu dou um sorriso largo.

“Rapazes”, digo, me encostando na cadeira como um rei. “Acho que acabei de encontrar meu chefe final.”

Eu a observo sair como se tivesse acabado de desfilar para a capa da Fuck Me Weekly.

Botas. Quadris. Aquela bunda.

Droga.

Ela desaparece no frio com um xingamento abafado e sem dar a mínima para o fato de ter alterado permanentemente minha pressão arterial.

A lanchonete fica em silêncio por um segundo. Até Nancy pausa, como se tivesse sentido a mudança no espaço-tempo. Dean me encara como se eu tivesse sido atropelado por um caminhão. Noah está com aquele sorrisinho presunçoso de quem ama a esposa, como se estivesse acima desse caos agora.

Foda-se ele.

Eu me jogo de volta no banco e solto um assobio baixo. “Então… essa é a Avery, hein?”

Noah apenas concena com a cabeça, calmo como um monge em meio a uma tempestade. “Uh-hum.”

“Ela é sempre assim?”

Dean diz: “Você quer dizer ‘durona, intimidadora e visivelmente repulsada por você’? Sim. O tempo todo.”

Eu sorrio. “Eu gosto disso.”

“Você gosta é de tétano”, resmunga Dean. “Você flertaria com um cacto se ele tivesse peitos.”

Eu o ignoro. “Ela tem aquela energia de garota má. Daquelas que reviram os olhos enquanto estão sentadas na minha cara.”

Noah fecha os olhos como se tentasse apagar mentalmente essa imagem da existência. “Jesus.”

“Só estou dizendo”, continuo, “ela está claramente brava, sobrecarregada, emocionalmente indisponível, possivelmente armada… Esse é o ponto G, rapazes. Isso é o lar.

Dean me olha com expressão neutra. “Você vai se ferrar bonito.”

“Eu me ferro de um jeito sexy.”

“Você se ferra de um jeito barulhento”, diz Noah. “E público.”

“E geralmente sem camisinha”, acrescenta Dean.

“Ei”, retruco, “eu tenho padrões.”

“Você já ficou com uma barman dentro de um banheiro químico.”

“Ela era flexível!”

Dean esconde o rosto nas mãos. “Você é nojento.”

Dou mais uma mordida na torrada roubada e dou um sorriso de lado. “E ainda assim… ela olhou para mim.”

Noah toma um gole de café. “É. Como um homem que ela planejava assassinar na floresta.”

“Ainda foi um olhar”, digo.

Porque é o seguinte: eu já estive com muitas mulheres. Algumas selvagens, algumas doces, algumas grudentas, algumas divertidas.

Mas nenhuma delas me fez sentir como se eu estivesse prestes a ser algemado ou beijado com tanta força que eu esqueceria meu próprio nome.

Aquela mulher?

Aquela mulher é perigosa.

E, que Deus me ajude, eu quero que ela destrua minha vida de um jeito que só uma foda consegue.

Levanto da mesa já planejando meu próximo passo.

Meu típico movimento de “ei, desculpa pelo carro, quer transar no banco de trás?”.

Sem ilusões. Sem estratégia. Apenas instinto, arrogância e toda a força do meu charme que implora por um soco na cara.

Dean me olha como se estivesse assistindo a um cachorro perseguindo um cortador de grama. “Você não vai mesmo atrás dela.”

“Eu com certeza vou”, digo, estalando o pescoço como se estivesse me preparando para as Olimpíadas das Más Ideias. “Você viu ela? Calças cargo, botas, aquela bunda? Ela é pornô ambulante com complexo de assassina. O meu tipo.”

“Você não tem um tipo”, resmunga Noah. “Você tem uma contagem regressiva.

“Exatamente”, digo. “E ela acabou de acender o pavio.”

Dean bufa. “Ela vai te mastigar e deixar seu pau em um monte de neve.”

Eu dou de ombros. “Morrerei feliz.”

Porque é o seguinte: não estou procurando por um para sempre. Estou procurando por um bom momento. Um sexo quente, raivoso e possivelmente perigoso com uma mulher que claramente odeia minha existência.

Isso não é um sinal vermelho.

Isso é um sinal verde.

Termino a torrada do Dean, jogo algumas notas amassadas na mesa e verifico o espelho perto da porta. Cabelo bagunçado de um jeito proposital. Barba no comprimento rústico perfeito. Olhos: arrogantes. Sorriso: letal.

“Rapazes”, digo, já na metade do caminho para a porta. “Se eu não voltar em uma hora, significa que ela me fodeu tão forte que não consigo andar.”

Dean levanta uma sobrancelha. “Ou que você levou spray de pimenta na cara.”

“Ainda valeria a pena.”

Noah apenas toma um gole do café. “Nós não vamos pagar sua fiança.”

“Não preciso de fiança se nunca for pego.”

Saio para o frio como um homem em uma missão.

Isso não é amor. Isso não é destino.

Isso é pura e simples excitação em nível elevado.

E se ela me deixar passar por aquela porta?

O jogo começa.

Estou parado do lado de fora da loja dela como um completo idiota.

Vento frio no rosto. Mãos nos bolsos da jaqueta. Coração batendo forte — não de nervosismo, mas de um delírio puro e absoluto.

Porque eu sei que não deveria estar aqui.

Eu sei que deveria simplesmente voltar para a viatura, patrulhar a rua principal, talvez flertar com a barista do Brewed Awakening e dar o dia por encerrado.

Mas não.

Aqui estou eu.

Parado do lado de fora da Gear Up como um perdedor excitado de filme de comédia romântica. Só que não estou segurando flores. Estou segurando uma multa de estacionamento que posso ou não fingir escrever como desculpa para entrar e “explicar os limites jurisdicionais”, como se isso fosse uma coisa real.

Deus, eu falo muita merda.

E ainda assim?

Ainda vou fazer isso.

Porque atrás daquela vitrine fosca está a mulher mais gostosa e brava que vi em anos — e ela olhou para mim. Não de um jeito legal. Não de um jeito caloroso. Mas com tensão suficiente para incendiar minhas calças.

E eu vivo para isso.

Garotas bravas com opiniões fortes e zero interesse na minha conversa mole?

Sim. Por favor. Mais.

Não estou tentando namorar com ela.

Não estou tentando consertá-la.

Não estou tentando ser seu refúgio emocional ou um bad boy arrependido que escreve em diário.

Só estou tentando tirá-la daquelas calças cargo e colocá-la em uma situação que exija um balcão resistente e uma palavra de segurança.

Só isso.

Essa é a missão.

E se eu jogar direito — sendo chato o suficiente, quente o suficiente e útil o suficiente para justificar ela me manter por perto?

Boom.

Jogo. Set. Fodida.

Eu expiro, estico os dedos e giro os ombros.

Hora de brilhar, Tanner.

Você não está aqui para se apaixonar.

Você está aqui para transar.

O sino sobre a porta toca como se tivesse boas maneiras, mas não tem nada de educado em mim agora.

Entro na Gear Up e o calor me atinge primeiro — calor seco, tapetes de borracha, prateleiras cheias de equipamentos de neve, luvas, botas, araras com jaquetas caras — e então, ela.

Avery Dalton.

Atrás do balcão.

Cabelo preso. Mangas arregaçadas. Rosto inexpressivo, mas claramente nada feliz em me ver.

Perfeito.

Ela nem diz oi. Apenas me olha como se já estivesse imaginando o contorno de giz do meu cadáver.

Eu dou meu melhor sorriso. Aquele que já me livrou de multas, me colocou em camas e, ocasionalmente, ambos na mesma noite.

“Bom dia, Problema.”

Ela me encara.

Eu me apoio no balcão como se fosse o dono. “Vim me desculpar.”

Sua sobrancelha treme. “Desculpar.”

Assinto solenemente. “Pelo meu estacionamento. E também por ser devastadoramente gostoso sob pressão. É um fardo.”

Sua boca abre. Fecha. Abre de novo. “Você está sério flertando comigo agora?”

“Não seriamente”, digo. “Levemente. Provocando. Como um aquecimento. Alongamento antes do cárdio.”

Ela pisca. “Você é inacreditável.”

“A maioria das pessoas diz isso na cama”, eu digo. “Mas aceito aqui também.”

Ela cruza os braços e se inclina um pouco — o suficiente para eu sentir o leve toque de frutas cítricas e eucalipto, o que não deveria ser excitante, mas é — e diz: “Se você acha que vai me convencer com seu charme por causa daquela vaga idiota, você é um delirante.”

“Ah, eu sou”, concordo alegremente. “Profundamente. Mas funcionou até agora.”

“Eu deveria registrar uma queixa.”

“Faça isso. Só saiba que eu fico fantástico no tribunal.”

Ela realmente — quase — sorri. De leve. Como se tentasse lutar contra isso, mas o rosto estivesse entregando.

Então eu insisto só um pouco mais.

“Vamos lá”, digo, baixando a voz meio oitava, me inclinando mais perto, “deixa eu compensar. Jantar. Bebidas. Sexo raivoso. Você escolhe a ordem.”

Ela ri com desdém. “Você acha que sou tão fácil assim?”

Eu sorrio. “Não. Eu acho que você está brava. E entediada. E talvez curiosa o suficiente para ver até onde eu vou.”

Ela inclina a cabeça. “E se eu dissesse que prefiro bater essa gaveta do caixa nos seus dedos?”

Eu olho para as mãos dela. “Meio excitante, não vou mentir.”

“Você é uma ameaça.”

“Você é gostosa quando é má.”

Ela solta o ar pelo nariz e se afasta. “Se eu te deixar chegar perto, vou acabar em um escândalo. Ou na cadeia.”

Eu dou uma piscadinha. “Então… quando você está livre?”

Ela me encara por um longo segundo, como se estivesse passando mentalmente por uma lista de insultos.

Então — ela dá um sorriso de lado.

Nada grande. Nada doce.

Apenas algo pequeno e torto. Perigoso. Conhecedor. O tipo de sorriso que diz você não faz a menor ideia de com quem está lidando.

E meu pau? Imediatamente interessado.

“Acho que você está acostumado com garotas que caem no seu papinho”, ela diz, casual como ninguém, como se estivesse comentando sobre o clima.

Eu pisco. “Só as gostosas.”

Ela revira os olhos. “E as burras, aparentemente.”

“Ai”, digo, com a mão no peito. “Ferido. Espiritualmente. Fisicamente. Sexualmente.”

Ela dá de ombros. “Você vai sobreviver.”

“Tem certeza? Porque estou me sentindo meio… emocionalmente vulnerável agora. Você poderia me ajudar a processar. Talvez tomando um drinque?”

Ela levanta uma sobrancelha. “Você sempre se esforça tanto?”

“Só quando está funcionando.”

Ela se inclina para frente, apenas um pouco. Perto o suficiente para eu pegar outra onda daquele perfume cítrico limpo e o toque de algo mais intenso por baixo — como se ela tivesse tomado banho e depois ido cortar lenha por diversão.

Ela é insanamente gostosa.

E então ela diz, baixo e letal: “Quer saber, Policial Charmoso? Apareça na minha loja de novo — mas não bloqueie o beco. E talvez eu pense em deixar você carregar algo pesado.”

Ela se endireita e se vira como se eu nem valesse um segundo olhar.

Dispensado.

Como um bad boy na detenção que acabou de ganhar um ponto extra da professora mais gostosa do planeta.

Eu pisco. “Espere — isso foi um sim?

Ela não olha para trás. “Isso foi um ‘não crie expectativas’.”

“Tarde demais.”

E juro por Deus — ela sorri de lado de novo.

Logo antes de desaparecer por uma porta marcada como APENAS FUNCIONÁRIOS e me deixar ali, meio excitado, meio delirante e cem por cento planejando minha próxima visita.

Saio daquela loja sorrindo como um lunático.

Ela acha que está no controle.

E talvez ela esteja.

Mas eu não preciso de muito.

Uma faísca. Um olhar. Um sorriso e um desafio.

É só isso que preciso.

Porque agora?

Eu estou dentro.

E eu nunca desisto de um jogo que sei como vencer.

Mesmo que este possa me matar, porra.