Sabor e Sedução

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Resumo

Ela a contratou para cozinhar. Não esperava se apaixonar. Tatum Ward é a magnata implacável de Savannah, que não tem tempo para sentimentos, até contratar Simone Langston, uma chef calorosa e prática que desafia tudo o que ela pensava saber sobre controle, conforto e desejo. O que começa como um acordo profissional transforma-se em um romance slow-burn cheio de tensão, confiança e um clima que nenhuma das duas está pronta para enfrentar.

Gênero
Lgbtq
Autor
K.Hawley 🤍
Status
Completo
Capítulos
44
Classificação
4.2 5 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

SimoneCapítulo Um

Os portões de ferro eram altos, pretos e dramáticos demais para uma terça-feira de manhã.


Confirmei o endereço no meu celular e o que estava gravado no pilar de pedra ao meu lado. É, o endereço era o mesmo. Ainda assim, não parecia real.


Um "W" de ferro forjado ficava bem no centro do portão, limpo e elegante. Me lembrava um guardanapo com monograma em um restaurante de hotel: caro, exclusivo e nada a ver com os lugares onde costumo andar.


Por um segundo, pensei em dar meia-volta.


Eu quase conseguia ouvir a voz da minha mãe: Garota, não vá se meter em lugares onde você não pertence. Não se coloque nessa posição para ser rejeitada.


Mas então pensei nos meus empréstimos estudantis. No meu aluguel. Nas minhas economias que só diminuíam.


Endireitei os ombros, prendi melhor os cachos no coque baixo na nuca e apertei o interfone.


"Sim?" Uma voz feminina e precisa soou pelo aparelho.


"Simone Langston, para a entrevista. Às dez horas."


Uma pausa. Então, um clique mecânico, e os portões começaram a se abrir como se fosse o maldito Mar Vermelho.


Caminhei pela entrada sinuosa, com o cascalho rangendo sob meus tênis. O som parecia alto demais no silêncio da manhã, como se eu estivesse me anunciando para cada fantasma escondido naquelas árvores. O musgo espanhol pendia baixo, roçando nos galhos de um jeito que fazia o lugar todo parecer uma catedral assombrada.


A casa surgiu lentamente. Não, era mais para uma mansão. Uma visão de arquitetura moderna, vidro brilhando ao sol, vigas de aço se cruzando em ângulos impossíveis. Era limpa demais, afiada demais. Como se tivesse sido deixada em Savannah por acidente, uma alienígena em meio ao charme do velho mundo.


Diminuí o passo, encarando as janelas enormes. Será que as pessoas realmente moravam em casas assim? Não parecia um lar. Parecia um aviso.


A porta da frente se abriu antes mesmo que eu chegasse à varanda.


Ela estava parada no batente, a luz do sol batendo nas pontas do seu cabelo e nos ombros como se ela tivesse sido posicionada ali de propósito. Braços cruzados sobre o peito. Rosto inexpressivo.


Tatum Ward.


CEO. Magnata. Lenda local.


E a mulher para quem eu deveria cozinhar, se eu não desmaiasse antes.


Ela vestia calças pretas, uma blusa creme colocada para dentro com precisão cirúrgica e uma expressão que não mudava.


"Você está adiantada", disse ela.


"O trânsito estava bom."


Uma sobrancelha se ergueu, como se ela não gostasse de surpresas. Então, sem dizer mais nada, ela deu um passo para o lado e me chamou para entrar.


O interior combinava com o exterior. Frio. Minimalista. Polido.


Pisos de mármore branco se espalhavam em placas brilhantes. As paredes eram vazias, exceto por algumas obras de arte escolhidas a dedo: telas enormes, linhas limpas, cores fortes, nada de aconchego. Tudo cheirava levemente a eucalipto, forte e medicinal.


Eu a segui enquanto ela caminhava, seus saltos batendo contra o mármore como um metrônomo.


Ela não olhou para trás.


Senti-me pequena seguindo atrás dela, meus tênis fazendo um ruído antes que eu me forçasse a andar mais suavemente.


Entramos na cozinha, e ela era... intimidadora.


Eletrodomésticos de aço inoxidável, balcões impecáveis, uma ilha que acomodava oito pessoas. Aquela não era uma cozinha feita para cozinhar. Era um showroom, do tipo que a gente visita, mas nunca toca.


"Você conferiu as expectativas do cargo?" ela perguntou, sentando-se em um banco do outro lado da ilha.


Sua postura não mudou. Ela era o tipo de pessoa que não relaxava, não se curvava, não cedia.


"Sim", eu disse.


"Período integral. Cinco dias por semana. Duas refeições por dia. Café da manhã opcional, dependendo das reuniões."


"Sim, senhora."


Seus olhos se estreitaram. "Não me chame assim."


"Desculpe. É um hábito."


Ela assentiu uma vez. "Você planejará os cardápios semanalmente. Saudável, mas não sem graça. Não gosto de dietas da moda ou planos rígidos. Se tiver gosto de papelão, eu não como."


"Entendido."


"Não gosto de surpresas. Não gosto de conversinha fiada. E não gosto de gente que ultrapassa os limites."


Putz, droga.


Mantive meu rosto neutro. "Entendido."


O olhar dela permaneceu, percorrendo da minha cabeça aos meus sapatos. Não era lascivo, nem mesmo curioso, apenas... preciso.


"Tive três chefs este ano", disse ela, por fim. "Um foi embora. Dois foram demitidos."


"Por quê?"


"Eles não ouviram." A cabeça dela inclinou-se ligeiramente. "Você vai?"


Encarei o olhar dela. "Eu sempre ouço. Isso não quer dizer que não vou dizer o que penso."


Por um segundo — mal um lampejo — a boca dela contraiu-se. Quase um sorriso. Quase.


Então, sumiu.


Ela levantou-se. "Siga-me."


Voltamos para a entrada da cozinha, onde um tablet elegante descansava sobre a bancada.


"Quero um almoço de teste", disse ela, com a voz plana, profissional. "Qualquer coisa que você faria numa terça-feira comum. Você tem noventa minutos."


Meus olhos dispararam para a geladeira e depois para a despensa. Ambas pareciam montadas por uma revista de culinária, com os rótulos virados para a frente e cores equilibradas como a paleta de um pintor.


Ela não esperou por uma resposta. "Eu aviso quando o tempo acabar."


E então, ela se foi.


Seus saltos estalaram contra o mármore até o som desaparecer completamente, deixando-me num silêncio tão pesado que parecia intencional.


Soltei o ar e arregacei as mangas.


Muito bem, então.


A geladeira estava abastecida como o paraíso. Produtos orgânicos em cestas organizadas. Cortes de peixe e carne embrulhados em papel pardo e amarrados com barbante. Ervas frescas tão vibrantes que pareciam falsas. Segurei um maço de endro, inspirando até meus ombros relaxarem.


Cozinhar sempre fora o meu porto seguro. Minha bússola. Ali, eu não tropeçava. Ali, eu sabia o que estava fazendo.


Analisei as prateleiras novamente. Salmão. Sim. Algo elegante, mas sem frescura. Sabores equilibrados. Nada de truques.


Salmão com cobertura cítrica. Aspargos assados. Batatas rústicas com raspas de limão e endro.


Simples, limpo. Confiante.


O ritmo tomou conta de mim enquanto eu me movia.


Faca na mão, fatiando o alho, com o perfume forte picando o meu nariz. Frutas cítricas sob as minhas mãos enquanto eu rolava as laranjas e limões, extraindo mais suco. O salmão chiando no momento em que tocava a panela, com a pele ficando crocante com perfeição.


Cada som, cada cheiro, cada movimento me centralizavam.


Isso era meu.


Mas isso não me impedia de pensar nela.


Em algum lugar desta casa, Tatum Ward estava esperando. Será que ela se importava com o que eu fiz? Será que ela se importava com o sabor, ou isso era apenas mais um teste numa longa lista de jogadas de poder?


Imaginei-a sentada em outro cômodo impecável, com a postura ereta e a expressão talhada em pedra. Que tipo de mulher trocava de chef três vezes num ano?


Alguém impossível.


Alguém solitário.


As batatas chiaram quando as amassei, com as bordas crocantes no forno. Aspargos assados, com as pontas escurecendo na medida certa. Bati o molho, provando e ajustando — mais mel, um toque extra de pimenta caiena, até parecer luz do sol na língua.


Quando o cronômetro tocou, as bancadas estavam limpas, a louça empilhada na pia e três pratos perfeitos estavam prontos.


Escolhi um e coloquei-o na ilha de mármore.


Tatum apareceu exatamente no horário.


Nem um segundo antes. Nem um segundo depois.


Seus saltos bateram no piso como um veredito enquanto ela cruzava a cozinha, com os olhos fixos direto no prato.


Ela não falou nada. Não olhou para mim.


Ela apenas pegou o garfo.


Uma garfada.


Mastigou.


Outra.


O silêncio se estendeu por tanto tempo que mudei o peso do corpo, com os dedos inquietos ao lado do corpo.


Finalmente, ela olhou para cima.


"Esse molho", disse ela, com a voz calma, "o que tem nele?"


"Suco de laranja, mel, mostarda Dijon, um pouco de alho, pimenta caiena e vinho branco."


Ela assentiu uma vez. "E as batatas?"


"Cozidas, amassadas e depois douradas no forno com azeite. Finalizadas com raspas de limão e endro."


Uma pausa.


Então: "Você está contratado."


Simples assim.


Ela virou-se, já caminhando para longe.


Pisquei. "Quando começo?"


Ela parou, meio virada, com os olhos escuros fixos nos meus.


"Você já começou."


E, assim, minha vida mudou.