Capítulo 1
1
Ponto de vista da Elena
“Ufa!” Soltei um suspiro de alívio ao terminar o último trabalho do dia.
Tinha sido um dia muito corrido, pois estávamos trabalhando nos novos produtos de moda que seriam lançados em breve.
“Achei que fosse morrer”, disse para mim mesma. Peguei minha bolsa e olhei ao redor para ter certeza de que não estava esquecendo nada.
Depois que tive certeza, fui embora. Meus ombros já estavam tensos e minha cabeça latejava por ter passado o dia todo olhando para a tela do computador. E o Daniel tinha mandado uma mensagem mais cedo.
“Quer vir aqui hoje à noite?”
Com um sorriso, respondi: “Claro. Eu cozinho”.
Parei no mercado para comprar macarrão, legumes frescos e um molho que eu sabia que ele gostava. Não era nada chique, mas achei que seria legal.
Quando cheguei à casa dele e entrei no apartamento usando a cópia da chave, notei que o lugar estava estranhamente silencioso. Sem TV, sem música. Apenas calmaria.
“Daniel?” chamei, colocando a sacola de compras na bancada da cozinha, mas não houve resposta.
Comecei a caminhar em direção ao quarto, pensando que ele poderia estar dormindo, já que respondi à mensagem dele um pouco tarde. Foi quando ouvi: rangidos lentos e rítmicos, seguidos por um gemido abafado.
Travei no meio do caminho.
“Talvez seja a TV?”, pensei comigo mesma.
Mas então veio outro som, mais claro, inconfundível. Era a voz de uma mulher, ofegante e suave.
O ar faltou nos meus pulmões e me aproximei da porta do quarto, com o coração batendo tão forte que meus ouvidos zumbiam.
Segurei a maçaneta e empurrei.
Para minha surpresa, vi Daniel, sem camisa, enrolado na cama com uma mulher que eu nunca tinha visto antes. As pernas dela estavam sobre ele e suas unhas cravadas na pele dele. Ambos olharam para mim: Daniel com um olhar vazio e a mulher com um sorriso convencido que revirou meu estômago.
“Elena…” Daniel chamou.
Balancei a cabeça negativamente e dei um passo para trás, sem conseguir falar. Minha mente gritava, mas minha boca não se movia. Era inacreditável.
A mulher riu levemente, jogando o cabelo sobre o ombro. “Acho que você não estava esperando companhia”, disse ela, quase provocando.
Não respondi. Apenas me virei, saí direto pela porta e não parei até estar na rua.
“Elena, espera!” A voz de Daniel ecoou atrás de mim, mas eu nem olhei para trás.
Quando cheguei à calçada, minhas mãos tremiam e meu coração estava pesado. Vi a placa brilhante de um bar no final do quarteirão e fui direto para lá.
O ambiente lá dentro era escuro, lotado e barulhento, exatamente o que eu precisava. Sentei-me em um banco, mantendo os olhos baixos.
“O que você vai beber?”, perguntou o barman.
“Whisky, um bem forte”, respondi, ainda tentando organizar meus pensamentos.
“Aqui.” Ele me ofereceu o primeiro copo, e quando virei, queimou minha garganta.
Pedi outro, e depois mais um, querendo tirar da cabeça a cena que não parava de se repetir.
“Tudo bem aí?”, o barman perguntou após a terceira dose.
“Eu pareço estar bem?”, dei uma risada amarga. “Na verdade, não responda. Só me vê mais um.”
Ele serviu, mas hesitou antes de empurrar o copo para mim. “Quer uma água?”
“Não”, murmurei. “Você tem quartos lá em cima?”
“Quartos?” As sobrancelhas dele subiram. “Sim. É uma hospedaria. Não é de luxo como o pessoal do seu tipo gosta, mas é limpo. Você quer um?”
“Sim, por favor.”
Ele me entregou uma chave pequena de latão com o número 14 gravado. Agradeci, saí do banco e segui em direção à escada estreita nos fundos.
O corredor lá em cima era mal iluminado, e minha visão estava turva por causa do álcool. Contei as portas enquanto caminhava, mas, entre a doze e a catorze, devo ter me perdido. Encaixei a chave na porta errada e ela abriu. A alegria de finalmente entrar em um quarto onde eu poderia dormir para esquecer a tristeza era quase um alívio.
Então, um homem lá dentro levantou o olhar de perto da janela, segurando um copo de bebida âmbar. Ele era alto, de ombros largos, vestindo um paletó escuro que o fazia parecer deslocado em um lugar como aquele.
“Você está atrasada”, disse ele, com uma voz grave e suave.
Pisquei, confusa. “Como?”
Os lábios dele se curvaram levemente. “Venha aqui.”
Eu deveria ter ido embora. Deveria ter dito que estava no quarto errado, mas minha mente estava nublada, meu peito ainda doía pela traição de Daniel, e o calor do whisky me deixou imprudente.
Como não me movi, ele deu um passo à frente, fechando o espaço entre nós. Seus olhos me percorreram, não de um jeito grosseiro, mas com uma confiança que fez meu fôlego parar por um momento.
“Você é ainda mais bonita do que eu esperava”, ele murmurou.
Talvez fosse o álcool, ou a dor no meu coração, talvez ambos, mas não o impedi quando suas mãos encontraram minha cintura. Não o impedi quando seus lábios roçaram os meus.
Eu deixei acontecer.
Cada beijo, cada toque se misturava. Meus pensamentos sumiram, submersos pelo calor e por uma necessidade desesperada de me sentir desejada, mesmo que não fosse real.
Em algum momento, as luzes diminuíram ainda mais, as roupas caíram no chão e eu esqueci onde estava.
Quando acordei, meus olhos estavam pesados e minha cabeça latejava. A luz do sol entrava pelas cortinas finas, iluminando o quarto com uma névoa dourada suave.
Levei um segundo para perceber que ainda estava na cama, os lençóis frios contra minha pele nua. Meu coração disparou quando ouvi uma respiração calma e constante ao meu lado.
Virei o rosto e um suspiro afiado escapou dos meus pulmões. Eu estava com um homem?
Ele ainda estava dormindo, deitado de costas, com um braço descansando relaxado sobre o cobertor. Seu cabelo estava levemente bagunçado, o maxilar firme mesmo durante o sono. Ele parecia completamente em paz, como se nada no mundo pudesse atingi-lo.
Apertei os olhos enquanto minha mente tentava associar aquele rosto a alguma lembrança. Tentei me esforçar, porque sentia que estava muito perto de lembrar onde o tinha visto antes.
Eu definitivamente conhecia aquele rosto.
De repente, caiu a ficha.
Era Adrian Blackwood.
Eu tinha acabado de transar com meu chefe!