Just a Kiss
Isabella ficou na ponta dos pés e pressionou seus lábios contra os de Noah.
Por uma fração de segundo, nada aconteceu.
Os lábios dele eram quentes e macios, com um leve gosto de uísque pairando ali.
Então, tão abruptamente quanto ela havia feito, a realidade desabou sobre eles.
Ela começou a se afastar —
Mas Noah foi mais rápido.
Sua mão disparou, os dedos se entrelaçando em seu cabelo úmido, puxando-a de volta antes que ela pudesse escapar.
O aperto dele era firme, não agressivo, mas o suficiente para passar uma mensagem clara: você não vai fugir disso.
O beijo que ele lhe deu era totalmente diferente do dela.
O dela tinha sido impulsivo, fugaz.
Mas o dele era profundo, inflexível, carregado de uma intensidade que a fez arrepiar, como se ele estivesse lutando contra algo tanto quanto estava se entregando a isso.
A outra mão dele subiu, apoiando-se na parede ao lado da cabeça dela, encurralando-a.
Um calor emanava dele, misturando-se ao leve aroma de uísque e cloro que ainda se agarrava à sua pele.
A respiração de Isabella falhou enquanto seus dedos apertavam instintivamente o braço dele, o músculo sob seu toque se contraindo levemente.
Por um momento, não existia mais nada — apenas a pressão da boca dele, o gosto de uísque e algo que era inteiramente Noah, a atração vertiginosa por algo que nenhum dos dois conseguia nomear.
Então, tão repentinamente quanto a beijara, ele se afastou.
Noah soltou o ar lentamente, com os olhos mais escuros do que antes, algo quase tempestuoso fervilhando por trás deles. Mas quando falou, sua voz estava calma novamente.
"Não pense demais nisso."
Seu olhar percorreu o corpo dela, notando sua pele corada e seus lábios entreabertos.
Então, em um tom tão neutro que quase a fez rir, ele acrescentou: "Só uma distração."
Isabella piscou, com o peito ainda subindo e descendo mais rápido do que gostaria de admitir.
Então, apesar de tudo — da tensão, do calor que ainda se agarrava à sua pele — ela sorriu.
Ela passou a língua rapidamente pelos lábios, de forma lenta e intencional. "Ainda bem que não me importo com distrações."
E dito isso, ela girou nos calcanhares e saiu do quarto.
Noah ficou paralisado por um momento, encarando o lugar onde ela acabara de estar.
Seu maxilar estava travado, seus dedos se contraíam nas laterais, como se tentasse se livrar do que quer que tivesse acontecido entre eles.
Então ele soltou um palavrão baixo, pegou a camiseta descartada no chão e a puxou sobre a cabeça, franzindo a testa para o calor indesejado que ainda permanecia sob sua pele.
***
Oito horas antes.
O centro de imprensa do Dubai International Circuit estava lotado.
Câmeras alinhavam a frente da sala, com as lentes focadas na longa mesa onde vários dos melhores pilotos do mundo estavam sentados.
A nova temporada estava a apenas alguns dias de distância, e aquela era a primeira conferência de imprensa oficial do IVC (International Velocity Council).
O ar fervilhava com expectativa.
Isabella Quinn sentava-se entre eles, com sua jaqueta da equipe NovaLux fechada até o topo e seu cabelo preto preso em um rabo de cavalo impecável.
Seus olhos cinza-claros tinham um ar vago, quase distante, como se ela estivesse vendo algo além deles. Combinado com seu sorriso confiante, isso criava um contraste intrigante — um que atraía as pessoas sem que elas nem percebessem.
Aos 22 anos, ela acabara de se tornar a primeira mulher a conquistar um assento na VRC, um fato que deixou o mundo do automobilismo em polvorosa.
A VRC (Velocity Racing Championship) era o auge do automobilismo internacional.
Doze equipes, cada uma com dois pilotos, batalhavam em vinte e sete corridas realizadas em cidades ao redor do mundo.
Mas apenas dez equipes com vinte pilotos podiam se classificar para a corrida final em cada evento — a corrida final de alto risco onde os pontos eram distribuídos.
Isso significava que, em cada fim de semana de corrida, duas equipes eram eliminadas antes mesmo das luzes se apagarem.
A competição era implacável. O lugar de ninguém estava garantido. Pilotos, engenheiros, gerentes gerais — todos viviam sob a ameaça constante da eliminação.
Em cada Final Circuit, os dez primeiros colocados ganhavam pontos que contribuíam tanto para o Campeonato de Pilotos quanto para o de Equipes.
Quando a temporada terminava, o piloto e a equipe com mais pontos eram coroados campeões mundiais.
Esses vencedores levavam para casa não apenas títulos — eles ganhavam centenas de milhões de dólares em prêmios.
A conferência de imprensa tinha sido rotineira até aquele momento — perguntas direcionadas a Noah Ashford sobre a defesa de seu título, a Lucien Hale sobre sua perspectiva sobre o novo carro da Orion Apex para a temporada, a Theo Archer sobre o progresso da Aether Dynamics.
E então, a atenção mudou.
"Próxima pergunta", disse o moderador, acenando para um jornalista na primeira fila.
O homem ajustou o microfone. "Isabella, entrando no Velocity Racing Championship com uma idade tão jovem, e sendo a primeira mulher a fazer isso, você sente uma pressão extra para provar seu valor?"
Isabella deu um sorriso contido, batendo os dedos contra a mesa. "Pressão? Claro. Sinto pressão todos os dias — a 305 km/h."
Sussurros percorreram a sala. Outro jornalista inclinou-se para frente, com um sorriso sarcástico nos cantos da boca.
"O Velocity Junior Racing Circuit é uma coisa, mas a VRC é uma fera completamente diferente. Você acredita mesmo que pode competir neste nível, ou isso é apenas mais um golpe de marketing?"
As câmeras deram um zoom em seu rosto, esperando por uma falha em sua postura.
Isabella não deu a eles nenhuma.
"Acho que você terá que assistir à corrida para descobrir", ela disse calmamente. "A menos que queira entrar em um carro e me testar você mesmo?"
Uma risada veio da sua direita. Jack Marlowe, seu companheiro de equipe na NovaLux, sentado duas cadeiras depois, deu um sorriso. "Já gosto dela."
A pergunta seguinte não foi para ela.
Um jornalista virou-se para Noah, inclinando-se para frente com um sorriso ensaiado que não chegava aos seus olhos.
"Noah", começou ele, "quando você tinha vinte e dois anos, já havia vencido seu primeiro campeonato mundial na VRC. Você tem algum conselho para Isabella, que está apenas começando sua carreira na VRC na mesma idade?"
Houve um segundo de silêncio. Todas as cabeças se voltaram para ele.
Noah piscou lentamente, então esticou a mão para o microfone.
Sua voz era calma.
"Claro", disse ele. "Todo mundo já teve vinte e dois anos um dia. Alguns de nós apenas não tinham uma sala inteira tentando transformar isso em manchete."
Um silêncio atordoado caiu sobre a sala.
Então, alguns risinhos abafados.
Jack deu um assobio baixo. Theo enterrou um tosse na manga.
Noah colocou o microfone de volta, com uma expressão inescrutável.
O repórter que fez a pergunta ficou tenso.
Ele não se atreveu a revidar.
Não contra o homem sentado atrás do microfone — o tricampeão mundial de olhar frio que redefiniu a dominação na era moderna.
Noah Ashford entrou na VRC aos dezoito anos. Aos vinte e dois, ele já havia conquistado seu primeiro título mundial.
Agora, aos vinte e seis, ele era o tricampeão reinante.
Sua equipe, Solaris, também surfou em sua consistência e precisão para conquistar os Títulos de Equipes da Velocity.
Sua dominância era inquestionável.
Os repórteres sabiam que era melhor não comprar brigas com Noah.
Ele não entrava no jogo da mídia — e, quando provocado, não errava o alvo.
Então a sala mudou o foco.
Eles não podiam cutucar o rei, mas podiam provocar a novata.
A pergunta seguinte veio, mais afiada desta vez.
"Então Isabella, nenhuma mulher jamais teve sucesso real na VRC. O que faz você pensar que será diferente?"
Isabella inclinou a cabeça, pensando cuidadosamente por um momento, então respondeu seriamente. "Bem, para começar, sou canhota. Isso é bem raro. Mas se você está perguntando sobre corrida — pelo mesmo motivo que todos aqui. Eu conquistei meu lugar."
Uma onda de diversão percorreu a mesa.
Theo abaixou levemente a cabeça, escondendo um sorriso. Lucien soltou uma risadinha baixa. Jack sorriu, claramente gostando do show.
Mas entre a fileira de pilotos, havia um que não reagiu de forma alguma.
Noah Ashford.
Ele não se moveu. Não piscou. Não sorriu.
Era como se ele tivesse se desconectado completamente — com os olhos fixos em algum lugar muito além da sala de imprensa, onde ninguém mais podia seguir.
A conferência de imprensa continuou, mas o tom já tinha sido definido.
Isabella não estava ali para ser uma nota de rodapé na história — ela estava ali para correr.
E o mundo estava assistindo.
***
A conferência de imprensa terminou, e os moderadores sinalizaram para os pilotos se moverem para a sessão de fotos.
A mudança no tom era quase divertida.
Isabella passara a última meia hora sendo interrogada, mas agora, a mesma mídia que questionara suas credenciais estava subitamente ansiosa para capturá-la no ângulo perfeito.
Ela se virou para as câmeras, com seus olhos cinza-claros captando a luz de uma forma que os tornava quase etéreos.
Mesmo com a jaqueta estruturada azul e branca da equipe NovaLux, que deixava pouco espaço para a feminilidade, seus traços marcantes e porte natural a tornavam impossível de ignorar.
Os fotógrafos pediam mais, com o entusiasmo crescendo, ansiosos para tirar algumas fotos extras da piloto mais comentada do grid.
"Isabella, olhe para cá!"
"Aqui, Isabella! Dê um sorriso para nós!"
Então, uma voz chamou acima da conversa.
"Ei, Isabella, que tal abrir um pouco esse zíper da jaqueta para as fotos?"
A sala ficou em silêncio por uma fração de segundo.
Não uma pausa longa, mas apenas o suficiente para notar.
Os outros pilotos ouviram. Não havia dúvida sobre isso.
Mas eles mantiveram a compostura — Theo continuou com seu sorriso fácil, Lucien permaneceu frio e Jack nem sequer piscou.
O foco deles permaneceu nas câmeras, deixando o momento passar sem dar atenção a ele.
Apenas Noah se moveu, bem levemente. Sua cabeça inclinou-se na direção dela, com os olhos voltando-se para ela.
Isabella não perdeu o ritmo.
Seu sorriso permaneceu no lugar enquanto ela levantava os braços, os dedos encontrando o zíper — não o da gola, mas o das mangas.
Com um pequeno puxão, ela abriu um pouco as mangas e as empurrou para cima, exibindo os antebraços com um movimento fácil e prático.
"Concordo", disse ela levemente, lançando um sorriso charmoso. "Acho que fico muito melhor com as mangas para cima."
Algumas risadas percorreram a linha da imprensa, aliviando a tensão que pairava no ar momentos antes.
As câmeras continuaram disparando, e os fotógrafos seguiram em frente rapidamente, gritando mais instruções, como se aquele momento estranho nunca tivesse acontecido.
Pelo breve segundo, os lábios de Noah se contraíram — apenas o menor indício de diversão antes de sua expressão voltar à sua calma habitual, tão inescrutável como sempre.