CATIVA

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

--- **Tudo o que Monica fez foi pegar o beco errado.** Uma turista perdida no labirinto banhado a neon do submundo de Osaka, ela buscou informações em um bar sombrio. Mas sua seda lavanda e seu perfume de jasmim a marcaram como presa. Fora de lugar. Dele. **Ele era o intocável Rei de Kamagasaki.** Ele a viu não como uma pessoa, mas como uma obra-prima — um artefato estrangeiro deslumbrante a ser adquirido. A ser possuído. Com uma única ordem arrepiante, o mundo dela encolheu para as quatro paredes de sua prisão opulenta. O corpo dela era dele para reivindicar, a vontade dela, sua para quebrar. Aprovação não era necessária. Era uma conquista. **Mas uma obra-prima não é definida por sua moldura.** Despojada de sua liberdade, Monica descobre um poder que jamais soube possuir: o poder da rendição absoluta. E, enquanto ela lenta e meticulosamente desvenda o homem que a mantém em cativeiro, um jogo perigoso começa. Um jogo onde as linhas entre captor e cativa, ódio e obsessão, brutalidade e devoção, tornam-se terrivelmente tênues. Ele pensou que poderia domá-la. Ela o ensinaria que alguns espíritos não são quebrados; eles são refinados pelo fogo. E a única coisa mais perigosa do que um rei implacável é uma mulher que aprende a usar a própria escuridão dele contra ele mesmo. **Esta é uma história de posse. De transformação. Do amor ardente e inesperado que floresce onde apenas a dominação foi semeada.**

Status
Completo
Capítulos
40
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+

LOST

(CAROS LEITORES, ANTES DE COMEÇAREM A LER, QUERO APENAS ACRESCENTAR QUE A HISTÓRIA EDITADA, POR ALGUM MOTIVO, NÃO ESTÁ SENDO SALVA. POR ISSO, TENHO QUE FAZÊ-LO MANUALMENTE TODOS OS DIAS QUANDO NOTO ALGUM ERRO... SIGNIFICARIA MUITO SE PUDESSEM COMENTAR ABAIXO DE QUALQUER REPETIÇÃO QUE ENCONTRAREM, PARA QUE EU POSSA USAR ISSO PARA RETIFICAR E MELHORAR O TEXTO... MUITO OBRIGADO!)



O ar em Kamagasaki era pesado com o cheiro de peixe e fritura, um mundo completamente distante dos corredores imaculados e com cheiro de tinta da escola de caligrafia. O xale de chiffon lavanda de Monica, um sopro de seda de outra vida, tremulava como uma mariposa presa contra as paredes úmidas e fechadas do beco. Era brilhante demais, suave demais; uma bandeira de vulnerabilidade em um território que usava sua própria crueza como armadura. Seu perfume, uma mistura ousada e inebriante de jasmim e tuberosa, era uma declaração de guerra contra os aromas sutis de soja e suor; ele anunciava sua presença muito antes de ela dobrar a esquina.


Ela estava absoluta e profundamente perdida. O GPS de seu celular descarregado era apenas um espelho preto inútil. A conversa de Mike e Tina tinha se dissolvido nas voltas labirínticas do distrito, deixando-a sozinha com o zumbido baixo do neon e as ocasionais rajadas de riso que vinham de trás das portas de papel. Seu japonês, aprendido minuciosamente ao longo de meses, parecia blocos de montar desajeitados em sua boca, inúteis para construir um caminho de volta à segurança.


A luz âmbar das lanternas projetava sombras longas e distorcidas, pintando os rostos dos homens que a observavam passar. Seus olhos, gélidos e avaliadores, seguiam o balanço de seu cabelo e o morder nervoso de seus lábios carnudos, agora levemente feridos. Sua pele, de um tom dourado quente, parecia beber aquela luz estranha, fazendo-a brilhar em meio à penumbra. Ela era um pássaro exótico que voara para dentro de uma caverna de predadores, e cada instinto gritava que aquela escolha fora um erro.


O desespero a levou até uma porta, uma fresta de luz mais brilhante e barulho mais alto. Ela a empurrou.


A conversa lá dentro cessou instantaneamente. Uma parede de fumaça e olhares masculinos a atingiu. O bar era pequeno, apertado, com um balcão de madeira em formato de U manchado pelo tempo. Todos os clientes, cada braço tatuado descansando no balcão, cada par de olhos semicerrados, voltaram-se para ela. O gerente, um homem magro com uma toalha sobre o ombro, encarou-a com uma expressão de pura e absoluta confusão. Ela fez uma reverência, profunda e formal demais para a ocasião.


“S-sumašen… michi ni mayoi mashita”, ela gaguejou, as palavras parecendo vidro quebrado em sua garganta. *Estou perdida.* “Dōro o… direções…”


O gerente apenas coçou a cabeça, totalmente perplexo diante daquela aparição perfumada e trêmula. O calor inundou as bochechas dela. Ela fez outra reverência, um movimento rápido e espasmódico, e virou-se para fugir de volta para o beco, de volta para o desconhecido.


Mas seu caminho estava bloqueado.


Ele estava vestido com um roupão de seda índigo profundo, um tecido tão fino que brilhava como um líquido escuro. Seus braços, que emergiam das mangas largas, eram uma tapeçaria de tinta — dragões, kanjis, nuvens rodopiantes de preto e cinza que se enroscavam em músculos definidos. Ele a avaliou de cima a baixo, um inventário lento e deliberado que parecia mais íntimo do que qualquer toque. Seus olhos eram poços escuros de diversão e algo mais; algo possessivo.


“Mayotte iru no?”, ele perguntou, com a voz em um ronco grave. *Você parece perdida.*


Monica franziu a testa, tentando decifrar as palavras em meio ao seu pânico.


Antes que ela pudesse formular uma resposta, outra voz cortou o silêncio tenso, um comando único e firme em japonês vindo do fundo da sala. O homem de robe índigo hesitou e, com um aceno leve, quase imperceptível, recuou, fundindo-se nas sombras do bar.


Aquele que tinha falado surgiu então.


Ele era mais alto e sua presença parecia absorver a própria luz do ambiente. Seu robe era preto, da cor de uma noite sem estrelas, e as tatuagens que cobriam seu peito e pescoço eram mais intrincadas e severas. Aquilo não era decoração; era uma história escrita na pele, uma linguagem de poder e consequências. Seu olhar era diferente — mais penetrante, mais inteligente e infinitamente mais perigoso.


“Você está perdida?”, ele perguntou. Seu inglês era impecável, embora carregado por um tom grave e melódico.


O som de sua língua materna foi tão inesperado que suas pernas fraquejaram de alívio. Ela assentiu, sua voz não passando de um sopro: “Sim. Meu celular… meus amigos…”


“Você não parece ser daqui”, ele afirmou, como um fato simples e inegável. Ele deu um passo à frente, e o cheiro dele a alcançou — sândalo e sabão limpo, um contraste surpreendente com a atmosfera do bar. Era o cheiro da autoridade.


“Eu não sou.”


“Qual é o seu nome?” Ele estava perto o suficiente agora para que ela precisasse inclinar a cabeça para trás para encontrar seus olhos. Os olhos dela, grandes e abertos, emoldurados por cílios escuros demais contra seu medo pálido, olharam para cima.


“Monica”, ela sussurrou.


Um sorriso lento surgiu em seus lábios, sem chegar aos olhos. Era o sorriso de um predador, reconhecendo a beleza da presa antes do bote. “Você não deveria ter entrado aqui, Monica.”


“Sinto muito”, ela murmurou, já tentando desviar dele para retornar ao anonimato da noite. “Eu não sabia. Vou apenas…”


Seu movimento não foi interrompido por um puxão bruto, mas por uma pressão firme e inescapável em seu cotovelo. Os dedos dele envolveram seu braço; o toque através do chiffon fino era elétrico, fervente. Não era brutal, mas era absoluto. Era uma reivindicação.


Ela piscou, sua mente recusando-se a processar a finalidade silenciosa naquele aperto.


“Uma vez que você entra no meu território”, ele disse, a voz caindo para um murmúrio rouco destinado apenas a ela, “você não pode simplesmente sair mais.”


Suas palavras pairaram no ar como uma sentença. O coração dela martelava contra as costelas, um pássaro frenético em uma gaiola dourada. O medo ainda estava lá, frio e cortante, mas agora algo diferente se desenrolava profundamente dentro dela; algo quente e traiçoeiro. Era a emoção do proibido, o fascínio do artista pelo sombrio e pelo detalhado.


Ele se inclinou para mais perto, com os lábios próximos ao ouvido dela. Sua respiração estava quente contra a pele, causando arrepios ao longo de seu pescoço. “Essa porta não abre para os dois lados. Não para uma mulher que cheira a jasmim e parece um sonho.” Sua mão livre se ergueu; ele não a tocou, mas as pontas de seus dedos pairaram a meros milímetros do pulso que batia freneticamente na base de sua garganta. “Um perfume tão alto e belo para um lugar tão quieto e sombrio. Você veio aqui para ser encontrada, Monica?”


Ela tentou balançar a cabeça, mas o movimento foi fraco. A proximidade dele era uma droga, seu domínio um afrodisíaco aterrorizante. Ele era tudo o que seu mundo ordenado de tinta e papel não era — ele era o caos personificado em seda e pele.


“Eu estava apenas perdida”, ela repetiu, mas o protesto soou fraco, até mesmo para seus próprios ouvidos.


“Estava?”, ele refletiu, seus olhos escuros traçando a linha de seu maxilar e o contorno de seus lábios entreabertos. “Ou estava procurando por algo que não pode encontrar à luz do dia? Algo… real.”


Seu polegar finalmente fez contato, acariciando uma linha lenta e devastadora ao longo da parte interna de seu cotovelo. A sensação era requintada, um raio direto ao seu núcleo. Ela arquejou, e o som foi engolido pelo silêncio vigilante do bar.


Ele sorriu novamente, e desta vez o sorriso chegou aos seus olhos, iluminando-os com um fogo sombrio. “Não tenha medo. Os perdidos são a minha especialidade. Eu a levarei para onde você precisa ir.”


Não era uma sugestão. Era uma promessa. E enquanto ele começava a guiá-la, não em direção à porta, mas para mais fundo nas sombras aos fundos do bar, Monica sabia com uma certeza chocante e primitiva que o caminho que ela seguira o tempo todo não era para encontrar seus amigos, mas para encontrar a ele. E a verdadeira exploração, a caligrafia mais perigosa e erótica de todas, estava apenas prestes a começar; escrita não com tinta, mas sobre a pele, no escuro.