A NOIVA SEQUESTRADA

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Resumo

Um único ato de bondade... foi tudo o que bastou para destruir o mundo dela. Mira Tanaka, uma brilhante geneticista, oferece ajuda a um elegante senhor que tropeça em um parque sob o luar. É um gesto humano e simples. Ela não sabe que ele é Kenji Sato, um impiedoso patriarca da Yakuza. E não sabe que sua beleza exótica e seu coração bondoso acabaram de torná-la o bem mais cobiçado por ele. Dias depois, homens armados invadem sua vida, arrancando-a de seu pai. Seu destino: ser a noiva do filho mais novo de Kenji, um homem mimado e brutal — um prêmio para ser possuído e quebrado. Mas Kenji vê nela algo além de um belo peão. Ao testemunhar seu intelecto feroz e seu espírito inquebrável, ele toma uma decisão chocante e de última hora. O casamento com seu herdeiro inútil está cancelado. Ela é valiosa demais, rara demais. Ela se casará com seu filho mais velho e esquivo. Akihiro Sato. O Príncipe de Gelo. Ele é seu sequestrador, seu carcereiro, o homem que segura a vida de seu pai em suas mãos. No entanto, cada olhar é um desafio, cada toque acidental é uma marca. Por trás de sua fachada gélida, arde um desejo possessivo tão intenso que ameaça consumir a ambos. Quando um inimigo das sombras ameaça destruir tudo, Mira precisa decidir: o Príncipe de Gelo é seu maior perigo ou sua única salvação? E Akihiro deve confrontar a verdade aterrorizante — ele queimaria o mundo até as cinzas para proteger a esposa que ele nunca quis, mas que agora não consegue viver sem. Ele a roubou para controlar seu inimigo. Ele nunca planejou desejar tanto a sua submissão.

Status
Completo
Capítulos
23
Classificação
4.8 13 avaliações
Classificação Etária
18+

1

O ar fresco da noite parecia bom na pele de Mira depois das longas e estéreis horas no laboratório. O sucesso do projeto de sementes HYV pulsava dentro dela, uma sinfonia pessoal e silenciosa de triunfo. O parque era seu desvio habitual, um lugar para descontrair e deixar que a euforia da descoberta se transformasse em uma sensação constante e satisfatória antes de encontrar seu pai para o jantar.


A escuridão era profunda, interrompida apenas pelo brilho suave de postes distantes filtrado pelas árvores. Foi então que ela o viu. Um homem mais velho, com a silhueta rígida e altiva, que de repente se desequilibrou. Ele tropeçou, um movimento breve e desajeitado na noite, e caiu sobre um dos joelhos com um grunhido que ela conseguiu ouvir do outro lado do caminho.


Sua reação foi instintiva, um impulso de movimento antes que sua mente pudesse processar tudo. Em poucos momentos, ela estava ao lado dele, com a mão suave sobre seu braço.


“O senhor está bem?”


Ele olhou para cima, e seu rosto era uma máscara de perplexidade pura e crua. Não era dor, nem vergonha, mas um choque profundo, como se a presença dela fosse mais surpreendente do que a própria queda. Ele era um homem mais velho, na casa dos setenta anos, com um rosto austero e marcado, e olhos agudos que agora a examinavam com uma intensidade desproporcional ao momento.


“Estou bem”, disse ele, com a voz grave e rouca. Ele permitiu que ela o ajudasse a chegar a um banco próximo, seu corpo sendo surpreendentemente sólido sob a ajuda dela. Ela limpou a sujeira das calças dele com alguns gestos eficientes, seus movimentos práticos e gentis.


“Por favor, tenha cuidado. Está escuro”, disse ela, retirando sua mochila. Ela pegou sua garrafa de água. “Aqui.” Ela a ofereceu a ele.


Ele a pegou, sem nunca desviar os olhos dela. Ele bebeu, um gole lento e medido, mas seu olhar estava fixo no rosto dela — nos olhos amendoados e no caimento de seus longos cabelos, traços que costumavam atrair olhares curiosos por sua origem mista e ambígua. Ela estava acostumada com a curiosidade, mas a dele era diferente. Era mais profunda, mais analítica, como se ele estivesse memorizando cada detalhe dela.


“Quer que eu chame um táxi?”, perguntou ela novamente, sentindo um leve desconforto sob aquele exame silencioso.


“Não”, disse ele, encerrando o assunto. Ele devolveu a garrafa com movimentos precisos. “Obrigado.”


Ela deu a ele um sorriso caloroso, porém um pouco hesitante. “Preciso ir encontrar meu pai. Por favor, cuide-se.” Ela se virou e saiu andando, e o encontro logo se tornou apenas uma curiosidade para contar durante o jantar.


O homem no banco era Kenji Sato.


Ele não se moveu até que o som dos passos dela desaparecesse por completo. Só então ele levantou a mão, um sinal quase imperceptível. Das sombras dos arbustos, dois de seus homens surgiram, com os rostos tensos por uma mistura de medo e desculpas. Eles estiveram lá o tempo todo, designados para proteger o patriarca, prontos para intervir caso a estranha fosse uma ameaça.


Mas Kenji os dispensou com um gesto mínimo assim que a mulher se aproximou. Ele estava curioso.


Agora, ele estava cativado.


Kenji Sato era o patriarca de uma poderosa organização de linhagem Yakuza, um homem que gerenciava um vasto império de atividades clandestinas a partir de uma rede de escritórios discretos e clubes privados. Ele nunca *precisava* de ajuda. O perigo era uma variável que seus homens calculavam e neutralizavam. Vulnerabilidade era um luxo que ele não podia se dar, uma fraqueza a ser escondida.


No entanto, ele aceitou a ajuda. Ele pegou a mão dela. Ele bebeu da garrafa dela. Ele permitiu-se, por um minuto estranho, ser apenas um velho que tropeçou no escuro e foi ajudado por uma estranha gentil.


E que estranha ela era. Exótica, bonita, com uma doçura que parecia completamente alheia ao seu mundo de lealdades calculadas e respeito imposto. Sua gentileza não foi oferecida por interesse ou medo; foi dada de forma simples e pura. Era uma transação para a qual seus livros contábeis não tinham espaço.


Ele observou o caminho vazio por onde ela desaparecera. Seus homens permaneciam rígidos, esperando um comando, uma repreensão pela falha em protegê-lo.


Kenji Sato os ignorou. Um sorriso tênue, quase imperceptível, surgiu em seus lábios.


“Descubram quem ela é”, disse ele, com a voz calma, mas cortante no ar fresco da noite. A ordem não nasceu da suspeita, mas de uma curiosidade rara e profunda. “Tudo sobre ela.”

A caminhada até a delegacia foi curta, um trajeto familiar que sempre enchia Mira com uma sensação de conforto e orgulho. As luzes fluorescentes da delegacia zumbiam acima, iluminando uma cena de caos organizado. E lá, em sua mesa, estava seu pai. Kaito Tanaka estava curvado sobre uma pilha de arquivos de casos, com a testa franzida em concentração, o peso dos problemas da cidade evidente na curva de seus ombros.


“Papai?”, ela chamou, sua voz uma melodia suave diante do cenário ruidoso de telefones tocando e conversas murmuradas.


Ele levantou a cabeça rapidamente. A máscara séria e concentrada do detetive desapareceu, substituída por um sorriso vibrante e caloroso que chegou aos seus olhos. “Mira-chan!”


Ela caminhou entre as mesas, recebendo acenos e sorrisos dos outros policiais que a conheciam bem. Ela pegou sua garrafa de água — a mesma do parque — e ofereceu a ele. “Aqui, beba um pouco de água primeiro.”


Ele aceitou com gratidão, tomando um longo gole. “Dia longo”, ele suspirou, as palavras carregadas de histórias não ditas.


“Me conta durante o jantar?”, ela sugeriu.


Ele assentiu, afastando-se da mesa. “A melhor ideia que ouvi hoje.”


Eles caminharam para a noite fresca, a tensão da delegacia diminuindo a cada passo. Ele contou a ela sobre um beco sem saída frustrante em um caso de roubo; ela contou sobre a descoberta com as sementes medicinais, sua voz animada de entusiasmo. Eles estavam tão envolvidos em seu próprio mundo, uma pequena ilha de luz e conexão, que não notaram o sedan escuro parado a meio quarteirão de distância.


Dentro do carro, um homem de terno elegante e olhar frio abaixou os binóculos. Ele falou baixinho em um telefone criptografado, com os olhos fixos nas figuras que se afastavam: o detetive e sua filha.


“Chefe? Temos novidades.”


***


Kenji Sato estava em seu escritório, o silêncio interrompido apenas pelo suave chiado de um vinil raro tocando uma peça clássica. Ele ouvia a voz do outro lado da linha, com a expressão inalterada.


“A mulher do parque. Ela entrou na 5ª Delegacia de Polícia. Ela é filha do detetive Kaito Tanaka.”


Os dedos de Kenji, que batiam suavemente no braço de sua cadeira de couro, pararam. Um sorriso lento e perigoso se espalhou pelo seu rosto. Não era um sorriso de calor, mas de um interesse aguçado e predatório.


“Kaito Tanaka”, ele repetiu, o nome saindo como um estrondo baixo. O detetive diligente que tinha sido um espinho persistente em seu lado, que estivera perigosamente perto de expor uma lucrativa operação de contrabando meses atrás. O homem que ele fora forçado a gastar recursos significativos para distrair e despistar.


O universo, ao que parecia, tinha um senso de ironia verdadeiramente requintado.


A mulher gentil e bonita com os olhos surpreendentes não era apenas uma estranha qualquer. Ela era a filha de seu nêmesis. A única coisa boa na vida daquele homem, se a forma como seu rosto se iluminou ao vê-la servisse de indicação.


As peças se encaixaram com uma finalidade satisfatória. Aquilo mudava tudo. Já não era apenas curiosidade. Era estratégia. Era oportunidade.


“Continuem observando”, instruiu Kenji, com a voz enganosamente calma. “Os dois. Quero saber tudo sobre a rotina deles. Onde ela trabalha. Para onde ele vai depois do turno. Tudo. Mas não sejam vistos.”


Ele desligou o telefone e recostou-se na cadeira, unindo as pontas dos dedos. A música cresceu ao fundo. Ele já não era apenas um homem que recebera uma gentileza inesperada. Ele era um mestre de xadrez, e uma nova peça fascinante acabara de ser colocada no tabuleiro. O jogo, de repente, tornou-se infinitamente mais interessante.


O escritório estava carregado com o aroma de uísque envelhecido e charutos caros. Kenji Sato sentava-se como um rei em sua corte, com seus dois homens de maior confiança — seu conselheiro, Hiroshi, e seu executor principal, Tetsuo — ao seu lado. O relatório sobre Mira Tanaka estava aberto na mesa baixa entre eles.


“Esta garota”, declarou Kenji, sua voz não deixando margem para debate. “Ela deve ser adquirida. Servirá a dois propósitos. Manterá o cão de guarda bem comportado e a trará para a família. Sua inteligência, sua... pureza... serão um trunfo. Vamos diluir a linhagem Tanaka com a nossa.”


Hiroshi, um homem com um rosto que parecia um registro antigo, inclinou-se ligeiramente para frente. “Que tipo de inclusão, Mestre? Uma refém? Uma protegida?”


"Uma noiva", disse Kenji, com a palavra soando simples e absoluta.


O silêncio que se seguiu foi pesado. Os olhos de Hiroshi tremeluziram de inquietação. "Uma noiva... para o senhor, mestre?" A pergunta foi cautelosa, quase um sussurro. Casar-se com a filha de seu nêmesis na polícia seria uma jogada de poder ousada e arrogante, mesmo para Kenji.


O rosto de Kenji se contorceu de desprezo. "Não seja insolente", ele disparou, fazendo um gesto de desdém com a mão. "Ryo."


O nome pairou no ar. Ryo. O filho mais novo de Kenji, fruto de um segundo casamento breve e tumultuado. Um mulherengo mimado e petulante, cujas maiores conquistas eram contas de bar e escândalos. Ele era uma mancha na honra da família, um problema que Kenji vinha tentando controlar, não um filho de quem ele se orgulhasse.


A compostura de Hiroshi se quebrou por um segundo, sua máscara profissional deslizando para revelar pura descrença. "Ryo? Mestre, com todo respeito... ele não é um homem que entenderia o presente que o senhor está lhe dando. Ele a veria apenas como mais uma conquista, não como uma parceira. Ele a destruiria. E o detetive... ele não seria domado; ele seria libertado."


"Exatamente", disse Kenji, com um sorriso frio brincando nos lábios. "Talvez uma mulher do calibre dela o acalme. O force a amadurecer. E o que é melhor do que tê-la aquecendo a cama do meu filho e gerando o nosso herdeiro?" O plano era perverso em seu cálculo. Não se tratava apenas de possuir Mira; tratava-se de usá-la para consertar seu filho fracassado e, simultaneamente, neutralizar seu inimigo. Era sobre reivindicar o melhor do mundo de Tanaka para corrigir o pior do seu próprio.


Tetsuo, o executor, permanecia como uma estátua silenciosa, mas sua mandíbula estava travada. Ele vira a crueldade de Ryo em primeira mão.


Hiroshi assentiu lentamente, o conselheiro em si reassumindo o controle, enxergando a lógica brutal mesmo que isso lhe embrulhasse o estômago. "É uma lâmina afiada, mestre. Pode cortar dos dois lados. Ryo não concordará facilmente. Ele preza muito a sua... liberdade."


O sorriso de Kenji desapareceu, substituído pelo olhar frio e implacável do patriarca. Sua palavra era lei. "Ele não precisa concordar. Ele precisa obedecer." Ele apontou para o telefone em sua mesa. "Ligue para ele. Vamos conversar."


Hiroshi pegou o telefone e discou. Todos podiam imaginar o aparelho tocando em algum clube barulhento e luxuoso. Quando a voz arrastada e irritada de Ryo respondeu, metálica através do alto-falante, Kenji não esperou por cumprimentos.


"Saia da sarjeta onde quer que esteja e venha para casa", comandou Kenji, com a voz baixa e mortal. "Estamos discutindo o seu futuro."


Ele encerrou a chamada sem dizer mais nada. O jogo estava em movimento. Ele encontrara um peão para seu filho e uma coleira para seu inimigo. Agora, só precisava fazer com que ambos desempenhassem seus papéis.

A pesada porta de carvalho do escritório se abriu, batendo na parede com um baque surdo. Ryo Sato estava parado na entrada, balançando levemente. O cheiro forte e adocicado de uísque caro e perfume barato entrou com ele na sala. Sua camisa estava amarrotada, o cabelo despenteado, e uma mancha chamativa de batom carmim sujava a gola de sua camisa branca. Outra marca, mais tênue, era visível em sua bochecha. Ele piscou, seus olhos lutando para focar na luz fraca e séria do escritório de seu pai.


Kenji Sato não se moveu da cadeira. Sua expressão era de granito. Hiroshi e Tetsuo permaneceram perfeitamente imóveis, sua presença amplificando a tensão no recinto.


"Pai", arrastou Ryo, com um sorriso preguiçoso e arrogante se espalhando pelo rosto. "Convocou uma reunião de cúpula? Eu estava... ocupado." Ele fez um gesto vago para trás, como se as mulheres ainda estivessem esperando no corredor.


A voz de Kenji estava perigosamente calma, uma vibração baixa no ar parado. "Fique sóbrio. Agora."


Ryo fez um gesto de descaso, cambaleando para dentro da sala e desabando em uma poltrona vazia. "Estou bem. O que é tão importante que não podia esperar até amanhã?"


"Estamos discutindo o seu futuro", disse Kenji, cada palavra cortante e precisa. "Está na hora de você se casar. Uma união estratégica. Isso consolidará sua posição e trará um ativo valioso para a família."


Ryo soltou uma risada alta e estridente, sem qualquer humor. "Casar? Você finalmente enlouqueceu, velho. Eu não sou do tipo que se casa. Todo mundo sabe disso." Ele lançou um olhar malicioso. "Eu sou mais do tipo... de provar tudo."


"Isto não é um pedido", a voz de Kenji baixou ainda mais, tornando-se gélida. "É um arranjo. O nome dela é Mira Tanaka. Ela é inteligente, bonita e vem de uma boa família. Ela será sua esposa. Você a tratará com respeito. Ela gerará nosso herdeiro. Ela será a sua salvação."


A bravata bêbada de Ryo começou a rachar sob o peso absoluto e inflexível da vontade de seu pai. Ele franziu a testa, tentando processar as palavras. "Tanaka? Por que esse nome soa familiar?"


"O pai dela é o detetive Kaito Tanaka", Hiroshi interveio suavemente, com os olhos fixos em um ponto na parede.


A informação cortou a névoa do álcool. Os olhos de Ryo se arregalaram ligeiramente. "O policial? Aquele que tem estado—" Ele parou, um lampejo de compreensão, seguido por uma onda de repulsa, cruzando seu rosto. "Você quer que eu me case com a filha de um policial? Você está louco? Ela deve ser tão sem graça e rígida quanto o velho dela. Isso é um castigo, não é? Por causa daquela história do carro? Ou do cassino?"


A paciência de Kenji evaporou. Em um movimento fluido, ele saiu da cadeira. Ele não gritou. Ele simplesmente desferiu um tapa no rosto de Ryo. O estalo do golpe foi chocantemente alto na sala silenciosa. A cabeça de Ryo virou para o lado, o sorriso bêbado foi apagado, substituído por uma dor bruta e atordoada.


"**Você é o castigo**", sibilou Kenji, debruçando-se sobre o filho encolhido, com o rosto a poucos centímetros de distância. "Você é a mancha que sou forçado a limpar. Esta mulher é um presente que você é idiota demais para apreciar. Ela é tudo o que você não é. Ela será sua esposa. Você a fará sua esposa em todos os sentidos. Você a engravidará. E, pela primeira vez na sua vida inútil, fará algo para trazer honra a esta família em vez de vergonha. Você me entendeu?"


Ryo apertou a bochecha, os olhos arregalados com uma mistura de medo e ressentimento amargo. Ele olhou do rosto furioso do pai para as máscaras estoicas de Hiroshi e Tetsuo. Ele sabia que aquela não era uma batalha que ele poderia vencer. Não esta noite.


Ele desabou na cadeira, toda a vontade de lutar drenada de si, substituída por uma raiva taciturna e derrotada. "Está bem", ele murmurou, olhando para o lado, com a voz embargada pela humilhação. "Como você quiser. Eu me caso com a vadia do policial."


"**Você vai chamá-la de sua esposa**", corrigiu Kenji, com a voz voltando ao seu tom frio e controlado. Ele ajeitou o paletó e voltou ao seu assento. "Agora saia da minha frente. Fique sóbrio. Você tem um namoro para começar."

O silêncio do apartamento dos Tanaka foi estilhaçado pelo som explosivo da porta sendo arrancada de suas dobradiças. Antes que Kaito pudesse se levantar da cadeira, homens de terno escuro inundaram o cômodo, movendo-se com uma eficiência brutal e treinada. O cano frio e circular de uma arma foi pressionado contra sua têmpora, forçando-o a sentar-se novamente. Outro homem agarrou Mira, torcendo seus braços para trás, com uma mão tapando sua boca para sufocar seu grito.


O ar estava pesado com o cheiro de medo e violência. Os olhos de Kaito queimavam com uma raiva impotente, fixos em sua filha.


Então, uma figura atravessou calmamente a porta quebrada. Kenji Sato, impecavelmente vestido, com as mãos cruzadas atrás das costas, olhou em volta da casa modesta como se estivesse avaliando uma nova propriedade.


"Kaito", disse ele, sua voz sendo uma zombaria de calor. "Velho amigo. Que lugar aconchegante você tem aqui."


Seus olhos então deslizaram para Mira, que lutava contra seu captor. Seus olhos grandes e aterrorizados encontraram os dele, e um lampejo de reconhecimento passou por eles — o velho do parque, aquele que ela havia ajudado. A bondade que ela oferecera agora parecia um erro grotesco.


Os lábios de Kenji se curvaram em um sorriso fino e cruel. "E você. Imagine minha surpresa. Conhecer uma estranha gentil no escuro, e ela acaba sendo a filha do meu... incômodo mais persistente." Ele deu um passo em direção a ela, ignorando os sons furiosos e abafados de Kaito. "O mundo funciona de maneiras misteriosas, não é?"


Ele parou diante dela, com o olhar frio e avaliador. "Tenho uma proposta para você, garota. Simples." Ele gesticulou vagamente em direção à porta. "Você virá comigo. Você se casará com meu filho. Você se tornará um ativo leal da minha família. Em troca, seu pai poderá continuar respirando. Ele pode até manter o emprego, desde que se lembre de suas novas... conexões familiares."


Ele se inclinou para mais perto, sua voz baixando para um sussurro venenoso. "Ou", ele disse, com a palavra pairando no ar como uma sentença de morte. Ele não precisou terminar a ameaça. As armas pressionadas contra a cabeça de seu pai completaram o pensamento por ele.


"Eu matarei sua única família aqui, agora mesmo, na sua frente. E então", disse ele, seus olhos perfurando os dela, destituídos de qualquer humanidade, "eu levarei você de qualquer jeito. O resultado é o mesmo. A única variável é se ele viverá para ver você caminhar até o altar. Escolha."