Raízes do Amor

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Quando Gracie se perde a caminho de uma entrevista de emprego, ela acaba — literalmente — caindo nos braços de Jaxon, um homem recluso que vive nas profundezas da floresta. Marcado por anos de rejeição devido à sua aparência rude, Jaxon construiu sua vida no isolamento, cercado pela cabana que seu falecido pai lhe deixou, a beleza selvagem da mata e o silêncio que ele pensava querer. Mas, quando Gracie aparece, ferida e sozinha, algo dentro dele desperta. O que começa como um encontro casual transforma-se em um vínculo inabalável. A proteção bruta de Jaxon entra em conflito com a resiliência silenciosa de Gracie, mas os dois encontram conforto um no outro enquanto aprendem a viver "off the grid" — caçando, cultivando a terra, conservando alimentos e, lentamente, construindo um lar repleto de vida, risadas e uma ternura inesperada. Conforme as estações mudam, o mesmo acontece com seus corações, e Gracie começa a perceber que não está perdida — ela está exatamente onde deveria estar. Mas o amor na natureza selvagem não está isento de desafios. A gravidez, a sobrevivência e as exigências diárias da vida na cabana testam sua força, enquanto animais — um lobo semidomesticado, gatinhos travessos e futuros animais de criação — tornam-se parte de sua estranha e bela família. No fim, Gracie e Jaxon descobrem que o amor mais verdadeiro não é encontrado no mundo que deixaram para trás; ele está enraizado no lar que cultivaram juntos, no coração da floresta.

Gênero
Romance
Autor
Daisy Grace
Status
Completo
Capítulos
31
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Capítulo 1: Perdida e Achada

Eu nunca fui boa com orientações. Isso foi algo que aprendi cedo, pelo jeito que eu sempre dava um jeito de me perder em lugares novos ou esquecer para onde deveria ir, não importava quantas vezes eu olhasse o mapa. Mas hoje, eu cometi um erro. Um erro grande.

Eu deveria ter virado à esquerda, em vez de tentar aquele atalho duvidoso de terra depois que o ônibus me deixou com a minha mala. Agora, aquilo não é tanto uma estrada de terra, mas uma trilha de caminhada. Parecia algo tão simples, mas acho que me distraí com essas árvores bonitas. Eu sempre quis morar perto da floresta; existe algo tão reconfortante em uma parede de verde com bétulas altas e imponentes, em pinheiros dançando lentamente ao vento. Mas agora, enquanto eu estava na beira da floresta, com o vento aumentando e as árvores começando a sussurrar seus segredos, eu sabia que estava em apuros.

A entrevista de emprego para moradia que eu estava indo fazer? Já era. Ela estava em algum lugar distante agora, perdida nas voltas confusas dos meus pensamentos e na incerteza no meu peito. Meu coração batia forte no peito, e a urgência de precisar encontrar o caminho de volta pesava muito nos meus ombros.

Eu não tinha a intenção de acabar aqui, perdida na floresta, completamente sozinha. Mas a verdade é que eu me sentia mais em casa aqui do que no apartamento apertado e escuro de onde fui despejada. Ou melhor, de onde minha colega de quarto me expulsou por causa do namorado sujo e barulhento, aquele mala, que vivia invadindo o lugar. Talvez fosse o silêncio, a ausência de pessoas e de barulho, ou talvez fosse outra coisa. Algo que tinha me atraído para a floresta em primeiro lugar.

Eu não tinha certeza de para onde estava indo. Não tinha certeza se tinha forças para voltar de onde vim. Quanto mais eu andava, mais parecia me afastar de tudo que eu conhecia. Meus pés estavam doloridos, meu estômago vazio, e tudo em que eu conseguia pensar era em quão pequena eu me sentia diante da imensidão ao meu redor.

As árvores se estendiam acima de mim, altas e antigas, com suas raízes entrelaçadas profundamente na terra. Elas pareciam ter saído de um livro de contos, mas, em vez de me sentir encantada, tudo o que eu conseguia sentir era uma sensação de isolamento. E, talvez, um pouco de medo.

Eu tropecei em uma raiz, e meu tornozelo torceu embaixo de mim. O chão cedeu e, antes que eu pudesse me segurar, tudo ficou escuro.

---

Quando abri os olhos, o mundo parecia... estranho. Como se eu estivesse debaixo d'água, flutuando, mas não totalmente conectada ao chão. Pisquei, tentando limpar a névoa da minha visão, mas tudo estava embaçado. Minha cabeça pulsava, com uma dor aguda exatamente onde eu tinha batido no chão. Levei a mão à parte de trás da cabeça, sentindo o calor pegajoso do sangue.

"Merda", murmurei, tentando me sentar. A tontura me atingiu como uma onda, e eu desabei de volta na terra.

"Vai com calma."

A voz era profunda, rouca. Meu coração disparou. Será que eu estava sonhando? Puta merda! Quem disse isso? Estou em perigo?

Estreitei os olhos, tentando focar através da névoa. Uma figura pairava acima de mim, bloqueando a luz. Era um homem — não, mais do que isso. Ele era enorme, pairando sobre mim como uma espécie de besta. Seus ombros largos pareciam ocupar todo o espaço ao meu redor, e seu peito subia e descia a cada respiração lenta.

Meu pulso acelerou, o medo me dominando. A última coisa de que me lembrava era de caminhar pela beira da floresta, tentando me localizar. Agora, eu estava ali, sozinha, com um estranho — não, não apenas um estranho qualquer, mas alguém que parecia capaz de me esmagar com uma única mão. Seus traços eram rudes, seu rosto coberto por uma barba escura, e seus olhos eram escuros e indecifráveis.

"Não tente se mover ainda", ele continuou, com a voz suave, porém firme. "Você bateu a cabeça com muita força."

Engoli em seco, com o pânico crescendo no peito. "Onde eu estou?" Minha voz falhou, e eu detestei isso. Odiei como soei fraca.

"Bem dentro da floresta", ele respondeu, com o tom direto, sem oferecer muito mais. Ele se ajoelhou na minha frente, sua presença avassaladora, como se toda a floresta estivesse se curvando ao redor dele. Eu deveria estar assustada. Droga, eu estava aterrorizada. Mas havia algo nos olhos dele, algo que eu não conseguia definir, que me fazia sentir que ele não iria me machucar.

Eu não conseguia identificar o quê. Talvez fosse o jeito que ele levantou meu queixo gentilmente, verificando se eu tinha outros ferimentos. Ou talvez fosse a forma como ele se movia, de modo deliberado e lento, como se não quisesse me assustar mais.

Tentei me levantar de novo, minhas pernas parecendo que não eram bem minhas, mas no momento em que me movi, a tontura bateu mais forte. "Eu... eu não sei como vim parar aqui", admiti, com a voz baixa.

Ele apenas assentiu, seu olhar suavizando um pouco. "Não precisa se preocupar com isso agora. Você está segura aqui."

Segura. A palavra ecoou na minha mente, mas eu não conseguia entendê-la. Aqui? Onde era "aqui"? E o que aquilo significava, exatamente?

Abri a boca para perguntar, mas as palavras não saíram. Minha cabeça ainda estava muito confusa, minha mente dispersa demais.

"Vamos levar você para dentro", o homem disse, a voz ainda baixa, mas com um toque de insistência.

Ele se levantou e, sem pedir, me ergueu sem esforço em seus braços, aninhando-me contra o peito. Minha respiração travou na garganta com o contato repentino, e eu não soube o que fazer com a onda de calor que me inundou. Ele era forte — muito forte — e, mesmo sendo um estranho enorme e curioso, eu me senti calma.

Deixei que ele me carregasse pela floresta, com a cabeça descansando em seu ombro largo, a batida constante de seu coração servindo como um ritmo reconfortante que eu não conseguia explicar. Eu não tinha certeza de quem era esse homem, ou por que ele parecia saber exatamente como cuidar de mim. Mas, à medida que caminhávamos para mais fundo entre as árvores, a floresta escura e ameaçadora começou a parecer um pouco menos assustadora.