O Pecado em Seu Olhar

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Resumo

Eu nunca acreditei em anjos… até vê-lo. Conan M. Cross tem tudo: poder, riqueza e uma escuridão que atrai as pessoas e as destrói. E eu? Sou a Monroe ilegítima — rica o suficiente para sobreviver, mas nunca para pertencer. Ele me observa como se eu fosse uma presa, como se já me possuísse. E talvez possua. Meu fogo, minha rebeldia, o jeito que me recuso a ceder… isso só o alimenta, desperta algo perigoso ao qual não consigo resistir. Ele quer me quebrar. Eu quero ir embora. Mas quando o desejo e o perigo colidem, a sobrevivência não é o bastante. Cada olhar, cada palavra, cada toque é uma aposta. E em seus olhos, vejo o pecado do qual venho tentando escapar… Porque algumas tentações não foram feitas para serem resistidas.

Status
Completo
Capítulos
33
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Prólogo

No segundo em que pisei no salão de baile de Crosshollow, soube que estava fora do lugar. Claro, isso não era novidade. As festas dos Monroe eram sempre iguais: lustres que pareciam jorrar fogo de cristal, pisos de mármore polidos como espelhos e risadas soando como porcelana quebrando. Todos sorriam, todos faziam reverências, todos sussurravam atrás das mãos. E lá estava eu, a filha bastarda, o “erro”, caminhando por tudo aquilo como se eu pertencesse àquele lugar.

Eu vestia branco. Uma seda macia e colada ao corpo que me destacava imediatamente, ousada e sem remorsos. Não me dei ao trabalho de usar diamantes ou pérolas; era óbvio demais, previsível demais. Usava apenas uma corrente de prata no pescoço, a única coisa que eu possuía que não fora comprada com o dinheiro do meu pai. Os sussurros começaram antes mesmo de eu chegar ao centro do salão. Quem deixou a Monroe ilegítima entrar de novo? Aquela ali? Sério? Mas eu os ignorei. Isso era o que eu tinha aprendido a fazer. Sorrir, manter a cabeça erguida e deixá-los fervendo de raiva.

E então eu o vi.

Ele estava do outro lado do salão, encostado em uma coluna de mármore, com um copo de uísque intocado na mão. Não estava socializando. Não estava rindo. Não estava fingindo como o resto dos idiotas cobertos de ouro ao seu redor. Ele estava apenas... observando.

Olhos cinzentos. Penetrantes. Frios. Predatórios.

Congelei por um segundo, o que era perigoso. Eu não congelava. Nunca congelava. Nunca deixava ninguém me ver vacilar. E, ainda assim, havia algo no jeito como ele me olhava, como se pudesse me ver por inteiro: a bastarda, a estranha, a garota que ninguém realmente queria. E, de alguma forma, em vez de medo, senti uma faísca de outra coisa. Algo perigoso.

Caminhei em direção ao bar, forçando meus ombros a ficarem retos e mantendo a cabeça erguida, como se o olhar dele não existisse. Meu pulso martelava contra as costelas, mas eu não o deixaria saber que eu sentia aquilo. Ainda não. Eu nem sabia o nome dele, nem sabia por que sentia aquela atração por um homem que nunca tinha visto, mas meu corpo me traiu das formas mais sutis: um passo mais rápido, uma respiração ofegante, o leve arrepio subindo pela espinha.

Ele era diferente dos homens com quem eu tinha aprendido a lidar. Homens de riqueza e poder geralmente me subestimavam. Essa sempre fora minha vantagem, minha arma. Mas este... ele não estava me subestimando. Ele nem sequer estava tentando adivinhar. Ele simplesmente sabia.

Peguei meu copo, girando o champanhe como se aquilo pudesse me proteger. As bolhas faziam cócegas na garganta, mas não acalmavam a tensão que percorria minhas veias. Olhei ao redor, tentando escapar do olhar dele. Mas ele estava sempre lá. Do outro lado do salão. Sombrio no canto. Observando.

Finalmente, não aguentei mais. Levantei o queixo, deixei meus olhos verdes se cruzarem com os dele e sustentei o olhar. Deixe que ele me veja. Deixe que ele saiba que eu não estava com medo.

Ele não recuou. Não desviou o olhar. Ele sorriu, só um pouco, e foi o suficiente para fazer meus joelhos fraquejarem e meu sangue ferver como nunca deveria. Aquele sorriso era perigoso. Perigoso e sabedor. Perigoso e possessivo. Perigoso o suficiente para me fazer querer fugir — e ficar — tudo ao mesmo tempo.

Eu deveria ter ido embora. Deveria ter fingido que não senti nada, que o olhar dele não parecia fogo rastejando pela minha pele. Mas não o fiz. Porque ele me intrigava. Ele me aterrorizava. Ele era tudo o que eu odiava naquele mundo: o poder, o controle, o jeito como ele parecia ser o dono do ar ao seu redor. E, ainda assim, havia outra coisa. Algo que me deixava... curiosa.

Ele veio em minha direção, deliberado, lento. Cada movimento medido, cheio de propósito. Meu coração falhou uma batida. Eu deveria estar enojada. Deveria estar com medo. E eu estava, de certa forma. Mas também havia uma euforia.

"Srta. Monroe", ele disse quando me alcançou, a voz baixa, suave, escura como veludo. "Você percebe que usar branco em uma festa como esta é... imprudente?"

Inclinei o queixo, deixando as palavras me atingirem como uma lâmina. "Não vim aqui por segurança", eu disse, a voz firme, embora minhas mãos coçassem de vontade de tremer. "Eu vim aqui para ser vista."

Ele ergueu uma sobrancelha, só um pouco, como se eu tivesse dito algo divertido. Ou talvez tolo. Talvez os dois. "Vista", ele repetiu. "Escolha interessante de palavras."

Encarei-o diretamente. "Não vim aqui para ser propriedade de ninguém. Ou domada. Ou... qualquer coisa que homens como você achem que podem fazer."

O sorriso dele se abriu um pouco mais, perigoso e consciente. "Ah, eu não acho", disse ele, inclinando-se o suficiente para que eu pudesse sentir o calor dele através do tecido fino do meu vestido. "Eu sei."

Prendi a respiração. Meu pulso trovejou. E, de alguma forma, mesmo que meu corpo quisesse recuar, meu orgulho não me permitia dar um passo atrás. Não dele. Ainda não.

Eu podia sentir isso: o jeito como ele me media, como um predador considerando sua presa. Como se ele pudesse ver cada linha de defesa que eu construí, cada cicatriz que escondi, cada segredo que enterrei. E ele não se importava com as minhas defesas. De jeito nenhum. Ele queria o desafio. A luta.

"Eu não gosto de ser testado", ele murmurou, tão perto agora que eu podia sentir o leve cheiro de uísque e algo mais obscuro, algo perigoso.

"Eu não sou fácil de testar", respondi, sentindo uma faísca no peito que não tentei esconder. Meus dedos coçavam, prontos para arranhar, prontos para correr, prontos para lutar. "Então... boa sorte."

Os olhos dele escureceram. Uma risada baixa escapou dele, e senti isso vibrar pelo pequeno espaço entre nós. "Ah, eu sempre gosto de uma boa briga."

Foi naquele momento que percebi que estava em apuros. Em sérios apuros. O tipo de problema que faz você tremer e queimar ao mesmo tempo. O tipo de problema que cheira a perigo e pecado, e faz você querer aquilo mesmo sabendo que vai doer.

E eu sabia — ah, como eu sabia — que ele ia me destruir. Mas eu não me importava.

Não esta noite.

Nunca.

Porque eu lutaria, eu arranharia. Eu cuspiria, arranharia, gritaria e morderia. E eu sobreviveria. E se ele achasse que poderia me controlar, que poderia me possuir, que poderia me domar... ele logo aprenderia que algumas coisas não foram feitas para viver em gaiolas.

Nem mesmo por um homem como Conan M. Cross.

Eu tinha encarado a escuridão nos olhos dele e sorrido de volta.

E foi naquele momento que tudo mudou.