Doce Crueldade

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Resumo

Isabella Ramirez dominou a arte da sobrevivência, construindo uma vida baseada no controle e no anonimato, mas não estava preparada para a realidade selvagem do submundo. Sequestrada e forçada a subir em um palco de leilão, sua única vulnerabilidade é o poder sensual que ela exerce na pista de dança — um poder que atrai o olhar do único homem letal o suficiente para reivindicá-la: Vincenzo De Marco. Um brutal Don italiano, Vincenzo é frio como pedra e devastadoramente esculpido, um homem marcado pela traição e obcecado pela posse. Ele paga uma fortuna por Isabella após o sequestro, forçando-a a um contrato de casamento de um ano. Ele exige obediência absoluta, pretendendo usar o corpo e a beleza dela apenas como isca para atrair os inimigos que destruíram sua família. À medida que o desejo proibido entre eles consome seu controle gelado, ela descobre a verdade explosiva sobre sua própria identidade — um segredo que a liga não apenas ao passado dele, mas à guerra que se aproxima. Em um mundo de poder, traição e desejo proibido, a verdade tem um preço, e ninguém sai ileso.

Gênero
Romance
Autor
TKW⏳
Status
Completo
Capítulos
66
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
18+

Isabella


Copyright © 2025 by T.K Wright

All rights reserved.

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This is a work of fiction. Names, characters, businesses, places, events, and incidents are either the product of the author’s imagination or used fictitiously.



...




Isabella Ramirez



A última coisa de que ela se lembrava era do fogo.

Chamas alaranjadas e vermelhas brilhantes dançavam furiosamente na noite, engolindo as paredes de sua infância. A fumaça pairava espessa no ar, ardendo em seus pulmões, enquanto seu corpinho tremia de confusão e medo.

“Não! Por favor, eu quero ir para casa! Cadê o Lio? Mamãe? Papai?”

“Cala a boca, sua garotinha estúpida.”

A voz do homem parecia cascalho e ácido. “Mamãe e papai não querem você. É por isso que você está aqui. Eles se cansaram de você. Agora comporte-se... ou será castigada.”

Ela chorou, com seu coração de oito anos se partindo diante daquelas palavras cruéis. Ele só podia estar mentindo.

Seus pais não a abandonariam. Eles não podiam.

E Lio — seu irmão mais velho — ele devia estar procurando por ela. Ela se agarrou a essa esperança como uma tábua de salvação em meio à tempestade.



....



Treze anos depois...




O clube era um mundo à parte.

Sombras de veludo e detalhes em ouro envolviam o salão em pecado e sedução. Lustres de cristal brilhavam acima do palco principal, projetando arco-íris fragmentados sobre rostos repletos de luxúria e desejo. A música pulsava como um batimento cardíaco pelas paredes, e era quase possível sentir o cheiro do desespero no ar.

Ninguém ia ao The Devil’s Playground com intenções nobres — e nenhuma de nós trabalhava ali por escolha. Estávamos todas apenas tentando não morrer de fome.

“A seguir, temos a nossa única e inigualável latina fogosa... Caramel CANDY!”

Essa era a minha deixa.

Um frio na barriga apareceu, como sempre. Já fazia um ano, e ainda parecia irreal.

“Controle-se, Isabella. Controle-se.”

Peitos para fora, bunda para fora. Ande.

Ajustei minha máscara brilhante, aquela que mantinha meus segredos a salvo, e entrei na luz. Meu corpo se moveu por instinto, memória muscular, ritmo. O rugido da multidão diminuiu quando as primeiras notas da minha música preencheram o ar — e eu me tornei ela.

Ele cantou uma música quando fez isso.

Ele era frio, e era implacável...


Deixei a música me envolver. Meus quadris giravam. Minhas pernas se esticavam de forma longa e lenta. Cada movimento do meu corpo contava uma história que eu não conseguia falar.


Na noite, ela os ouve chamando

Na noite, ela dança para aliviar a dor

Mas ela nunca irá embora

E então eu os vi — aqueles olhos castanhos.

Eles atravessaram a multidão como uma chama na neblina. Quentes, porém indecifráveis. Ricos como uísque envelhecido, mas com uma dor que fazia algo dentro do meu peito se contorcer. Meu admirador secreto. Ele nunca perdia um show. E quando ele me via dançar, parecia que o mundo desaparecia.

Olhos castanhos — misteriosos, lindos, perigosos.

Pareciam ter visto demais. Amado demais. Perdido profundamente demais.

Eles me faziam sentir vista e invisível ao mesmo tempo.

Esta dança... É para você, pensei enquanto girava em direção ao poste.


Notas de dólar e lágrimas caem pelo seu rosto

Mas ela nunca irá embora

Eu não acho que você entenda.


Eu me enrolei nele, deixando a gravidade e a graça me levarem, músculos flexionando, glitter brilhando, suor escorrendo pela minha espinha. Eu me sentia poderosa. Livre. Inteira — mesmo que apenas por três minutos.

Quando a música diminuiu, eu estava sem fôlego. A multidão gritou meu nome. Notas de dinheiro choveram como confete. Sorri, com o coração acelerado.

Mas quando olhei de volta para ele, ele tinha ido embora.

“Você estava incrível, Candy”, Derek, nosso gerente, sorriu, me entregando uma dose de tequila.

“Obrigada, Dee”, eu disse, lançando um sorriso rápido. “Deixe-me me arrumar antes de começar o atendimento nas mesas.”

Eu mal me lembrava da minha verdadeira infância. Os primeiros anos eram uma colagem empoeirada de rostos e dor. As freiras que me criaram preencheram as lacunas com nomes inventados e lições severas. “Isabella Ramirez” soava bem — mexicana o suficiente para me encaixar, genérica o suficiente para não ser notada.

Tenho vinte e um anos agora. Dançarina exótica e garçonete em um dos clubes mais exclusivos da cidade. Encontrei este lugar quando estava morrendo de fome, sozinha e desesperada. Derek viu meu rosto e me contratou na hora. Servi mesas até atingir a maioridade, e então o dinheiro de verdade começou a entrar.

Mas eu tenho limites. Nada de danças privadas. Nada de favores nos bastidores. Não estou julgando, eu sei com o que consigo conviver.

O chuveiro no escritório de Derek era pequeno, mas limpo. Deixei a água fria arder na minha pele, lavando o glitter, o suor, a ilusão. Quando saí, lá estava de novo — um buquê.

Desta vez: orquídeas.

Delicadas. Elegantes. Entrelaçadas com notas de US$ 100 enroladas como pétalas.

Pelo menos US$ 1000 em dinheiro.

E, como sempre, o mesmo cartão: Dolcezza.

Assinado: V.

Minha respiração travou. Ele nunca tinha enviado tanto antes.

A gratidão deveria ser a reação óbvia — mas algo naquilo sempre deixava um nó no meu estômago. Como se eu fosse um peão sendo movido em um jogo que eu nem sabia que estava jogando.

Troquei para meu uniforme de garçonete — shorts jeans pretos justos, botas de salto alto e uma camisa ajustada com o logo do clube. Não importava o que eu vestisse, meus quadris e minha bunda faziam a propaganda. Acredite em mim, eu já tentei escondê-los.

Lá embaixo, amarrei meu avental e peguei meu bloco de pedidos. O movimento de sempre estava a todo vapor. Homens com olhares lascivos. Mulheres com olhares de ódio. A energia estava carregada de inveja, ganância e insegurança latente.

Eu via tudo.

A mulher se agarra a um homem que a bate. A garota é viciada em algo mais forte do que a esperança. A mãe com três empregos e sem tempo. Todas nós estamos usando máscaras — algumas apenas mais brilhantes que outras.

Eu estava na metade do meu turno quando a vi.

Sra. Gizzel.

Ex-dançarina internacional transformada em chefe infernal — botox e amargura, com uma pitada de perfeccionismo cruel.

“Candy”, ela arrastou a voz, soando como lixa. “Exatamente a garota que eu estava procurando.”

“Olá, Sra. Gizzel. Você parece... radiante hoje à noite.”

Mentira total. A maquiagem dela poderia assustar crianças. Mas eu valorizava minha vida.

“Você também pareceria se mostrasse mais pele. E esse batom? Tente vermelho alguma vez.”

Sorri com os dentes cerrados.

“Tem um cavalheiro na Mesa 62 que quer falar com você”, ela acrescentou. “E não, sua puritana tensa, ele não quer uma dança. Ele perguntou por você. Mantenha sua atitude sob controle. Ele é poderoso. Não me faça arrepender disso.”

Mesa 62.

VVIP.

Apenas o tipo de homem que se limpa com seda e mija champanhe senta ali.

Caminhei entre a multidão — passando pelos corpos que dançavam, os sorrisos de plástico, o desespero. As garotas nas mesas de elite agarravam seus homens com mais força quando me viam, como se temessem que eu pudesse roubá-los com um olhar. Se elas soubessem... Eu não tinha interesse nenhum neste mundo. Meu plano de fuga tinha prazo de validade.

E então — eu cheguei. Mesa 62.

Minha respiração travou.

Ele.

Aqueles olhos castanhos.

Meu admirador misterioso.

Só que agora... ele não estava observando das sombras.

Ele estava esperando.

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