Command and Desire

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

A vida de Victoria era tudo, menos empolgante; apenas uma rotina monótona e um namorado que mal a notava. Mas tudo muda quando ela conhece Carter, um estranho cativante e enigmático. Atraída por seu charme irresistível e desejos indomáveis, Victoria se vê questionando tudo o que pensava querer. Será que ela está pronta para sair de sua zona de conforto e abraçar a paixão que tanto desejava? Carter pode ser exatamente a faísca que incendiará o seu mundo.

Gênero
Erotica/Romance
Autor
CL
Status
Completo
Capítulos
56
Classificação
4.6 19 avaliações
Classificação Etária
18+

1 - Victoria

Estava frio, eu estava encharcada e, acima de tudo, estava furiosa. O celular do Miles só chamava cada vez que eu tentava ligar. Finalmente desisti, joguei o aparelho na bolsa e decidi que minha única opção era ir para casa andando, na chuva. Ele deveria estar lá; ele deveria ter me buscado no trabalho porque prometeu que o faria. Ele sabia a hora que eu largava e, ainda assim, não apareceu. Já faziam quarenta e cinco minutos. Sem guarda-chuva, aceitei a chuva batendo forte na minha cabeça, com gotículas escorrendo pelo meu nariz. Envolvi meu cardigã cinza fino ao redor do corpo para tentar me aquecer. Estava escuro e eu sabia que deveria ficar na avenida principal, mas queria chegar em casa o mais rápido possível e decidi pegar um atalho por uma rua lateral mal iluminada. Minhas mãos estavam congeladas, molhadas e começando a doer, então as coloquei nos bolsos do cardigã, ignorando o carro que vinha em minha direção. Se eu mantivesse a cabeça baixa, talvez conseguisse me proteger um pouco da chuva. Fiquei encarando meus sapatos de trabalho pretos e sem graça, que não me davam proteção nenhuma contra o mau tempo. 

— Com licença! — um homem gritou. Ignorei e acelerei o passo. O barulho de um motor voltou a rugir e, finalmente, olhei para a esquerda quando senti o carro encostar ao meu lado.

— Eu disse, com licença! — o homem gritou pela janela aberta, enquanto outros caras no banco do passageiro e no banco de trás riam às gargalhadas. Eu realmente não estava com paciência para aquilo, então continuei andando, ignorando as buzinadas. Quando ouvi a porta de um carro abrir, tentei dar uma leve corrida, passando de irritada para apavorada num segundo. Minhas pernas começaram a tremer e parei bruscamente quando alguém agarrou meu ombro, forçando-me a virar. — Tudo o que a gente queria era falar com você, sua vadia — o homem cuspiu, com a voz carregada de raiva. Ele tinha mais ou menos a minha altura e o capuz cobria quase todo o seu rosto. Dei um passo para trás, puxando minha bolsa para perto. Os piores cenários passaram pela minha cabeça: eu estava prestes a ser atacada? Os amigos dele riam fora do carro, e um deles cruzou o olhar comigo enquanto segurava o celular. — Me dá o seu número — ele disse, num tom firme.

— Eu tenho namorado — minha voz saiu trêmula, o que me deixou ainda mais irritada comigo mesma. Minha cabeça girou quando um carro preto parou no meio da rua.

— Gata, entra no carro — um homem falou, abrindo a porta do passageiro. O carro era elegante, de um tom azul-meia-noite, e minhas pernas me levaram até lá antes mesmo que eu pudesse pensar em qualquer decisão.

— Você deu sorte! — o homem gritou para mim assim que entrei. Minha cabeça foi para trás com a velocidade que o carro arrancou.

— Onde você mora? — o motorista me perguntou. A voz dele era áspera, levemente rouca, e eu me ajeitei no banco.

— Ordsall lane — sussurrei, fazendo uma pausa. — Obrigada.

— Não tem de quê — ele respondeu, sem dizer mais nada. Antes que eu pudesse piscar, já estávamos no início da minha rua e o carro parou. Finalmente, olhei para ele e meu estômago deu um salto. O maxilar dele era forte e marcado, com uma barba rala e escura, e a aparência combinava com a voz rústica. — Obrigada de novo — eu disse timidamente. Ele olhou para mim; seus olhos eram castanhos escuros e seus lábios carnudos se curvaram em um pequeno sorriso.

— Não ande sozinha à noite nunca mais. Qual é o seu nome? — ele soltou. Parecia uma pergunta, mas o jeito dele me fez sentir que era uma ordem.

— Victoria. E o seu?

— Carter — ele respondeu, me olhando de cima a baixo até voltar ao meu rosto. — De onde você estava vindo? — Ele não parecia ter pressa nenhuma de expulsar uma estranha de seu carro, mesmo que eu provavelmente estivesse pingando água de chuva nos bancos caros dele.

— Sou garçonete no Vino, aquele restaurante italiano perto... —

— Eu conheço — Carter me interrompeu. — Fique segura. — Ele ligou a ignição e eu desci do carro. Minhas pernas estavam pesadas enquanto subia a pequena ladeira em direção ao meu prédio. Quando olhei para trás, o carro já tinha ido embora. O súbito alívio de estar em casa e estar bem me fez rir sozinha enquanto abria a porta do apartamento, onde não havia ninguém.

— Miles! — gritei, mas só o silêncio respondeu. Joguei minha bolsa de lado, fui para a sala e me afundei no sofá de couro. Estava morrendo de fome, então sabia que teria que levantar para fazer alguma coisa logo. Algum tempo se passou até que a porta da frente se abriu e eu o ouvi entrar. Ele colocou a cabeça na porta da sala.

— Vou entrar no banho — Miles disse rapidamente. Seu cabelo castanho claro estava cortado curto.

— Onde você estava? — eu exigi saber, sentando-me mais ereta. Miles recuou a cabeça, rindo para si mesmo.

— Eu estava por aí — ele respondeu. Levantei-me e empurrei a porta para abri-la mais.

— Era para você ter me buscado no trabalho — lembrei-o, com a voz carregada de frustração.

— Merda, desculpa, gata. Eu esqueci. Estava ocupado. Não posso ficar ocupado? — Ele se defendeu e eu me sentei de novo, pegando o controle remoto. Discutir com Miles era inútil; ele tinha uma resposta para tudo e, toda vez que eu tinha um problema, ele dava um jeito de distorcer a situação para me fazer de vilã. Quando olhei para cima, Miles já tinha sumido e eu ouvi o chuveiro ligar. Acomodei-me mais profundamente no sofá.