Um Natal em Família: A Série Família Brodigan, Livro 1

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Resumo

Quando o rabugento astro do futebol e bilionário Nolan Brodigan retorna à sua pequena cidade natal na Pensilvânia para o Natal, a última coisa que ele quer é desfilar em um carro alegórico como se fosse um herói local. Mas, ao descobrir que a organizadora do desfile é Coralie Leroy — sua paixão deslumbrante da época do ensino médio que agora o considera um idiota arrogante —, ele fará de tudo para ficar perto dela, mesmo que isso signifique abraçar o espírito natalino que ele evitou durante anos. Uma comédia romântica spicy e repleta de futebol, onde voltar para casa no Natal significa encarar o passado, encontrar a si mesmo e se apaixonar pela garota que nunca caiu nos seus encantos.

Status
Completo
Capítulos
23
Classificação
4.8 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Nolan

O sorriso da comissária de bordo era tão radiante que poderia guiar aviões até a pista. “Sr. Brodigan! Eu vi seu hat trick contra o Manchester United. Absolutamente brilhante.”

Forcei meu rosto a fazer o que eu esperava que passasse por um sorriso hoje em dia. “Obrigado. Agradeço o carinho.”

“Poderia tirar uma foto? Meu namorado é obcecado por você.”

Claro que era. Todos eram obcecados por Nolan Brodigan, estrela internacional do futebol, atleta bilionário, o “Ice Man” que nunca errava. Mas ninguém conhecia a pessoa real presa dentro do astro, sufocando lentamente.

“Claro.” Levantei-me, deixando que ela se espremesse ao meu lado para a selfie obrigatória. Prendi a respiração durante três ângulos diferentes até que ela finalmente parecesse satisfeita.

“Muito obrigada! Tenha um voo maravilhoso!”

Afundei de volta no meu assento de primeira classe e peguei meu celular. Dezessete mensagens de Gerald, meu agente, cada uma mais insistente que a outra.

“As negociações do contrato não podem esperar até janeiro.”

“O contrato da Armani precisa da sua assinatura até sexta-feira.”

“O Real Madrid está sondando. Precisamos discutir a estratégia.”

Não respondi a nada daquilo. Gerald podia esperar. Tudo podia esperar. Eu tinha exatamente quatorze dias em Connellsville, Pensilvânia (meu purgatório pessoal disfarçado de cidade natal) e depois estaria de volta à minha vida real, que fora cuidadosamente planejada para o consumo público.

O piloto anunciou nossa descida para Pittsburgh, e meu estômago despencou junto com o avião. Olhei pela janela para o céu cinzento de dezembro, a paisagem abaixo mudando lentamente de cidades anônimas para algo terrivelmente familiar. Colinas onduladas. Cidades pequenas conectadas por rodovias de mão dupla. O tipo de lugar onde todos sabiam da sua vida e nunca deixavam você esquecer de onde veio.

Passei dez anos esquecendo. Dez anos construindo muros entre mim e Connellsville, entre mim e aquele garoto magrelo que não conseguia falar com garotas e achava que marcar gols o tornaria alguém. Acontece que tornou. Só não alguém de quem eu gostasse particularmente.

Meu celular vibrou. Minha mãe desta vez.

“O Rowan vai buscar você! Ele está tão animado para te ver. Todos nós estamos, querido. A casa está pronta. Fiz o seu prato favorito.”

A culpa se revirou em meu peito, familiar e indesejada. Ela me pedia para voltar para casa há anos. Em todo Natal, todo Dia de Ação de Graças, todo grande evento familiar, eu arrumava uma desculpa. Uma partida. Treino. Compromissos. A verdade era mais simples e mais patética: eu os estava evitando. Evitando a decepção nos olhos do meu pai, o jeito como meus irmãos me admiravam enquanto eu estava preso em um ciclo infinito de hotéis e estádios, a lembrança de que o sucesso deveria ser melhor do que aquilo.

Mas este ano, quando a voz da minha mãe falhou ao telefone (“Por favor, Nolan. Só desta vez. Faz cinco anos”), eu cedi. Cinco anos. Jesus. Eu sou um babaca.

O avião pousou. Peguei minha mala de mão, passei pela alfândega e segui para a esteira de bagagem.

O Aeroporto Internacional de Pittsburgh estava decorado para o Natal, com luzes brilhantes e guirlandas muito alegres. Famílias se reuniam com gritos e abraços. Casais se beijavam. Passei por tudo aquilo, sentindo-me invisível.

Avistei Rowan antes que ele me visse. Um dos meus irmãos mais novos, ele estava perto da esteira, com as mãos enfiadas nos bolsos de uma jaqueta gasta, examinando a multidão. Aos vinte e quatro anos, ele parecia exatamente como eu me lembrava: cabelo escuro, olhos azuis dos Brodigan, aquela expressão pensativa que ele tinha até quando criança. Vê-lo causou algo desconfortável em mim.

“Rowan.”

Ele se virou e seu rosto se iluminou com um sorriso genuíno. “Nolan! Puta merda, você realmente veio.”

“Não soe tão surpreso.” Deixei que ele me puxasse para um abraço; seu rosto familiar trazia um conforto que eu não esperava. Ele cheirava a ar de inverno.

“Digo, seu histórico fala por si mesmo.” Ele se afastou, olhando para mim. “Você está horrível.”

“É só o jet lag.”

“Ah, claro.” Ele não acreditou em mim, mas deixou passar, gesticulando para a saída. “Vamos lá. Estacionei no estacionamento econômico como um camponês.”

A provocação veio com um sorriso, mas atingiu em cheio. “Você poderia ter usado o estacionamento mais perto. Eu pago.”

“E lá vem ele.” Rowan balançou a cabeça, abrindo caminho pelo terminal. “Você está em casa há cinco minutos e já está esbanjando dinheiro.”

“Por que isso é um problema?”

“Não é um problema, mas gosto de viver dentro das minhas possibilidades.”

Mordi a língua para não retrucar, porque ele não estava errado e porque eu estava cansado demais para discutir. Caminhamos em silêncio pelo estacionamento até chegarmos a um modesto SUV da Honda que já vira dias melhores. O contraste com meu Aston Martin de volta a Londres era quase engraçado.

“A carruagem aguarda”, disse Rowan, abrindo o porta-malas.

Joguei minha bagagem lá dentro, notando o equipamento de futebol juvenil espalhado no fundo. “Você está treinando agora?”

“Sim, os sub-12. É divertido.” Ele entrou no banco do motorista. “Me lembra por que eu amava o jogo antes de tudo virar dinheiro e contratos.”

Outra cutucada. Olhei pela janela enquanto entrávamos na rodovia, vendo o horizonte de Pittsburgh desaparecer atrás de nós.

“Então,” Rowan disse, seu tom deliberadamente leve. “A mamãe está planejando uma coisa para o jantar. Todos virão, exceto Finn. Ele ainda está na Alemanha até a semana que vem, tem um jogo. A Cara está fazendo torta, ela está ficando muito boa nisso. Colin vai trazer a nova namorada, o que deve ser interessante. E Owen tem treinado o pedido de autógrafo a semana toda.”

“Jesus.”

“Ele tem dezoito anos e você é o herói dele. Dê um desconto para o garoto.”

Herói. Certo. A palavra soou mal. Eu nunca me senti menos heróico na vida.

“Além disso,” Rowan continuou, e ouvi a mudança em sua voz, o aviso. “A mamãe e o prefeito andaram conspirando. Eles querem que você seja o grande marechal do desfile de Natal.”

Minhas mãos apertaram minhas coxas. “O quê? Não.”

“Nolan…”

“Eu disse não. Eu vim para casa. Só quero ver minha família. Isso deveria bastar.”

“É mesmo?” Rowan perguntou. “Cinco anos, cara. Cinco anos de desculpas, planos cancelados e telefonemas onde você mal diz dez palavras. Você aparece por duas semanas e acha que é o suficiente?”

“Eu tenho uma carreira. Compromissos. Uma vida.”

“Na Europa. Longe de nós.” Ele pegou a saída que nos levaria direto para Connellsville. “Olha, eu entendo. Você é um cara importante. Estrela internacional. Bilionário. Mas você também é um Brodigan, e os Brodigans aparecem para o seu povo. Subir num carro alegórico por uma hora não é exatamente um sacrifício.”

“Eu não sou um foca de circo.”

“Ninguém está pedindo para você ser. Estão pedindo para participar de um desfile de Natal na cidade onde você nasceu e cresceu. Para mostrar que você ainda se importa de onde veio.”

Não respondi porque não tinha uma boa resposta. A verdade era que eu não tinha certeza se ainda me importava. Connellsville era um lugar de onde eu escapei, não um lugar ao qual eu pertencia. Mas dizer isso em voz alta me faria parecer o babaca que provavelmente eu era.

A paisagem mudou enquanto dirigíamos, tornando-se familiar. As placas verdes da rodovia para cidades que eu conhecia a vida inteira. As colinas onduladas cobertas por uma neve precoce. A saída para Uniontown, depois Scottdale e, finalmente, Connellsville.

População 7.031, de acordo com a placa desbotada. Lar dos Cokers, campeões estaduais da Pensilvânia em 1995. A placa parecia exatamente a mesma de quando eu tinha dezoito anos e mal podia esperar para ir embora.

“Bem-vindo ao lar”, disse Rowan baixinho.

Lar. A palavra parecia estranha.

Dirigimos pela Main Street, e tentei não listar todas as maneiras como nada tinha mudado. O pub Ol’ Paul ainda tinha o mesmo letreiro de neon. A loja de ferragens ainda precisava de uma pintura. As decorações de Natal penduradas nos postes eram provavelmente as mesmas da minha infância. Pequeno. Simples. Exatamente aquilo de que eu estava fugindo.

A casa dos Brodigan ficava em uma rua tranquila, alinhada com casas semelhantes: modestas, bem cuidadas, cheias de famílias que viviam ali há gerações. Rowan entrou na garagem e vi a porta da frente se abrir antes mesmo de estacionarmos.

Minha mãe saiu correndo, sem se preocupar com um casaco apesar do frio de dezembro, com o rosto radiante. Maureen Brodigan, professora do ensino fundamental, mãe de seis filhos, a pessoa mais calorosa que eu já conheci e a que eu mais decepcionei.

“Nolan!” Ela já chorava antes de me alcançar, puxando-me para um abraço que parecia um lar. “Oh, querido. Você está aqui. Você realmente está aqui.”

“Oi, mãe.” Minha voz falhou, meus braços estavam desajeitados ao redor dela. Quando foi que esqueci como abraçar minha própria mãe?

“Deixe-me olhar para você.” Ela se afastou, segurando meu rosto com as mãos, seus olhos examinando-me. “Você está muito magro. E pálido. Será que estão te alimentando por lá?”

“Estou bem, mãe.”

“Você não está bem. Parece exausto. Mas você está aqui, e é isso que importa.” Ela beijou meu rosto e depois se aninhou ao meu lado, guiando-me para dentro de casa. “Venha, todos estão esperando. O jantar está quase pronto. Fiz o seu favorito: empadão de carne e torta de maçã.”

A casa tinha o cheiro certo: comida, calor e gente demais em um espaço pequeno. Mal tive tempo de processar qualquer coisa antes de ser cercado.

“Nolan!” Owen, meu irmão mais novo, quase me derrubou de tanta empolgação. Aos dezoito anos, ele era todo desengonçado e cheio de adoração. “Meu Deus, você veio mesmo! Pode assinar minha camisa? E a minha bola? E talvez tirar uma foto pro Instagram?”

“Owen, deixa ele respirar”, disse Cara, mas ela sorria. Minha irmã, de vinte anos, me avaliou com olhos azuis penetrantes. “Bem-vindo de volta, estranho.”

“Cara.” Acenei para ela, notando o tom afiado em sua voz. Ela nunca me perdoou por ter faltado à sua formatura do ensino médio. Eu não a culpava.

Colin apareceu da cozinha, com o braço em volta de uma loira pequena que eu não conhecia. “O filho pródigo retorna! Essa é a Ashley. Ashley, esse é meu irmão mais velho incrivelmente bem-sucedido e emocionalmente indisponível.”

“Colin”, disse mamãe, num tom de aviso.

“O quê? É verdade.” Mas ele sorriu, dando um tapinha no meu ombro. “Bom te ver, cara.”

Meu pai foi o último a se aproximar, parado na entrada da sala de estar com os braços cruzados. Gus Brodigan, bombeiro aposentado, parecia mais velho do que eu me lembrava, com mais fios grisalhos no cabelo e rugas mais profundas ao redor dos olhos. Mas sua postura continuava firme e seu olhar, avaliador.

“Pai.”

“Nolan.” Ele deu um passo à frente, me puxando para um abraço rápido e rude. “Fico feliz que tenha conseguido vir.”

As palavras foram simples, mas entendi tudo o que ele não disse: Já não era sem tempo. Sentimos sua falta. Não estrague tudo.

“Vamos, sentem-se!” Mamãe guiou todos para a sala de jantar. “O jantar está pronto e quero saber de tudo. Como está Londres? E o time? Está saindo com alguém?”

As perguntas vieram como rajadas enquanto nos acomodávamos ao redor da mesa, que de alguma forma comportava nós oito quando crescíamos e ainda servia agora, todos espremidos, com cotovelos batendo e vozes se cruzando. Alguém passou o pão. Colin discutia com Rowan sobre alguma coisa. Owen continuava me olhando como se eu pudesse desaparecer. Cara encontrou meu olhar e ergueu uma sobrancelha.

Isso. Era isso que eu vinha evitando. O barulho, o caos e a presença esmagadora da família, que me conhecia bem demais e me amava mesmo assim. Era sufocante e reconfortante ao mesmo tempo, e eu já não sabia mais como existir ali.

“Então”, disse mamãe assim que fomos servidos, com um tom enganosamente casual. “O prefeito ligou de novo hoje.”

Lá vem.

“Maureen”, disse papai, em tom de aviso.

“Só estou mencionando, Gus.” Ela sorriu para mim, mas seus olhos estavam doces demais. “O desfile de Natal é daqui a dez dias e eles adorariam que você fosse o grande marechal. A cidade toda está animada por você estar em casa. Significaria muito…”

“Não.”

Todos ficaram em silêncio.

“Nolan?” mamãe começou.

“Eu disse não. Não vou fazer o desfile.” Larguei o garfo, subitamente sem fome. “Eu voltei para casa. Estou aqui por duas semanas. Isso deve bastar.”

“Seria só uma tarde”, insistiu mamãe, gentil, mas firme. “Algumas horas. A comunidade adoraria…”

“Não sou uma foca amestrada, mãe. Não devo nada a essa cidade.”

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Vi a expressão do meu pai endurecer e a decepção tomar o rosto da mamãe. Os olhos de Cara se estreitaram. Até Owen parecia confuso.

“Você não deve nada a esta cidade?”, repetiu papai lentamente, com a voz irritada. “O lugar que te criou. As pessoas que torceram por você em cada jogo. A comunidade que apoiou sua família quando me machuquei e não pude mais trabalhar. Você acha que não deve nada a eles?”

Culpa e raiva se misturaram no meu estômago. “Não foi isso que eu quis dizer…”

“Então o que quis dizer?” O maxilar do meu pai estava tenso. “Porque, de onde eu vejo, parece que você esqueceu de onde veio. Ou talvez você esteja importante demais agora para perder algumas horas com as pessoas que te conheciam antes de você ser famoso.”

“Gus”, disse mamãe baixinho, mas ela não o contradisse.

Levantei da mesa, e minha cadeira arrastou barulhenta no silêncio. “Tive um voo longo. Acho que preciso de um pouco de ar.”

“Nolan…” Mamãe tentou me alcançar, mas eu já estava saindo, pegando meu casaco no gancho perto da porta e indo para a varanda.

A porta se fechou atrás de mim, abafando as vozes lá dentro: a mamãe tentando contornar a situação, o resmungo grave de desaprovação do papai, meus irmãos provavelmente discutindo sobre como eu tinha me tornado um babaca.

Fiquei na varanda, minha respiração criando névoa no ar gelado, e encarei a rua silenciosa. Era um lugar pacífico, nada parecido com as cidades que eu tinha feito de lar.

A porta da frente se abriu. Não me virei, sabendo pelos passos silenciosos que era Rowan.

“Isso correu bem”, disse ele calmamente, apoiando-se no corrimão ao meu lado.

“Não quero ouvir.”

“Eu sei. Mas vai ouvir mesmo assim.” Ele ficou quieto por um momento. “Você os machucou. A mamãe, especialmente. Ela estava tão empolgada com sua volta, planejando tudo nos mínimos detalhes, torcendo para que desta vez você ficasse mais do que um ou dois dias. E a primeira conversa de verdade termina com você basicamente dizendo a todos que esta cidade não merece seu tempo.”

“Não foi o que eu disse.”

“Não foi?” A voz de Rowan era gentil, mas inabalável. “Olha, eu entendo. Você tem toda uma outra vida agora. Dinheiro, fama, pressão. Mas, para nós, você ainda é o Nolan. Nosso irmão. O filho deles. E tudo o que queremos é que você esteja aqui. Que esteja presente de verdade. Não apenas fisicamente, enquanto deixa claro que mal pode esperar para ir embora.”

A verdade naquilo me atingiu com mais força. “Não sei mais como ser essa pessoa. A que se encaixa nesta família, nesta cidade.”

“Então dê um jeito.” Rowan desencostou do corrimão e voltou para a porta. “Porque se você não conseguir, estas duas semanas vão ser muito longas. Para todos nós.”

Ele entrou, deixando-me sozinho com o frio, com meus pensamentos e com a percepção desconfortável de que, em algum momento pelo caminho, eu me tornei exatamente o tipo de pessoa que costumava desprezar.

Peguei meu celular, encarando as mensagens não respondidas de Gerald e o calendário mostrando meu voo de volta para Londres em quatorze dias.

Lá de dentro, ouvi risadas: Colin dizendo algo que fez todos caírem na gargalhada; o som era caloroso, genuíno e tudo o que eu tinha perdido sem me dar conta.

Duas semanas. Eu podia sobreviver por duas semanas. Ficar na minha, evitar o desastre do desfile, talvez compensar a mamãe de alguma forma. Depois, volta para Londres, para minha vida real que eu tinha me convencido de ser o que eu queria.

A porta se abriu de novo. Desta vez era Cara, enrolada em um cardigã enorme, com uma expressão séria.

“Você vai voltar ou planeja morrer congelado aqui fora? Porque tenho opiniões sobre as duas opções.”

Quase sorri. “Já estou indo.”

“Ótimo.” Ela segurou a porta aberta e me segurou pelo braço quando passei. “Para constar, estou feliz que esteja aqui. Mesmo sendo um babaca com praticamente tudo.”

“Obrigado. Eu acho.”

“Não tem de quê. Agora entre, antes que a mamãe mande o papai vir aqui fora, e aí vamos ter que lidar com aquela coisa de homens Brodigan estranhos tendo sentimentos.”

Segui-a de volta para o calor, para o barulho, o caos e o amor complicado da família que eu evitava há tempo demais. Os olhos da mamãe brilharam quando me viu, de forma imediata e perdoadora. Papai fez um leve aceno com a cabeça.

Sentei-me novamente no meu lugar, aceitei o prato que mamãe tinha mantido aquecido e tentei participar da conversa. Owen contou uma história sobre seu time de futebol. Colin fez todos rirem com uma imitação do chefe dele. Cara falou sobre suas aulas. Rowan observava tudo em silêncio, ocasionalmente encontrando meu olhar com uma expressão que dizia: viu? É isso que você estava perdendo.

E eu via. Via tudo o que tinha sacrificado por uma carreira que parecia mais vazia a cada dia que passava. Mas também via a impossibilidade disso. Eu era Nolan Brodigan, estrela do futebol internacional. Eu tinha contratos, obrigações e uma vida que não podia coexistir com a simplicidade da pequena Connellsville. Não havia caminho de volta, mesmo que eu quisesse um.

O que eu não queria.

“Mais torta, querido?”, perguntou mamãe, já enchendo meu prato antes que eu pudesse responder.

“Obrigado, mãe.”

Ela deu um tapinha na minha mão, um toque caloroso e familiar, exatamente o que eu vinha desejando, embora tivesse certeza de que não sentia falta.

Duas semanas. Apenas duas semanas. Depois eu poderia voltar para minha vida.

O pensamento deveria ser reconfortante.

Em vez disso, fez com que eu me sentisse o maior babaca do mundo.

***

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— Cat