Salt & Gasoline: Salt Reapers MC - Livro 1

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Resumo

Quando a professora do jardim de infância Lark Merritt testemunha um crime brutal de um MC, ela é arrastada para o mundo violento do qual escapou anos atrás — apenas para ficar cara a cara com Kael Voss, o implacável presidente dos Salt Reapers que um dia salvou sua vida. O que começa como medo e hostilidade incendeia-se em uma atração perigosa e magnética à qual nenhum dos dois consegue resistir. À medida que as ameaças se aproximam, Lark e Kael são forçados a confrontar seu passado, sua escuridão e o vínculo incontrolável que se recusa a quebrar.

Status
Completo
Capítulos
44
Classificação
4.8 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Sal, Salmoura e Fantasmas do Passado

Salt Harbor sempre cheirava a ferrugem, salmoura e fantasmas do passado.

Lark Merritt tinha se esquecido desse cheiro. Ou talvez tivesse escolhido esquecer. Ele pairava no ar da mesma forma de quando ela tinha dezesseis anos: impregnado de sal, metálico, carregado com as tempestades que chegavam do Atlântico sem aviso. Ela achou que voltar para um contrato temporário de ensino seria como revisitar um capítulo da infância que já tinha fechado.

Não parecia nada fechado agora.

O vento castigava seu cardigã enquanto ela caminhava pelo trecho abandonado dos cais, com uma ecobag de materiais escolares de jardim de infância batendo contra seu quadril. Ela deveria ter ido pela estrada principal. Deveria ter ignorado o atalho que seus músculos ainda lembravam. Mas seus pés a levaram até ali, seguindo um mapa antigo gravado em seus ossos, e ela deixou que eles a guiassem.

O sol tinha sumido, o céu era uma mancha cor de hematoma, a água negra e agitada sob as tábuas quase podres. O lugar perfeito para ser assassinada, pensou ela, abraçando sua bolsa com mais força.

Então ela ouviu vozes.

Baixas. Agressivas. Perto demais.

Lark parou de andar.

Ela não estava sozinha.

Um estrondo metálico ecoou entre os armazéns, seguido por passos rápidos. Ela se abaixou atrás de uma pilha de caixotes de caranguejo tão gastos que praticamente desintegravam sob suas mãos.

“Onde diabos ele está?”, rosnou um homem.

Ela espiou por trás do caixote.

Quatro homens — grandes, tatuados, vestidos de couro — cercavam um quinto rapaz que estava de joelhos. A camisa dele estava rasgada na gola, uma manga pendurada, o rosto já ensanguentado. Suas mãos estavam presas com lacres de plástico. Ele não gritava. Ainda não.

O fôlego de Lark escapou em um sussurro lento e horrorizado.

Moto clube.

Salt Reapers.

Ela reconheceu o logotipo: uma enguia esquelética enrolada em uma âncora, pingando sangue estilizado. Eles sempre foram apenas um rumor quando ela era criança. Uma ameaça que os pais usavam para manter os adolescentes na linha. Mas ela já tinha visto a verdade em lampejos: motos rugindo pela rua principal às duas da manhã, homens com soqueiras na porta dos bares.

E um homem, especificamente.

Seu estômago apertou.

Não pense nele.

O Reaper que segurava o homem ajoelhado pelos cabelos rosnou algo que ela não conseguiu ouvir. O homem amarrado cuspiu sangue aos pés dele.

Péssima ideia.

Outro Reaper chutou suas costelas em cheio. Com força. O homem caiu de lado, arfando.

Lark tapou a boca com as duas mãos, engolindo o grito que subia pela garganta. Seu coração martelava contra as costelas como se tentasse escapar.

Apenas recue, ela disse a si mesma. Devagar. Em silêncio. Você não viu nada.

Então o primeiro Reaper sacou uma arma.

As pernas de Lark ficaram dormentes.

Ele pressionou o cano da arma contra a testa do homem. Disse algo em voz baixa. Lark não conseguiu distinguir as palavras, mas entendeu a intenção.

Execução.

Não, não, não...

Um disparo rasgou o ar.

O homem ajoelhado caiu como uma marionete com as cordas cortadas. Sangue respingou pelas tábuas desgastadas. O vento o espalhou como chuva.

Lark levou a mão à boca, lágrimas ardendo em seus olhos instantaneamente.

Os Reapers ficaram parados por um momento, avaliando o serviço; o silêncio era mais alto que o disparo. Então...

Outra voz.

“Temos um problema.”

Lark congelou.

Um deles estava olhando diretamente para o seu esconderijo.

Ele inclinou a cabeça. “Tem alguém olhando. Eu ouvi.”

Merda.

Ela deve ter se mexido quando a arma disparou. Pisado em algo. Respirado alto demais. Qualquer coisa. Tudo.

“Procurem”, ordenou o líder. “Achem quem está aí.”

Lark nem pensou. Ela correu.

Seus sapatos batiam contra o calçadão, a bolsa balançando, os pulmões ardendo, a visão embaçada pelas lágrimas e pelo frio. Passos trovejantes atrás dela. Homens gritando. A noite engolindo seu fôlego.

“Ei! Pare!”

Ela não parou.

Ela disparou por armazéns escuros e grades enferrujadas, o mundo girando e se fechando em terror e adrenalina. Alguém agarrou sua bolsa e puxou. Ela gritou e soltou. A sacola se desprendeu de seu ombro.

Uma mão agarrou seu cabelo.

Lark soltou um grito quando sua cabeça foi puxada para trás violentamente. Ela caiu de joelhos, as palmas das mãos arranhando a madeira lascada. O homem estava de pé sobre ela, ofegante, um punho enroscado em seus cabelos.

“Ora, ora”, ele respirou, com diversão em cada palavra. “Temos uma testemunha.”

Ela tentou se afastar, mas o aperto ficou mais forte, arrastando-a para trás.

“Me solta! Por favor — eu não — eu não vi—”

“Você viu o bastante.”

Outro homem correu até eles. “O chefe vai querer ver isso.”

Chefe.

Seu sangue gelou.

Eles a levantaram pelos braços, um de cada lado, e a levaram à força de volta para um grupo de motos pretas estacionadas nas sombras. Ela chutou. Se debateu. Um homem xingou e a jogou contra uma parede com tanta força que seus dentes bateram.

“Para de lutar”, ele rosnou. “Não vai ser bom para você.”

Eles a empurraram para dentro de uma van, bateram a porta e o motor rugiu.

Lark se encolheu, tremendo violentamente, com a visão piscando a imagem do homem de joelhos, caindo.

Ela pressionou as palmas das mãos com força. “Por favor”, ela sussurrou para o nada. “Por favor, eu não posso passar por isso de novo.”

Salt Harbor deveria ser um lugar seguro. Ela tinha voltado porque precisava do emprego. Porque o distrito tinha mandado um e-mail de última hora, desesperado por uma professora de jardim de infância. Porque ela achou que tinha evitado as partes da cidade que guardavam memórias que ela se recusava a olhar.

Mas a escuridão a encontrou mesmo assim. Como sempre acontecia.

A van parou bruscamente.

As portas traseiras se abriram, revelando um armazém banhado por uma luz fluorescente trêmula. Homens se aglomeravam em volta de tambores de óleo, a fumaça de cigarro nublando o ar. Motos alinhavam as paredes. Música batia de alto-falantes invisíveis.

A sede dos Salt Reapers.

Suas pernas mal funcionavam quando mãos a puxaram para fora da van.

“Anda”, um ordenou.

Ela tropeçou, arrastando os pés, enquanto eles a empurravam por uma porta de metal até uma sala de paredes de cimento, com apenas uma mesa e uma cadeira de aço. Jogaram-na na cadeira com tanta força que ela perdeu o fôlego. Um homem prendeu suas mãos atrás das costas com lacres.

“Espera aqui”, ele disse com um sorriso sarcástico. “Como se você tivesse escolha.”

A porta bateu. O trinco girou.

O coração de Lark batia tão rápido que doía. Ela puxava os lacres, a respiração trêmula, a mente girando.

Ela ia morrer. Eles a matariam como fizeram com o homem no cais. Jogariam seu corpo na água. Ninguém saberia que ela tinha voltado para casa.

A porta se abriu.

O homem que entrou não era como os outros.

A primeira coisa que ela notou foi a energia — violência contida, autoridade, o tipo de presença que fazia o ar ficar pesado. Ele entrou com a confiança de quem já tinha matado sem hesitar.

A segunda coisa que ela notou foram as tatuagens. Braços cobertos. Mãos tintadas. Pescoço delineado com serpentes pretas e ondas cor de tempestade.

E a terceira...

A terceira foram os olhos dele.

Frios. Afiados. Claros. Como a calmaria antes de uma tempestade que destrói tudo em seu caminho.

Ele parou na frente dela.

Ela olhou para ele, o fôlego preso entre o medo e algo mais — um reconhecimento que ela não conseguia definir.

Ele inclinou o queixo dela para cima com uma mão, o aperto firme, os dedos cravando em sua mandíbula.

“Nome”, ele exigiu.

Sua voz era como cascalho, fumaça e perigo.

“L-Lark”, ela sussurrou.

Ele estreitou os olhos. Nenhum lampejo de reconhecimento. Nenhuma suavidade. Apenas suspeita.

“Por que você estava no cais?”, seu tom era como uma lâmina.

“Eu... eu não estava... eu estava indo para casa—”

“Mentira.” A palavra estalou na sala como um chicote. Ele se inclinou, o rosto a poucos centímetros do dela. “Você viu o que não devia. E isso faz de você um problema.”

Seu pulso acelerou tanto que ela sentiu gosto de metal.

A porta se abriu com um estrondo.

“Achamos a bolsa dela”, um Reaper disse, jogando a ecobag sobre a mesa. Giz de cera se espalhou. Papel cartolina. Adesivos.

Uma sala de aula de jardim de infância dentro de uma bolsa.

O líder olhou para o conteúdo espalhado, depois voltou para ela — a testa franzindo como se algo cutucasse uma memória que ele não queria acessar.

Lark engoliu em seco. “Eu sou professora.”

Ele zombou. “Não é mais.”

O terror atravessou sua espinha como uma faca. “Por favor — eu não tenho nada a ver com isso — eu não quis—”

A voz do homem tornou-se mais fria.

“Se você mentir para mim de novo, eu vou quebrar seus dedos.”

Sua respiração engatou. “Eu não estou mentindo.”

Ele apertou o maxilar dela novamente, com mais força. “Então por que diabos você estava lá?”

“Eu te disse... eu estava voltando para casa da minha sala de aula—”

“Voltando para casa”, ele zombou, inclinando-se para perto. “Querida, você tem ideia de onde estava andando? Aquela área é para quem tem desejo de morte.”

Ele estava tão perto que ela podia sentir o calor emanando dele. Cheiro de couro, fumaça e algo distintamente masculino.

Ela apertou os olhos com força. Isso não podia estar acontecendo. Ela tinha saído. Tinha escapado dessa vida.

“Olha para mim”, ele rosnou.

Ela abriu os olhos.

Algo brilhou nos dele — o reconhecimento atingindo-o como um amanhecer lento e terrível. Seu aperto afrouxou, apenas um pouco.

Então...

Ele congelou.

O ar mudou. Ficou denso. Vibrante.

Seus olhos se arregalaram, por pouco.

“Lark?”, ele sussurrou.

O fôlego dela falhou. “Kael?”

Por um instante inteiro, ninguém se moveu.

Então sua expressão se transformou em algo violento.

Ele agarrou seus ombros, puxando-a para perto, sacudindo-a uma vez.

“O que diabos você está fazendo aqui?”, sua voz tremia de fúria. “Você não deveria estar aqui. Você não deveria nunca ter voltado.”

Seu coração batia forte o suficiente para doer.

“Você... Você se lembrou de mim?”

Ele se afastou dela tão rápido que a cadeira quase tombou. Andou de um lado para o outro. Uma tempestade presa em forma humana.

Quando ele se virou, sua mandíbula estava cerrada, os olhos mais escuros que a água lá fora.

“Tirem ela dessa cadeira”, Kael ordenou aos homens. “Levem-na para o meu quarto.”

“Seu quarto?”, um homem piscou.

A voz de Kael caiu para um tom letal. “Está me questionando?”

Silêncio instantâneo.

Dois Reapers correram e cortaram os lacres. Os pulsos de Lark arderam quando o sangue voltou a circular. Ela mal conseguia mover os dedos.

Kael agarrou a parte superior de seu braço — com força demais. Ele não se importava. Ele a puxou para ficar de pé.

“Anda”, ele rosnou em seu ouvido. “E não diga uma maldita palavra.”

Os Reapers trocaram olhares enquanto ele a arrastava por um corredor de concreto e sombras.

Lark não ousou falar.

O aperto de Kael era de ferro. Sua mandíbula estava tensa o bastante para quebrar. Seu peito subia e descia em respirações rápidas e furiosas.

Ele abriu uma porta pesada e a puxou para dentro. Depois a bateu atrás deles.

Lark tropeçou. Ele a segurou — apertando seus quadris com força suficiente para deixar hematomas — antes de empurrá-la contra a parede.

Seu rosto pairava a centímetros do dela.

Ele parecia furioso. E aterrorizado. E mais alguma coisa que ela não conseguia nomear.

“Você”, ele sussurrou, a voz baixa e rouca. “Logo você.”

Seu batimento cardíaco falhou.

Ela conhecia aquele tom. Ela se lembrava dele — de uma noite dez anos atrás. Um pesadelo. Um segredo.

“Kael...”, ela disse suavemente.

Ele estremeceu.

Então sua expressão endureceu em algo letal.

“Você não deveria estar aqui”, ele rosnou. “Você não deveria ter voltado.” Sua mão bateu contra a parede ao lado da cabeça dela, fazendo-a pular. “E agora eu não sei se posso te manter viva.”