LUNA BY MISTAKE (LIVRO 1): UMA LUNA ESCOLHIDA POR ENGANO

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Resumo

Aria é apenas uma garçonete exausta em uma lanchonete de beira de estrada no limite do território dos lobos — até a noite em que a Lua cheia fica vermelha sobre a rodovia e uma marca incandescente queima seu coração. Os médicos dizem que não há nada de errado. Os lobos que passam por sua lanchonete começam a encará-la como se ela fosse uma presa. E quando um lobo feral e apodrecido invade a porta, toda a sua fome se volta para ela. LIVRO 1 Ela deveria morrer. Em vez disso, um estranho despedaça o rogue com as próprias mãos. Olhos frios. Cicatrizes antigas. Um poder que faz todos os outros lobos na sala baixarem o olhar. Killian Varys. Alpha King. O homem para quem a Lua uma vez escolheu uma Luna — a Luna que ele rejeitou, na noite em que a maldição começou. Agora, seu reino está desmoronando sob uma praga de lobos ferais, sua primeira companheira está morta e a Lua fez o impensável: ela lhe deu um segundo vínculo… com uma garota humana que não tem lobo, não tem treinamento e não tem interesse em ser a salvação de ninguém. A marca no coração de Aria queima por ele. O vínculo se estabelece quer ela queira ou não. Killian precisa dela para deter a maldição. O Templo quer usá-la. Os Anciãos querem que ela desapareça. Presa entre um deus furioso, um rei amaldiçoado e um reino que prefere vê-la sacrificada a coroada, Aria tem uma regra: Se a Lua acha que ela é um erro, Aria decidirá que tipo de erro será. Não uma vítima. Não uma Luna silenciosa. Se ela tiver que queimar as velhas leis para sobreviver, o Alpha King terá que escolher: sua coroa, sua penitência, ou o destino humano que ele nunca quis… e do qual não consegue mais abrir mão.

Gênero
Fantasy
Autor
M. M.
Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
4.9 21 avaliações
Classificação Etária
13+

1

A lanchonete está meio vazia quando a Lua começa a sangrar.

Eu não percebo logo de cara.

Estou ocupada demais equilibrando três pratos no braço e tentando não escorregar na mancha de gordura misteriosa que o Stan vive prometendo que vai limpar “amanhã”. O ventilador de teto, velho de guerra, estala acima de mim como se estivesse fazendo a contagem regressiva para a própria morte, e a máquina de café está fazendo aquele barulho irritado de novo.

Mais uma quinta-feira. Mais um turno da madrugada. O mesmo punhado de caminhoneiros e notívagos debruçados sobre seus hambúrgueres como se estivessem guardando um tesouro enterrado.

Deslizo os pratos na mesa sete com o meu melhor sorriso de “estou totalmente acordada”.

“Um triplo, sem cebola. Um bife ao ponto para mal. Um—”

“Salada de frango, isso”, interrompe o cara da jaqueta de couro sem tirar os olhos do celular. “Nós já te ouvimos das cinco primeiras vezes, gata.”

O amigo dele ri pelo nariz. Os dois têm cheiro de gasolina, fumaça de cigarro velha... e algo mais. Algo penetrante que faz os pelinhos dos meus braços se arrepiarem.

Finjo que não percebi. Trabalhei perto demais da fronteira dos lobos por tempo suficiente para conhecer três regras:

Não encare quando os olhos brilharem em dourado.

Não pergunte sobre as marcas de garras nas jaquetas das pessoas.

Não fale sobre os uivos que você ouve depois da meia-noite.

“Vou trazer mais café”, digo com leveza, porque gorjetas pagam as contas do hospital e bocas grandes não.

Me viro para sair. O homem da jaqueta levanta a cabeça para dizer outra coisa — e por um segundo suas narinas dilatam.

Como se estivesse farejando o ar.

Como se estivesse me farejando.

Corro para trás do balcão, meu coração batendo rápido demais contra as costelas. Está tudo bem. Estou cansada. Fiquei de pé por nove horas e meu cérebro começou a narrar coisas só para continuar acordado.

“Aria, pedido saindo”, o Stan resmunga do balcão, deslizando um prato de batatas fritas na minha direção. “Mesa três. E não esqueça de caprichar mais nesse sorriso. Os lobos gostam disso.”

Eu reviro os olhos. “Tenho quase certeza de que os lobos preferem carne, Stan.”

“Sorria”, ele repete, apontando o dedo gordo para a própria boca. “Estamos na estrada para as alcateias do Norte. Na estrada para o dinheiro deles também.”

Ele tem razão. Somos a última lanchonete administrada por humanos antes da floresta começar, e floresta significa alcateias, e alcateias significam problemas se você ofender a pessoa errada com o tom errado na hora errada.

Então: sorria.

Pego o prato, forço minha expressão de atendimento ao cliente e deslizo em direção à mesa três.

É então que o murmúrio da conversa morre.

É sutil no início — garfos parando, uma risada cortada ao meio. Depois, até a máquina de café silencia, como se alguém tivesse colocado o mundo no mudo.

Eu franzo a testa. “Stan? Você finalmente matou a máquina?”

Sem resposta.

Todos os olhares na lanchonete não estão fixos em mim, mas além de mim, na longa mancha de noite lá fora das janelas.

No céu.

O ar muda. Ele pressiona contra minha pele, mais denso, como uma respiração quente na minha nuca. As luzes piscam uma, duas vezes.

“Meu Deus...” alguém perto da porta sussurra.

Eu olho.

A Lua paira baixa e inchada sobre a estrada, maior do que eu jamais vi. É sempre claro por aqui, longe do brilho da cidade, mas isso é diferente.

Isso não é brilho.

Isso é vermelho.

Não é um vermelho suave e bonito como o do pôr do sol. É um vermelho profundo, como algo ferido e furioso. A cor floresce pelo rosto da Lua, espalhando-se de uma ponta a outra até que tudo pareça um olho, injetado de sangue e observando.

Arrepios percorrem meus braços.

“É um presságio”, uma mulher no balcão murmura, os dedos apertando a caneca. “Da última vez que a Lua virou, um Alfa caiu.”

“Ah, cala a boca, Linda”, o Stan rosna, mas sua voz soa fraca. “É só... fumaça. Refração. Qualquer coisa.”

Não parece refração.

Parece que o céu está sangrando.

Meu peito aperta. Por um segundo, o mundo escurece, como se alguém tivesse diminuído a opacidade, e um sussurro estranho serpenteia pela minha mente—

“Segunda chance.”

Eu dou um pulo. “O quê?”

“Você disse alguma coisa?” pergunto ao cliente mais próximo.

O cara apenas encara a Lua, olhos arregalados, lábios movendo-se em uma oração que eu não reconheço.

O sussurro não é dele. Está dentro do meu crânio. Dentro dos meus ossos.

“Segunda chance. Segunda borda.”

As palavras deslizam por mim, macias como seda, frias como água com gelo. Seguro o encosto de uma cadeira porque meus joelhos subitamente parecem feitos de papel.

“Ei... ei, você está bem?” A voz da Linda flutua até mim, confusa e distante.

Abro a boca para responder, mas a dor explode no meu peito.

Não é uma pontada aguda como um ataque cardíaco, nem a dor surda do estresse. É uma lança de fogo branco-quente que dispara de algum lugar atrás do meu esterno e irradia para fora, descendo pelos braços, subindo pela garganta.

Eu ofego.

O prato escorrega dos meus dedos e se estilhaça no chão.

Batatas fritas pulam. Alguém xinga. Stan grita meu nome.

Nada disso importa porque tudo o que consigo sentir é queimação.

Como se algo tivesse acabado de ser marcado no meu coração, vindo de dentro.

Arranho a frente da minha camisa, desesperada por ar, as unhas raspando o tecido. O calor pulsa ali, um latejar selvagem e violento no ritmo do meu coração acelerado.

“Aria! Senta, você está assustando as pessoas—”

Eu não sento. Não consigo. Minhas pernas cedem completamente e eu caio no chão, mãos pressionadas contra o peito como se pudesse mantê-lo unido à força.

A Lua lá fora brilha mais, o vermelho aprofundando-se até ficar quase preto nas bordas. As janelas tremem em suas molduras. Em algum lugar distante na floresta, um uivo surge — longo, baixo e rasgado.

Soa como dor.

Soa como fúria.

Soa como se estivesse respondendo ao que quer que esteja acontecendo dentro de mim.

“Chamem uma ambulância!” Linda grita.

“Já estou ligando!” outra pessoa grita.

Minha visão fica em túnel. Rostos se tornam borrões acima de mim. Os azulejos gordurosos do teto nadam dentro e fora de foco. Tudo o que consigo ver claramente é aquela maldita Lua, queimando em vermelho através do vidro.

O sussurro retorna, envolvendo o fogo em meu peito.

“Te achei.”

A última coisa que noto antes que a escuridão me engula é que alguns dos homens na lanchonete — homens que eu sempre presumi serem apenas caminhoneiros de passagem — estão com os olhos brilhando em um dourado feral e intenso.

E todos eles estão me encarando como se eu fosse a presa.

Ou como se eu fosse algo pior.

Algo novo.