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Candace McKenna fechou a última caixa em seu apartamento com fita adesiva e suspirou. O trabalho de empacotar tudo no seu pequeno apartamento não tinha levado muito tempo. Tudo foi rapidamente para as caixas... Roupas, sapatos, utensílios de cozinha...
Sair desse apartamento foi fácil, embora ela vivesse nele há seis anos. Daqui a dois dias, Candace estaria em Rosehill, Langford. Ela não estava nada animada com a mudança, mas seus avós tinham sacrificado uma década do que deveriam ser anos merecidos de descanso para criar três netos. Depois da queda da Vovó no mês passado, ficou claro o que Candace podia fazer para retribuir, pelo menos de uma pequena maneira.
Seu telefone tocou. Ela parou para escrever na caixa em que estava trabalhando antes de se levantar rapidamente e pegá-lo no balcão vazio da cozinha. Os novos proprietários ficaram impressionados com o quanto ela tinha cuidado bem do lugar. Candace não mencionou que o motivo era porque ela passava a maior parte do tempo na casa do ex-namorado, até que terminaram meses atrás.
Ela olhou para o identificador de chamadas. Era sua irmã. — Oi, Michelle.
— Você nunca, jamais vai adivinhar o que eu tenho para te contar.
Candace franziu o nariz. Sério? Nem um "oi, Candace, como vai a mudança?", "como está o seu nível de estresse?", "precisa de ajuda?". — Notícia boa ou ruim? — ela disse em vez disso.
— Boa, fabulosa, a melhor, mas como eu disse, você nunca vai adivinhar.
— Você conheceu um cara.
— Ah. — Sua irmã parecia tremendamente desapontada. — Bem, sim. Mas não é só um cara, esse é "o" cara.
Candace fechou os olhos, o pavor e o medo levantando suas cabecinhas dentro dela, tentando decidir se seriam necessários ou não. O cara, é? Do que esse estava se recuperando? Ou sendo procurado pela polícia? Ou sem sorte por causa de quê? — Isso é ótimo, Michelle — ela disse.
— Estou tão animada. Ele é incrível. Além disso, você vai gostar muito deste.
— Onde você o conheceu? Em um bar de paquera na hora de fechar? Em um ponto de ônibus? No tribunal?
— No Habitat for Humanity.
Candace virou-se do balcão da cozinha para encarar a janela sem cortinas. — Sem brincadeira. Eu não sabia que você era voluntária lá.
— Tudo parte da Nova Vida Melhorada da Michelle. Ele é heterossexual, sóbrio, responsável, um homem incrível. Fez faculdade, tudo.
— Tudo?
— Tudo o que você acha que é importante.
— Michelle, uau. — Ela realmente começou a se sentir esperançosa, uma enorme mudança de como ela geralmente se sentia em relação aos namorados da Michelle, que geralmente ficavam na categoria do desespero. — Há quanto tempo você o conhece?
— Faz tempo. Um mês. Talvez mais.
— Sério. — Ei, Michelle até esperou para contar a Candace sobre este, em vez de pular para o "conheci alguém e o amo" logo depois do primeiro encontro. — Isso é fantástico. Estou feliz por você. Qual é o nome dele?
— Nolan Carrington.
Até isso era normal. Não Spike ou Screech, ou aquele cara que se chamava apenas de "Cara". — Bom nome.
— Você vai adorar ele. — Michelle soltou um suspiro, que soou como uma rajada de tempestade através do telefone. — Hum, então, eu só… Uh, como estão as coisas aí?
Os olhos de Candace se estreitaram. Hum, então, ela só... o quê? O que ela estava prestes a dizer antes de parar? — Bem. Quase tudo empacotado. Tinha mais alguma coisa que você ia dizer?
— Oh. Bem. É só uma coisinha. — Ela riu nervosamente.
Não. Conhecendo Michelle, ia ser uma coisa grande. — Si-i-im?
— Eu queria te contar. Nós estamos… nos mudando juntos.
Uh-oh. Alerta amarelo. — Para a casa da Vovó e do Vovô?
— É a nossa casa agora, Candace.
— Eu sei, mas ela… — Ela desistiu. Embora seus avós tivessem vendido a casa para ela, Michelle e seu irmão, Andrew, quando se mudaram para Langford, o lugar seria sempre deles em seu coração. — Certo, para a nossa casa?
— Sim. Quero dizer, é claro que você tem que dizer que está tudo bem.
— Quando ele vai se mudar?
— Hum… amanhã.
Alerta laranja. Esperar até o último segundo para contar a Candace? Ou esse cara esperou até o último segundo para perguntar a Michelle? — Você o conhece há um mês? Isso não é… talvez… precipitado?
— Eu sei, parece rápido. Mas também é muito prático.
— Quarto compartilhado economiza dinheiro com gasolina?
Outra risada nervosa. — Não. Ele, hum, precisava de um lugar para morar. Então eu pensei que essa era uma solução óbvia. Para ajudá-lo.
— Ah. Sem-teto. Super. — Candace deixou a cabeça bater contra um armário para que ficasse olhando para o teto liso e branco. Posição muito desconfortável, mas combinava com a conversa. — Ele foi despejado?
— Não, nada disso. Só… entre um lugar e outro, eu acho.
Ela achava. — Ele vai pagar metade das despesas, contas, impostos, etc.?
— Si-im, Candace. — Ela parecia uma adolescente exasperada. — Ele prometeu dividir todas as despesas.
— Ele prometeu por escrito?
Sua irmã zombou. Candace mordeu o lábio. Não pressione demais. — O que ele faz?
— Oh. Bem… — Alerta vermelho. Candace fechou os olhos cansada. Stripper masculino? Transformista? Traficante? — Ele… trabalha em uma empresa de segurança… De certo modo… mas as coisas não estão indo muito bem no momento.
Ainda melhor. — Há quanto tempo ele…
— Poxa, Candace. Eu sabia que você faria isso. Eu sou adulta, lembra? Vinte e seis anos? E você não é minha mãe.
Oh, não. A última esperança de Candace evaporou. Michelle partia para o ataque assim quando se sentia na defensiva. Ela tinha algo a esconder sobre esse cara. Algo que Candace não gostaria. — Sim, a vida é sua. Mas a casa também é metade minha.
— Eu já disse, Candace, ele é um ótimo cara, não como os outros.
— Sério. — Candace levantou a cabeça do armário. — Os últimos também "não eram como os outros", exceto por uma coisa: eles eram exatamente como os outros.
— Candace…
Ela respirou fundo… Ela tinha se mudado para longe de sua amada casa e de sua amada cidade, em parte por causa da maneira como ela e Michelle se davam. Ou não se davam. Isso e uma oportunidade de emprego gerenciando condomínios de luxo para um homem que conhecia o avô delas. — Tudo bem, sinto muito. Você sabe que eu só estou sendo…
— Sufocante.
— Não, cautelosa. Você pode me culpar? — Ela manteve a voz suave. — Sério? Pelo que sei, ele está planejando se casar com você e te passar a perna na sua metade da casa, ou tomá-la para… eu não sei, algo ruim. Convidar amigos esquisitos a qualquer hora que vão destruir o lugar ou…
— Ele não é assim.
— Você disse isso sobre o último. O ex-presidiário que tentou roubar a prataria da família. — Ela se afastou do armário e caminhou até a sala. Sua irmã não apenas apertava seus botões; ela lançava granadas e as explodia. Apesar dos melhores esforços de seus avós, Michelle tinha crescido selvagem como a mãe.
Toda vez que Michelle tomava uma decisão ruim — ou, mais precisamente, nenhuma decisão — Candace era catapultada de volta ao medo e à confusão de sua difícil primeira década com a mamãe, antes que a Vovó e o Vovô acolhessem as três e lhes apresentassem ideias estrangeiras como boa nutrição, rotina e estabilidade.