CAPÍTULO 1: Pesadelo na Véspera de Natal.
ROSIE
As luzes de Natal penduradas no teto do chalé de esqui se transformaram em borrões dourados e brancos enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas. Pisquei com força, mordendo o lábio inferior enquanto tentava me concentrar em qualquer coisa no quarto. O som do relógio, os barulhos abafados das pessoas, a neve caindo lá fora — mas nada conseguia me tirar daquele momento.
“Qual é, Rosie. Não seja dramática.” A voz de Josh carregava aquele divertimento cruel que eu, de alguma forma, não tinha percebido por três meses inteiros. Três meses acreditando que alguém como Joshua Carter — o astro do hóquei, o garoto de ouro do campus — poderia realmente querer alguém como eu.
Idiota.
Agarrei o edredom do hotel, puxando-o com força ao redor do meu corpo nu e trêmulo, enquanto meu olhar caía sobre o meu vestido, amassado no chão como um papel de presente descartado.
Uma piada.
Uma aposta.
“V—vá embora”, sussurrei, com a voz embargada.
“O que você disse?” Josh estava encostado no batente da porta do quarto, com a jaqueta aberta sobre o peito nu, o mesmo peito que eu havia sentido sob minhas palmas minutos atrás. Meu estômago se revirou de nojo.
Atrás dele, pude ver seus amigos — Tyler, Mila e Brad — observando com diversão. E, o pior de tudo, parada no fundo com o celular em mãos, estava Sophia.
Minha irmã gêmea.
“Eu disse para ir embora!” gritei.
Os lábios perfeitamente pintados de Sophia se curvaram em um sorriso enquanto ela tocava na tela do celular. “Já está online, Rosie. Quinhentas visualizações. Aproveite a fama.”
Minha respiração ficou curta e ofegante, minhas mãos tremiam e meu estômago despencou. Vídeo? Que vídeo? Olhei rapidamente para Josh em busca de uma explicação, e ele deu um sorriso cínico.
“A aposta era se você cairia na minha. E você caiu. Direitinho.” O tom de Josh era de deboche, e lá estava ela — aquela crueldade casual que provavelmente sempre esteve lá, escondida sob o charme. “Oitocentos dólares. Mas, honestamente? Eu mereci cada centavo com esse seu corpo.”
As risadas de escárnio vieram logo em seguida. Eu sabia que era gorda — tinha vivido com a crueldade casual do ensino fundamental, os comentários maldosos da minha mãe toda vez que eu repetia o prato, as comparações constantes com a Sophia. “Por que você não pode ser mais como sua irmã?” ecoava em cada jantar em família, em cada evento escolar, em cada momento da minha infância.
Mas Josh tinha me feito acreditar que ele via além de tudo isso.
Três meses. Tudo uma mentira.
“Você precisa ver sua cara agora”, disse Tyler, gravando com o celular. “Isso é fucking gold.”
Saí da cama rapidamente, peguei minhas botas e corri. Eu não podia ficar sob aqueles olhares de deboche.
“Rosie, espere—” a voz de Sophia me seguiu.
Minha própria irmã gêmea. A pessoa que dividiu o útero comigo tinha me destruído.
Empurrei Josh e corri para fora.
O frio me atingiu como um soco físico, roubando o pouco fôlego que me restava, e eu arfei. Era véspera de Natal em Highland Creek, Colorado, o local que eu escolhi por ter boas acomodações para casais. Se eu soubesse que isso aconteceria, teria escolhido este lugar?
O estacionamento era um paraíso invernal, todo branco e com luzes cintilantes, parecendo algo saído de um conto de fadas de gelo.
“Qual é, Rosie!” a voz de Josh ecoou. “Não seja tão sensível. Foi só uma piada!”
Uma piada. Três meses da minha vida. Minha virgindade. Minha dignidade.
Tropecei e me apoiei em um carro estacionado. Foi então que os soluços vieram — sons profundos e ofegantes que formavam neblina no ar congelante.
“Jesus, ela está chorando de verdade”, disse Mila. Os celulares disparavam fotos.
Afundei na neve e escondi o rosto entre as mãos. Amanhã, todos na Silverwestern teriam visto o vídeo. Meus pais descobririam. Eles me comparariam à Sophia de novo, e achariam defeito em mim novamente.
“Já chega.”
Uma voz nova ecoou pela neve — grave, áspera e extremamente irritada.
Olhei para cima, com os olhos embaçados, e vi um homem que eu nunca tinha visto, parado entre mim e o grupo de Josh. Alto, com mais de um metro e oitenta, cabelos escuros cobertos de neve. Usava apenas uma camisa henley preta e jeans, apesar do frio.
“Quem diabos é você?” Josh zombou.
“Alguém que está te dando dez segundos para ir embora.”
Tyler deu um passo à frente. “Cara, isso não é da sua—”
O estranho se moveu e seu punho atingiu o queixo de Tyler com um estalo doentio. Tyler caiu com força, e o sangue respingou na neve intocada.
“Mais alguém?” O olhar do estranho varreu o grupo. “Peguem seu amigo e caiam fora da minha cidade agora.”
“Você quebrou meu queixo!” Tyler lutou para se levantar, apoiado por Josh.
“Fique grato por não ter sido seu pescoço.” O estranho deu as costas a eles e agachou-se na minha frente. “Ei. Você está bem?”
Eu o encarei. De perto, ele tinha olhos muito incomuns — cor de âmbar, quase brilhando no estacionamento.
“Pergunta idiota”, murmurou ele para si mesmo. “Você consegue ficar de pé?”
Consegui acenar com a cabeça.
Ele ofereceu a mão. Estava descoberta apesar do frio, e quando a segurei, sua pele estava impossivelmente quente. Ele me puxou para cima facilmente e imediatamente tirou a jaqueta, envolvendo-a nos meus ombros.
A jaqueta cheirava a sândalo, pinho e algo selvagem.
“Estou bem”, consegui dizer, com a voz rouca.
“Você está em um estacionamento, enrolada em um edredom, durante uma nevasca. Você não está bem.” Sua voz era mais gentil agora. “Você tem para onde ir?”
Pensei no quarto do chalé. Em voltar para o campus onde todos veriam o vídeo. Em ligar para meus pais, que de alguma forma fariam parecer que a culpa era minha. Em como eles me comparariam à Sophia, minha irmã gêmea perfeita que nunca os envergonhava.
“Não”, sussurrei.
Algo brilhou naqueles olhos âmbar. “Certo. Venha comigo.”
“Eu não conheço você.”
“Meu nome é Jude. Jude Winters.” Ele inclinou a cabeça em direção ao chalé, onde Sophia observava. “E eu sou muito mais seguro do que aquilo de que você está fugindo.”
Ele tinha um ponto.
“Vamos”, disse Jude. “Tem um bar na cidade. É quente lá.”
Eu deveria ter dito não. Deveria ter feito literalmente qualquer coisa, menos confiar em um estranho que acabara de nocautear alguém no estacionamento.
Mas, quando olhei nos olhos de Jude, não vi pena nem nojo. Apenas uma preocupação genuína.
“Tudo bem”, ouvi a mim mesma dizer.
O rosto dele se iluminou de alívio. “Ótimo. Minha moto está logo ali.”
A moto era elegante e preta. Jude passou a perna sobre ela e olhou para trás, esperando por mim.
“Você está brincando, né?”
“Não se preocupe. Eu dirijo com cuidado.” Ele deu um tapinha no assento. “Você já andou de moto antes?”
“Não.”
“É só segurar firme. Eu estou com você.”
Subi atrás dele. Quando envolvi sua cintura com meus braços, senti o calor sólido do corpo dele mesmo através da camisa.
O motor rugiu e ganhou vida.
“Para onde estamos indo?” gritei acima do barulho.
“Para um lugar seguro”, ele respondeu. “Eu prometo.”
E, apesar de tudo — apesar de Josh, de Sophia e do vídeo — eu acreditei nele.
A moto saiu do estacionamento, deixando minha vida destruída para trás. O vento frio batia contra meu rosto, mas o corpo de Jude era quente e sólido.
Encostei meu rosto nas costas dele e me permiti chorar.