A NOIVA ROUBADA

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Lila deveria caminhar até o altar em direção a um homem três décadas mais velho, vendida como garantia de uma dívida. Em vez disso, ela fugiu — direto para a emboscada da gangue mais temida do submundo. Raze só pretendia matar o milionário. Ele não esperava pela noiva em fuga. Ele não esperava pela coisinha trêmula que o encarava como um cervo acuado… e que depois correu como um animal selvagem. Ele não esperava desejá-la. Então, ele a tomou. Como um troféu. Como um aviso. Como sua. E quanto mais ela é puxada para a órbita perigosa dele, mais Raze percebe que não está apenas mantendo uma cativa… ele está mantendo a única suavidade que sempre cobiçou. A única inocência que ele quer corromper. A única mulher por quem ele incendiaria o mundo. Uma noiva roubada. Um kingpin possessivo. Uma história de amor distorcida em desejo, perigo e devoção. Sombrio. Sedutor. Violento. Não indicado para pessoas sensíveis.

Status
Completo
Capítulos
42
Classificação
5.0 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Wall of Fire

O nevoeiro não se limitava a agarrar-se à estrada; ele a sufocava. Era um manto espesso e espectral que transformava o mundo num pesadelo monocromático e úmido. A limusine da frente, um besouro de obsidiana grotescamente alongado, foi a primeira a morrer. O estalo do disparo de alto calibre foi um ponto final único e brutal numa sentença silenciosa. O para-brisa estilhaçou-se como uma teia de aranha e a cabeça do motorista foi para trás, como um boneco com os fios cortados. O impulso carregou aquela tonelada de metal e luxo num pirueta enjoativa e ruidosa, antes que parasse, bloqueando ambas as faixas.


O caos, quando surgiu, não foi barulhento. Foi uma série de exalações mecânicas e precisas. O *thump-thump-thump* dos tiros com silenciador, os impactos úmidos e carnudos na equipe de segurança restante, os gorgolejos sufocados. As portas abriram-se. Homens vestidos de preto tático, com os rostos ocultos por balaclavas de caveira, moviam-se com uma graça fluida e predatória. Aquilo não era um ataque; era um abate.


No coração do comboio, Ilia Marín estava paralisada. A brancura do seu vestido era uma obscenidade na escuridão; a seda e a renda eram uma gaiola na qual ela entrara voluntariamente. Ao lado dela, Gregor, com cinquenta e cinco anos e cheirando a charutos caros e podridão, apertava-lhe a coxa, com os dedos cravados como garras. Ele não comprara o afeto dela; ele comprara a sua presença, um último ativo brilhante para liquidar uma dívida que a família dela jamais conseguiria pagar.


"Fica quieta, sua garota estúpida", sibilou ele, a voz um tremor de medo e fúria.


A porta da limusine foi arrancada. O nevoeiro entrou, frio e úmido, trazendo o cheiro acobreado de sangue. Uma mão enluvada entrou, agarrou Gregor pela lapela e puxou-o para fora, para a estrada, com um grunhido de esforço. Ilia não se moveu. Ela observou, com a respiração presa na garganta, enquanto o seu futuro era arrastado para fora do interior luxuoso.


De pé sobre ele estava um homem que parecia esculpido das próprias sombras. Raze Blackthorne. Ele não usava máscara. O seu rosto era um mapa de violência, todo feito de planos duros e um maxilar cerrado num desprezo permanente. Uma tapeçaria de tinta, uma narrativa de dor e poder, contorcia-se pelos seus antebraços musculosos e desaparecia sob as mangas da sua Henley preta. Na sua mão, uma 1911 customizada parecia menos uma ferramenta e mais uma extensão da sua vontade.


"Gregor", a voz de Raze era um estrondo baixo, um deslizamento de pedras no silêncio. "Achou que um vestido de noiva era um escudo?"


"Raze, por favor... o dinheiro... eu posso triplicar!", gaguejou Gregor, arrastando-se para trás no asfalto, o seu terno fino raspando contra a brita.


O sorriso de Raze era uma foice de malícia. "Eu não vim pelo seu dinheiro. Eu vim pelo princípio."


O disparo foi ensurdecedoramente definitivo. Não foi um estrondo, mas um *crump* que engoliu o mundo. O corpo de Gregor sacudiu e, então, ele ficou imóvel, uma mancha escura e crescente florescendo no seu peito como uma flor grotesca.


Algo na mente de Ilia quebrou. Não foi um pensamento consciente, nem um plano de sobrevivência. Foi um circuito primal sobrecarregando. A gaiola dourada estilhaçara-se, e o único instinto que restava era *fugir*. Não do perigo, mas da vida que a levara até ali. Dos pais que a venderam, do cadáver do homem que ela deveria chamar de marido, do horror dourado do futuro ao qual ela se resignara.


Ela irrompeu da limusine. O vestido branco, um símbolo de pureza e posse, tornou-se uma bandeira de rendição a um tipo diferente de destino. Ele enroscou-se nas suas pernas, a renda delicada rasgando-se na moldura da porta quebrada. Ela não sentiu nada. Ela correu, um rastro branco contra o asfalto cinzento, passando pelos carros em chamas e pelos corpos estirados, passando pelos homens que pausavam o saque para vê-la partir.


Uma risada baixa ecoou pelo bando.


"Olhem a coelhinha correr", grunhiu um deles, um brutamontes chamado Cutter, levantando uma caixa de presentes de casamento.


"Ou venha", murmurou Raze, a voz mal passando de um sussurro, mas que cortou o nevoeiro e a conversa. Os seus olhos, da cor de metal de arma antigo, rastreavam a sua fuga frenética e tropeçante. Não havia urgência na sua postura, apenas um interesse langoroso e predatório. Um lobo observando um filhote de cervo.


Ele saiu em perseguição, não correndo, mas num passo firme e voraz. Ele movia-se como o próprio nevoeiro: inevitável, invasivo.


Ilia colidiu com a linha das árvores, o mundo transformando-se do cinza duro da estrada para um pesadelo gótico emaranhado e gotejante. Galhos, como dedos esqueléticos, agarravam o seu vestido, o seu cabelo, a sua pele. Espinhos rasgavam a seda, deixando linhas vermelhas fracas nos seus braços. A sua respiração vinha em suspiros ofegantes e soluçantes, o som horrivelmente alto no silêncio abafado da floresta. O nevoeiro enrolava-se ao redor dos troncos, criando fantasmas que se moviam na sua visão periférica. Cada sombra era um homem, cada farfalhar de folha um passo.


Ela caiu, com o salto prendendo-se numa raiz. O impacto estremeceu-lhe os dentes. Esforçando-se de mãos e joelhos, com a brancura imaculada do vestido agora um sudário imundo e rasgado, ela pressionou as costas contra a casca áspera de um carvalho maciço, tentando tornar-se pequena, desaparecer no musgo e na podridão.


Os passos que se aproximavam não eram frenéticos, nem apressados. Eram medidos. Um *crunch… crunch… crunch* lento e deliberado sobre as folhas úmidas. Era o som da morte levando o seu tempo.


Ele emergiu da penumbra como um fantasma que se solidifica. Ele preenchia o espaço entre as árvores, a sua presença sugando o oxigênio do ar. O sorriso maligno estava de volta, um lampejo de dentes de predador na semiescuridão.


"Perdeu-se, pequena rosa?", ele ronronou, a voz uma ameaça envolta em veludo. Ele parou a poucos metros, perto o suficiente para ela ver a cicatriz fraca que cortava a sobrancelha esquerda dele, a luz fria e avaliadora nos seus olhos. "Você não parece muito abalada com o seu falecido querido. Sem lágrimas para o velho?"


Ilia só conseguiu balançar a cabeça, a garganta travada por um terror tão profundo que era quase pacífico. Aquele era o fim. Era isso que havia além da gaiola dourada.


"Quem é você?", perguntou ele, a pergunta sendo um comando.


A sua voz era um sussurro partido. "I-I—Ilia..."


"Ilia", repetiu ele, saboreando o nome. Parecia uma palavra diferente na sua língua; algo possuído. "Hmm. Bonito."


Ele deu um passo final, diminuindo a distância. O perfume dele inundou-a: óleo de arma, ar frio da noite e algo selvagem, algo fundamentalmente masculino e perigoso. Ela recuou, mas não havia para onde ir. O carvalho era uma prisão inabalável nas suas costas.


A mão dele disparou, não para atingi-la, mas para capturar o seu pulso. A sua pegada era como um grilhão de ferro aquecido, impossivelmente forte, com o polegar calejado pressionando contra a batida frenética do pulso dela.


"Deixe-me ir", ela implorou, as palavras finalmente saindo. "Por favor."


"Por favor", ele ecoou, uma diversão sombria no tom. "Uma coisa tão educada. Mas não. Acho que não vou."


Ele inclinou-se, o rosto a centímetros do dela. Ela podia ver a barba rala no maxilar dele, os pontos de prata nos seus olhos cinzentos. "Sabe, eu sou um colecionador. Eu pego coisas. Diamantes", disse ele, o olhar passando para o pingente modesto no pescoço dela, um presente de Gregor, frio e não amado. "Dinheiro. Território." Os olhos dele voltaram aos dela, imobilizando-a. "E coisas bonitas e quebradas que correm na direção errada."


Com um movimento único e sem esforço, ele inclinou-se e jogou-a sobre o ombro. O mundo virou de cabeça para baixo. O chão da floresta, um mosaico vertiginoso de raízes e folhas, balançou abaixo dela. O sangue subiu à cabeça, uma torrente latejante e tonta. Ela gritou, um som fraco e estrangulado, e bateu os punhos contra a parede sólida das costas dele. Era como bater em granito.


Ele nem sequer grunhiu. Ele simplesmente ajustou a pegada, com um braço travando como uma barra de aço sobre a parte de trás das coxas dela, segurando-a como se ela não pesasse nada.


"Pare de se contorcer", disse ele, a voz uma vibração baixa que ela sentia pelo torso dele. "Ou vou jogá-la no riacho que passamos. Você continuará sendo minha, só que muito mais fria e molhada."


Ele começou a caminhar de volta através das árvores, o seu passo inalterado pelo peso dela. A jornada de volta foi um desfile lento e humilhante. O bando terminara o seu trabalho. O comboio era um cemitério de metal fumegante. Os seus homens observaram a aproximação deles; a risada deu lugar a um silêncio respeitoso e consciente. Eles viam o seu rei retornando com o seu prêmio.


"Um souvenir, Raze?", perguntou Cutter, com um olhar malicioso na voz.


Raze não quebrou o passo. "Um espólio de guerra", corrigiu ele, o seu tom não deixando margem para mais comentários.


Ele carregou-a passando pelo cadáver do seu marido, passando pelos cacos brilhantes da vida que ela deveria ter. Ele não parou em nenhum dos veículos crivados de balas. Ele caminhou até uma motocicleta enorme e preto-fosco, uma fera de cromo reluzente e ameaça, estacionada no acostamento.


Só então ele a colocou no chão. As pernas dela falharam, mas a pegada dele no seu braço permaneceu, um elo constante e inabalável. Ele a manteve em pé, o corpo dela tremendo violentamente contra o dele. Com a mão livre, ele alcançou um alforje e retirou uma faca de caça de aparência cruel.


Os olhos de Ilia arregalaram-se, uma nova onda de terror apoderando-se dela. Era isso? Ele ia...


Ele não olhou para ela. Em vez disso, agarrou um punhado do volumoso e rasgado vestido de noiva. Com um movimento rápido e eficiente, ele cortou as camadas de seda e tule. O som do tecido rasgando foi obscenamente alto. Ele cortou a cauda pesada e incômoda, depois encurtou a saia até que se tornasse uma confusão irregular na altura dos joelhos. Ele não estava sendo gentil. Ele estava tornando-a portátil, removendo o peso incômodo e simbólico do seu passado.


Ele jogou o tecido branco retalhado no asfalto ensanguentado. Ficou lá, um fantasma descartado.


"Agora", disse ele, a voz um rosnado baixo perto do ouvido dela enquanto ele passava a perna pela moto e a puxava para trás de si. "Você vai se segurar em mim."


Ele ligou o motor. Ele rugiu, um rosnado ensurdecedor e predatório que rasgou o silêncio nebuloso. A vibração percorreu-a, uma manifestação física do seu poder.


"Se você soltar", continuou ele, girando o acelerador e enviando uma nova onda de trovão ecoando pelas árvores, "vai quebrar seu pescoço bonito no pavimento. E eu ficaria... desapontado. Não gosto quando as minhas coisas quebram."


Ele não esperou por uma resposta. A moto saltou para a frente, jogando-a para trás. Instintivamente, os seus braços voaram ao redor da cintura dele, as suas mãos espalmando-se contra o músculo rígido e inabalável do seu abdômen. Ela estava pressionada contra as costas dele, a bochecha contra o couro frio da jaqueta. Ela podia sentir o movimento dos músculos dele enquanto ele guiava a máquina, o poder bruto contido na sua estrutura.


Eles deixaram a carnificina para trás, a moto devorando a estrada deserta, engolida pelo nevoeiro que tudo consumia. Ilia Marín, a noiva do milionário, desaparecera. No seu lugar, havia uma criatura trêmula e aterrorizada, agarrada ao próprio diabo, disparando para um abismo criado por ele. O vento frio rasgava o seu vestido rasgado e o cabelo emaranhado, mas não era nada comparado à finalidade arrepiante das suas últimas palavras, palavras que ecoaram no silêncio rugidor, marcando a sua alma.


*Não gosto quando as minhas coisas quebram.*

A motocicleta era uma fera de fúria pura e inalterada, e o seu rugido era o único som no mundo de Ilia. Ele engoliu os seus gemidos, o seu terror, o martelar frenético do seu coração contra as costelas. O vento, afiado e frio como uma lâmina, rasgava os restos retalhados do seu vestido de noiva, um lembrete constante e debochado da vida de que ela fugira. Ela estava pressionada contra uma parede de músculos sólidos e couro gasto, com os braços travados ao redor do torso de Raze Blackthorne, o rosto enterrado nas costas dele para escapar do ar cortante. Ele era imóvel, um monólito de calor e violência latente, a vibração do motor uma extensão direta do seu próprio poder.


Eles deixaram para trás a rodovia coberta de neblina e sua carnificina, mergulhando em uma parte da cidade que Ilia só tinha visto pelas janelas fumê de uma limusine: a UnderCity, o Red Belt. O brilho polido do Upper Crest District desapareceu, substituído por uma paisagem de decadência industrial. Armazéns marcados por grafites surgiam como gigantes adormecidos, com janelas estouradas ou tapadas com tábuas. O ar ficou pesado com cheiro de ferrugem, água parada e algo mais: o tom metálico e cortante da falta de lei.


Raze conduziu a moto com uma brutalidade quase casual, serpenteando por uma sequência de buracos e passando por sombras que pareciam observá-los com olhos ferozes. Finalmente, ele diminuiu a velocidade diante de um armazém imenso e sem identificação, com paredes de metal corrugado manchadas por décadas de sujeira. Uma única placa enferrujada, quase ilegível, dizia *‘Aethelred Manufacturing’*. Era um lugar fantasmagórico.


Ele desligou o motor. O silêncio repentino foi ensurdecedor, um vácuo que avançou para preencher o espaço deixado pelo barulho. Os ouvidos de Ilia zumbiram. Sua mão nele não se soltou; ela ficou congelada no lugar, um reflexo de terror.


“Chegamos.” Sua voz era um estrondo baixo, sentido através das costas dele. Ele desmontou com um movimento fluido e poderoso, e os braços dela caíram, dormentes e inúteis. As pernas de Ilia falharam no momento em que seus pés tocaram o concreto úmido e manchado de óleo. Ele a segurou antes que ela desabasse, fechando a mão ao redor do braço dela e mantendo-a em pé com uma facilidade irritante.


“Calma, pequena rosa”, ele murmurou, o polegar acariciando de forma quase distraída a pele nua do braço dela. O toque era possessivo, não reconfortante. Era uma marca.


Ele a guiou até uma porta pequena e reforçada, instalada nas grandes portas de correr. Ela se abriu antes que ele alcançasse a maçaneta, revelando um espaço cavernoso lá dentro.


O Ruinfall Warehouse.


Era uma catedral de concreto e sombras, vasta e ecoante. Bem no alto, vigas de aço enferrujado cruzavam um teto perdido na escuridão. O ar era frio, com cheiro de diesel, fumaça antiga e suor masculino. Fileiras de monitores variados piscavam com imagens de câmeras em uma parede, sua luz azul refletindo em suportes de armas mantidas meticulosamente — fuzis de assalto, espingardas, pistolas — expostas como obras de arte. No centro, um ringue de luta gasto e manchado de sangue era cercado por pneus cheios de concreto. Um muscle car semidesmontado ficava em um canto e, em outro, um conjunto de sofás e poltronas desalinhados formava uma área de convivência improvisada ao redor de um barril com um fogo baixo e sujo.


E havia homens. Por toda parte. Eles pararam o que faziam — limpando armas, levantando peso, contando pilhas de dinheiro — e se viraram para olhar. Seus olhos, duros e avaliadores, seguiam cada estremecimento dela. Ela era um borrão de branco arruinado no mundo de preto e cinza deles, uma criatura frágil e exótica arrastada da tempestade.


Uma montanha de homem se desprendeu das sombras perto da porta. Ele era ainda maior que Raze, careca e com o couro cabeludo coberto por tatuagens complexas e espirais. Seu rosto era uma máscara plácida, mas seus olhos guardavam uma inteligência calma e aterrorizante. Aquele era Brick.


“Chefe”, ele grunhiu, com a voz como pedras sendo trituradas. Seu olhar percorreu Ilia, notando o vestido rasgado, o tremor, o olhar de animal acuado em seus olhos. “Trouxe uma convidada.”


“Uma lembrança”, Raze corrigiu, com seu sorriso perverso retornando. Ele deu a ela um leve empurrão para frente, em direção ao coração do covil. “Esta é Ilia. Ilia, este é Brick. Não o tire do sério.”


Ilia deu um passo para trás involuntariamente, com as omoplatas pressionando o peito de Raze. Ele era uma parede inabalável atrás dela, o predador nas suas costas, enquanto o resto da matilha a circulava visualmente pela frente. Ela conseguia sentir o calor dele, sentir o cheiro persistente de pólvora e ar noturno na jaqueta de couro. Era sufocante.


“Ela está tremendo que nem vara verde”, um homem com um moicano severo — Wolf — comentou de um sofá, nem se dando ao trabalho de baixar a voz.


“Nunca vi uma loba entre cães antes”, outro, Knuckle, riu, polindo uma faca com um pano sujo.


A mão de Raze pousou na nuca dela, seus dedos se curvando suavemente, quase com ternura, ao redor dos ossos delicados. A mensagem era clara: *Você é minha. Eles podem olhar, mas não podem tocar.* O gesto, no entanto, enviou uma nova onda de puro terror absoluto através dela. Era da mesma forma que seu pai segurava o cachorro da família antes de dar uma bronca.


“Eu quero ir para casa”, ela sussurrou, o pedido saindo de sua garganta de forma fina e trêmula.


“Você está em casa”, disse Raze, com sua respiração agitando o cabelo perto da orelha dela. Sua voz era enganosamente suave. “É isso. Concreto e aço. Acostume-se.”


Ele começou a andar novamente, puxando-a com a mão em seu pescoço. Ela tropeçou, com as pernas se recusando a colaborar. Ele a levava para mais fundo no armazém, para longe da porta, para longe da tênue promessa ilusória de fuga. O pânico, um espinho frio e agudo, atravessou suas veias. Era o fim. Ele a estava levando para algum canto escuro, para um colchão no chão, para reivindicar o prêmio que tinha roubado.


“Não”, ela ofegou, tentando fincar os calcanhares. Era como tentar parar um tanque. “Por favor, me deixa ir.”


“Eu já disse que não”, ele respondeu, com o tom carregado de um divertimento sombrio. “O ‘por favor’ não está funcionando, pequena rosa.”


Eles passaram por uma mesa cheia de equipamentos tecnológicos: laptops, roteadores, uma confusão de fios. Seus olhos dispararam, procurando freneticamente por uma arma, qualquer arma. Um grampeador. Uma caneca de café. Qualquer coisa.


Brick se moveu para flanqueá-los, uma sentinela silenciosa e imponente. Seu tamanho descomunal bloqueava a luz do barril em chamas, lançando-a em sua sombra. A proximidade daqueles dois homens enormes e perigosos, um na frente e outro guiando-a por trás, era demais. As paredes daquela jaula estavam se fechando.


Com um grito gutural de desespero, ela puxou o braço, tentando arrancar os dedos dele de seu pescoço. Era como tentar dobrar barras de aço. A garra dele nem sequer apertou; permaneceu uma constante inquebrável e irritante.


“Não faça isso”, ele avisou, a temperatura da única palavra despencando.


Cega de pânico, sua mão golpeou o ar, batendo contra a mesa cheia de aparelhos. Seus dedos se fecharam em torno do primeiro objeto sólido que encontraram: um controle remoto pesado e preto. Sem pensar, ela girou, puxando-se parcialmente de seu aperto, e o arremessou com toda a sua força.


Não era contra Raze. Ele era a tempestade, e não se atiram coisas em uma tempestade. Era contra a montanha à sua frente: Brick.


O controle navegou pelo ar em um arco patético e bambo e bateu no centro do peito imenso e tatuado de Brick com um *baque* surdo. Em seguida, caiu no chão de concreto aos pés dele, deslizando até parar contra a ponta de sua bota pesada.


O armazém inteiro silenciou. O barulho dos pesos parou. Os murmúrios baixos morreram. Cada homem ali estava olhando para ela.


Ilia ficou parada, com o peito arfando, a mão ainda estendida pelo arremesso. Ela olhou do controle, caído inutilmente no chão, para o rosto completamente impassível de Brick. Ele nem tinha recuado. Ele nem tinha piscado. Tinha sido como jogar uma pedrinha em uma montanha.


Ele olhou lenta e deliberadamente para o controle, depois de volta para ela. Sua expressão não mudou, mas uma sobrancelha pesada contraiu-se, quase imperceptivelmente. Ele deixou o silêncio se estender, permitindo que o absurdo puro daquele ato penetrasse em cada canto do vasto espaço.


Então, com uma voz que era notável e terrivelmente gentil, um estrondo baixo e calmo, ele disse: “Você precisa se acalmar pra caralho, moça.”


O anticlímax daquilo, a *normalidade* crua e absoluta daquela declaração naquele antro de monstros, foi o que finalmente a quebrou. A luta drenou dela de uma vez. O terror ainda estava lá, um nó frio em seu estômago, mas agora se misturava a uma sensação de absurdo confusa e histérica. Seus ombros caíram. Um soluço abafado, meio riso, escapou de seus lábios. Ela tremia incontrolavelmente.


Raze, que assistira a toda a cena com um olhar de fascínio absoluto, soltou uma risada baixa e sombria. O som vibrou através da mão que ele ainda mantinha em seu pescoço. Ele não parecia zangado. Ele parecia… entretido.


“Bem”, ele ronronou, puxando-a de volta para o seu lado, com o braço serpenteando ao redor da cintura dela para mantê-la firme. “Ela tem espírito, isso eu preciso admitir. Atacar o Brick com um controle remoto. Essa é nova.”


Ele olhou para baixo, seus olhos cor de metal brilhando com um flerte perigoso e predatório. “Está tentando mudar de canal nele, pequena rosa? Ver se encontra algo menos assustador?”


Brick se abaixou, pegou o controle e o examinou. “Ela vai ficar desapontada. Isso é para o projetor. Eu continuo sendo só eu.”


Alguns homens riram, a tensão momentaneamente quebrada.


O olhar de Raze nunca deixou o rosto de Ilia. Ele se inclinou, seus lábios roçando o lóbulo da orelha dela, sua voz um sussurro íntimo e ameaçador destinado apenas a ela. “Na próxima vez que sentir vontade de jogar algo, jogue em mim. Prometo que serei muito mais… receptivo.”


O duplo sentido em suas palavras era inconfundível. Não era uma ameaça de punição, mas uma promessa de envolvimento. Um desafio. Ele *queria* que ela lutasse. Ele estava aproveitando aquilo.


Ele finalmente soltou a cintura dela, mas apenas para guiá-la em direção aos sofás. “Sente-se. Você está deixando todo mundo nervoso.”


Ela tropeçou para frente e desabou em um sofá de couro gasto que suspirou sob seu peso negligenciável. Ainda estava quente pelo corpo de outra pessoa. Ela puxou os joelhos contra o peito, encolhendo-se o máximo possível, enquanto a bainha rasgada de seu vestido subia pelas panturrilhas. Ela tremia, em parte pelo frio, em parte pela descarga de adrenalina e em parte pela atenção desconcertante e sedutora do rei daquela selva de concreto.


Raze não sentou. Ele rondava na frente dela como uma pantera à caça. Ele pegou um cobertor de lã grosso na parte de trás de outra cadeira e jogou nela. Caiu sobre sua cabeça, envolvendo-a no perfume de fumaça de madeira e nele mesmo.


“Cubra-se”, ele disse, seu tom casual, mas seus olhos ainda ardiam com aquela luz intensa e possessiva. “Você está distraindo meus homens.”


Do outro lado da sala, Wolf gritou: “Distraindo é pouco, porra, Raze. Ela é uma história de fantasma em um vestido de noiva.”


Raze lançou-lhe um olhar que poderia congelar o inferno, e Wolf, com sabedoria, calou a boca e voltou a limpar sua arma.


Brick caminhou até lá e entregou o controle de volta a Raze. “O projetor está funcionando.”


Raze pegou, com um sorriso lento e perverso se espalhando por seu rosto. Ele olhou do controle para Ilia, que espreitava por baixo do cobertor com os olhos arregalados.


“Sabe”, disse ele, sua voz baixando para aquele ronronar íntimo e conspiratório novamente. “Para uma coisinha aterrorizada que acabou de ver o marido levar um tiro, você tem uma mira surpreendentemente boa.” Ele deu um passo para mais perto, pairando sobre o sofá. “E uma pontaria surpreendentemente ruim. Se você vai declarar guerra, pequena rosa, deveria sempre mirar no rei.”


Ele estendeu a mão e colocou uma mecha solta de cabelo atrás da orelha dela, com os nós dos dedos roçando sua bochecha. O toque era surpreendentemente gentil, mas carregava a ameaça implícita de toda a sua violência. Foi a sensação mais confusa que ela já experimentara: um carinho que parecia um aviso.


“É muito mais divertido assim.”