FERA INDOMÁVEL

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Resumo

“O MONSTRO QUE APRENDEU CADA CENTÍMETRO DO SEU CORPO” Opal o conhece na pior noite de sua vida — sangue no chão, homens morrendo ao seu redor, e uma fera silenciosa e imponente atravessando o caos como se a própria morte tivesse ganhado músculos e fôlego. Kain. Eles o chamam de Kraken. Uma arma em pele humana. Um monstro esculpido para a violência, não para a ternura. Ele deveria ter passado por ela. Deveria tê-la eliminado. Deveria ter sido indiferente. Em vez disso, ele para. Olha para ela. E algo antigo e devastado nele se fixa. Ele a leva. Não de forma bruta — nem gentil. Apenas inevitável. Como uma tempestade reivindicando o litoral que escolheu. Opal aprende o perigo primeiro. O jeito que ele a observa: faminto, confuso, possessivo. A maneira como suas mãos — feitas para quebrar ossos — pairam hesitantes em sua cintura, aprendendo a tocar em vez de apenas tomar. E então ela descobre o calor. Porque Kain não conhece a sedução. Ele conhece a necessidade. Ele aprende o prazer dela como um novo idioma — mapeando-a com a boca, testando o que a faz suspirar, levando-a ao limite até que ela chore o nome dele. Ele não quer uma amante. Ele quer ela — seus gritos, seu perfume, sua suavidade, sua alma. Ele quer entender cada centímetro dela… desde o pulsar de sua veia até o modo como suas coxas tremem quando ele a leva longe demais. Era para ela temê-lo. Em vez disso, ela se torna a única coisa no mundo diante da qual ele se ajoelha. E o sindicato logo descobre a verdade: Você não rouba de um monstro. Você não toca no que uma fera reivindicou. E Kain incendiará todo o submundo para proteger a mulher que o ensinou a sentir.

Status
Completo
Capítulos
24
Classificação
4.9 19 avaliações
Classificação Etária
18+

The Kraken in the Dark

A escuridão no armazém era absoluta, uma entidade espessa e sufocante, quebrada apenas pelo som rítmico e rangente de correntes pesadas. Não havia luzes, nem janelas; a única iluminação era o pálido brilho fantasmagórico de um monitor de segurança em um escritório distante, que não lançava luz real sobre o cenário no espaço principal.


No coração negro da sala cavernosa, Kain se moveu.


Ele era uma silhueta de poder puro e concentrado, um leviatã agitando-se nas profundezas. Uma corrente maciça, grossa como o antebraço de um homem, estava enrolada em seus ombros e torso. A outra extremidade estava ancorada a um pilar de concreto, e ele a arrastava, não com esforço, mas com uma inevitabilidade mecânica e aterrorizante. Os elos guinchavam em protesto contra o chão de concreto, um som que feria os ouvidos. Seus suspiros eram baforadas de vapor baixas e medidas no ar frio, o único sinal de esforço daquela estrutura colossal.


Ao se virar, uma fresta de luz vinda da porta rachada do escritório o atingiu, esculpindo sua forma das sombras.


Ele tinha quase dois metros de altura, um gigante cujos músculos não eram para exibição, mas para uma função brutal, sobrepostos como placas de ferro sobre um esqueleto feito para suportar uma força imensa. Sua pele era uma tela de violência, coberta por uma tapeçaria de tatuagens: tinta old-school de krakens com tentáculos que serpenteavam ao redor de seus bíceps, âncoras nos antebraços e símbolos obscuros e desbotados que falavam de uma vida gasta nos submundos do mundo. Seu cabelo preto era longo o suficiente para cair sobre a testa, bagunçado e úmido de suor. Mas eram seus olhos que prendiam qualquer um que ousasse olhar: profundos, da cor de uma tempestade de inverno, frios e totalmente indecifráveis. Eles não guardavam paixão, nem raiva, nem alegria. Apenas um vazio.


Ele era o segredo aberto do sindicato. Os soldados que patrulhavam a periferia de sua área de treinamento falavam em tons sussurrados e reverentes.


"Ele não luta, ele desmantela", um deles murmurava, polindo uma arma com energia nervosa.


"Eu vi ele levar uma facada nas costelas uma vez", outro sussurrava. "Ele nem piscou. Só olhou para o homem que fez isso... e então acabou. Ele não sangra, ele só fica mais furioso."


O medo que sentiam dele era algo palpável, mais espesso que a escuridão do armazém. Eles temiam seu chefe, Donato, com um medo racional e de autopreservação. Mas eles temiam Kain, o Kraken, com um pavor primordial e supersticioso. Porque, uma vez solto, nenhum homem sobrevivia a ele.


A porta de aço pesada no fundo do armazém abriu com um rangido, cortando a escuridão com uma lâmina de luz amarela. Donato entrou, sua silhueta nítida e precisa contra o brilho. Com quarenta e poucos anos, ele tinha o visual magro e endurecido de um raptor. Seu cabelo estava salpicado de cinza nas têmporas, seus traços eram aquilinos e severos. Seus olhos, de um cinza-chumbo penetrante, não perdiam nada. Eles varreram a cena, a fera arrastando uma tonelada de aço, e não mostraram emoção alguma.


Ele era seguido por seu conselheiro, Silas, um homem mais velho com um comportamento calmo e calculista, e olhos que carregavam o peso de segredos demais.


Donato circulou Kain, seus sapatos caros silenciosos sobre o concreto. "O Kraken, preparando-se para a caçada", ele refletiu, com a voz calma e autoritária. "Ou você está apenas tentando abrir um buraco no meu chão?"


Kain não respondeu. Ele simplesmente parou, deixando as correntes caírem com um estrondo ensurdecedor que ecoou pelo vasto espaço. Ele ficou parado, com o peito subindo e descendo de forma constante, esperando.


"O centro de logística na orla", disse Donato, indo direto ao ponto. "Os Vipers estão ficando ousados. Eles estão desviando das nossas cargas, achando que não notaríamos. Eles precisam de uma lição de respeito. Uma definitiva."


Silas deu um passo à frente, com as mãos nos bolsos do sobretudo. "A segurança deles é fraca. Uma dúzia de homens, talvez. A maioria apenas burocratas." O olhar dele, no entanto, estava fixo em Kain, não no chefe. Ele viu o tremor sutil nas mãos do gigante, a fúria mal contida que fervia sob a superfície gelada.


"Não são os Vipers que me preocupam", murmurou Silas, com a voz baixa o suficiente apenas para Donato ouvir.


Os lábios de Donato se estreitaram. Ele olhou para sua arma, sua posse mais valiosa e perigosa. Ele tentou, ao longo dos anos, prender Kain com recompensas. Ofereceu montes de dinheiro, carros elegantes, armas raras e lindas. Uma vez, ele até alinhou mulheres, cada uma mais deslumbrante que a outra, esperando encontrar uma centelha de desejo naqueles olhos mortos.


A resposta de Kain era sempre a mesma. Uma única palavra direta: "Nada".


Era por isso que Donato o mantinha. Um homem que não queria nada era um homem sem ambição de derrubá-lo. Mas um homem que não queria nada também era um homem sem nada a perder.


"Ele é uma tempestade contida, Donato", insistiu Silas calmamente. "Mas a pressão está aumentando. Ele precisa de uma âncora. O medo não vai segurá-lo para sempre. Ele precisa de algo que tenha medo de perder."


Donato deu uma risada seca e sem humor. "Você o ouviu, Silas. Ele não quer nada. Que mulher olharia para *aquilo* e veria um homem? O que poderia possivelmente prendê-lo?"


"O consentimento nem sempre é um pré-requisito", respondeu Silas, com o olhar ainda em Kain. "O fascínio dele é. O interesse dele. Poderíamos forçar uma mulher a ir para a cama dele, mas você sabe que ele a quebraria. A fera não as quer. Esse é o problema. Precisamos continuar procurando."


Como se fosse um sinal, Kain virou a cabeça, seus olhos tempestuosos encontrando os de Donato. Por um segundo fugaz, Donato viu: uma rachadura na armadura perfeita e sem emoções. Uma energia bruta e selvagem que ansiava por uma libertação que o ginásio não podia proporcionar.


"Ele está saindo do controle", sussurrou Silas, dando voz ao próprio medo do chefe.


A expressão de Donato endureceu. Ele bateu palmas, o som afiado no silêncio. "Então nós vamos encontrar algo para ele. Algo que ele nem sabe que quer até que seja dele." Ele se virou para Kain, sua voz voltando ao tom de comando. "Partimos ao amanhecer. Limpem o lugar. Não deixem ninguém para contar histórias aos Vipers. Entendido?"


Kain deu um único aceno lento. O movimento foi como uma montanha se deslocando.


"Bom." Donato deu um sorriso fino e predatório. "Depois que isso acabar, Kain, peça-me qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa."


A voz de Kain era um ronco baixo, como pedras se triturando. "Eu não quero nada."


"Nada?" Donato provocou, jogando o jogo antigo. "Dinheiro? Uma propriedade nova? Uma mulher? Oh, espere..." Ele fingiu reflexão. "A maioria desmaiaria ao vê-lo. Minha falha."


Kain não respondeu. Ele simplesmente se virou e caminhou de volta para a escuridão mais profunda do armazém, a declaração pairando no ar, um fato tão sólido e imutável quanto o próprio homem.


Donato e Silas o observaram desaparecer, as sombras engolindo sua forma por completo.


"Continuaremos procurando", repetiu Silas, embora soasse menos certo do que antes.


Os olhos de águia de Donato se estreitaram. Ele não precisava mais procurar. Ele podia sentir no ar carregado, no silêncio antinatural que havia caído sobre o armazém. Esta missão, este golpe em um simples escritório de logística, seria o catalisador. Isso mudaria tudo.


A imagem final foi a de Kain, consumido pela escuridão, um predador disfarçado de homem, as correntes de sua própria natureza esperando para serem quebradas. O Kraken estava surgindo, e o mundo não estava preparado para o que viria à superfície em seu rastro.

O sol da manhã, fraco e pálido, esforçava-se através das cortinas de algodão fino de seu apartamento, iluminando partículas de poeira que dançavam no ar silencioso. Em seu banheiro pequeno e arrumado, Opal estava diante do espelho, seus dedos trabalhando com destreza para prender o cabelo. Tinha a cor de cetim preto puro, uma cascata de fios sedosos que deslizavam por suas mãos como luz líquida. Ela o prendeu em um rabo de cavalo baixo e solto, com algumas mechas escapando para emoldurar seu rosto em formato de coração.


Sua rotina era um ritual tranquilo. Ela espalhou um bálsamo incolor sobre a pele, concentrando-se no rubor de rosácea em suas maçãs do rosto e na ponta do nariz. Não era um vermelho irritado, mas um rosa suave e difuso que lhe conferia um ar perpétuo de timidez ou leve constrangimento. Ela estudou seu reflexo: grandes olhos castanhos, emoldurados por um conjunto surpreendente de cílios naturalmente curvados que a poupavam de precisar de rímel. Quando praticava seu sorriso educado e profissional para o dia, duas covinhas pequenas e proeminentes apareciam como pontuação perfeita em ambos os lados da boca. Seus lábios eram carnudos e naturalmente arqueados, parecendo estar sempre prestes a dizer uma palavra gentil.


Ela parecia gentil. Inofensiva. Doce. Em um mundo de bordas duras, Opal era um suspiro vivo.


Vestida com um vestido simples na altura dos joelhos de tecido creme e um cardigã cinza suave, ela se movia pelo apartamento com uma graça silenciosa. Ela era pequena, "de um metro e sessenta e poucos", como as pessoas costumavam descrevê-la vagamente, com uma leveza no passo como se tentasse não perturbar o próprio ar ao seu redor. Ela terminou seu café da manhã simples de chá e torradas, lavando o único prato e xícara imediatamente e colocando-os ordenadamente no escorredor. Sua pequena bolsa estava organizada: carteira, chaves, um livro de bolso e uma pequena lata de biscoitos amanteigados feitos por ela na noite anterior.


"Desculpe", murmurou ela para ninguém enquanto ajustava o termostato, um pedido de desculpas habitual por ocupar espaço, por tomar uma decisão, por simplesmente existir de uma maneira que pudesse afetar outra pessoa inadvertidamente.


Seu local de trabalho, a Aethelred Logistics, era um estudo de normalidade mundana. Instalada em um edifício sem graça de tijolos beges no lado mais tranquilo do parque industrial, zumbia com a energia de baixo nível de fotocopiadoras e ventoinhas de computador. Opal era a recepcionista, o primeiro sorriso que as pessoas viam, a voz suave ao telefone. Sua mesa estava arrumada, adornada com uma suculenta pequena e próspera e uma gravura emoldurada de uma paisagem tranquila.


"Bom dia, Opal", chamou Brenda da contabilidade, passando apressada com uma pilha de faturas. "Você parece doce o suficiente para ser colocada em uma caixa de presente hoje."


Opal riu, um som suave e cristalino. "Ah, pare. Você vai me fazer corar." O comentário era irônico, dado seu rubor permanente.


"Estou falando sério! Se eu tivesse suas covinhas, nunca pararia de sorrir."


Outro homem, Leo, das "Importações Especiais" — um homem grande com juntas grossas e comportamento quieto — parou em sua mesa. "O grampeador travou de novo", ele resmungou, mas não de forma grosseira.


"Deixe-me ver", disse Opal, pegando-o das mãos maciças dele. Com alguns toques gentis e um clique, ela o entregou de volta, com seu sorriso educado firme no rosto. "Pronto."


"Você é uma salvadora", disse ele, e por um momento, seus olhos, geralmente guardados, transmitiram um calor genuíno. Os homens que trabalhavam ali, os motoristas e coordenadores de logística, tratavam-na como um mascote inofensivo. Eles eram criminosos, é claro, executores e contrabandistas de dinheiro, mas, para ela, eram apenas Leo com o grampeador quebrado, ou Mark que sempre esquecia sua senha. Ela não via o volume das armas sob suas jaquetas, nem entendia a linguagem codificada de suas conversas telefônicas. Seu mundo era um lugar de arquivos organizados, entregas agendadas e o ritmo suave das conversas triviais de escritório.


Ela abriu a lata sobre sua mesa. "Biscoito amanteigado? Eu fiz ontem à noite."


Leo pegou um, assim como alguns outros que passavam. Eles aceitavam suas ofertas, essa mulher pequena e inocente que trazia um traço de normalidade para o mundo violento deles. Ela era seu amuleto da sorte, seu refúgio de paz, totalmente alheia ao fato de que as "rotas logísticas" que ela coordenava serviam para contrabandear produtos ilícitos, e as "discrepâncias contábeis" que ela às vezes apontava para Brenda faziam parte de uma operação complexa de lavagem de dinheiro.


A manhã se arrastou para a tarde, mas uma mudança sutil começou a ocorrer, pequenas rachaduras aparecendo na fachada de seu dia comum.


Um caminhão de entrega que ela não reconheceu estacionou, não era um da frota habitual. Os homens que desceram eram diferentes, mais afiados, mais duros. Seus olhos vasculhavam o estacionamento com um alerta predatório que Leo e os outros nunca demonstravam. Um deles, com o pescoço coberto por uma tapeçaria de tatuagens agressivas, encontrou seu olhar através da porta de vidro e o manteve por um momento longo demais. Opal sentiu um formigamento de inquietação e desviou o olhar, concentrando-se em seu teclado.


Um pouco mais tarde, uma voz elevada vinda de trás da porta fechada de Donato — o gerente, como ela o conhecia — a fez pular. Foi rapidamente abafada. Quando ela se levantou para entregar um memorando, a conversa cessou no momento em que sua mão tocou a maçaneta. Ao entrar, os três homens lá dentro sorriam, suas expressões um pouco tensas demais.


"Está tudo bem?", ela perguntou, com a voz tímida.


"Perfeito, Opal", disse Donato, seu sorriso não chegando aos olhos afiados como os de uma águia. "Apenas uma discussão apaixonada sobre os cronogramas de envio."


No caminho de volta para sua mesa, Leo a parou, sua mão tocando gentilmente o cotovelo dela. "Ei, Opal? Você deveria pensar em ir para casa mais cedo hoje."


Ela piscou, confusa. "Meu turno não termina por mais três horas. Há algum problema?"


“Sem problemas”, ele disse, mas seu tom era pesado, sério. “Apenas… uma tarde devagar. Pode ser um bom dia para isso.”


Ela soltou uma risada suave e confusa. “E perder a emoção de arquivar os manifestos de transporte trimestrais? Eu não teria essa coragem.”


O rosto de Leo se fechou, mas ele não insistiu. Ele apenas assentiu e se afastou, deixando-a com uma sensação persistente de confusão.


Opal gostava de seu trabalho justamente porque era estável e tranquilo. Combinava com seu temperamento. Conflitos a assustavam. Homens barulhentos e irritados a aterrorizavam. Ela nunca tinha se envolvido em nada mais perigoso do que um corte de papel e acreditava, de todo o coração, na natureza benigna de sua rotina de escritório. Ela via a si mesma como alguém comum, um rosto esquecível na multidão, alguém que se misturava ao fundo da vida. A ideia de que pudesse importar para alguém, muito menos ser uma pessoa de interesse para gente perigosa, era tão estranha para ela quanto o mundo violento que operava logo abaixo de sua mesa.


Buscando um momento de calma, ela fez sua pausa para o chá da tarde. Parada perto da janela grande na sala de descanso, com seu rabo de cavalo balançando suavemente enquanto mexia seu chá de camomila, ela olhou para o estacionamento. Ela respirou fundo, sentindo o cansaço nos ombros, mas também uma sensação de paz. Essa era sua vida. Quieta. Previsível.


Lá fora, sem que ela notasse, duas vans pretas sem janelas entraram nos cantos mais afastados do estacionamento, parando silenciosamente com os motores desligados. Elas não pertenciam ali.


A imagem final de seu mundo tranquilo era de uma inocência organizada. Ela voltou para sua mesa, cantarolando uma melodia suave que tocava no rádio, e começou a arrumar as canetas, alinhando os arquivos em uma pilha perfeita e organizada. A suculenta em sua mesa, um verde rechonchudo e alegre, pareceu tremer. Um estrondo baixo, quase inaudível, vibrou através do chão; um trovão distante que foi mais sentido do que ouvido.


O cantarolar de Opal sumiu. Sua mão parou sobre uma pasta manilha. Ela hesitou, inclinando a cabeça levemente, seus grandes olhos castanhos turvos com uma ansiedade vaga e incerta. O ar no escritório tinha mudado. Estava denso, carregado.


Era a calmaria antes de uma tempestade catastrófica.


O mundo era uma planilha. O universo de Opal tinha encolhido até a grade verde brilhante em seu monitor, com seu foco voltado para alinhar números em suas colunas apropriadas. Uma mecha solta de seu cabelo preto acetinado escapou do rabo de cavalo, roçando sua bochecha. Ela a colocou atrás da orelha distraidamente, com o *click-clack* suave de seu teclado servindo como um metrônomo familiar na calmaria da tarde. Ao redor dela, o escritório emitia sua sinfonia habitual: o telefone de Brenda tocando duas vezes antes de ser atendido, o zumbido da fotocopiadora, o murmúrio baixo de Leo discutindo um cronograma de embarque.


Então, um som novo.


Não era alto, mas era estranho. Um *baque* pesado e abafado vindo da direção da doca de carga do armazém, como se um saco de grãos tivesse caído de uma grande altura. Foi seguido por um clangor metálico agudo — a porta de serviço batendo? Os sons em si não eram inerentemente alarmantes, mas o silêncio que veio logo depois, sim. O zumbido parou. O murmúrio cessou. O escritório prendeu a respiração.


Sua caneta, posicionada sobre um manifesto de entrega, congelou no meio do traço.


“Que porra foi essa?”, murmurou Mark, da Importação Especial, sua cadeira rangendo enquanto ele se levantava.


Leo já estava se movendo, com a postura tensa. “Ei! Tudo bem aí atrás?”, ele gritou em direção à porta reforçada que separava os escritórios do armazém. Sua voz ecoou no silêncio repentino. Nenhuma resposta.


Um calafrio de inquietação percorreu a espinha de Opal. Ela se levantou lentamente, seu coração começando um ritmo surdo e pesado contra as costelas. Seu instinto ainda não era de pânico, mas de uma preocupação educada e confusa. Alguém estava ferido? Uma prateleira tinha caído?


Ela deu um passo hesitante para fora de trás de sua mesa, seus sapatos de sola macia silenciosos no carpete fino. “Leo, eu deveria...?”


O mundo explodiu.


A porta reforçada não apenas abriu; ela estilhaçou para dentro, soltando-se das dobradiças com um rugido ensurdecedor. Homens mascarados, vestidos de preto, inundaram o local como um enxame de insetos. Eles se moviam com uma eficiência brutal e treinada, suas armas — fuzis curtos e assustadores — já em punho.


“No chão! Todos no chão!”, um deles berrou, mas o comando foi apenas uma formalidade. Tiros irromperam antes mesmo que a última palavra saísse de sua boca.


O *crack-crack-crack* foi incrivelmente alto, rasgando o ar silencioso. Opal gritou, um som curto e agudo perdido no ataque. Ela se jogou atrás de sua mesa, seu corpo agindo por um instinto que ela nem sabia que possuía. Papéis de sua bandeja de entrada voaram pelos ares, espalhando-se ao seu redor como neve suja e patética.


O caos se instaurou. Brenda, ainda meio sentada, foi jogada contra a parede de seu cubículo, um jato de sangue carmesim espirrando atrás dela. Mark sacou uma pistola de sua cintura, mas foi abatido antes que pudesse mirar, seu corpo se contorcendo violentamente antes de desabar. O escritório, antes seguro e calmo, transformou-se em segundos em um matadouro. O ar ficou espesso com o cheiro metálico de sangue e o odor ácido da pólvora. Os homens que ela conhecia, os homens com quem ela dividia biscoitos, estavam tentando revidar, mas era inútil. Os atacantes eram impiedosos e precisos.


Um soluço escapou da garganta de Opal. Ela rastejou, seus membros tremendo tão violentamente que mal conseguia coordená-los. Sua visão ficou embaçada pelas lágrimas. *Não faça barulho, não seja vista.* Ela se arrastou de mãos e joelhos, passando pela forma imóvel de Brenda, em direção a um arquivo grande e pesado preso no canto, perto do armário de suprimentos. Ela era pequena o suficiente para se espremer no vão estreito atrás dele, encolhendo o corpo em uma bola apertada, tornando-se o mais insignificante possível.


Ela pressionou as mãos sobre os ouvidos, tentando bloquear os sons das mortes. Gritos eram cortados abruptamente. Balas rasgavam o gesso e a carne. Corpos atingiam o chão com baques doentios e definitivos. Ela fechou os olhos com força, mas uma compulsão mórbida e aterrorizante a fez abri-los, espiando através de uma fresta entre o arquivo e a parede.


Ela viu Leo, encurralado num canto, usando uma mesa como proteção. Ele disparou sua arma duas vezes e um homem mascarado caiu. Então, um segundo atacante atirou em sua perna. Leo gritou, cambaleando. Um terceiro homem se aproximou calmamente e o silenciou para sempre.


Opal sussurrou na escuridão empoeirada: “Por favor… por favor… não mais…”. Seu rabo de cavalo tinha se desfeito completamente, seu cabelo caindo como uma cortina desalinhada que escondia seu rosto. Seu pequeno mundo ordenado não tinha apenas colapsado; ele tinha sido aniquilado.


Então, uma mudança.


O ritmo estacato dos tiros gaguejou e então cessou completamente. Os gritos dos atacantes transformaram-se em murmúrios baixos e confusos. Um novo som surgiu, separado do caos. Pesado, deliberado. *Passos.*


*Tum. Tum. Tum.*


Eram lentos, sem pressa, cada impacto vibrando pelo assoalho. Um tipo diferente de terror, frio e primitivo, tomou conta de Opal. Os homens que tinham vindo para matar agora se moviam inquietos, suas armas voltadas para a entrada principal. Eles estavam recuando.


A respiração de Opal congelou em seus pulmões. Ela não sabia o porquê, mas sabia, com cada fibra de seu ser, que algo pior tinha chegado.


As portas duplas da entrada principal, já penduradas tortas desde a invasão inicial, foram arrancadas de seus batentes como se fossem feitas de papel. E ele preencheu o espaço.


Kain.


Ele não carregava uma arma. Ele não precisava. Ele era uma torre de músculos cobertos por tinta e fúria contida, seu cabelo preto caindo sobre um rosto de pedra. Seus olhos, daquela distância, pareciam lascas de obsidiana, desprovidos de qualquer coisa que ela reconhecesse como humana. Ele se movia com a graça de um predador, uma tempestade silenciosa quebrando sobre a sala.


Ele não lutava. Ele destruía.


Um homem mascarado avançou contra ele com um rugido. Kain não desviou. Ele pegou o braço do homem, torceu-o com um som úmido de ossos quebrando, e usou o próprio impulso do indivíduo para lançá-lo de cabeça contra a parede. Ele não esperou o corpo cair antes de seguir para o próximo. Dois homens atiraram nele. Ele recuou, mas não diminuiu o ritmo. Agarrou o cano de um dos fuzis, forçando-o para cima até que o dedo do homem quebrasse dentro do guarda-mato, então cravou o outro punho na garganta dele. O segundo atacante ele simplesmente ergueu pelo pescoço e pelo cinto e, com um surto de força aterrorizante e sem esforço, *puxou*. Um som horrível de estraçalhar ecoou no breve silêncio, e o homem se desfez em suas mãos.


Opal olhava, suas lágrimas embaçando a visão. Ela tremia, o estômago revirando com um horror visceral. Ainda assim, não conseguia desviar o olhar. Ele era um monstro, um mito que tomou forma. Suas tatuagens pareciam se mover e contorcer com seus movimentos, uma tapeçaria viva de violência. Era a coisa mais horripilante que ela já tinha visto. E, no entanto, era também... majestosa. Como assistir a uma força da natureza — um furacão, um incêndio florestal — bela em sua ferocidade absoluta e indomável. Um fascínio doentio e involuntário se enrolou em seu ventre, entrelaçando-se com seu terror.


Quando tudo terminou, um silêncio profundo e zumbidor se instalou, interrompido apenas pelo gotejar de sangue e pela respiração baixa e constante de Kain. O ar estava pesado com o cheiro da morte.


Nessa quietude, o Chefe, Donato, entrou. Ele passou casualmente pelos corpos espalhados, seus olhos afiados, como de águia, examinando a sala, avaliando o dano. Nada escapava ao seu olhar. E então, eles pousaram sobre ela.


Opal tentou se pressionar ainda mais contra o canto, para se tornar parte da parede. Ela estava encolhida, pequena, com o rosto manchado de lágrimas e poeira, seus olhos arregalados e vermelhos de terror. Ela viu o olhar dele varrer desde ela até a carnificina, e voltar para ela.


Ele atravessou a sala, seus sapatos polidos deixando pegadas fracas no sangue. Sua sombra caiu sobre ela, fria e absoluta.


“Você”, disse ele, com a voz calma, casual. “Qual é a sua função aqui?”


Opal soluçou, seu corpo tremendo incontrolavelmente. “Eu… eu sou apenas a recepcionista. Eu não… eu não sei de nada — por favor, eu só atendo os telefones…”


Ele deu um sorriso de lado, uma expressão fria e ciente. “Claro que não sabe.” Ele se inclinou, sua voz baixando. “Para quem você se reporta? O que você viu hoje antes disso?”


Ela balbuciou, contando a ele sobre os homens estranhos, as vans, qualquer coisa que conseguisse pensar, suas palavras saindo entre soluços. Não era nada. Ele podia ver isso.


Então, seus olhos passaram por cima do ombro dela, e seu sorriso de lado aumentou. “Você está com medo dele”, murmurou ele, inclinando-se tão perto que ela podia sentir seu perfume caro.


Ela seguiu o olhar dele. Kain tinha ficado perfeitamente imóvel. Seu peito subia e descia, seus nós dos dedos pingando sangue, mas seus olhos escuros e ferozes estavam fixos nela. Não no Chefe. Nela. Ela sentiu a intensidade daquele olhar como um peso físico, uma mão se fechando ao redor de sua garganta e outra, estranhamente, ao redor de seu coração. Ela não conseguia parar de encará-lo de volta.


Donato também viu. Ele viu a fome crua e possessiva nos olhos de sua fera. Ele viu como a garota, mesmo em seu terror, estava hipnotizada.


Ele se endireitou, um movimento lento e deliberado. Ele olhou do olhar fixo de Kain para o rosto fascinado e marcado pelas lágrimas de Opal. Uma faísca de entendimento cruel iluminou suas feições.


Ele deu um sorriso de lado.


“Traga-a”, disse ele, o comando suave, quase preguiçoso, mas absoluto.


O soluço de Opal foi algo quebrado. “Não — por favor — eu não sei de nada! Por favor, me deixe ir!”


Mas a ordem tinha sido dada.


Kain moveu-se em direção a ela. Ela recuou, suas costas batendo na parede fria, soluçando. “Não… não…”


Ele se abaixou, seu tamanho imenso bloqueando a luz. Sua mão, vasta e manchada, envolveu seu antebraço. Sua pegada era como ferro, inabalável, mas ainda não brutal. Ela bateu no peito dele com a mão livre, punhos pequenos e inúteis atingindo uma parede de músculos. “Pare! Me solte!”


Ele não reagiu. Em um movimento rápido e sem esforço, ele se inclinou e a jogou sobre o ombro. O mundo girou. Seu cabelo, cheirando a camomila e shampoo de damasco, misturado ao cheiro metálico agudo de seu próprio medo, caiu, os fios sedosos roçando o maxilar e o pescoço cheios de barba por fazer dele.


“Não! Por favor!”, ela soluçou, suas lutas tornando-se mais fracas à medida que o desespero se instalava.


Kain ajustou sua pegada, sua mão espalmada sobre a parte de trás das coxas dela. Ele inalou profundamente. O perfume era inebriante. Flores. Frutas. Medo. E naquele momento, ele sentiu — uma espiral quente e apertada no fundo de sua pélvis, uma faísca primal e possessiva que ele nunca tinha sentido antes. Algo dentro dele, há muito adormecido, moveu-se, rachou e começou a despertar.


***Blackout.***