Frozen Hearts - Um Romance de Inverno

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Resumo

Após descobrir a traição de seu namorado, Freya Eriksson foge para as montanhas norueguesas – na esperança de limpar sua mente, recuperar sua paz e finalmente respirar novamente. Mas, quando uma tempestade brutal atinge o local, ela é forçada a buscar abrigo em um chalé isolado ocupado pelo misterioso Jonatan. Freya mal sabe que ele é um bilionário reservado e melancólico, tentando encontrar sossego após um escândalo público ter destruído o seu mundo. Eles estão presos juntos. Sozinhos. Em um caos invernal que se recusa a deixá-los partir. E quanto mais tempo compartilham a cabana iluminada pelo fogo, mais difícil se torna ignorar o calor que cresce entre eles. Ela nunca deveria tê-lo encontrado. Ele nunca deveria ter deixado ninguém entrar. E quando a tempestade finalmente diminuir, eles terão que decidir... Foi apenas uma atração momentânea, ou a centelha inegável entre eles pode sobreviver ao mundo que os espera lá fora?

Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter One

——— FREYA ———

A cidade de Estocolmo estava silenciosa nesta noite escura de novembro. Era aquele tipo de calmaria em que o ar cheira a chuva e folhas secas, e as ruas brilham, negras sob a luz dos postes.

Freya estava sentada, encolhida no sofá, enrolada em um cobertor, com seu pomerânia, Winston, roncando baixinho junto à sua perna. Uma taça de vinho tinto, pela metade, descansava na mesa de centro, ao lado do livro que ela fingia ler. As palavras insistiam em ficar fora de foco. Ela estava exausta, mas era aquele tipo de cansaço que vai muito além do sono.

Tinha sido mais uma semana implacável na Kaiza, a marca de moda que ela ajudou a criar quando eram apenas cinco pessoas em um porão frio em Södermalm. Agora, era *a* marca que todo mundo em Estocolmo comentava - elegante, urbana, naturalmente descolada - com lojas principais em Londres, Paris e Berlim.

Como chefe de marketing, Freya estava equilibrando o próximo lançamento da marca em Nova York — a primeira loja deles nos EUA — e a sessão de fotos da campanha que daria o pontapé inicial. Era o caos, mas do tipo bom. Aquele que fazia seu coração acelerar e seu consumo de café ser questionável.

Ela esperava por esta noite a semana inteira: apenas ela, um cobertor e o luxo de não fazer absolutamente nada. Alexander estava em um jantar com sócios do escritório de advocacia, mais uma maratona de contatos, e ela estava grata pelo silêncio. A princípio.

Mas agora, com o relógio passando da meia-noite, a calmaria tinha ficado pesada. Aquele desconforto vago em seu estômago crescia a cada minuto. Ele tinha dito que estaria em casa às dez.

Seu telefone começou a vibrar.

Ela olhou para a tela: Alexander. Alívio, seguido de irritação. Ela quase não atendeu, mas algo fez seu polegar deslizar antes que pudesse pensar.

"Alô?" Nenhuma resposta. Apenas... sons.

A risada de uma mulher. Não era a dele.

Um gemido baixo, feminino, do tipo que vibra com algo íntimo.

Freya paralisou. "Alex?", ela chamou.

Outra voz. A dele, desta vez, baixa e abafada por camadas de tecido. "É isso, babe... ohh... você é tão apertada."

Seu estômago revirou. O barulho do outro lado mudou: um baque surdo, tecido roçando, um suspiro ofegante que não era dela.

Ela ficou totalmente imóvel, com o coração martelando e o celular tremendo na mão. Não podia ser. De novo não. Não desse jeito.

"Alexander?" Sua voz falhou. Os sons pararam por um segundo, seguidos por uma risada abafada. Batidas rítmicas começaram, misturadas com gemidos intensos.

"Grita para mim quando gozar, Mads." A voz de Alex soava ofegante e distante.

A ligação caiu.

Freya ficou sentada no sofá, paralisada por um longo tempo, encarando o telefone como se ele pudesse explicar a si mesmo.

Winston se mexeu, levantando a cabeça, com o rabo balançando incerto contra a almofada. "Está tudo bem", ela sussurrou para ele, embora seu pulso martelasse em seus ouvidos. "É provavelmente... eu não sei. Um erro."

Ela repassou a ligação em sua mente, mas toda vez que tentava racionalizar — sinal ruim, número discado errado, uma brincadeira — sua mente voltava para aquele único som. A voz dele. Suave. Familiar. A risada da mulher chamada Mads. O som deles fazendo... sexo. E então as palavras dele; ele costumava pedir o mesmo a Freya. Ele adorava quando ela era barulhenta durante o sexo.

Sua garganta apertou e lágrimas se acumularam em seus olhos. Ele prometeu que não faria isso com ela novamente, mas claramente aquilo não significava nada. Ela ligou de volta. Uma vez. Duas vezes. Ninguém atendeu.

Finalmente, ela digitou:

Acho que você me ligou sem querer. Pode me retornar quando estiver livre?

Depois de um tempo, três pontos apareceram e sumiram. Ela esperou. Minutos se passaram. Nada. Freya colocou o telefone de lado e levantou-se, andando de um lado para o outro na sala. A chuva começou a cair lá fora, gotas grandes escorrendo pelas janelas.

Lá embaixo, a porta de um carro bateu e alguém riu. O mundo continuava, perfeitamente normal, enquanto o dela saía levemente dos trilhos.

Ela voltou para o sofá e envolveu Winston com os braços. Seus olhos castanhos a observavam atentamente, e seu focinho úmido cutucou a bochecha dela. Ele sempre sabia quando ela não estava bem. Ele lambeu a mão dela algumas vezes e depois se encolheu novamente com um suspiro, enquanto ela acariciava lentamente o pelo dele.

Não era a primeira vez que ela questionava Alexander, ou se ele realmente a amava. Ela sentiu a mesma coisa naquele dia de inverno, quase dois anos atrás, quando encontrou lingeries na bolsa dele. Renda, vermelha, quase nada. E um post-it que dizia:

Mal posso esperar para arrancar isso de você...

Aquela foi a primeira vez que seu mundo desmoronou. Depois de quase um ano de terapia de casal, promessas chorosas e sua crença desesperada em segundas chances, ela o deixou voltar.

Como ela tinha sido estúpida. E como se sentia estúpida agora.

Vez após vez, ela viu o olhar dele se perder, mesmo quando ele estava com ela. Mas ela dizia a si mesma que o amor era mais forte. Que eles eram mais fortes. Porque, claro, ela o amava. Não amava?

O telefone vibrou novamente. Ela deu um salto.

Uma mensagem de Alexander:

Desculpe. O jantar demorou uma eternidade e agora estou de volta ao escritório trabalhando. Não me espere acordada, vejo você amanhã!

Nenhuma ligação. Nenhuma explicação. Apenas isso.

Freya encarou a mensagem até a tela escurecer, então virou o telefone para baixo.

"Claro. Você está no escritório", ela sussurrou.

Winston levantou a cabeça quando ela pegou o celular novamente. Seu pulso disparou, seus dedos tremiam.

Se você está no escritório, então não está sozinho. Eu ouvi você com a "Mads".

Três pontos apareceram, depois sumiram.

Freya, do que você está falando? O que você acha que ouviu? Você está sendo ridícula.

Sua garganta apertou enquanto ela digitava.

Você pediu para a "Mads" gritar o seu nome.

O balão de digitação apareceu e parou. Apareceu de novo. Ele deve ter percebido que ela não estava confusa: ela sabia. Finalmente...

Freya... sinto muito. Amor, por favor. Deixa eu explicar. Vou para casa agora mesmo.

Ela encarou as palavras até sua visão ficar turva.

NÃO!! Eu não quero ver você agora. Nem ouse vir para casa hoje à noite.

Por um longo tempo, não houve nada. Então, outra mensagem: curta, preocupada.

Por favor, querida. Eu amo você e mais ninguém. Foi um erro terrível. Não faça nada impensado.

Por favor, vamos conversar amanhã. Vamos consertar isso juntos!

Ela virou o celular novamente, com o peito apertado e o coração batendo forte. Lá fora, a chuva caía mais forte, deixando marcas prateadas nos vidros.

Winston se aproximou e encostou o focinho na perna dela. Ela se abaixou e pressionou a testa no pelo dele. "Vamos tentar não pensar muito, ok?", ela sussurrou. "Amanhã, ele vai explicar. Tudo vai fazer sentido." Mas, mesmo enquanto dizia isso, ela não acreditava em si mesma.

Horas depois, ela estava na cama, com Winston encolhido aos seus pés como um pequeno aquecedor fiel. O sono não vinha. Sua mente girava, pensamentos em um ciclo vicioso no escuro. Então, seu celular vibrou na mesa de cabeceira. Uma mensagem de um número desconhecido. Ela piscou para a tela, meio atordoada.

Oi, Freya. Acho que precisamos conversar. É sobre o Alexander.

O estômago de Freya revirou enquanto ela respondia.

Sinto muito, quem é?

Meu nome é Madeline. Trabalho com ele na Norberg & Co.

As palavras a despertaram por completo. Madeline. Seu cérebro captou o nome, processando até fazer sentido. A recepcionista. Aquela com as pernas longas, cabelo cor de ouro e aquela beleza polida que nunca parecia envelhecer. O tipo de mulher em que o olhar de Alexander se perdia por um segundo a mais.

A garganta de Freya ficou seca. Mads. Aquele era o nome que ela tinha ouvido na ligação acidental.

Seu primeiro instinto foi apagar a mensagem, fechar os olhos e fingir que não tinha visto. Mas algo lá no fundo, aquele sentimento de angústia que crescia a noite toda, a fez digitar de volta.

O que tem ele?

Houve uma pausa. Então, três pontos apareceram.

Posso te ligar? É mais fácil explicar assim.

Freya encarou a tela, com o pulso batendo forte nos ouvidos. Ela hesitou — apenas por um segundo — e então digitou de volta.

Ok.