Welcome to Paradise
Emilia pousou a mala aos pés e levantou a aba do chapéu, semicerrando os olhos para o enorme portão à sua frente.
O ar de verão estava quente, daquele tipo que faz tudo brilhar um pouco sob a luz do sol. Ela olhou para Hunter, que lutava para controlar três malas de rodinhas que pareciam decididas a fugir pelo caminho de cascalho.
"Esta... esta é a casa do seu padrasto?", perguntou ela.
Hunter sorriu enquanto puxava as malas em direção a ela. O cabelo loiro captava a luz do sol, e os olhos azuis brilhavam com aquele charme natural que ele sempre carregava. "É! Legal, né?"
Emilia soltou uma risada baixa, soprando uma mecha de cabelo castanho do rosto.
Legal? Isso era um eufemismo.
O lugar era enorme — parecia mais um palácio do que uma casa.
Além do alto portão de ferro, estendia-se uma longa entrada cercada por carvalhos antigos, com suas sombras dançando sobre os paralelepípedos. No final, erguia-se uma vila de cor creme com janelas altas em arco, uma varanda coberta por trepadeiras e uma fonte brilhando no centro de um pátio circular.
Ao longe, ela conseguia ouvir pássaros e o som suave da água do que deveria ser uma fonte.
Emilia nunca tinha visto nada igual. O ar do interior da França cheirava a lavanda e a novos começos, mas seu estômago dava voltas de nervosismo.
Ela e Hunter estavam namorando há pouco tempo, tendo se conhecido durante um estágio nas férias de inverno passadas.
Emilia tinha terminado a faculdade há dois meses e ainda não tinha encontrado um emprego. Hoje em dia, achar trabalho não era fácil para recém-formados.
Então, apenas uma semana atrás, Hunter a convidou para passar as férias de verão com ele e sua família.
Ele tinha dito casualmente: "Venha conhecer meu padrasto — ele dirige uma empresa. Talvez ele possa te ajudar a conseguir um emprego."
Na época, parecia simples. Agora, parada diante daquela mansão, Emilia percebeu o quanto estava fora do seu mundo.
Ela sorriu fraco para Hunter enquanto ele dava outro puxão alegre nas malas.
"É", ela murmurou, "é definitivamente... alguma coisa."
Hunter já estava apertando a campainha antes mesmo dela terminar a frase.
Um toque suave ecoou pelo alto-falante do portão e, em poucos segundos, uma voz masculina respondeu em inglês com um leve sotaque francês.
Hunter o cumprimentou alegremente, trocando algumas palavras animadas antes que os portões de ferro se abrissem com um zumbido silencioso.
Emilia seguiu-o pelo caminho de pedra, arrastando sua mala. As rodas batiam sobre as pedras enquanto as grandes portas da frente surgiam — madeira alta e esculpida, com maçanetas douradas que brilhavam sob o sol.
Quando entraram na vila, uma lufada de ar fresco os recebeu. O chão de mármore refletia a luz do lustre acima, e o perfume suave de rosas pairava no ar.
Uma mulher deslumbrante apareceu no corredor. Seu cabelo dourado estava perfeitamente arrumado, e seus olhos azul-claros eram penetrantes, porém calorosos.
Ela parecia elegante sem esforço, o tipo de beleza que fez Emilia se sentir subitamente consciente dos amassados em sua blusa de viagem.
"Você deveria ter deixado o motorista ir buscar vocês", disse a mulher com uma repreensão gentil.
Hunter sorriu e a puxou para um abraço rápido. "Mãe! Qual é, eu sou um homem feito. Consigo achar o caminho sozinho."
Então ele se virou para Emilia com um sorriso orgulhoso. "Mãe, esta é minha namorada, Emilia."
Emilia se endireitou e deu um passo à frente, sorrindo educadamente enquanto estendia a mão. "Olá, Sra. Vaughn. Muito obrigada por me receber."
Por uma fração de segundo, o rosto da mulher congelou — a surpresa transpareceu em seus olhos.
Então, tão rápido quanto veio, a expressão da mulher suavizou-se em um sorriso gracioso.
"Chame-me de Susan", disse ela, segurando a mão de Emilia com carinho, "você é muito bonita, Emilia. Qualquer um pode ver por que Hunter está tão orgulhoso."
O cabelo castanho de Emilia repousava delicadamente sob o chapéu. O vestido branco de verão fazia seus olhos verdes se destacarem ainda mais, brilhando como o mais belo toque de verão.
Hunter sorriu radiante. "Viu? Eu disse que ela é incrível."
Susan soltou uma risada leve e apertou a mão de Emilia. "Você deve estar cansada da viagem. Venha, vou te mostrar seu quarto. Você vai adorar a vista."
Hunter piscou, surpreso. "Espere — por que ela precisa do próprio quarto? Ela pode ficar comigo."
Susan lançou a ele um olhar gentil, porém de advertência, com o sorriso ainda perfeitamente calmo. "Temos muitos quartos, querido. Por que faria ela dividir com você? É melhor ela ter seu próprio espaço — mais confortável assim." Ela se virou para Emilia, com a expressão suavizada. "Não concorda, querida?"
Emilia hesitou, então sorriu educadamente. "Eu aceito o que você achar melhor."
Hunter começou a protestar novamente, mas Susan já estava passando o braço pelo de Emilia. "Ótimo", disse ela calorosamente. "Venha, vou te mostrar o caminho."
***
Susan levou Emilia pela grande escadaria até o segundo andar. A luz do sol entrava pelas janelas altas com vista para os jardins.
A porta do quarto de hóspedes abriu-se para revelar um espaço maior do que todo o apartamento de Emilia — paredes cor creme, uma cama king-size, cortinas claras tremulando na brisa e até um banheiro privativo brilhando com metais dourados.
Emilia piscou, maravilhada. "Isto é... incrível. Muito obrigada, Sra.—er, Susan."
Susan sorriu, embora algo indecifrável brilhasse em seus olhos. "Fico feliz que tenha gostado."
Ela não se moveu imediatamente, apenas ficou perto da porta observando Emilia com uma expressão difícil de definir.
Onde quer que Emilia fosse, sentia o olhar de Susan a seguindo, calmo, mas concentrado demais.
Emilia hesitou, colocando sua mala ao lado da cama. "Hum... desculpe. Mas eu fiz algo de errado?", perguntou ela suavemente.
Os olhos de Susan suavizaram-se enquanto ela se aproximava. "Não, de jeito nenhum." Ela estendeu a mão e ergueu gentilmente o queixo de Emilia com os dedos, estudando seu rosto como se tentasse memorizá-lo. "Estou apenas feliz pelo meu filho", disse ela com um sorriso fraco. "Ele encontrou uma garota maravilhosa."
A respiração de Emilia falhou por um segundo devido à proximidade inesperada, mas antes que pudesse responder, passos ecoaram pelo corredor.
Susan deixou a mão cair e virou-se para a porta. "Querido", chamou ela levemente.
Um homem alto apareceu no corredor, sua sombra estendendo-se pelo chão polido antes que ele entrasse na luz.
O pulso de Emilia acelerou um pouco.
Aquele tinha que ser o padrasto de Hunter — o próprio homem que ela veio aqui na esperança de conhecer.
Ele parou no limiar, e o ar no quarto pareceu mudar.
A luz do sol entrava pela janela, iluminando seu rosto — maxilar marcado, cabelo castanho-claro bem arrumado e olhos azuis marcantes que continham tanto calor quanto distância.
Ele não devia ter muito mais que quarenta anos, embora ela soubesse que ele tinha quase cinquenta. Sua camisa branca estava com as mangas dobradas, revelando antebraços definidos e magros.
Havia algo natural em sua presença, algo que fazia Emilia esquecer de respirar.
Percebendo que estava encarando, Emilia ajeitou o cabelo rapidamente e pigarreou, forçando um sorriso muito educado no rosto. "Olá, Sr. Vaughn", disse ela, dando um passo à frente. "Sou Emilia Spencer. Prazer em conhecê-lo."
O olhar de Sebastian repousou sobre ela por um momento — calmo, indecifrável, quase avaliador. "O prazer é meu", disse ele com uma voz baixa e uniforme. "Você deve estar cansada da viagem. Descanse um pouco. Se precisar de alguma coisa, peça aos funcionários. Eles cuidarão de tudo."
Emilia assentiu rapidamente, tentando não parecer nervosa. "Obrigada, senhor."
Ele deu um aceno educado e virou-se levemente, como se fosse sair, quando Susan se aproximou dele.
Por um breve segundo, a mão dela roçou a manga dele, e seu olhar demorou-se no rosto dele antes de deslizar de volta para Emilia.
"Vamos deixar você se acomodar", disse Susan com um sorriso gentil. "Se precisar de qualquer coisa, não hesite em pedir." Com isso, ela se virou e saiu ao lado do marido.
Emilia observou os dois partirem, com o eco suave dos passos deles desaparecendo pelo corredor.
***
Emilia desfez as malas e trocou de roupa, colocando um traje de banho. Quando desceu, Hunter já a esperava perto da piscina com dois copos de limonada e um sorriso.
O sol estava alto, brilhando na água azul-turquesa. Ela mergulhou a ponta do pé e ofegou com a frieza antes que Hunter jogasse água nela, brincando.
"Ei!", ela riu, jogando água de volta nele.
Ele nadou até ela, agarrou sua cintura e a puxou para a piscina com um mergulho barulhento.
Ela emergiu cuspindo água, com o cabelo escorrendo, enquanto ele ria descontroladamente. Emilia bateu levemente no ombro dele, fingindo estar brava, mas ele apenas a puxou para mais perto.
A água brilhava entre eles, com a luz do sol se transformando em ondulações prateadas.
"Você está brava?", ele provocou.
"Talvez", disse ela, sorrindo apesar de si mesma.
Ele afastou o cabelo molhado dela e a beijou rapidamente, suave no começo, depois por mais tempo.
Os braços dela envolveram o pescoço dele.
Ele a levantou facilmente na água, girando-a enquanto ela soltava gritinhos de riso, ambos encharcados e sem fôlego.
Por um tempo, parecia que não havia mundo além daquela piscina cintilante, apenas os dois, jovens e apaixonados, sob o sol dourado da França.
Nenhum dos dois percebeu a figura observando atrás de uma grande janela de vidro no segundo andar.
Atrás do reflexo do sol estava Sebastian, com uma expressão indecifrável e as mãos nos bolsos, olhando para eles em silêncio. A luz da tarde realçava as bordas de seu rosto, sério e imóvel.
Uma voz suave veio de trás dele. "Você gosta do que vê?", disse Susan, aproximando-se. "Ela é linda. Não é?"
Sebastian virou a cabeça para Susan.
Ela encontrou seu olhar, com o sorriso firme e inalterado. "Não é?"
Sebastian finalmente se virou para ela, com o rosto calmo. "Da próxima vez que entrar no meu escritório", disse ele baixinho, "bata antes."
Susan sorriu levemente, com os olhos brilhando. "Claro", respondeu ela com uma voz suave. "Eu vou, querido."
Seus saltos bateram contra o chão enquanto ela saía, o som desaparecendo pelo corredor, deixando apenas o zumbido suave do ar de verão e as risadas ecoando da piscina lá embaixo.No Glasses