A Rainha Luna

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Resumo

Fui dormir como uma ninguém. Acordei como uma Rainha. Em uma noite, eu era apenas uma universitária exausta e sem dinheiro. Na seguinte, abri meus olhos em lençóis de seda, com estranhos se curvando e me chamando de Rainha Luna. O rosto no espelho é meu. O corpo é meu. Mas a vida não é. Os hematomas em meus pulsos contam uma história da qual não me lembro, e o Rei a quem estou ligada não me ama — ele me detesta. Sussurram que sua amante governa o palácio. Dizem que a Rainha era fraca. Silenciosa. Quebrada. Mas isso foi antes de mim. Agora, preciso sobreviver a um palácio que me quer morta, a um Rei cujo toque queima tanto quanto deixa cicatrizes, e a um reino que espera pelo meu fracasso. A antiga Rainha Luna se curvou diante da crueldade. Eu não sou ela. E se esse Rei pensa que vou me ajoelhar, ele está prestes a descobrir do que uma verdadeira Rainha é feita.

Gênero
Romance
Autor
Helen
Status
Completo
Capítulos
144
Classificação
4.8 55 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - Acordando como Rainha

Ponto de vista da Hazel

Eu fui dormir no meu dormitório.

Disso eu tenho certeza.

Minha última lembrança é o zumbido suave do aquecedor e o brilho fraco da tela do meu laptop projetando um tom azulado pelas paredes. Lembro-me do caos silencioso das anotações inacabadas espalhadas pela mesa. Lembro-me de ajustar meu despertador, de me enrolar no cobertor e de deixar o cansaço finalmente me vencer.

Mas quando acordei...

Não foi para o meu teto que olhei.

O ar estava pesado, denso com o cheiro de fumaça e ervas, algo enjoativo e estranho. Um calafrio percorreu minha pele, embora a superfície sob mim estivesse quente — quente demais, como se eu estivesse deitada em lençóis de seda tirados de um delírio febril. Meus olhos piscaram, meu peito subiu e desceu, e o som foi a primeira coisa que notei.

Choro.

Dezenas de soluços abafados ecoavam ao meu redor, interrompidos apenas por sussurros frenéticos.

"Minha Rainha, por favor, por favor, abra os olhos..."

"Ela está respirando... oh, Deusa da Lua, ela está respirando!"

"Chamem o médico, agora! Depressa!"

Meus olhos se abriram num solavanco e um suspiro escapou da minha garganta.

O barulho parou instantaneamente.

Um grupo de mulheres estava ajoelhado ao meu redor, vestidas com uniformes de criadas. Seus rostos estavam manchados de lágrimas e suas mãos unidas em prece ou desespero. Seus olhos, arregalados e brilhantes, fixavam-se em mim como se eu fosse um milagre que ressuscitou dos mortos.

"Majestade", sussurrou uma delas, com a voz embargada. "Você acordou."

Sentei-me rápido demais e minha cabeça girou. "Que porra é essa..."

Mas a voz que saiu da minha boca soava estranha.

Era mais aguda. Mais suave. Errada.

Minhas mãos tremeram quando as levantei, encarando dedos pálidos e delicados com unhas perfeitamente feitas e pintadas de vermelho-sangue. Meu olhar desceu — para o vestido de seda drapeado em meu corpo, com um decote escandalosamente profundo.

"Que porra..." O sussurro mal passou pelos meus lábios.

As mulheres ao meu redor trocaram olhares alarmados, mas nenhuma me corrigiu. Em vez disso, aproximaram-se, como mariposas atraídas pela chama.

"Precisa de água, minha Rainha?", uma perguntou, suas mãos trêmulas já alcançando um copo de cristal na mesa de cabeceira.

"Minha Rainha."

"Majestade."

"Nossa Rainha."

As palavras me golpeavam repetidamente, e a reverência delas era tão absoluta que me apavorava.

Rainha?

Eu não era rainha. Eu era uma estudante universitária de vinte e dois anos que tinha dormido durante uma maratona de séries e tinha um teste de Literatura Inglesa na manhã seguinte.

Isso era loucura.

"Ok", eu disse, erguendo a mão trêmula para pará-las. "Vocês estão confundindo a pessoa. Eu não sou... seja lá o que vocês pensem que eu sou. Eu não sou sua rainha."

O quarto ficou em silêncio.

Por um instante, ninguém respirou. Então, como se estivessem coreografadas, todas baixaram o olhar para o chão, encostando a testa na madeira polida, como se eu tivesse acabado de blasfemar.

Uma delas sussurrou: "A amante vai ouvir..."

Meu estômago revirou. Amante?

Antes que eu pudesse perguntar, as portas no fundo do quarto se abriram — suavemente, como se alguém estivesse empurrando veludo.

As mulheres se encolheram. Seus corpos se aproximaram de mim instintivamente, protegendo-me como se soubessem que o perigo tinha acabado de entrar no ambiente.

Estiquei o pescoço e congelei.

Uma mulher alta entrou, envolta em seda preta, com cabelos que eram uma cascata de cachos negros emoldurando um rosto afiado demais, cruelmente belo. Seus lábios se curvaram num sorriso sarcástico quando seus olhos pousaram em mim.

"Bem", ela ronronou, sua voz soando como mel envenenado. "O cadáver desperta."

A tensão no quarto ficou tão pesada que pressionou minhas costelas. As mulheres ao meu lado se encolheram ainda mais, o medo era palpável, suas mãos tremiam como se até a respiração pudesse ofendê-la.

A estranha se aproximou da minha cama com passos lentos, o salto batendo contra a madeira. Ela olhou para mim, seus olhos brilhando com malícia, e pela primeira vez notei os hematomas avermelhados nos meus pulsos. Meus pulsos.

Meu estômago deu um nó violento.

Será que ela...?

"Cuidado, pet", ela arrastou a voz, inclinando-se tão perto que senti o cheiro forte do seu perfume. "A morte não desculpa a insolência. O Rei Alfa pode tolerar sua existência, mas eu não."

Rei Alfa?

A palavra me atingiu como um raio, uma peça de quebra-cabeça encaixando-se no lugar. Rei Alfa. Rainha. Amante. Minha pele arrepiou e o pavor infiltrou-se em cada canto da minha mente.

Eu não estava mais no meu quarto.

Eu tinha acordado na vida de outra pessoa.

E a julgar pelos hematomas, pela maneira como as palavras daquela mulher destilavam veneno e pelo terror absoluto estampado nos rostos das criadas ainda ajoelhadas ao meu redor...

Aquela vida era um pesadelo.

"Eu..." Minha garganta travou. "Não sei do que você está falando."

A risada dela me cortou como vidro. "Oh, que conveniente. A Rainha esquece. Diga-me, será que sua memória voltará antes de hoje à noite, quando Sua Majestade a chamar? Ou você vai envergonhá-lo com suas desculpas patéticas de novo?"

O calor subiu ao meu rosto. Sua Majestade? Chamá-la?

As perguntas me arranhavam por dentro, mas as engoli. Cada instinto gritava para não dar àquela mulher mais munição.

Ela inclinou a cabeça, o sorriso ficando mais afiado. "Não importa. Quer você se lembre ou não, seu lugar continua o mesmo: abaixo de mim."

As palavras marcaram minha pele como um ferro quente. E embora a confusão e o medo dominassem meu peito, algo mais surgiu junto: raiva.

Porque, quem quer que fosse essa rainha, ela tinha sido quebrada. Machucada. Forçada ao silêncio. Cercada por crueldade disfarçada de lealdade.

Mas eu?

Eu não nasci para me curvar.

Encarei a mulher, minha voz firme apesar do tremor nas minhas mãos. "Veremos sobre isso."

Os olhos dela se estreitaram, uma surpresa brilhou ali antes que ela a escondesse com outro sorriso cruel.

"Veremos", ela sussurrou, antes de girar nos calcanhares e sair batendo o pé, seu vestido sussurrando pelo chão.

No momento em que as portas se fecharam, as criadas soltaram o ar em uníssono. Uma delas segurou minha mão, com lágrimas nos olhos.

"Minha Rainha, por favor", ela implorou. "Você não deve provocar a Dama. Ela tem o coração de Sua Majestade. Se ela... se ela contar a ele..."

Sua voz quebrou.

Mas eu não ouvi o resto.

Porque meu coração batia alto demais, abafando tudo.

Sua Majestade. O Rei Alfa. O homem cujo corpo da rainha eu agora habitava.

E se o que eu acabara de ver era algum sinal, ele não era um salvador. Ele não era um marido.

Ele era o monstro que deixava sua amante destruir sua esposa.

E agora, eu estava presa no lugar dela.

Puta que pariu, isso tem que ser um pesadelo.

Logo vou acordar, sim, eu preciso acordar.