Capítulo 1
Passei a semana mais romântica e sonhadora da minha vida com o meu namorado, Ryan, aqui nesta ilha maravilhosa. Ela tem de tudo, desde uma praia de areia refrescante até uma floresta verdejante que sobe pelas montanhas. O Ryan tinha um show nesta ilha e sugeriu que, se eu viesse, poderíamos tirar aquele longo período de férias que vínhamos tentando há meses. Mas com nossas agendas lotadas, nunca dava certo até agora.
Eu topei a ideia na hora, e aqui estamos nós, depois de uma semana repleta de sexo e aventuras pela ilha, sem nos preocupar nem um pouco com compromissos de trabalho logo cedo. Acordamos agora e estou observando o Ryan enquanto ele se prepara para o ensaio do grande evento que ele tem logo mais à noite.
O Ryan já está na metade do caminho para a porta, com sua mala de mão característica pendurada no ombro, quando me apoio nos travesseiros, dando a ele aquele sorriso suave, sonolento e totalmente proibido.
“Sério?”, eu digo, arrastando a voz. “Você vai me deixar nesta cama insana?”
O Ryan para e dá um sorrisinho por cima do ombro. “Alguém está se esforçando muito para me meter em problemas.”
Eu me espreguiço na enorme cama king-size, os lençóis de seda deslizando comigo. “Talvez eu esteja. Esta cama é tão confortável”, eu sussurro. “E eu estou nua e terrivelmente carente debaixo desses lençóis quentes.”
Ele ri baixinho e volta para mim, apoiando uma das mãos no colchão. “É, pode acreditar, querida, eu sei. Estou usando toda a disciplina que tenho para não me enfiar aí com você.”
Prendo o dedo na camiseta dele, puxando-o para mais perto. “Então não lute contra isso. Fica. Dez minutos.” Dou uma piscadela. “Só isso.”
O Ryan se inclina e roça um beijo lento nos meus lábios. “Se eu ficar dez minutos, isso vai virar uma hora, e o pessoal da minha banda vai surtar.”
“Vai valer a pena”, eu murmuro, puxando a camiseta dele novamente.
Ele encosta a testa na minha, com os olhos fechados como se eu estivesse fisicamente enfraquecendo-o. “Você é um problema absoluto, sabia disso?”
Eu dou um sorriso. “Só para o meu namorado.”
O Ryan rosna. “E é exatamente por isso que eu preciso sair por aquela porta agora... antes que eu não saia mais.”
Com um último olhar demorado para mim, ele se força a virar, balançando a cabeça como um homem que mal consegue se controlar, e sai do quarto. Eu me jogo contra a cabeceira e começo a pensar no que fazer sozinha pelo resto do dia.
Saio da cama e penso em me presentear com um banho de espuma longo e relaxante para espantar todas as energias negativas e me sentir bem. Entendo que tenho que passar o dia sozinha, então só depende de mim manter o sorriso no rosto ou simplesmente me perder em pensamentos e ficar desanimada o dia todo.
Saio do banho sentindo meu corpo todo mais leve, como se o estresse da semana finalmente tivesse escorrido pelos ombros junto com o vapor. Seco meu cabelo, cantarolando baixinho, e depois me ajoelho ao lado da minha mala. Já está tudo arrumado, já que é nosso último dia no resort, mas vasculho as bolsas mesmo assim, procurando algo que pareça certo para hoje.
Meus dedos encontram meu vestido floral favorito, aquele com alças finas e uma saia que se move como o vento quando caminho. Perfeito. Visto-o, calço um par de rasteirinhas e me olho no espelho. Pele bronzeada pelo sol, ondas naturais no cabelo e aquele brilho relaxado de férias que as pessoas postam no Instagram e fingem que não exige esforço nenhum. Sorrio. Nada mal.
Pego meu celular e meus óculos de sol e saio em direção à orla. O oceano me espera, com ondas quebrando e uma brisa salgada no meu cabelo. A areia está quente sob meus pés enquanto tiro as rasteirinhas e as seguro na mão. Quero me despedir desta ilha como se deve, caminhar por aí como se fosse a dona da porra toda mais uma vez. Sem horários. Sem pressa. Só eu e o mar.
Não sei por que, mas parece que algo está por vir. Existe uma tensão no ar que não sei explicar, um puxão que não consigo ignorar. Esta simples caminhada de despedida parece mais pesada do que deveria, como se o oceano carregasse um aviso que não consigo decifrar. Cada passo na areia faz meu coração bater um pouco mais rápido; não consigo me livrar da sensação de que algo — um caos, um problema, ou talvez ambos — está esperando logo ali na esquina.
Água fria espirra no meu pé descalço, e o choque percorre meu corpo como um solavanco, forte o suficiente para arrancar um pequeno suspiro dos meus lábios. Mesmo assim, adentro mais a margem, deixando a maré brincar com meus tornozelos antes de recuar como se estivesse apenas me provocando. Um toque gelado e brincalhão a cada poucos segundos. Isso me desperta de um jeito que nenhum café seria capaz.
As ondas quebram e rolam, altas e constantes, mas para mim soa como música: lenta, suave e quase meditativa. Observo-as se tornarem grandes e selvagens, apenas para se despedaçarem contra a areia como se nunca tivessem tido uma chance. Algo nisso me atingiu de forma diferente hoje.
Talvez seja a despedida se instalando no meu peito, ou talvez eu esteja ficando sentimental, mas tive uma epifania repentina: tudo acaba eventualmente. Até mesmo as coisas que parecem grandiosas e imparáveis, como estas ondas.
Elas rugem como um animal selvagem; elas se erguem como o sol; elas ameaçam como se fossem engolir o mundo inteiro, e então, no segundo em que atingem a praia, tudo acaba. Silêncio. Foi-se. Um momento de vazio antes da próxima se formar.
Fico aqui parada, com os dedos dos pés afundando na areia molhada, a brisa do oceano bagunçando meu cabelo, pensando em como a vida faz a mesma coisa. Um caos grande, lindo e bagunçado; aqui em um segundo, desaparecido no próximo.
Enquanto caminho pela praia, meus olhos avistam alguém que eu jamais, em hipótese alguma, esperaria ver aqui a esta hora. Não porque ele não possa se dar ao luxo de estar nesta ilha; dinheiro nunca foi um problema para ele, mas vê-lo agora? Totalmente sozinho? Sabendo que ele vai se casar com minha melhor amiga daqui a dois dias? É... isso é um não absoluto. Meu estômago se revira.