Refúgio Perigoso

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Resumo

Jade Michaels é uma jovem com corpo de bailarina e o segredo de uma assassina. Fugindo de uma vingativa família criminosa da Costa Leste, sua única esperança é desaparecer no mundo brilhante e implacável do Club Violet, a joia mais exclusiva do submundo da cidade. Catherine Valentine é a fortaleza. A impecável gerente geral do Violet, ela comanda a beleza e a violência com a mesma precisão. Seu mundo é construído sobre o controle, e a desafiadora e misteriosa nova dançarina é uma faísca em seu império de barril de pólvora. Forçadas a uma dança de suspeitas e sobrevivência, Jade e Catherine forjam uma aliança frágil. Mas, quando o passado as persegue, armado com ameaças que atingem mais perto de casa do que qualquer uma delas poderia imaginar, seu arranjo cuidadoso se despedaça. Para proteger o que é seu, Catherine deve arriscar o império que construiu. Para salvar sua irmã, Jade precisa parar de fugir e se tornar a arma que foi forçada a ser.

Status
Completo
Capítulos
24
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Chapter 1

CATHERINE

O silêncio antes de o Violet abrir suas portas era a parte favorita do dia de Catherine Valentine.

Era um silêncio impecável e sob pressão, carregado de possibilidades. O salão principal brilhava sob uma iluminação ambiente suave. Os três palcos centrais – de latão polido e cromo – estavam vazios. As salas privadas no andar de cima estavam trancadas e silenciosas. O ar tinha cheiro de perfume caro, vodka gelada e o perfume limpo e tênue do dinheiro que logo fluiria pelo lugar.

Seu tablet apitou suavemente. O último item de sua lista de verificação antes da abertura: Novos Talentos. 18h. Estúdio Leste.

A boca de Catherine se contraiu. Novas dançarinas eram uma aposta necessária. O elenco atual era talentoso, mas Elena mencionou isso no trimestre passado, uma observação casual que pareceu um ultimato: As performances estão ficando previsíveis, Catherine. O previsível é seguro. O seguro é esquecível.

Ela desceu a escadaria flutuante, seus saltos não fazendo nenhum som sobre o carpete denso. O clube era um ser vivo para ela, e ela se movia por suas veias com a intimidade de uma proprietária.

O Estúdio Leste era uma caixa espelhada ao lado do corredor de serviço principal, geralmente usada para ensaios. Hoje, parecia uma cela de espera para o desespero e a ambição. Uma dúzia de mulheres em vários estados de desleixo e nervosismo estavam se alongando, andando de um lado para o outro, encarando seus próprios reflexos. Elas silenciaram quando ela entrou.

“Senhoras”, disse ela, sua voz cortando o ar abafado. Não foi alto, mas impôs respeito no ambiente. “Vocês têm três minutos. Mostrem-me por que pertencem ao Violet.”

Ela sentou-se na cadeira colocada no centro da sala, cruzando as pernas. Ela não abriu o tablet. Apenas observou.

As primeiras foram exatamente o que ela esperava. Tecnicamente proficientes. Lindas. Completamente sem alma. Elas se moviam como se estivessem seguindo um manual, com sorrisos pintados no rosto. Ela as dispensou com um aceno antes mesmo de a música terminar.

A quarta dançarina tinha uma energia mais intensa. Uma ex-bailarina, a julgar por suas linhas. Mas havia uma fragilidade nela, uma fome que beirava o frenesi. Ela seria um problema. Catherine fez uma nota em seu tablet: Talentosa. Requer muita atenção. Reprovada.

Já passava das sete. O ar no estúdio estava pesado com o suor de esperanças frustradas. Catherine já estava redigindo mentalmente o e-mail para o caçador de talentos em Los Angeles. Talvez precisassem procurar em lugares mais distantes.

Então, a porta se abriu.

A mulher que entrou estava atrasada. Esse foi o primeiro erro. Ela usava jeans pretos desbotados, botas gastas e uma regata cinza simples sob uma jaqueta de couro marrom que era grande demais para seu corpo. Seu cabelo castanho claro estava preso em um coque bagunçado. Ela parecia menos uma dançarina do clube mais exclusivo da cidade e mais alguém que acabara de descer de um ônibus de longa distância.

“Você está atrasada”, disse Catherine, com um tom glacial.

“Eu me perdi no caminho.” A voz da mulher era baixa, um pouco áspera. Seus olhos, uma mistura surpreendente de verde e dourado, não desviaram. Eles sustentaram o olhar de Catherine por um segundo a mais do que o necessário antes de ela tirar a jaqueta. Nenhuma desculpa. Segundo erro.

“Seu nome?”

“Jade. Jade Michaels.”

“Três minutos, Sra. Michaels. Começando agora.”

Catherine tocou no botão de reprodução do tablet. Uma peça de violoncelo lenta e envolvente preencheu a sala, algo moderno e doloroso.

E Jade Michaels… mudou.

O jeito desleixado desapareceu. A tensão cautelosa em seus ombros derreteu-se em uma graça líquida e predatória. Ela não apenas caminhou até o poste central do palco principal; ela o tomou para si. Seus movimentos iniciais foram de um controle lento e torturante – uma mão deslizando pelo metal frio, seu corpo seguindo em uma espiral que falava de uma força imensa contida deliberadamente. Isso não era apenas uma rotina; era uma narrativa. Uma inclinação de cabeça era um desafio. O arco de suas costas enquanto ela se invertia era uma rendição que parecia uma vitória. Ela usou o poste não como um acessório, mas como um parceiro em uma conversa complexa de poder e entrega.

Catherine sentiu seu distanciamento profissional rachar. Ela se inclinou para a frente, apenas um pouco.

Isso era o limite. Esse era o magnetismo cru e imprevisível que fazia os clientes esquecerem seus nomes e abrirem suas carteiras.

E então, nos trinta segundos finais, Jade fez algo que fez a respiração de Catherine falhar. A música pedia uma descida controlada. Jade a executou, mas em vez de um final posado, ela deixou seu ímpeto levá-la a um deslize baixo e imprudente pelo chão polido do palco, terminando de joelhos, com a cabeça jogada para trás, o peito ofegante e um olhar direto e flamejante focado exatamente em Catherine. Foi um desvio. Uma improvisação.

Foi absolutamente de tirar o fôlego.

A música terminou. Jade se levantou, seu peito subindo e descendo rapidamente. Ela ficou no centro da sala, esperando. Ela não sorriu. Apenas olhou para Catherine, aqueles olhos cor de avelã arregalados e indecifráveis, guardando um universo de segredos.

As outras candidatas estavam olhando. A sala estava silenciosa novamente, mas era um tipo diferente de silêncio. Carregado.

Catherine se levantou. Ela alisou um vinco inexistente em seu vestido cinza-ardósia. Seu rosto era uma máscara de indiferença composta.

“As outras estão dispensadas”, disse ela, sua voz cortando o silêncio. Ela não desviou os olhos de Jade. “Sra. Michaels. Em minha sala. Agora.”

Ela se virou e saiu do estúdio, sem esperar para ver se seria seguida. Ela sabia que seria. As desesperadas sempre seguiam.

Enquanto caminhava de volta pelo clube silencioso e brilhante, a mente de Catherine já estava funcionando, calculando. A garota tinha um talento cru e extraordinário. Ela também tinha a aparência de alguém que estava fugindo. A confiança falsa, os olhos cautelosos, as botas baratas escondendo uma técnica cara.

Uma responsabilidade. Uma responsabilidade fascinante e inebriante.

No santuário de seu escritório, Catherine serviu uma dose de bourbon, de costas para a porta. Ela ouviu a porta abrir e fechar suavemente. Ela tomou um gole lento, deixando o silêncio se prolongar, deixando a garota sentir o peso do espaço, de seu erro, de sua sorte.

Então, ela se virou.

Jade estava logo dentro da porta, sua jaqueta de couro enganchada em um dedo, sua postura tentando parecer casual e falhando miseravelmente.

“Aquela descida final”, começou Catherine, sua voz enganosamente baixa. “Não estava na sequência.”

Jade encontrou seu olhar. Um lampejo daquela rebeldia anterior. “Pareceu o certo.”

“Eu decido o que parece certo no meu clube.” Catherine colocou o copo na mesa com um clique definitivo. “Você é talentosa. Você também é indisciplinada. Você se atrasa, você é arrogante e você acha que as regras não se aplicam a você.”

Ela deu um passo à frente, entrando no espaço de Jade. Ela podia senti-la agora – um toque de sabonete barato, o couro da jaqueta e, por baixo, um traço de medo. Bom.

“Então, aqui estão suas regras, Jade”, disse Catherine, seus olhos verdes fixos nos da mulher mais jovem. “Você está em período de experiência. Você será pontual. Você seguirá a lista de músicas e os horários do palco ao minuto. Você manterá seu drama pessoal, seja ele qual for, bem longe destas portas. Você não faz arranjos particulares com clientes. Você pertence ao Violet agora. Entendido?”

Ela observou a luta interna acontecendo no rosto de Jade. O instinto de rebelar-se, de mandá-la para o inferno, lutando contra a necessidade desesperada pelo refúgio que aquele emprego representava. Catherine viu o momento exato em que a necessidade venceu. Os ombros de Jade caíram, apenas uma fração. Seus olhos desceram para o chão.

“Entendido.”

Era submissão. Por enquanto.

“Os ensaios são às quatro amanhã. Não se atrase.” Catherine voltou para sua mesa, uma dispensa clara.

Ela ouviu o som suave da porta abrindo e fechando. Só então ela deixou um sorriso frio e satisfeito tocar seus lábios.

Ela tinha encontrado sua centelha. Agora, ela só precisava ver o quão intensamente ela queimaria e o que ela estaria disposta a consumir.

×××

JADE

O corredor fora do escritório de Catherine Valentine parecia uma câmara de descompressão, o silêncio após a tempestade. Jade encostou-se na parede fria, seu coração ainda martelando contra as costelas. Não pela dança. Por ela.

Você pertence ao Violet agora.

As palavras ecoaram, uma reivindicação fria que deveria tê-la feito correr. Em vez disso, um calor traiçoeiro se enrolou na parte baixa de seu estômago. Foi o jeito que Catherine a olhou – não como um pedaço de carne, não como uma atração de circo. Como um problema. Um problema complexo e interessante que ela já estava calculando como resolver.

Jade se afastou da parede, vestindo sua jaqueta de couro novamente. O peso familiar era um conforto. Cheirava a rodoviárias e chuva, como o voo de três mil quilômetros de sua vida antiga. Dentro do bolso, seus dedos roçaram a borda dobrada de sua carteira de motorista de Idaho. Lana Myers, 1,67m, olhos cor de avelã. Um fantasma. Jade Michaels, com seus documentos falsificados e sua audição desesperada, parecia mais real.

Ela se moveu pelo clube, um contraste gritante com sua perfeição reluzente em suas botas gastas e jeans. A equipe por quem ela passou – um barman polindo um copo, uma mulher aspirando o carpete impecável – olhou direto através dela. Invisível. Era isso que ela precisava ser.

A saída dos fundos a jogou em um beco que fedia a lixo e concreto úmido. O barulho da cidade voltou, uma sinfonia caótica de tráfego e sirenes distantes. Ela ergueu o rosto, deixando a garoa esfriar sua pele.

Ela conseguiu o emprego. Esse era o objetivo. Um trabalho fixo em dinheiro por fora, um lugar para desaparecer onde as luzes eram baixas e os clientes olhavam para o palco, não para o rosto da dançarina. O Violet era perfeito. Uma fortaleza.

Então, por que ela sentia que acabara de entrar em um tipo diferente de jaula?

Seu telefone vibrou no bolso de trás. Um número com o código de área 212. Nova York.

O mundo girou. Ela tateou, o polegar pairando sobre a tela. Caiu na caixa postal. Um segundo depois, uma mensagem apareceu.

Lana. Precisamos conversar sobre o que você deixou para trás. Me ligue.

Um pavor frio a atravessou. Siobhan. Ela sabia. É claro que ela sabia. A identidade falsa, as passagens de ônibus pagas em dinheiro – tudo era um jogo patético para alguém com seus recursos.

A mão de Jade tremeu enquanto ela apagava a mensagem e bloqueava o número. Um gesto inútil. Se Siobhan estava enviando mensagens, ela estava se aproximando. Os caçadores não estavam apenas procurando; eles tinham seu cheiro.

Ela começou a andar, rápido, sem direção. A garoa tornou-se uma chuva constante, encharcando sua jaqueta. Ela repassou a audição em sua cabeça – a música, o espelho, o momento em que se deixou perder no movimento. E então o rosto de Catherine, observando. Não com a fome lasciva a que estava acostumada com homens como Marcus, seu ex. Mas com a avaliação fria e distanciada de um mestre avaliador.

Você também é indisciplinada.

O maxilar de Jade se contraiu. Ela passou a vida sendo disciplinada. Por professores de dança. Por Marcus. Sendo dita como se mover, como respirar, como existir. Aquela descida final, aquele desvio imprudente, tinha sido um grito silencioso. E Catherine o tinha ouvido.

Ela se viu do lado de fora de uma lanchonete, seu letreiro de neon zumbindo na chuva. Ela deslizou para uma cabine de vinil rachado nos fundos, pediu um café que não queria. De lá, ela podia ver a porta e a janela.

O emprego no Violet não era mais apenas um esconderijo. Era um escudo. E Catherine, com seus olhos verdes gélidos e autoridade absoluta, era a empunhadora desse escudo. O pensamento era aterrorizante. Era também, perversamente, o primeiro lampejo de segurança que ela sentia em meses.

Mas a segurança vinha com correntes.

Você seguirá a coreografia à risca. Você pertence ao Violet.

Jade envolveu a caneca quente com as mãos, deixando a queimadura expulsar o frio de seus dedos. Siobhan estava vindo. Isso era um fato. Sua vida antiga era um fantasma que não pararia de assombrar.

Sua nova vida era uma gaiola dourada pertencente a uma mulher que olhava para ela como se ela fosse um quebra-cabeça fascinante e perigoso.

Jade tomou um gole lento do café amargo. Um sorriso sombrio tocou seus lábios. Ótimo. Que Catherine Valentine tente domá-la. Que Siobhan Gallagher tente encontrá-la.

Ela passou anos sendo silenciosa, sendo complacente, sendo boa. Isso quase a matou.

Talvez fosse hora de ser um problema.