Capítulo 1 - Por que você não me toca?
POV DA ADELE
Eu não planejei rastejar pela cama como uma mulher desesperada e faminta. Mas quatro meses sendo ignorada pelo seu próprio companheiro fazem coisas com o seu orgulho. Ele o dobra. O torce. O quebra em lugares que você nem sabia que podiam quebrar.
A camisola de seda que a Rainha Emilia me deu deslizou pelas minhas coxas como água enquanto eu me movia pelo colchão. O tecido era macio, caro, de uma cor vinho profundo que deixava minha pele com uma aparência mais quente e rica. Eu escolhi de propósito esta noite. Eu queria me sentir bonita. Eu queria que ele me visse.
Mas Lucien não olhou.
Ele estava sentado na ponta da cama, com os olhos grudados no laptop, o brilho azul iluminando suas maçãs do rosto marcadas. Seus ombros estavam tensos, seu maxilar travado. Ele sempre parecia assim agora — retraído, distante, inalcançável.
Quatro meses juntos. Quatro meses dormindo na mesma casa. Quatro meses dizendo a todos que éramos companheiros... E nem uma única vez ele me tocou.
Nem uma única vez seus lábios marcaram minha pele. Ele nem sequer tentou.
O laço vibrava fracamente entre nós — vivo, mas faminto. Como eu.
Cheguei perto dele lentamente, com a respiração descompassada enquanto arrastava meus dedos pela sua perna. Sua coxa se contraiu sob meu toque. Ele me sentiu — é claro que sentiu. Nosso laço garantia isso. Pequenas faíscas corriam sob as pontas dos meus dedos, um lembrete do que poderia acontecer se ele apenas... me escolhesse.
Deixei minha mão subir mais. E mais. E, finalmente, pressionei suavemente a palma da minha mão contra o volume dele através do short.
Ele inspirou bruscamente.
Mas seus olhos... nunca deixaram a tela.
Algo dentro de mim se contorceu.
Eu o acariciei lentamente através do tecido, com o coração disparado, meu corpo inteiro aquecido por uma mistura de desejo e humilhação. Inclinei-me para perto, deixando meu cabelo cair sobre o ombro, deixando-o sentir minha respiração contra seu pescoço.
“Lucien...” sussurrei, deixando seu nome enrolar na minha língua como um pedido e uma promessa.
Nada.
Ele nem sequer vacilou.
O calor subiu ao meu rosto — raiva, vergonha, dor, tudo de uma vez. A humilhação ardeu tanto que achei que pudesse incendiar a seda.
Então, fiz a única coisa que meu orgulho ferido conseguiu pensar:
Eu bati o maldito laptop, fechando-o com força.
O som ecoou pelo quarto como um chicote.
“Lucien, qual é o seu problema?”, exigi, com a voz trêmula. “Eu sou sua companheira, e você está me ignorando.”
O corpo dele todo ficou tenso. Por um momento, ele não olhou para mim — ele não ousou. Então ele gemeu, passando a mão pelo cabelo em pura frustração.
Ele parecia cansado. Exausto. Algo sombrio brilhou em seus olhos, algo que eu não conseguia nomear. Algo que eu não conseguia alcançar.
Finalmente... finalmente... ele olhou para mim.
“Estou trabalhando”, murmurou ele.
Deixei escapar uma risada ofegante e descrente. “Sério? Você tem ‘trabalhado’ por quatro meses?”
O maxilar dele se apertou.
Ergui-me sobre os joelhos, a camisola subindo perigosamente, mas não a ajustei. Eu queria que ele me visse. Queria que ele sentisse isso. Queria que ele parasse de fingir que eu era invisível.
“Lucien”, continuei, com a voz mais suave, mas não menos quebrada, “estamos juntos há quatro meses e você não me toca. Você nem sequer me marca. Você só quer o título de me possuir, sem realmente me possuir.”
O olhar dele desviou, e a dor brilhou através do laço como uma faca. Ele sentiu algo. Culpa? Medo? Vergonha?
“Você só quer ter controle sobre mim”, eu disse calmamente, “mas você não me quer. Não de verdade.”
“Isso não é verdade.” A voz dele saiu baixa e tensa.
“Então o que é?”, perguntei, cruzando os braços firmemente sobre o peito. “O que está te impedindo de me tocar?”
A boca dele se abriu — como se quisesse dizer algo. A verdade. Um segredo. Algo pesado que pesava sobre ele e, talvez, sobre nós.
Mas então... exatamente como sempre... ele se fechou.
Ele balançou a cabeça. “Adele, não hoje à noite.”
Ele levantou da cama, pegou o laptop das minhas mãos e começou a se afastar.
O pânico me atingiu como um raio. Não de novo.
Não esse ciclo interminável. Não essa rejeição silenciosa que parecia garras arranhando meu coração.
“Para onde você vai?”, perguntei, com a voz falhando.
“Tenho trabalho para terminar.” O tom dele era monótono, controlado — controlado demais. “Vá para o seu quarto.”
Uma risada amarga escapou de mim. “Está claro que você não me quer, Lucien.”
Ele parou na porta, mas não se virou.
“Você nos fez ficar em quartos separados”, eu o lembrei, com a voz aumentando. “Você não me toca. Você não me beija. Você não me marca. Você mal olha para mim, a menos que eu te force a isso!”
Ele soltou um gemido de frustração. “Não isso de novo, Adele.”
“O que eu deveria fazer?”, eu chorei. “Apenas aceitar que meu companheiro não quer nada comigo? Que ele se recusa a me dizer por que não quer sequer me tocar?”
Silêncio.
Os ombros dele subiram e desceram uma vez, como se ele estivesse tentando se manter firme.
Então ele balançou a cabeça. “Te vejo de manhã.”
Meu coração se partiu ao meio.
Ele alcançou a maçaneta.
“Lucien”, sussurrei. “Por favor.”
Ele pausou.
Apenas pausou. Nem uma palavra. Nem um olhar.
E então...
Ele saiu.
A porta se fechou atrás dele. Suavemente. Suave demais.
De alguma forma, isso doeu mais do que se ele tivesse batido a porta.
Por um longo momento, apenas encarei a porta, com a respiração presa na garganta. Esperei. Tive esperança. Rezei para que ele voltasse. Para que dissesse algo — qualquer coisa — para fazer essa dor diminuir dentro de mim.
Mas nada aconteceu.
O silêncio me pressionou tão forte que as lágrimas finalmente rolaram.
Meus joelhos cederam e afundei no chão. A madeira fria tocou minha pele nua, mas mal senti. Puxei minhas pernas contra o peito, envolvi-as com os braços e encostei a testa nos joelhos.
O laço pulsava fracamente — rejeitado, confuso, ferido.
Exatamente como eu.
“O que você está fazendo comigo, Lucien?”, sussurrei para o quarto vazio.
Minha voz tremeu. Meu coração doeu. E eu me senti tão, tão sozinha.
“Por que você está fazendo isso comigo?”
As palavras ecoaram no silêncio.
E essa... foi a única resposta que tive.