O Diabo Russo

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Resumo

Alexei Katrova é o próximo na linha de sucessão da máfia russa e, em seu vigésimo primeiro aniversário, ele precisa encontrar uma esposa, ou seu pai o casará com a filha de uma das famílias criminosas menores. Ele tem apenas um ano para encontrar uma mulher que consiga amar com todo o seu coração e lhe contar a verdade sobre ser o próximo Don da máfia russa. Será que Alexei encontrará sua esposa a tempo, ou terá que se casar com uma filha mimada que ele detesta?

Gênero
Romance
Autor
SiennaRS
Status
Completo
Capítulos
24
Classificação
5.0 5 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo Um

Suspirei, conferindo minha aparência no espelho com o terno que meu pai queria que eu usasse.

Se eu não encontrar minha verdadeira rainha para ficar ao meu lado em um ano, vamos nos reunir com uma família para discutir uma união por casamento.

Não há nada que eu queira mais na vida do que conhecer uma mulher que me ame pelo que sou, e não pelo meu status e dinheiro como o próximo Pakhan russo da Bratva da minha família.

“Synok, ty gotov (Filho, você está pronto)?”

Dei uma última olhada no espelho, rezando para encontrar minha verdadeira rainha para governar ao meu lado antes de perder minha liberdade com a família Liubov.

“Da, otets (Sim, pai)”, respondi com firmeza, seguindo meu pai até o carro que nos levaria a um restaurante em Manhattan, Nova York.

Sentei-me recostado no banco de couro, sabendo que esse jantar seria um inferno e que a voz choramingas de Anastasia ia me irritar.

Estou em Nova York há alguns meses, frequentando a universidade ao lado do meu melhor amigo e segundo no comando.

Ainda não encontrei a mulher dos meus sonhos, vendo como Anastasia tem tentado afastar todas as outras de mim, alegando que estamos juntos.

“Synok, yest’ prichina, po kotoroy ya vybral etot restoran, naberis’ terpeniya (Filho, há um motivo para eu ter escolhido este restaurante, tenha paciência).” Olhei nos olhos do meu pai, me perguntando o que esse velho estava planejando.

“Pakhan, my priyekhali (Chegamos, Pakhan).”

Respirei fundo e devagar, me preparando para as próximas horas de tortura.

Saí do carro e segui meu pai até o pequeno restaurante italiano.

O nome chamou minha atenção, e me perguntei quem era o dono.

Fomos acomodados, esperando a outra família chegar.

Olhei ao redor e vi alguém saindo pelas portas vaivém dos fundos.

Não consegui respirar ao ver o anjinho de cabelo castanho cacheado preso num coque bagunçado, usando o uniforme escuro de garçom, sem maquiagem no rosto.

Não consegui tirar os olhos dessa belezinha e senti minhas mãos suando quando ela se aproximou da nossa mesa.

“Ah, de volta, senhor Katrova”,

Juro que a voz dela era suave como sininhos de igreja, tão leve e doce, e eu não conseguia me mexer com ela tão perto, quase colada em mim.

“Olá, querida. Espero que não esteja trabalhando demais, minha doce.”

Balancei a cabeça, ouvindo a voz gentil do meu pai com o anjo à nossa frente.

“Minha querida Eliana, quero apresentar meu filho. Este é Alexei, e acredito que vocês dois estudam na NYU.”

Percebi um tom diferente na voz do meu pai e respirei fundo, ouvindo a risada doce dela.

“Ah, é? Bom, é difícil me encontrar na maior parte do tempo, já que estou no curso de Artes Culinárias e fico quase sempre nos fundos do refeitório, cozinhando.” Meu anjinho deu uma risadinha, mostrando seu sorriso suave, e retribuí com um sorriso gentil, sem querer assustá-la.

“Estou no segundo ano de Administração e ainda sou novo no campus”, falei baixinho, querendo ouvir mais a voz dela.

“Ah, talvez eu possa ajudar com isso. Normalmente não tenho aulas até terça e quinta, e trabalho no refeitório da faculdade às sextas-feiras, na hora do almoço. Talvez eu possa ajudar e te mostrar o campus?”

Fiquei olhando para o rosto lindo dela, sem querer nada além de passar um tempo com ela.

Foi por isso que aceitei que ela me encontrasse no dia seguinte para me mostrar o campus, dei meu número e salvei o dela no meu celular como *moy angel* (meu anjo).

“Synok, pozvol’ mne razobrat’sya s Lyubov’yu i yego docher’yu (Filho, deixe que eu cuido do Liubov e da filha dele).”

Assenti e fui ver se Eliana estava disponível depois do trabalho para sairmos e nos conhecermos melhor.

Vi ela sentada em uma das mesas dos fundos, e desabotoei com cuidado o paletó do meu terno, colocando-o sobre a cadeira ao lado dela.

“Eliana?”, chamei na hora, vendo o corpo dela enrijecer por um instante, depois enxugar os olhos ao me olhar com um sorriso doce, os olhos um pouco vermelhos de tanto chorar.

Puxei a cadeira ao lado dela e segurei seu rosto entre as mãos, usando os polegares para enxugar suas lágrimas.

“O que houve, Krasivyy (Linda)?”, perguntei com carinho, tirando meu lenço e limpando o rosto dela, dando um beijo em sua bochecha.

“Meu irmão ficou bravo e começou a gritar comigo, como sempre, porque a namorada dele estava aqui e reclamou que eu a tinha magoado”, Eliana disse baixinho, fungando com lágrimas ainda nos olhos.

Puxei-a gentilmente para meus braços, abraçando-a contra meu peito e acariciando suas costas para acalmá-la.

Senti meu sangue ferver, sem entender como o próprio irmão dela podia virar as costas para ela por causa de uma piranha, em vez de proteger a própria irmã.

“Shh, querida. Estou aqui e nunca vou te deixar”, sussurrei, beijando sua têmpora.

Ficamos assim por alguns minutos, abraçados, e era tudo o que eu queria fazer com Eliana pelo resto da vida.

“Eliana, quer sair comigo quando terminar?”, perguntei, segurando-a no meu colo, com ela montada em mim, os braços ao redor do meu pescoço e a cabeça apoiada no meu peito.

“Claro, eu adoraria”, Eliana respondeu com seu sorriso doce.

Beijei sua testa, dei um tapinha na bunda dela e disse que esperaria ali até ela sair do trabalho.

Nem dois minutos depois, vi meu anjo correndo na minha direção, e me levantei rápido, pegando-a nos braços e erguendo-a pela cintura, com ela envolvendo minhas pernas e braços ao meu redor.

Apertei-a contra mim e ouvi seus soluços, com as lágrimas molhando meu pescoço quente, alimentando minha raiva, sabendo que aquele babaca do irmão dela era a causa das lágrimas do meu anjo.

“Shh, Moya lyubov’ (meu amor)”, murmurei, pegando meu paletó e envolvendo Eliana nele, garantindo que ela ficasse aquecida.

Levei-a para fora, vendo Ivan esperando com o carro, e entrei com cuidado no banco de trás, com meu anjo encolhida no meu colo.

“Ela está bem?” Assenti para Ivan, mandando-o ir para casa, pois não deixaria meu anjo lidar com isso sozinha.

“Ellie, querida, tudo bem irmos para a minha casa?”, perguntei, querendo a permissão dela antes de seguirmos.

“Podemos passar na minha casa primeiro? Preciso pegar minhas coisas.” Suspirei, apertando mais a cintura dela e dizendo a Ivan para ir até a casa dela.

Chegamos, e entrei com ela, enquanto Ivan ficou de guarda do lado de fora, atento a qualquer sinal de perigo.

“Eliana, fale comigo, querida”, pedi com carinho, tentando fazê-la se abrir.

“Valentino me expulsou, e agora preciso arrumar outro lugar para morar, já que este era o único que eu conhecia desde que nossos pais morreram quando eu tinha quatorze anos”, explicou Eliana.

“Sinto muito pela morte dos seus pais, querida, e pela forma como seu irmão tem te tratado”, falei, beijando sua cabeça e deixando-a arrumar suas coisas.

Peguei meu celular rapidinho, liguei para meu pai e contei o que pretendia fazer, pois não ia deixar meu anjo morar na rua, onde qualquer coisa podia acontecer com ela.

Synok, v chem delo (Filho, qual é o problema?)

Otets, ya perevozhu Eliannu v svoyu kvartiru, chtoby ona mogla byt’ v bezopasnosti i podal’she ot svoyego brata (Pai, vou levar a Eliana para o meu apartamento, para que ela fique segura e longe do irmão dela).

Eto normal’no, syn moy. Pozabot’sya o ney i skazhi yey pravdu, syn moy (Tudo bem, meu filho. Cuide dela e conte a verdade, meu filho).

Spasibo, otets (Obrigado, pai).

Desliguei o telefone e o guardei no bolso, observando Eliana se movimentar pelo pequeno quarto, juntando suas coisas com as mãos trêmulas.

Ela puxou uma mochila surrada debaixo da cama e começou a encher com roupas, movendo-se com eficiência silenciosa, apesar do nervosismo evidente.

“Precisa de ajuda, anjo?”, perguntei, chegando mais perto.

Ela balançou a cabeça, enxugando uma lágrima solitária com as costas da mão. “Estou acostumada a arrumar as coisas rápido.”

As palavras pesaram no ar entre nós. Quantas vezes ela já tinha sido obrigada a fazer isso? Apertei os dentes só de pensar no irmão tratando-a assim repetidas vezes.

“Eliana”, falei baixinho, aproximando-me enquanto ela fechava o zíper da mochila. “Você pode ficar comigo o tempo que precisar. Tenho bastante espaço.”

Ela hesitou, olhando para mim com incerteza nos olhos. “Não sei… Não quero ser um peso.”

Estendi a mão e segurei as dela com cuidado. “Você nunca seria um peso para mim. Nunca.”

Os olhos dela, ainda vermelhos de tanto chorar, procuraram os meus em busca de qualquer sinal de mentira. Não encontrando, seus ombros relaxaram um pouco.

“Tem certeza?”, sussurrou.

“Absoluta”, respondi, apertando suas mãos com carinho. “Deixa eu te ajudar com isso.”

Peguei a mochila dela e a coloquei no meu ombro, depois notei que ela olhava ao redor do quarto, como se conferisse se não tinha esquecido nada importante.

“Precisa de mais alguma coisa?”, perguntei.

Ela hesitou, então foi até a escrivaninha e abriu a gaveta de baixo. De dentro, tirou um caderno de receitas de couro gasto e uma foto emoldurada. Mesmo de onde eu estava, dava para ver que era uma Eliana mais nova com um casal mais velho — seus pais, sem dúvida.

“Alex, precisamos ir agora”, Ivan chamou do corredor.

“Só mais um minuto”, respondi, virando-me para Eliana, que agora apertava o caderno de receitas e a foto contra o peito, como se fossem tesouros preciosos.

“Pronto?”, perguntei baixinho.

Ela assentiu, erguendo um pouco o queixo, apesar dos lábios trêmulos. Meu anjo era mais forte do que imaginava.

Saímos apressados pelo corredor, e mantive o braço protetor ao redor dos ombros dela. Quando nos aproximamos da porta da frente, a expressão de Ivan me disse tudo o que eu precisava saber.

“Valentino está chegando”, ele disse em voz baixa.

Eliana enrijeceu ao meu lado. “Ele não devia voltar tão cedo.”

“A gente resolve isso”, garanti, apertando mais a mochila dela. “Ivan, prepare o carro.”

Enquanto Ivan se movia rápido até o carro, um sedã preto parou cantando pneu no meio-fio. Um homem parecido com Eliana desceu com uma loira oxigenada. “Aquela é a Sofia.”

“Então essa é a vadia que quer você fora de casa”, murmurei, posicionando-me levemente à frente de Eliana enquanto Valentino e Sofia se aproximavam. Senti Eliana tremer contra minhas costas, os dedos agarrando meu paletó.

Os olhos de Valentino se estreitaram quando nos viu na porta. “Que porra é essa?”, cuspiu, o olhar indo e voltando entre a irmã e eu. “Quem diabos é você?”

Endireitei-me em toda a minha altura, deixando que ele notasse meu terno sob medida e o cálculo frio nos meus olhos. “Alexei Katrova”, falei, a voz deliberadamente calma. “Estou ajudando a Eliana a pegar as coisas dela.”

Sofia bufou, jogando o cabelo oxigenado para trás. “Finalmente se livrando da sanguessuga? Já era hora.”

Senti Eliana estremecer com as palavras, e algo primitivo e protetor ferveu dentro de mim quando aquela vadia falou do meu anjo.

Dei um passo à frente, colocando-me completamente entre Eliana e o casal. A temperatura nos meus olhos caiu vários graus enquanto encarava Sofia.

“Cuidado com o que fala dela”, avisei, a voz baixa, mas carregando uma ameaça clara.

O rosto de Valentino se contorceu de raiva. “Quem diabos você pensa que é, vindo na minha casa e ameaçando a gente?”

“Sou o homem que vai garantir que a Eliana tenha um lugar seguro para ir depois que você a expulsou como lixo”, respondi friamente. “E eu não faço ameaças. Eu cumpro promessas.”

Sofia riu, mas soou forçado. “Val, amor, quem se importa? Deixa ela ir com o papai rico. Um problema a menos pra gente.”

Senti a mão de Eliana apertar meu paletó e estendi a mão para trás, dando um aperto tranquilizador nos dedos dela.

“Você devia ouvir sua putinha.”

O rosto de Valentino escureceu de raiva. Deu um passo à frente, os punhos cerrados. “O que foi que você disse?”

“Val, não”, Sofia sibilou, puxando o braço dele.

Não me mexi nem um centímetro, apenas o encarei com a frieza calculada que me foi ensinada desde criança. Atrás de mim, Eliana sussurrou: “Alexei, por favor. Vamos embora.”

Mas Valentino não tinha terminado. Cutucou o ar na minha direção com o dedo. “Você acha que eu não sei quem são os Katrova? Levar minha irmã pra debaixo da sua asa… qual é a sua jogada? Usar ela pra chegar até mim? Até o restaurante?”

Quase ri da arrogância dele. “O restaurante? Você acha que eu dou a mínima pro seu negócio de família?”

“Alexei”, Eliana pediu baixinho atrás de mim.

Estendi a mão para trás, dando a minha anjo a minha mão para apertar, sabendo que essa discussão não valia meu tempo.

“Vamos embora”, falei com firmeza, pegando a mão de Eliana e guiando-a até o carro. O jeito como ela tremia contra mim só aumentou minha determinação de tirá-la dali.

Valentino avançou, agarrando o braço de Eliana. “Você não vai a lugar nenhum com ele! Você acha que eu não sei o que homens como ele querem de garotas como você?”

Num movimento rápido, segurei o pulso dele, aplicando pressão suficiente para fazê-lo gemer e soltar Eliana. “Não. Toque. Nela. De novo.” Cada palavra caiu como gelo entre nós.