Rendida ao Bilionário

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Resumo

Quando a estudante de pós-graduação falida Gem-Rose Cole se torna a nova assistente executiva de Sebastian Blackwell, o impiedoso CEO bilionário que demitiu todas as assistentes antes dela, a química entre os dois se torna explosiva demais para ser contida. Presos por um contrato rígido de "proibição de relacionamento", eles são forçados a decidir o que é mais perigoso: quebrar as regras ou perder o controle um sobre o outro.

Status
Completo
Capítulos
45
Classificação
4.4 5 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - A Oferta

As portas do elevador deslizam suavemente com um sinal sonoro, revelando o último andar da Blackwell Global, um espaço que em nada se parece com o resto de Manhattan. Tudo é uma sombra polida: mármore preto, vidro fumê e uma iluminação tão sutil que sinto como se tivesse entrado em um segredo caro.

Meu estômago revira de nervosismo, e meus instintos de sobrevivência são momentaneamente esquecidos.

O aluguel vence em nove dias. O depósito da minha bolsa de estudos, em quatro. E minha conta bancária é, atualmente, um crime de guerra.

Agarro a pasta de couro que peguei emprestada com minha melhor amiga, Alana, e dou um passo à frente. A recepcionista não sorri; ninguém que trabalha tão alto na hierarquia precisa fazer isso. Ela apenas me examina, como se estivesse calculando quanto tempo eu vou durar.

Ninguém consegue manter este emprego. Três assistentes em dois meses. Uma delas durou apenas uma manhã.

“Gem-Rose Cole, para a entrevista das onze horas”, digo, tentando soar como alguém que não comeu miojo no café da manhã todos os dias desta semana.

A recepcionista toca em uma tela. “Ele vai atendê-la agora.”

Um frio percorre meus braços. Ele.

Sebastian Blackwell. Bilionário. CEO. Reputação: letal.

Li as histórias sobre contratos rescindidos, padrões impossíveis e o jeito que os funcionários começam a sussurrar no momento em que seu nome é mencionado. E a fotografia que acompanha cada perfil: mandíbula marcada, olhos frios, um homem feito para salas de reunião e campos de batalha, não para misericórdia.

A porta do seu escritório é pesada, intimidadora e linda. Levanto a mão para bater.

Ela se abre antes.

E lá está ele.

Sebastian Blackwell está parado na moldura da porta como um problema que ninguém conseguiu resolver, vestindo um terno cinza-chumbo sob medida. Cabelo escuro que parece controlado demais para ser um acidente. Olhos que me percorrem uma vez — não de forma preguiçosa, nem com interesse — mas com o foco afiado de um homem avaliando uma ameaça.

Por um segundo, esqueço por que estou aqui. Por um segundo, esqueço como respirar.

“Srta. Cole”, diz ele. Sua voz é baixa e precisa. Do tipo que desliza sob a pele e se instala. “Você foi pontual.”

“Eu... sim. Sou pontual.”

“Bom. Minha última assistente não era.”

Decido não perguntar o que aconteceu com elas.

Seu escritório é minimalista, com pouquíssimos móveis. Curado e exato. Uma parede de vidro revela a cidade, seu brilho contrastando com a tempestade de tons escuros do interior. Tudo parece deliberado, assim como ele.

“Sente-se”, diz ele.

Eu obedeço. Silenciosamente. Cuidadosamente.

Ele me estuda por trás de sua mesa, uma placa elegante de aço preto. “Seu currículo não é convencional.”

Engulo em seco. “O que quer dizer com...?”

“Quero dizer que você teve seis empregos de meio período no último ano. Tutora, barista, assistente de buffet, auxiliar de pesquisa, recepcionista e” — ele faz uma pausa, arqueando a sobrancelha — “embaladora de presentes profissional?”

Sinto meu rosto esquentar. “Sazonal.”

“E sua pós-graduação?”

“Estou na metade de um mestrado duplo em sociologia urbana e política econômica.”

Seu olhar se intensifica. “É por isso que você quer este emprego? O salário?”

Encontro seus olhos. “Sim.”

Algo passa por sua expressão. Não era diversão ou desdém, mas reconhecimento, talvez... uma breve percepção de uma fome que não é financeira.

Ele se levanta de repente, atravessando a sala até a janela. Com as mãos cruzadas atrás das costas, ele fala sem se virar.

“A maioria das pessoas quer algo quando vem trabalhar para mim. Acesso. Influência. Proximidade. Você? Você quer sobrevivência.”

As palavras atingem como se ele tivesse me aberto com o mínimo de esforço.

“Eu não faço joguinhos, Srta. Cole”, ele continua. “Não tolero erros. Não me repito. Minha assistente deve antecipar necessidades antes que eu as verbalize, manter sigilo absoluto e operar sob uma pressão que faria a maioria das pessoas desmoronar.”

Solto o ar lentamente. “Eu aguento a pressão.”

Ele se vira então, e o olhar que me dá é quase... perigoso.

“Aguenta mesmo?”

O ar fica denso. Não desvio o olhar.

“Sim.”

Um silêncio intenso se estende entre nós. Ele estava me avaliando.

Finalmente, ele volta para sua mesa e pega uma pasta. “Existe mais um requisito.”

Meu pulso dispara. “Ok.”

Ele desliza o documento pela mesa, mas mantém um dedo sobre ele, impedindo-me de levantá-lo.

“Este é um contrato vinculativo. Você o lerá completamente antes de assinar. A cláusula doze é inegociável.”

Passo os olhos pela página. Então paro.

12. Política Estrita de Não Fraternização Funcionário e empregador devem manter um relacionamento livre de envolvimento pessoal, romântico ou de outra natureza. A violação constitui rescisão imediata.

Minha garganta aperta. “Isso é... incomumente explícito.”

“Considerei necessário.”

“Você acha que eu vou tentar... fraternizar com você?”

Seus olhos descem para meus lábios — levemente, brevemente — e a temperatura na sala muda.

“Eu acho”, diz ele lentamente, “que os limites são mais críticos onde a tentação de cruzá-los é mais forte.”

Minha respiração falha.

Ele não sorri porque não precisa.

“Você aceita os termos, Srta. Cole?”

Eu assino.

Não porque eu confie nele ou ache que sou ingênua, mas porque há algo em sua voz, na maneira como ele me observa, como se eu fosse uma variável que ele não esperava, que parece o início de uma história da qual não posso me dar ao luxo de ficar de fora.

Quando deslizo o contrato de volta, seus dedos tocam os meus.

Uma faísca, afiada e instantânea — real demais.

Sebastian congela por uma pequena fração de segundo.

Então se retira.

“Bem-vinda à Blackwell Global”, diz ele, com o tom de voz frio novamente. Controlado. “Seu trabalho começa amanhã às sete.”

“Sete... da manhã?”

Seu olhar se torna mais severo, com o menor traço de um desafio. “Isso é um problema?”

“Não”, digo rapidamente. “De jeito nenhum.”

“Bom.” Ele me dispensa com um aceno... então faz uma pausa.

“E, Srta. Cole?”

“Sim?”

“Não confunda esta oportunidade com segurança.” Sua voz fica mais baixa, quase um aviso. “Trabalhar para mim tende a revelar os limites de uma pessoa.”

Mantenho seu olhar. “Talvez revele os seus também.”

Sua expressão muda, uma única rachadura de surpresa antes que a máscara se recomponha.

“Amanhã às sete”, ele repete.

Saio do escritório, com o coração batendo forte, as palmas das mãos úmidas e a mente caótica.

Consegui o emprego.

E já sei —

Vai me custar algo. Só não sei o quê ainda.