A Demon's Child – Livro 1

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Resumo

Em seu leito de morte, a vida de Lily está se esvaindo. Então, Daemon, um Demônio, aparece: perigosamente encantador, impossivelmente tentador. Sua oferta é impensável. Não poder, não glória — apenas uma maldita chance de viver. Tudo o que ela precisa fazer é dizer sim... e se tornar sua demon child, com algumas condições infernais, é claro. Ela encontra um demônio de língua afiada e sorriso perverso que beija como a salvação e faz caretas como a perdição. Ele promete proteção em um reino de fogo e presas e, por um momento imprudente, ela ACREDITA na ternura que oscila por trás do sorriso do demônio. Enquanto seu coração dispara pelo demônio que possui sua alma, o inferno proibido entre eles ameaça reduzir o próprio Inferno a cinzas.

Gênero
Romance
Autor
iyshire
Status
Completo
Capítulos
46
Classificação
5.0 8 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Ela estava morrendo. Naquela cama de hospital lúgubre. Cercada por aquele branco clínico estéril, por aquelas luzes fluorescentes fortes e por aquele quadro idiota e torto de um peixe tropical acima de sua cabeça. Ela estava morrendo e não podia fazer absolutamente nada a respeito.

Ela estava imóvel, toda enroscada em fios e tubos, parecendo pequena diante das máquinas que piscavam e apitavam com precisão mecânica.

Seu rosto era suave, delicado e estranhamente imóvel, voltado para a janela salpicada pela chuva, como se buscasse algo além das paredes do hospital. Liberdade, talvez. Ou apenas um momento que não parecesse com aquele.

A porta se abriu de um solavanco.

Um homem entrou como um furacão, de mandíbula marcada e cabelos escuros. O cheiro de pinho, frutas cítricas e fumaça vinha atrás dele como se fosse uma floresta em chamas. Seu jaleco branco balançava conforme ele se movia. Ele nem olhou para ela.

Ele arrancou a prancheta do suporte na parede; a caneta bateu contra o piso, quebrando o silêncio à força e fazendo-a estremecer.

Sem dizer uma palavra, ele se sentou na beira da cama como se fosse o dono dela, como se fosse o dono dela própria e até da porra do hospital inteiro. O colchão afundou com seu peso enquanto ele abria a ficha, cantarolando desafinado, totalmente absorto.

“Olá”, ela disse baixinho, conseguindo um sorriso educado apesar da invasão.

Ele não respondeu. Apenas resmungou, com os olhos fixos na página.

Ela olhou ao redor do quarto, subitamente consciente de como tudo parecia desolador. Um copo de purê de maçã, comido pela metade, estava abandonado na mesa de cabeceira ao lado de uma garrafa de água amassada. Seus pertences dobrados jaziam intocados na cama de visitante.

Aquela cama de visitante em que ninguém sentara. Ninguém a visitava há… ela não conseguia se lembrar. Apenas enfermeiras. Médicos. Pessoas pagas para cuidar.

E esse cara. Será que ele era um dos que se importavam? Ela o estudou. O cabelo dele era brilhante, escuro como tinta, com um estilo impecavelmente casual. Ele era alto, alto demais, e tinha o porte de um homem esculpido com precisão.

Sob o jaleco branco, um terno preto como a noite se ajustava aos ombros largos, com uma gravata escura impecavelmente atada ao pescoço. Ele parecia pertencer a uma passarela, não estar revirando seu prontuário médico.

Mas não foram as maçãs do rosto ou a mandíbula que a deixaram sem fôlego.

Foram os olhos dele. Escuros, indecifráveis, como fumaça envolvendo um segredo. Ela nunca o tinha visto antes. Tinha certeza disso. E, no entanto… ela o conhecia. Ou talvez apenas sentisse que o conhecia.

Médico. Ele devia ser um médico. Era a única coisa que fazia sentido.

Não era?

Então ele finalmente olhou para cima, virando para a primeira página. “É. Você está morrendo.” Ele disse isso como se estivesse lendo a previsão do tempo — casual, direto e com um toque de diversão.

“Lily, não é?” Ele arrastou a última sílaba do nome dela como se o gosto fosse bom em sua boca. Seus olhos voltaram para a ficha, conferindo, e depois retornaram ao rosto dela, estudando-a como se ela fosse a coisa mais interessante que ele tinha visto naquele dia.

O cabelo loiro claro dela estava uma bagunça, emaranhado de tantas noites mal dormidas e travesseiros implacáveis. Suas bochechas haviam perdido a cor, a pele estava pálida e quase translúcida sob as luzes estéreis.

Suas mãos estavam inertes ao lado do corpo, machucadas e sensíveis de tantas agulhas. Sombras pesavam sob seus olhos, e seu corpo murchou com a doença, mas, apesar de tudo isso, algo suave ainda permanecia. Frágil. Bonito.

“É verdade, doutor. Eu sinto que estou morrendo”, ela sussurrou.

Ele balançou o dedo para ela, de um jeito brincalhão e inquietante. “Ah, ah. Eu não sou médico.”

Os olhos dela se arregalaram.

Espere — o quê?

Ela piscou, a confusão dando lugar ao alarme. Se ele não era médico... então quem era ele? E o que estava fazendo ali, sentado em sua cama, revirando seu arquivo como se fosse dele?

Seu olhar deslizou para o botão de chamada da enfermeira ao seu lado. Talvez ela devesse apertá-lo.

“Eu sou um demônio”, ele disse, tão casualmente quanto alguém se apresentando em uma festa. “E estou aqui para te oferecer um acordo.”

Ela o encarou.

Ele sorriu como se aquilo acontecesse o tempo todo. “Você está morrendo. Essa parte é muito real. Mais alguns dias, talvez menos. E quando você partir, não irá para o céu nem para o inferno.”

Ele virou uma página com desleixo. “Sua alma ainda é jovem. Ainda cheia de vida. Então ela é reciclada, reencarnada em algum ser vivo aleatório. Regras do céu. Burocracia. Eu não as criei e não as imponho. Mas posso te ajudar a quebrá-las.”

Ele deixou a frase pairar no ar.

Ela não se moveu.

“Pode ser qualquer coisa”, acrescentou ele, estalando a língua. “Você pode voltar como um pássaro. Um cachorro. Ou, se a sua sorte for ruim — e vamos ser sinceros, ela é meio ruim — você pode acabar como outra garota doente. Aquela que passa a vida inteira em um quarto igual a este.”

Ele se inclinou. “Você realmente quer isso?”

Seus dedos se moveram em direção ao botão da enfermeira. Mas algo a impediu. Não era medo. Não exatamente. Havia algo no jeito que ele a olhava: calmo demais, certo demais.

E, no fundo, ela já sabia que ele estava certo. Ela estava morrendo. Sentia isso a consumindo há dias. A náusea que nunca passava. O peso nos ossos. Ela não precisava de uma prancheta cheia de gráficos para saber disso.

Quanto ao que vinha depois... ela não fazia ideia. Então ela não apertou o botão. Não gritou. Não entrou em pânico. Não conseguia, de alguma forma. Talvez estivesse cansada demais. Ou talvez — que Deus a ajude — ela quisesse acreditar nele.

Sem ter mais nada para fazer, e não muito a perder, ela decidiu entrar no jogo. “Então... um demônio, é?”

Ele assentiu e deu um meio sorriso.

Ela deixou a cabeça cair contra o travesseiro, os olhos vagando para o teto. “Eu li a Bíblia uma vez. Duas, na verdade. O livro inteiro.” Ela não mencionou que tinha feito isso por tédio. Ou desespero. “Dizem que os demônios mentem. Então, como sei que isso não é apenas um truque?”

“Você não sabe”, disse ele. “Mas sejamos realistas — você não tem exatamente muitas opções.”

Justo. Ela fez uma pausa, tentando encontrar um lado bom. “Bem... se tudo depende do acaso, depois que eu morrer, talvez da próxima vez eu tenha sorte. Talvez eu seja uma garota rica em uma mansão chique, com uma família amorosa e uma dúzia de melhores amigos.”

“Claro. Claro. Pode acontecer.” Ele disse: “Ou você pode voltar como uma minhoca. Ou uma samambaia.”

“Mas… mas por que não vou para o céu?”, ela disse. “Eu vivi uma vida boa. Eu fui boa.” Suas mãos subiram para o rosto, protegendo os olhos. “Eu acho.”

Ele não vacilou.

“Não. Minhas informações mostram que você não tem experiência de vida suficiente para ser julgada. Ainda não.” Ele recostou-se, casual como sempre. “Você será uma alma reciclada. Totalmente nova. Começando do zero.”

Ela afastou as mãos, com os olhos afiados. “Isso não é justo”, ela disparou.

A mão dele deslizou para a dela, suavemente, reverentemente, e ela congelou. Ele a segurou com tanta força. A mão dele era tão quente.

“Exatamente”, ele disse com ternura. “Não é justo. Você passou a vida inteira em hospitais. Entra e sai. Tubos. Remédios. Máquinas. Dor. Solidão. Tudo isso. Só para terminar aqui? Desse jeito?” Sua voz baixou, tornando-se mais íntima.

“Você merece mais. Não merece?”

Ela não conseguiu responder. Seu peito doía com a verdade disso.

“Eu, um poderoso demônio”, ele disse sem nenhum traço de ironia, “posso te oferecer um negócio melhor. Melhor do que girar a roleta da reencarnação e rezar para não voltar como um cogumelo.”

Ele fez uma pausa.

“Posso transformar você em um demônio. Logo antes de você morrer. Você viverá para sempre. Fará o que quiser. Sem doenças. Sem regras. Sem limites. Sem hospitais. Nunca mais.”

Ele apertou a mão dela novamente.

“E eu serei seu pai. Aquele que te dá sua nova vida, seu novo sangue. Tudo o que você vai me dever é um favor ocasional. Uma tarefa aqui e ali. Nada demais. Você será livre.”

Ela o encarou. Sua boca se abriu, mas nenhum som saiu.

Ele a observou de perto, satisfeito. Porque ela estava ouvindo agora. Ouvindo de verdade.

“Eu... eu não sei”, ela finalmente disse. “Isso é muita coisa.”

Era muita coisa. Ela nem tinha aceitado totalmente que estava morrendo e agora aquele homem — não, aquele demônio — estava oferecendo-lhe a eternidade. Poder. Liberdade. Uma saída. Uma segunda chance.

Seu coração batia forte, vazio e confuso. Aquilo era real? Ele era real? Ela podia acreditar em qualquer coisa daquilo?

Ele se inclinou para mais perto, sua voz parecia seda envolvendo a garganta dela.

“Diga sim, e você se tornará minha filha. Um demônio por direito próprio. Você terá a eternidade. Aventura. Tudo o que você sempre quis fazer nesta vida, você será capaz de fazer.”

As palavras pairaram pesadas no ar.

“Mas diga não...” O sorriso dele voltou, não tão caloroso desta vez. “E eu desaparecerei. Você morrerá nesta cama. E quem sabe? Talvez você volte como uma flor bonita.”

Ainda assim, ela hesitou. Mas ele podia ver. Ela estava perto. No limite. Não totalmente lá... mas quase.

“Você não precisa decidir agora”, ele disse, soltando a mão dela e levantando-se da beira da cama. “Voltarei em alguns dias — mais perto do fim. É quando precisarei da sua resposta.”

Ele afastou uma mecha de cabelo da testa dela, quase carinhoso.

“E Lily?”, ele acrescentou. “Escolha com cuidado.”

Sua voz tinha voltado ao seu tom habitual de distanciamento calmo. A oferta tinha sido feita. Para ele, o assunto estava encerrado. Mas, no momento em que ele se moveu para ficar de pé, ela se apoiou nos cotovelos, lenta e trêmula.

“Obrigada”, ela disse baixinho. “Por me dar uma escolha. Por me deixar escolher uma nova vida.”

Aquilo o parou.

Ele se virou, surpreso. Agora era a vez dele de encarar. Agora ele era quem tinha sido pego de surpresa. Ele limpou a garganta, ajeitando o paletó como se precisasse se recompor.