O ALPHA QUE SE RECUSOU A PEDIR DESCULPAS

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Resumo

Maya nunca acreditou em monstros. Ela acreditava em bibliotecas, prazos e em sobreviver à faculdade silenciosamente. Até que uma noite, nas profundezas da floresta atrás de uma casa Alpha, ela testemunha algo que nunca deveria ter visto. Um lobo. Um abate. Uma mordida que não foi um acidente. Agora seu corpo está mudando de maneiras que a ciência não consegue explicar. Seus sentidos estão mais aguçados. Suas feridas cicatrizam rápido demais. E cada momento longe de Jaxson Wilder — o implacável Alpha que a mordeu — parece uma crise de abstinência de uma droga que ela nunca concordou em tomar. Ele não pede desculpas. Ele não explica. Ele não suaviza a verdade. O toque dele é a única coisa que interrompe a dor. A presença dele é a cura — e o veneno. Presa em um vínculo que ela nunca escolheu, forçada a viver sob o mesmo teto que o lobo que se recusa a sentir remorso, Maya deve decidir o que a aterroriza mais: Perder a si mesma para o Alpha que a reivindicou... — ou sobreviver sem ele. Porque algumas mordidas não transformam você em um monstro. Elas tornam você dependente de um.

Gênero
Fantasy
Autor
MITHUN
Status
Completo
Capítulos
20
Classificação
4.4 8 avaliações
Classificação Etária
18+

1

O grave não era apenas um som; era uma agressão física.

Ele batia contra minha caixa torácica, fazendo meus dentes tremerem e vibrando através das solas do meu Converse surrado. O ar na casa da Delta Sigma era um coquetel tóxico de cerveja barata, colônia cara e o cheiro inconfundível e úmido de trezentos corpos suados se esfregando uns nos outros.

Eu odiava aquilo. Odiava cada molécula daquela situação.

“Maya! Para com essa cara de quem está em um velório!”, Chloe gritou acima da batida estrondosa de um remix que eu não reconhecia. Ela passou o braço pelo meu pescoço, e seu peso ameaçava nos derrubar em uma mesa próxima, cheia de copos vermelhos descartáveis amassados. “Essa é a casa dos Alpha! Você tem noção de quão difícil é entrar na lista para uma festa dos Wilder?”

“Eu gostava mais de quando não estávamos na lista”, respondi gritando, embora minha voz tenha sido engolida instantaneamente pelo barulho.

Chloe apenas sorriu, sua sombra de glitter brilhando sob as luzes estroboscópicas. Ela estava em seu elemento — um demônio do caos de minissaia. Eu, por outro lado, vestia um suéter cinza escuro grande demais e jeans, segurando um copo de água com gás morna como se fosse uma relíquia sagrada me protegendo da interação social.

“Viva um pouco, Maya! Tem uma energia puramente primal aqui dentro!”, Chloe riu, girando para dançar com um cara que parecia passar mais tempo levantando peso na academia do que estudando para as provas.

Primal. Essa era uma palavra para definir aquilo.

Pressionei minhas costas contra a parede, tentando ficar o mais invisível possível. A Blackwood University era prestigiosa, antiga e estranhamente isolada, enfiada nas profundezas das cordilheiras do Noroeste Pacífico. A paisagem era gótica e linda, perfeita para uma bolsista como eu, que só queria ficar na sua, conseguir o diploma em História de Arquivos e ir embora.

Mas a hierarquia social aqui era… estranha. Intensa.

Os caras dessa casa — os “Wilders”, como todos os chamavam, embora apenas um deles tivesse realmente esse sobrenome — eram os reis. Eles eram grandes demais, rápidos demais e bonitos demais de um jeito que me deixava nervosa. Eles andavam pelo campus como se fossem donos de tudo, e todos os outros apenas abriam caminho como o Mar Vermelho.

Analisei o ambiente, minha mente tentando encontrar um padrão no caos. Vi rostos corados pela embriaguez, pupilas dilatadas, mãos agarrando cinturas. Era um mar de excessos.

E então, eu senti.

Não foi um som. Foi uma sensação, como eletricidade estática passando pela nuca. Os pelos dos meus braços se arrepiaram.

Olhei para a escadaria imensa no final do salão principal.

Ele estava parado no patamar, olhando para a festa como um monarca observando um reino particularmente decepcionante.

Jaxson Wilder.

Mesmo do outro lado do salão, através da fumaça e das luzes estroboscópicas, ele era aterrorizante. Ele era mais alto que todos, com ombros largos o suficiente para bloquear a luz atrás dele. Vestia uma camiseta preta simples que tensionava sobre o peito e jeans escuros. Seu cabelo era preto, bagunçado de um jeito que parecia intencional, e seu rosto era uma máscara de indiferença entediada e letal.

Mas foram seus olhos que fizeram meu coração parar. Mesmo àquela distância, eles pareciam captar a luz — âmbar, brilhantes, predatórios.

Ele escaneou a multidão, seu olhar varrendo os corpos que se contorciam. Então, abruptamente, sua cabeça girou em minha direção.

Eu congelei. Era impossível. Havia centenas de pessoas entre nós. Eu era apenas uma sombra contra a parede. Mas, por um segundo, senti-me imobilizada. Alvo de algo. O ar nos meus pulmões virou gelo. Ele não piscou. Não sorriu. Ele apenas… olhou. Parecia menos um olhar e mais uma aquisição de alvo.

Então, uma garota loira de vestido vermelho tropeçou nos degraus e agarrou seu bíceps, sussurrando algo em seu ouvido. A conexão se quebrou. Jaxson virou-se, sua expressão escurecendo, e ele desapareceu pelo corredor do segundo andar.

Soltei o fôlego que nem sabia que estava prendendo. Minhas mãos tremiam.

“Ok”, murmurei para mim mesma. “É isso. Já deu para mim.”

Eu precisava de ar. Precisava de silêncio. Se ficasse nesta casa mais um minuto, eu teria uma crise de pânico.

Tentei acenar para Chloe, mas ela estava ocupada tomando tequila no abdômen de alguém. Mandei uma mensagem: Preciso de ar. Indo lá fora. Não morra.

Empurrei a parede e comecei a jornada árdua até a saída dos fundos. Desviei de membros balançando e bebidas derramadas, mantendo os olhos no chão. Quando finalmente atravessei as portas francesas para o pátio, a queda na temperatura foi um alívio.

Era fim de outubro, e o ar da noite estava fresco, cheirando a terra úmida e folhas em decomposição. O pátio estava cheio de fumantes e casais se beijando nas sombras, então continuei andando. Saí do concreto e fui para o gramado extenso que levava ao limite da propriedade.

A música ainda estava alta ali fora, um som abafado que vibrava no chão. Eu precisava fugir daquele grave. Precisava pensar.

Passei pelas sebes bem cuidadas, pela velha fonte de pedra, em direção à linha das árvores.

A Reserva Blackwood fazia fronteira com o campus. Eram milhares de acres de floresta protegida — pinheiros densos e antigos que chegavam a dezenas de metros de altura. Tecnicamente, era proibido que estudantes entrassem na floresta à noite, mas todo mundo fazia isso. Geralmente para fumar ou se pegar.

Esta noite, a linha das árvores parecia uma parede de tinta. A lua estava quase cheia, lançando sombras longas e esqueléticas sobre a grama, mas a luz parecia não penetrar na floresta.

Parei na borda das árvores, enrolando meu suéter com mais força. O silêncio ali era pesado. Não estava vazio; ele estava observando.

“Só cinco minutos”, sussurrei. “Acalme-se, reinicie, volte, arraste a Chloe para fora.”

Dei um passo floresta adentro. Depois outro.

O som abafado da festa desapareceu mais rápido do que deveria. As árvores pareciam engolir o barulho, isolando-me em um cobertor de agulhas de pinheiro e sombras. O ar era mais frio ali, mais cortante. Tinha um cheiro mais animalesco, como pelos molhados e ozônio.

Andei até que as luzes da festa fossem apenas um brilho fraco atrás de mim. Encontrei um tronco caído e sentei, apoiando a cabeça nas mãos.

Por que deixei ela me trazer aqui?, critiquei a mim mesma. Tenho uma prova sobre a Revolução Industrial em dois dias. Eu deveria estar estudando, não me escondendo em uma floresta de filme de terror.

Crack.

O som foi tão alto quanto um disparo de arma no silêncio.

Levantei a cabeça subitamente.

Veio de mais fundo na floresta. À minha esquerda.

“Olá?”, chamei, com a voz tremendo levemente. “Se vocês estão se pegando, prometo que estou indo embora. Não quero ver nada.”

Silêncio.

Então, um som baixo e vibrante. Era profundo demais para uma garganta humana. Parecia pedras sendo moídas no subsolo. Um rosnado.

Meus instintos de sobrevivência, geralmente adormecidos na segurança da biblioteca, vieram à tona. Corra.

Levantei-me, virando-me para voltar em direção às luzes da casa.

Tum.

Algo massivo atingiu o chão na clareira logo depois de um grupo de carvalhos espessos. Parecia um saco de cimento sendo jogado de uma janela de segundo andar.

Contra o meu bom senso — contra cada sinapse lógica disparando no meu cérebro — eu não corri. A curiosidade, a falha fatal de todo historiador, prendeu meus pés. Arrastei-me até os carvalhos, espiando ao redor da casca grossa.

Havia uma pequena clareira banhada pelo luar.

E lá estava Jaxson Wilder.

Ele estava sem camisa agora, sua pele pálida como mármore ao luar, brilhando de suor. Ele estava em pé sobre outro homem — um cara que eu não reconhecia. O estranho também era grande, com a cabeça raspada e uma jaqueta de couro, mas ele parecia aterrorizado. Ele estava recuando na terra, com sangue escorrendo pelo nariz.

“Eu não sabia!”, o estranho ofegou, cuspindo sangue. “Eu juro, Wilder, eu não sabia que ela estava marcada!”

Jaxson não falou. Ele caminhou em direção a ele. O movimento estava errado. Era fluido demais. Predatório demais. Sua coluna parecia ondular sob a pele.

“Você cruzou a fronteira”, disse Jaxson. Sua voz não era o estrondo profundo que ouvi na biblioteca ou nas salas de aula. Era distorcida, em camadas, como se duas vozes estivessem falando ao mesmo tempo — uma humana, uma… algo diferente. “Você entrou no meu território. Você tocou no que é meu.”

“Foi um erro!”, o homem gritou.

Jaxson avançou.

Aconteceu tão rápido que meus olhos não conseguiram acompanhar. Em um segundo, Jax estava a um metro e meio de distância; no outro, ele estava com o homem pela garganta, batendo-o contra uma árvore com força suficiente para balançar os galhos acima. Folhas choveram sobre eles.

“Por favor”, o homem engasgou, com as pernas chutando o ar inutilmente. “Não. Não deixe isso sair.”

Jaxson estava de costas para mim. Observei os músculos em seus ombros se contraírem e espasmarem. Ele estava tremendo, um tremor violento que começava em seu núcleo e irradiava para fora.

Ele jogou a cabeça para trás e soltou um som que gelou meu sangue. Era um grito, mas que se dissolveu em um rugido.

E então, seu corpo se quebrou.

Tapei a boca com a mão para abafar um grito.

Observei, paralisada de horror, enquanto os ossos de Jaxson estalavam de forma audível. Sua coluna arqueou em um ângulo impossível. O som de carne sendo rasgada preencheu a clareira — úmido e nauseante. Ele caiu de mãos e joelhos, mas suas mãos estavam mudando. Os dedos se alongaram, estalando e se remodelando, as unhas explodindo em longas garras negras.

Pelos escuros irromperam de sua pele como um vídeo em time-lapse de mofo consumindo uma fruta. Eles explodiram ao longo de sua coluna, cobrindo seus ombros, seus braços. Suas roupas não apenas rasgaram; elas se desfizeram, caindo em farrapos.

O homem encostado na árvore gritava agora, tentando escapar, mas era lento demais.

A coisa que antes era Jaxson Wilder havia desaparecido. Em seu lugar, estava um monstro.

Era um lobo, mas essa palavra parecia terrivelmente insuficiente. Era enorme — facilmente do tamanho de um pônei. Sua pelagem era negra como a meia-noite, engolindo o luar. Seus ombros eram formados por músculos retesados que pareciam duros como ferro.

O lobo virou a cabeça.

Seu focinho era longo, os dentes à mostra em um rosnado que exibia adagas brancas e afiadas. Mas os olhos… os olhos eram os mesmos. Âmbar, ardentes e inteligentes.

O estranho tentou correr.

O lobo não apenas o perseguiu; ele eliminou a distância. Era um borrão de sombra negra. Ele derrubou o homem, com as mandíbulas se fechando em torno de seu ombro.

O grito foi interrompido enquanto o homem era jogado contra o chão. O som de ossos quebrando ecoou pelas árvores.

Fechei os olhos com força, lágrimas escorrendo, meu coração batendo contra minhas costelas tão forte que achei que elas fossem quebrar. Isso não é real. Alguém batizou a bebida. Estou alucinando. Estou tendo um surto psicótico.

Esperei pelos sons do assassinato. Esperei pelo som úmido de carne sendo rasgada.

Mas o silêncio caiu novamente.

Pesado. Opressor. Total.

Mantive meus olhos fechados enquanto contava até dez. Um. Dois. Três…

Eu só precisava me afastar. Lentamente. Em silêncio. Eu voltaria para o dormitório, trancaria a porta e nunca mais falaria sobre isso. Eu pediria transferência de faculdade. Eu me mudaria para a Antártida.

Abri meus olhos.

A clareira estava vazia do homem. O corpo dele tinha sumido — arrastado para longe, ou talvez ele tivesse conseguido se arrastar para fora enquanto eu estava com os olhos fechados.

Mas o lobo permanecia.

Ele estava parado no centro da clareira, ofegante. Vapor subia de sua pelagem negra para o ar frio da noite.

E ele estava olhando diretamente para o carvalho atrás do qual eu estava escondida.

Parei de respirar.

O lobo abaixou sua cabeça maciça. Ele farejou o ar. Um rosnado baixo começou em seu peito, vibrando pelo chão e entrando pelos meus sapatos.

Ele deu um passo em minha direção. Depois outro. Suas patas não faziam nenhum som sobre as folhas secas. Ele se movia com uma graça aterrorizante, uma elegância letal.

Eu não conseguia me mover. Meu corpo havia me traído, travando meus músculos em um rigor de terror.

O lobo contornou a árvore.

De perto, era avassalador. O calor que irradiava dele era intenso, como estar ao lado de uma fornalha aberta. Eu conseguia sentir o cheiro metálico de sangue em sua respiração. Olhei para cima — bem para cima — naqueles olhos âmbar. Não havia humanidade neles. Apenas instinto. Apenas violência.

Ele pairava sobre mim, bloqueando a lua.

Pressionei minhas costas contra a casca áspera do carvalho, tremendo tão violentamente que meus dentes batiam.

“Jax?”, sussurrei. O nome parecia estúpido, absurdo na minha língua.

O lobo estremeceu. As orelhas se achataram contra seu crânio. Ele soltou um rosnado que espirrou saliva quente no meu rosto. Ele se inclinou, com seu focinho úmido e negro a centímetros do meu pescoço.

Ele inalou profundamente.

Fechei os olhos novamente, esperando a mordida. Esperando o fim.

Em vez disso, senti uma língua quente e áspera passar pelo ponto de pulsação do meu pescoço.

Não foi um beijo. Foi uma prova.

Meus joelhos falharam e eu deslizei pelo tronco da árvore, atingindo a terra. O lobo me seguiu, pairando sobre minha forma encolhida. Ele rosnou novamente, mas desta vez o som era diferente. Não era apenas agressão. Era… possessivo. Frustrado.

De repente, o lobo convulsionou. Ele se afastou, sacudindo a cabeça como se estivesse com dor. O som de rachadura retornou — ossos se realinhando, remodelando-se.

Eu não conseguia assistir à transformação reversa. Enterrei meu rosto nos joelhos, soluçando baixinho.

“Olhe para mim.”

A voz era humana, mas crua, rouca, como se sua garganta tivesse sido dilacerada.

Balancei a cabeça, recusando-me a olhar para cima.

“Maya. Olhe para mim.”

Uma mão agarrou meu queixo. Era uma mão humana, grande e calejada, mas escaldante. Ele forçou minha cabeça para cima.

Jaxson estava ajoelhado na minha frente. Ele estava completamente nu, alheio ao frio, seu corpo coberto de suor e manchas de um sangue que não era dele. Seu peito subia e descia com o esforço. Seu cabelo estava selvagem, caindo sobre seus olhos.

Mas seus olhos eram aterrorizantes. O brilho âmbar não tinha desaparecido. As pupilas estavam dilatadas, eclipsando a íris. Ele parecia drogado. Desequilibrado.

“Você”, ele respirou, encarando-me como se eu fosse um fantasma. Ou uma refeição. “Por que você está aqui?”

“Eu… eu só estava tomando um ar”, gaguejei, minha voz falhando. “Eu não sabia. Juro, Jax, não vou contar para ninguém. Eu não vou…”

“Você cheira”, ele interrompeu, inclinando-se para mais perto. Ele enterrou o rosto na curva do meu pescoço, inalando profundamente. “Deus, você cheira a… caos.”

“Por favor”, eu choraminguei, tentando empurrá-lo. Minhas mãos entraram em contato com seu peito nu. Sua pele queimou minhas palmas. Sob suas costelas, seu coração batia em um ritmo frenético, como o de um beija-flor.

Ele recuou, com a mandíbula cerrada. Ele parecia estar sentindo dor física. Uma veia pulsava em sua têmpera.

“Corra”, ele disse entre dentes serrados.

Eu o encarei. “O quê?”

“Corra!”, ele rugiu, o som ecoando pelas árvores. Ele agarrou a própria cabeça, os dedos cavando em seu couro cabeludo. “Fique longe de mim. Agora!”

Não precisei que me dissessem duas vezes.

Levantei-me aos tropeços, escorregando nas folhas úmidas. Virei-me e corri. Corri cegamente, com galhos chicoteando meu rosto, rasgando minhas roupas. Não olhei para trás.

Mas eu podia ouvi-lo atrás de mim.

Eu podia ouvir o baque pesado de passos que eram rápidos demais para serem humanos. Podia ouvir a respiração ofegante chegando cada vez mais perto.

Ele não ia me deixar ir.

Saí da mata e voltei para o gramado bem cuidado da casa da fraternidade. A música ainda estava alta, a festa ainda acontecia, alheia ao pesadelo que se desenrolava a vinte metros dali.

Corri em direção à luz, com os pulmões queimando.

Quase lá. Só preciso chegar até a multidão. Ele não vai me machucar na frente das pessoas.

Eu estava a três metros do pátio quando o peso me atingiu.

Não foi uma investida. Foi um abraço, brutal e rápido. Braços fortes envolveram minha cintura, tirando-me do chão. Minhas costas bateram contra um peito duro e quente.

Jaxson me virou, arrastando-me para as sombras sob a grande escadaria de pedra do pátio, escondida dos convidados da festa acima. Ele me prendeu contra a pedra fria, seu corpo enjaulando o meu.

“Eu te disse para correr”, ele sussurrou, com a voz trêmula. Ele vibrava contra mim, seu controle se rompendo como um galho seco.

“Eu corri”, solucei. “Eu tentei.”

Ele olhou para mim, com os olhos selvagens. Ele olhou para minha boca, depois para meu pescoço. Ele soltou um gemido baixo e gutural que soou como pura necessidade.

“Tarde demais”, ele gemeu. “É tarde demais.”

Ele abaixou a cabeça.

Senti sua respiração contra a pele sensível onde meu pescoço encontrava meu ombro. Senti seus dentes roçarem minha pele, afiados e ameaçadores.

“Jax, não—”

Ele não ouviu.

Com um rosnado que vibrou por todo o meu esqueleto, ele mordeu.