O Ômega Enjaulado (BL)

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Resumo

Aos dezesseis anos, Vayson Cambell foi exilado de sua alcateia antes mesmo de nascer. Filho de dois pais — um beta e um alfa —, o garoto é considerado proibido. Mas o conselho decidiu permitir o retorno dele e de seus pais sob uma condição, da qual nem Vice nem Kayson têm conhecimento: Vayson deve permanecer virgem. Quando completar dezoito anos, ele será entregue ao membro mais velho do conselho, enquanto Kayson e Vice serão executados. Vayson se tornará escravo do velho até a morte, arrastado por seu sofrimento. Mas o que acontece quando tudo começa a desmoronar? E se Vayson se apaixonar pelo seu melhor amigo e se tornar um pai adolescente — exatamente o desfecho que seus pais tentaram evitar? Será que isso fará alguma diferença? Afinal, o conselho espera há nove anos para destruir a todos eles.

Status
Completo
Capítulos
23
Classificação
4.3 7 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Este é o segundo livro de The Beta's Mistake.

______

Minha casa é sempre um caos. Tenho dois pais — tecnicamente três, se você contar o Tio Max. Ele é o melhor amigo do meu pai e me ajudou a crescer até que meu pai aparentemente saiu da cadeia e voltou para ficar comigo e com meu outro pai. Com ele vieram três de seus filhos, e ele ainda tem outro a caminho. Depois, tem meu Tio Landon, que se apaixonou pelo Max e engravidou.

Ha — eu sei, é muita coisa. Pelo menos eu tenho meu próprio quarto.

Eu acabei de bater o carro do meu pai hoje e, aparentemente, encontrei um velho amigo de infância, August. Eu nem me lembro dele porque nos mudamos quando eu tinha uns sete anos ou algo assim. Peguei o número dele, mas meus pais vão me matar se descobrirem. Eu não deveria falar com um alfa, porque sou um ômega e posso engravidar.

Meu pai é um beta, o que é raro, já que ele engravidou de mim, e meu outro pai — a quem chamo de Deddy — é um alfa. É uma longa história, mas, aparentemente, não tenho permissão para fazer nada, porque ficou decidido que, se voltássemos para nossa alcateia, eu não poderia ficar com ninguém. O que não é justo. Se dependesse de mim, eu teria ficado longe.

Meu celular começa a tocar e eu vou devagar até a porta, abrindo-a uma frestinha. Não tem ninguém por perto, e consigo ouvir as crianças gritando lá embaixo. Fecho a porta silenciosamente e pego meu celular. Meu coração bate forte no peito. Nunca falei com um cara pelo telefone antes, tirando meu melhor amigo, Eddie. Meus pais são super rígidos e eu estou praticamente preso em uma jaula.

Eu atendo.

“O—oi?”

“Ei, e aí?”

Quase desligo. A voz dele é grossa, com um tom rouco — bem mais grave do que era antes.

“Hum—nada. Eu... quer dizer, o que você está fazendo?”

Por que eu sou tão lerdo? Mal consigo falar.

“Espera aí. Desliga que eu vou te chamar no FaceTime,” ele diz, e antes que eu possa responder, ele desliga.

Largo o celular e corro para o espelho, passando os dedos pelo cabelo e checando meu rosto para garantir que estou com uma aparência mais ou menos decente. Meu celular começa a vibrar no tapete. Volto correndo, pego o aparelho e atendo a chamada de vídeo.

Ele está sentado em um balcão da cozinha, comendo uma tigela de Captain Crunch.

“Oi.” Ele sorri antes de colocar a colher na boca. “Espero que não se importe. Acabei de chegar do trabalho e estava comendo, mas queria muito falar com você. Não consegui parar de pensar em você depois que te vi de novo.”

Minhas bochechas doem de tanto sorrir. “É, eu também.” Deito na cama, segurando o celular. “Então, tipo... quantos anos você tem?” Não me lembro de absolutamente nada sobre ele.

“Dezoito. Quantos anos você tem agora?” ele pergunta, enfiando outra colherada na boca.

“Dezesseis. Então, acho que se eu tinha sete, você tinha uns nove?”

“Mm.” Ele concorda com a cabeça, mastigando. Depois de engolir, ele diz: “Não me lembro de tudo — tipo, não de cada detalhe — mas lembro de você. E estou muito feliz por termos nos reencontrado. Por que você não pode falar com alfas? Sei que seu pai é um. Eu me lembro dele.”

“Meu pai?” Arqueio as sobrancelhas.

“É. Lembro vagamente que ele me odiava. Ele apareceu na minha festa de aniversário ou algo assim, e acho que ele percebeu que eu era um alfa. Ele não gostou nada disso,” August dá de ombros.

Isso me faz sentir muito mal.

“Meu Deddy não gosta de ninguém, exceto do meu pai. Às vezes, parece que ele não gosta nem de mim...” Eu paro de falar e balanço a cabeça. “Mas eu sei que ele gosta. Ele só não quer que eu me meta em confusão.”

August sorri. “Eu entendo. Então me conta — em que escola você estuda?”

Digo o nome da minha escola e ele assente. “Eu também—”

“Sério?!” Meus olhos se arregalam. “Isso significa que podemos nos ver!” Faço uma pausa, percebendo de repente o quanto pareço empolgado. “Digo... se você quiser nos ver.” Coloco a mão atrás da cabeça, envergonhado.

“Eu adoraria te ver, gracinha,” ele diz, e sinto minha alma pegar fogo. “Só me manda uma mensagem quando chegar na escola amanhã. Odeio ter que desligar agora, mas estou cansado. Estou muito feliz por ter te visto de novo, Vayson. Boa noite.”

“Eu também estou feliz por te conhecer, August,” eu sorrio. “Boa noite.”

Desligo o FaceTime e caio para trás na cama, soltando um longo suspiro. Pego meu travesseiro e grito nele.

É essa a sensação de ter uma paixonite?!

Se for... é incrível.

~*~

POV do Vice.

Isso deve ser meu karma. Ele me faz andar de um lado para o outro na minha própria sala.

“Então me diz o que aconteceu de novo?! Como assim nosso filho estava falando com um alfa?” eu explodo, olhando para Kayson, que está esticado no sofá, lendo como se isso não fosse grande coisa.

“Vice, você está fazendo tempestade em copo d'água. Ele tem dezesseis anos. Podemos conversar com ele e dar um sermão, mas não podemos sufocá-lo. Ele vai acabar criando rancor de nós. Você lembra como era ter dezesseis anos?” ele pergunta.

Penso sobre isso. “...Você tem razão.”

“Obrig—”

“Vou pregar a porta do quarto dele!” Saio pisando fundo.

“Vice!” Kayson sibila.

Sibila o quanto quiser, Kayson. Vou proteger meu filho daqueles alfas tarados.

____

Bato na porta de Vayson, mas ele não responde. Empurro devagar e paro quando o vejo já dormindo na cama. Uma mão repousa ao lado do rosto dele enquanto me aproximo e sento na beira do colchão.

Eu o observo. Ele me lembra tanto o Kayson. Mesmo sendo um beta, Kayson se apaixonou por mim tão facilmente. Meu maior medo é que meu filho encontre seu companheiro e essa pessoa não se importe com ele como deveria. Nenhum pai quer ver o coração do filho partido — mas não do jeito que eu quero. Vou destruir qualquer um que tentar machucá-lo.

Ele é meu único filho. Um presente que nem deveria ter existido, para começo de conversa.

O celular dele acende e eu o pego.

O entregador de pizza: >Ei, não esquece de me mandar mensagem de manhã.<

Franzo o nariz. Que diabos é isso?

“Amor?” Levo o celular de Vayson para a sala e estendo para Kayson, que me olha em choque.

“Você mexeu no celular dele?!” ele dispara.

“Graças a Deus que eu mexi, porque nosso filho está trocando mensagens com o entregador de pizza!” eu sibilo de volta.

Ele pega o celular da minha mão. “Bom, sorte a dele. Talvez seja um beta. Agora vai lá devolver o celular dele.” Ele volta a ler como se não fosse nada.

Ele está agindo como se nem se importasse!

“Am—”

“Não quero mais ouvir isso, Vice,” ele me corta. “Temos que confiar no nosso filho. Ele sabe que somos os pais dele e que o que dizemos é lei. Ele não faria algo pelas nossas costas. Ele é um ômega, mas antes de tudo é nosso filho. Então, vá devolver o celular dele — e depois você pode me dar uma massagem nas costas,” ele acrescenta com um sorriso de lado.

Eu o encaro.

...Ah. Gostei dessa ideia.

Subo as escadas e coloco o celular de Vayson para carregar. Puxo as cobertas com cuidado e o arrumo na cama. Faço uma pausa.

**Flashback—**

Depois que saí da prisão, descobri onde meu filho estudava. Fiquei do lado de fora por horas, esperando. Não queria ver o Kayson naquela época — eu sabia que ele estava chateado comigo. Ele achava que eu tinha fugido, quando na verdade eu estava preso.

Quando a turma dele saiu para o recreio, não consegui me segurar. Fui até a cerca e me agachei. Ele estava sentado sozinho na grama, brincando com carrinhos de brinquedo que tinha trazido da sala de aula.

Eu nem sabia o nome dele. Lembrei do Kayson o chamando de Vayson — uma mistura dos nossos nomes — então arrisquei.

“Vayson?”

Para meu alívio, ele olhou para cima. Acenei para ele vir, e ele ficou parado antes de caminhar devagar em minha direção.

Eu o encarava enquanto estava agachado atrás da cerca, com meus dedos entrelaçados pelos buracos da tela.

“Oi. Eu sou seu papai,” eu disse suavemente.

Ele me encarou. “Não, você não é. Meu papai é meu papai, e—”

“Sim, eu sou. Aqui...” Engoli em seco. “Coloque sua mão na cerca, que eu vou colocar a minha também.”

Pressionei minha mão contra o metal.

Ele me observou por um momento, depois levantou sua mãozinha e a colocou sobre a minha.

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**Fim do flashback—**

“Por favor...” Minha voz treme enquanto olho para ele. “Não cresça tão rápido.”

Eu me levanto devagar e saio do quarto, fechando a porta atrás de mim.