Proibido Amar (Kookmin+18)

Resumo

Uma antiga paixão, um segredo e uma regra impossível de quebrar: nunca se apaixonar pelo irmão do seu melhor amigo. Quando Jimin começa a faculdade, reencontrar Jungkook Jeon desperta uma atração que nunca desapareceu. O que começa como algo proibido e sem compromissos logo se transforma em algo muito mais profundo do que esperavam. Mas alguns segredos têm um preço… e manter este poderia custar-lhes tudo.

Gênero
Romance
Autor
Solyluna
Status
Completo
Capítulos
30
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Prólogo

Jimin

Foi pouco antes do amanhecer, mas algo me fez sentar na cama, ereto. Olhei para a janela e fiquei atento ao que quer que tivesse me acordado, mas tudo o que ouvia era o meu coração batendo nos ouvidos. Claro, o ambiente era diferente, mas já estava acostumado. Era a minha viagem anual de verão com a família Jeon. Eles tinham uma casa de campo, que, na verdade, parecia mais um grande lago nos arredores de San Diego. Meu melhor amigo, Joe, começou a tradição de me convidar há uns seis anos, quando tínhamos dez e onze anos.

Talvez tenha sido isso que despertou nosso amor pela natação. Afinal, tínhamos afogado um ao outro e brincado de "quem é o covarde" vezes o suficiente naquele lago, aperfeiçoado nossos saltos e bombas, e participado de competições amigáveis. Achei que foi isso que acabou nos levando a querer entrar para a equipe de natação do colégio. O resto, como dizem, é história. Mas havia outras coisas nessas viagens de que eu gostava. As fogueiras, os marshmallows assados e as gargalhadas profundas faziam parte das minhas lembranças de infância.

Saí da cama e caminhei pelo corredor escuro até a cozinha para pegar um copo d’água. A casa estava silenciosa demais, com todo mundo dormindo. A Sra. Jeon normalmente era a primeira a acordar, mas provavelmente só se levantaria daqui a uma ou duas horas. Embora estivesse meio doente nessa viagem, então talvez dormisse até mais tarde.

Quando passei pela grande janela que dava para o lago, vi uma figura solitária sentada no píer. Jungkook. O irmão mais velho do Joe. O irmão mais velho gato do Joe, por quem eu não conseguia evitar me apaixonar. E como não me apaixonar, com aquele cabelo escuro até os ombros, os olhos azuis intensos e aquele sorriso de arrasar? O jeito dele era o oposto do otimismo do Joe, por isso sempre foi um mistério. Era como se fosse o cara que tinha tudo, mas que sempre ia contra o sistema.

As primeiras pessoas para quem contei sobre minha sexualidade foram meus pais e o Joe, e o apoio imediato deles foi um alívio. Mas ter o seu melhor amigo apaixonado pelo seu irmão mais velho podia ser bem constrangedor, então eu tentava controlar minha reação perto do Jungkook quando estava com o Joe. Embora eu tivesse a leve suspeita de que o Joe sabia. O Jungkook também, porque às vezes eu o pegava me olhando como se estivesse tentando adivinhar o que eu estava pensando. Esse escrutínio nunca ajudava a evitar que o sangue corresse para todos os lugares errados do meu corpo, inclusive para as bochechas.

Abri a porta em silêncio e caminhei até o lago, observando as manchas rosadas e amarelas do amanhecer no horizonte.

— Tudo bem? — perguntei ao me aproximar do Jungkook, meus passos ecoando nas tábuas de madeira do píer. Basicamente, tínhamos crescido juntos e, normalmente, eu conseguia perceber se ele estava mais melancólico que o normal e se algo o estava incomodando. Até o considerava uma espécie de amigo. Só havia uma diferença de dois anos entre nós, embora às vezes ele parecesse mais maduro. Como se fosse uma alma velha que já tinha visto de tudo e tivesse o cinismo para provar. Mas também como um protetor, já que me ajudou a sair de uma situação de bullying na primeira semana do primeiro ano.

Ele olhou rapidamente por cima do ombro.

— Tô, só não tava conseguindo dormir.

Sentei ao lado dele e deixei os pés pendurados perto da água.

— Quer falar sobre isso? — Ele suspirou.

— Na verdade, não.

Então ficamos ali, em um silêncio confortável, observando o sol pintar o céu e iluminar as nuvens. A vista nunca enjoava. Hoje era nosso último dia ali e, de certa forma, parecia o fim da nossa infância, já que o Jungkook iria para a faculdade no outono. Havia uma tensão estranha no ar nos últimos dias que eu não conseguia decifrar, mas quando perguntei ao Joe sobre isso, ele parecia nem notar, o que não era nenhuma novidade.

O Joe sempre tentou escapar da sombra do Jungkook no colégio. Virou um atleta e aluno destaque enquanto tentava se diferenciar do irmão mais velho, que era mal-humorado e tinha problemas com notas. A única coisa em que o Jungkook parecia bom era no desenho.

Era uma dinâmica interessante entre os irmãos, mas também podia ser desconfortável. Enquanto o Jungkook era brutalmente honesto, o Joe sempre se esforçava para agradar os pais, às vezes em detrimento dele mesmo. Eles eram mais próximos quando crianças, mas as diferenças ficaram mais claras no colégio. O Joe tinha mais em comum com o pai por causa dos esportes, e o Jungkook admitiu que ficava aliviado porque isso tirava a pressão de cima dele. Mas às vezes eu não sabia se acreditava nele.

— Eu sei que você se apaixonou por mim — disse o Jungkook de repente, a ponto de eu me enrijecer ao lado dele, mal respirando. Puta merda, será que ele ia me dar um soco ou algo assim?

Me empurrar no lago?

— Eu… eu… — Tentei limpar a garganta. — Desculpa… se isso te deixa desconfortável.

— Sim, me deixa desconfortável. — Ele olhou na minha direção com aquele sorriso familiar. — Porque a atração é mútua.

Minha boca abriu e fechou como a de um peixe fora d’água.

— O que é mú…?

— Vamos dizer que devo te agradecer por me fazer perceber que sou bissexual — ele disse, e eu soltei o ar, aliviado. Mas, ao mesmo tempo, aquela bola de fogo no meu estômago, que sempre faiscava perto dele, virou um incêndio.

Eu estava quente por todo lado e gaguejei, sem conseguir formar nenhuma palavra.

Nenhuma palavra apropriada para a situação, pelo menos.

— Eu… hã… de nada?

O Jungkook riu, e o som vibrou pelos meus membros, me fazendo sentir como se estivesse saindo da minha própria pele.

Tinha medo demais de olhar para ele, com receio de revelar o turbilhão de emoções. Então fiquei olhando para a frente, tentando processar a confissão dele e me perguntando se estava sonhando, se tinha ouvido errado ou qualquer outra coisa para não tornar aquilo real, porque meu cérebro estava prestes a explodir.

Depois de mais um minuto sem nenhum de nós dois avançar na conversa, finalmente criei coragem para perguntar:

— Foi por isso que você veio aqui no meio da noite?

— Tecnicamente, já é de manhã, então… — Seus dedos percorreram as linhas dos sulcos na madeira, como se estivesse desenhando uma imagem na cabeça. Ele tinha cadernos cheios de rabiscos, seus esboços eram incríveis, então não me surpreendi quando soube que seria essa a área de estudo dele. — Acho que só estou resolvendo umas coisas na cabeça.

— O lago é o cenário perfeito pra isso — respondi. — Então, por que a confissão?

— Realmente não sei. — Quando virou a cabeça, seu olhar deslizou dos meus olhos para a minha boca, e eu cravei as unhas na palma da mão, tentando controlar minha reação a ele. — Você é o melhor amigo do meu irmão, e vou começar a faculdade no outono, então tudo vai mudar, e eu… só queria que você soubesse.

Meu peito doía ao pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos mais tempo. Mas mais tempo para quê, exatamente? O Joe provavelmente surtaria se soubesse que o Jungkook e o melhor amigo dele estavam tendo essa conversa. Principalmente porque eles andavam se estranhando mais ultimamente, em praticamente tudo, e o Joe tinha me usado como válvula de escape mais de uma vez.

— Bom, caramba, nem sei o que dizer.

— Talvez não tenha nada pra dizer. — Ele deu de ombros. — É só o que é.

Quando nossos olhos se encontraram, as borboletas no meu estômago se agitaram como sempre acontecia perto dele, mas dessa vez houve uma explosão de atividade. Era como se um ímã nos puxasse para mais perto, nossas respirações flutuando no espaço entre nós. Com os dedos trêmulos, tive coragem suficiente para esticar a mão e afastar uma mecha de cabelo que tinha caído sobre a bochecha dele.

Ele estremeceu e se inclinou mais perto, e meu pulso abafou todos os outros sons.

Jimin. — Quando o Jungkook pressionou sua boca macia contra a minha, ele fez um som no fundo da garganta, meio gemido, meio suspiro, enquanto meu coração disparava. Tinha tanto medo de que ele mudasse de ideia e se afastasse que minha mão se esticou para se enroscar na camisa dele, mantendo-o firme. Quando sua língua tocou a minha, todo o meu corpo ganhou vida, e agora eu entendia do que se tratava esse negócio de beijar. Foi intenso, emocionante e surpreendente. Pelo menos com o Jungkook Jeon. Por um instante, me perguntei se estava fazendo tudo errado, se estava molhado demais ou não seguindo o ritmo dele direito, mas com certeza ele não parecia estar reclamando.

Nos beijamos por muito tempo, seus dedos quentes segurando meu pescoço e os meus se enroscando na camisa dele, só nos separando para recuperar o fôlego antes de voltar para mais. Seus lábios eram firmes, sua língua era macia, e eu queria viver nesse momento e nunca mais parar para respirar.

Me sentindo mais ousado, me deitei, puxando-o comigo.

— Puta merda — ele murmurou enquanto me beijava com mais fervor, os cotovelos apoiados dos lados da minha cabeça. Distraidamente, pensei que alguém poderia nos ver pela janela, até me lembrar de que os quartos ficavam do outro lado da casa. Esperava que ninguém tivesse acordado cedo. Só queria aquilo com tanta vontade.

Gemi quando seu pau duro pressionou o meu. Nem consegui evitar, porque era tão bom. A pressão perfeita, sem me levar ao limite, mas quando começamos a nos esfregar, o atrito fez meus olhos revirarem. Essa experiência com um cara, o cara dos meus sonhos, era tudo o que eu imaginava que seria.

Quando gemi um pouco alto demais, ele colocou os dedos sobre a minha boca para me calar, seus olhos brilhando com diversão e pura luxúria, o que, caramba, era tão quente e só me deixava mais excitado. Não sabia quanto tempo ficamos assim, com ele se esfregando em mim e eu me contorcendo embaixo dele, mas minha boca estava sensível e minhas bolas estavam prestes a explodir.

O Jungkook se mexeu de um jeito e então…

— Ah, meu Deus! — Estremeci quando o gozo jorrou na frente da minha bermuda.

— É isso aí. — O Jungkook gemeu quando o senti enrijecer contra mim, e fiquei feliz por não estar sozinho nessa. Sabia que ele tinha feito a mesma bagunça nas calças.

Tentei recuperar o fôlego quando seus lábios encontraram os meus pela última vez antes de ele se sentar.

Não sabia o que esperar em seguida. Talvez que o Jungkook recobrasse o juízo e questionasse o que tínhamos feito. Em vez disso, ele me ofereceu a mão e, em silêncio, ajeitamos as roupas antes de voltarmos a olhar para o horizonte.

Bocejando, apoiei a cabeça no ombro dele, me sentindo satisfeito e um pouco bobo, sabendo que aquilo provavelmente era coisa de uma vez só, embora aceitasse mais fácil do que um passe de mágica.

Quando começou a desenhar círculos no meu joelho, me perguntei o que ele estava pensando e por que tinha vindo ali.

— Por que você fez isso? Comigo, quero dizer. — Ele sorriu.

— Tá reclamando do que aconteceu?

— De jeito nenhum. Foi totalmente da hora. — Levantei a cabeça para olhar para ele. — Só que… foi a minha primeira vez com um cara.

Ele deu um empurrãozinho no meu ombro.

— A minha também.

Sorrimos um para o outro enquanto eu pensava na sorte maluca que tinha tido. Poder beijar o meu crush. Embora, admito, ainda custasse um pouco acreditar que era recíproco, apesar do que tinha rolado entre nós. Acho que anos de desejo fizeram aquilo parecer um sonho.

— Então, como eu disse, vou pra faculdade em algumas semanas… — Meu estômago afundou, mesmo sabendo da realidade da situação. O Jungkook continuou:

— E o Joe vai precisar de muito apoio. — Fiquei tenso.

— Como assim?

— Ele vai me odiar. E tudo bem. — Olhou em direção à casa. — Só espero que você não me odeie também.

— Por que eu te odiaria? — gaguejei. — O que você fez, Jungkook?

Mas ele não quis me encarar. Em vez disso, se levantou e se ajeitou.

— Fiz o que achei que era certo.

E então foi embora em direção à casa, o sol iluminando os fios do cabelo ainda bagunçados pelas minhas mãos. Mal sabia eu que aquilo era a calmaria antes da tempestade.