Capítulo 1
Na cama king-size, com os lençóis de seda emaranhados sob eles, Ronan prendia Elara contra os travesseiros. Seus lábios percorriam a curva do pescoço dela; uma mão estava entrelaçada em seu cabelo, a outra segurava sua cintura com uma facilidade que mostrava prática. A respiração dela falhou, seus dedos se fechando no tecido da camisa dele e, por um momento, tudo pareceu ser como sempre era: quente, físico, natural.
Então aconteceu.
No meio do beijo, ela soltou um nome: “Alex...”
Ronan parou. O nome ecoou em sua cabeça, atravessando a névoa como um caco de vidro. Seus olhos subiram para os dela, meio fechados, pupilas dilatadas, sem a menor ideia de que ela acabara de ferir seu ego.
Ele se afastou um pouco, examinando o rosto dela. Ela não estava realmente ali. Seu olhar estava distante, suave de um jeito que nunca fora para ele.
Sem dizer nada, ele alcançou o cobertor no pé da cama e o puxou sobre os ombros nus dela. Enquanto ele a cobria, os lábios dela se moveram de novo, mal passando de um sussurro: “Não vá, Alex.”
As palavras afundaram, pesadas e intencionais, mesmo que ela não soubesse que as tinha dito.
O maxilar de Ronan travou, mas ele não respondeu. Ele jogou o cobertor totalmente sobre ela, endireitou-se e caminhou até as janelas que iam do chão ao teto. As luzes da cidade pintavam seu rosto com prata e sombras enquanto ele tirava um cigarro da gaveta lateral. O estalo do isqueiro quebrou o silêncio.
Ele se encostou no braço do elegante sofá de couro, com um joelho dobrado, enquanto a fumaça subia preguiçosamente em direção ao teto. Elara estava deitada, imóvel na cama, respirando devagar, olhos fechados, já começando a cair no sono.
Seu olhar não saía dela. Já tinha saído com muitas garotas antes, mas desta vez era diferente. Não porque ela fosse importante. Não... era porque, mesmo ali, na cama dele, enrolada nos lençóis dele, ela nunca tinha sido dele de verdade.
Um sorriso lento e sem humor surgiu em seu rosto. “Alex, o que ele tem de tão especial?”, ele repetiu baixinho, sentindo o gosto amargo na língua. “Vamos ver quanto tempo esse nome dura.”
Ele deu outra tragada, a brasa brilhando no escuro, e continuou observando-a, já planejando o próximo passo.
O primeiro sinal do amanhecer surgiu pelas enormes janelas de vidro, uma luz dourada e suave se espalhando lentamente pelo quarto. Os lençóis de seda brilhavam levemente no calor, e o ar ainda estava pesado com o cheiro suave de fumaça e perfume.
Ronan não tinha se movido. Ele estava sentado sem camisa no elegante sofá de couro, um braço pendurado no encosto, um cigarro quase queimado descansando no cinzeiro ao seu lado. Seus olhos não a tinham deixado durante toda a noite.
A luz do sol mudou, deslizando pela cama até tocar o rosto dela. Elara se mexeu, os cílios tremulando. Ela piscou para o teto, ainda atordoada, então virou a cabeça em direção à parede de janelas, até que seu olhar encontrou o dele.
Ele não falou. Apenas ficou ali, observando-a.
Uma onda de consciência a atingiu e ela, instintivamente, puxou o cobertor com mais força para perto de si. Então a realização bateu como gelo correndo por suas veias. Eles tinham dormido juntos.
Ela não perguntou. Ela não queria confirmação.
Em silêncio, ela enrolou o cobertor em volta do corpo, com movimentos cuidadosos, quase calmos demais, enquanto saía da cama. Seus olhos evitavam os dele completamente enquanto ela se abaixava para pegar suas roupas no chão. O som do tecido roçando era a única coisa entre eles.
O olhar de Ronan acompanhava cada passo que ela dava, lento e sem piscar.
Elara caminhou até o banheiro sem dizer uma palavra, fechando a porta atrás de si. O chuveiro não foi ligado. Ela ficou lá dentro apenas alguns minutos, o tempo suficiente para se recompor.
Quando ela saiu, já estava vestida, com o cabelo levemente úmido onde ela havia jogado água no rosto. Ela lançou um olhar para ele, apenas um. Sem suavidade. Sem raiva. Apenas um peso maçante de arrependimento em seus olhos.
Ela não gritou. Ela não exigiu uma explicação. Ela simplesmente caminhou até a porta, seus saltos batendo suavemente no chão, e foi embora.
O apartamento ficou em silêncio novamente, o sol agora banhando o quarto inteiramente em ouro.
Ronan recostou-se no sofá, os lábios se curvando em um sorriso mínimo, embora houvesse algo mais sombrio por baixo. Ele acendeu outro cigarro, a fumaça subindo em direção ao teto.
O que o incomodava, o que ficava em sua cabeça, era que ela não tinha lhe dado uma palavra sequer.
Mais tarde, no final da manhã na faculdade, o sol entrava pelas janelas do corredor, refletindo nos relógios de marca e nos sapatos polidos do grupo encostado na parede. Ronan estava entre eles, com as mãos nos bolsos e a cabeça inclinada o suficiente para parecer que estava ouvindo a conversa, mas sua mente não estava ali.
Seus amigos, todos do mesmo círculo rico, ainda comentavam sobre a festa.
“Ei, Ronan”, Mark sorriu, dando-lhe uma cotovelada. “Você saiu cedo. Estava com alguém?”
Ronan deu um aceno curto, sem oferecer mais nada.
James estreitou os olhos. “O que aconteceu? Você parece... perdido.”
“Só um pouco cansado”, Ronan murmurou. Mas não era cansaço.
Ele não sabia o que era.
Então ele a viu.
Elara.
Ela estava caminhando pelo corredor com Alex, sua risada soando fácil, os olhos brilhando enquanto ela dizia algo a ele. Ela se movia como se pertencesse ao seu próprio mundo, um mundo onde Ronan não existia.
Seus olhos a seguiam, firmes, sem piscar.
Ele já tinha dormido com mais garotas do que conseguia se lembrar. Os rostos se misturavam, os nomes eram esquecidos no dia seguinte. Ele nunca se importava. Mas com ela... era diferente. E ele não sabia por quê.
Talvez fosse porque ela tinha dito o nome de outra pessoa em sua cama. Talvez porque ela tivesse saído sem dizer uma palavra. Talvez porque, agora, ela estivesse sorrindo para Alex como se nada tivesse acontecido.
Ou talvez fosse apenas porque ela não estava lhe dando o que toda garota dava: atenção.
Ela passou bem na frente dele sem nem um lampejo de reconhecimento, entrando na sala de aula com Alex atrás dela.
Lá dentro, ela se sentou, ainda falando, sorrindo.
Ronan permaneceu onde estava, as vozes dos amigos desvanecendo como ruído de fundo. Seus olhos não saíam dela. E quanto mais ele olhava, mais o incomodava não saber por que ela o incomodava tanto.
Depois da última aula, os estudantes saíram da sala em grupos, vozes ecoando pelo corredor. Ronan estava encostado na parede, com os olhos fixos em uma única pessoa.
Elara.
Ela saiu sozinha, sem Alex ao seu lado, com o olhar fixo à frente.
O passo de Ronan foi lento, mas decidido, enquanto a seguia, infiltrando-se pela multidão. Ele estava a poucos passos atrás quando ela se virou e desapareceu no banheiro.
Ele parou, encostando-se casualmente na parede. Um grupo de garotas passou por ele, olhando-o, sorrindo daquele jeito de sempre, como se não se importassem em ser a próxima a passar uma noite na sua cama. Normalmente, ele retribuiria com um olhar, um sorriso, talvez algo mais. Hoje, ele nem piscou.
Ele estava esperando.
Quando Elara finalmente saiu, seu cabelo levemente úmido onde ela havia se refrescado, ela mal teve tempo de dar dois passos antes que a mão dele fechasse em torno do braço dela. Sem dizer uma palavra, ele a puxou pelo corredor para um canto vazio e silencioso.
As costas dela bateram na parede, o corpo dele angulado perto o suficiente para impedi-la de sair. A cabeça dela roçou no queixo dele, e ela instintivamente a inclinou para cima.
E, de repente, eles estavam encarando um ao outro. Quase nada de espaço entre eles.
Algo no peito de Ronan se contorceu. Ele não entendia. Não conseguia definir. Tudo o que sabia era que os olhos dela o mantinham preso ali.
Até que ela o empurrou.
“Qual é o seu problema?” ela disparou, sua voz afiada, mas controlada.
Ronan segurou seu pulso antes que ela pudesse se afastar e o prendeu contra a parede, inclinando-se novamente. Sua voz baixou, rouca e cortante: “Por que você está me ignorando?”
O olhar dela não vacilou. “Não temos intimidade suficiente para nos ignorarmos”, ela disse, com o tom calmo e deliberado. “Nós somos apenas... nada.”
Algo dentro dele inflamou. Ninguém, absolutamente ninguém, nunca o fizera se sentir pequeno.
Seus lábios se curvaram em um sorriso lento e perigoso. Ela o empurrou de novo, mais forte desta vez, libertando-se. Ela se virou para sair.
“Foi sua primeira vez. Você não pode esquecer isso”, ele murmurou. “Então pare de fingir.”
Um sorriso lento e conhecedor apareceu nos lábios de Elara.
“Mas parece que é você quem não consegue esquecer”, ela respondeu suavemente, inclinando a cabeça.
O olhar dela baixou brevemente antes de voltar aos olhos dele, afiado e destemido.
“Não foi sua primeira vez, foi? Então por que isso está te incomodando?”
Ela pressionou um dedo levemente contra o peito dele, empurrando-o o suficiente para enfatizar o ponto.
Sem força.
“Sabe o que está te incomodando?” ela disse baixinho. “É que isso não está me incomodando.”
O maxilar dele travou. “Você deveria assumir a responsabilidade...”
“Responsabilidade?” ela o interrompeu, inclinando a cabeça. Então seu sorriso se tornou mais ácido, e ela se aproximou do rosto dele, olhando em seus olhos. “Eu te engravidei?”
Sem esperar por sua resposta, ela se afastou, os saltos batendo contra o chão, deixando-o sozinho no canto silencioso, com as palavras dela ainda queimando em sua cabeça.
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