Capítulo 1: O Retorno
Aviso:
Esta história contém conteúdo sexual explícito, linguagem forte, amor obsessivo e personagens perigosamente possessivos que não sabem brincar limpo.
Se você não curte personagens desesperados, desejos sombrios ou doses insalubres de obsessão e ciúme — este livro não é para você.
Mas se está pronto para uma viagem selvagem e viciante, cheia de paixão, obsessão e um monte de decisões ruins que parecem boas demais — aperte o cinto.
Você está prestes a embarcar em uma história e tanto.
Ponto de vista de Ivy
— Sentiu minha falta, papai?
Dou um sorrisinho, saindo do carro preto como se fosse dona do mundo — e dele.
A Mansão Wolfe se ergue à minha frente, mais intimidadora do que eu lembrava. Fria, cruel, de tirar o fôlego.
Igual ao homem que mora dentro dela.
Desço os óculos escuros pelo nariz, deixando meu olhar percorrer a propriedade. A entrada de pedra brilha sob o sol da tarde, os leões de mármore nas laterais da escada parecem tão arrogantes e críticos quanto há três anos, quando fui embora.
Tudo cheira igual: dinheiro, poder, madeira polida e segredos.
Mas eu não sou mais a mesma garota que fugiu aos dezoito, com o coração cheio de dor e a cabeça cheia de sonhos idiotas.
Naquela época, eu tinha medo. Estava perdida.
Agora, sou perigosa pra caralho.
As pesadas portas de carvalho rangem antes mesmo que eu levante a mão para bater. E lá está ele.
Alexander Wolfe.
Bilionário. Fazedor de reis. Diabo num terno de merda.
E meu padrasto.
Por um instante, nenhum de nós se move.
Ele fica ali parado, alto e letal, usando calças pretas que moldam aquelas coxas grossas e uma camisa social branca impecável, com as mangas arregaçadas até revelar antebraços bronzeados e cheios de veias — do tipo que você agarra quando o mundo desmorona.
Seus olhos escuros me percorrem devagar, de propósito.
Não como um homem recebendo a enteada.
Não.
Como um predador analisando sua presa.
— Ivy, bem-vinda de volta — diz ele, a voz áspera como cascalho embebido em uísque. — Não reconheci você de primeira.
Mentiroso.
Ele sentiu cada centímetro de mim no segundo em que saí daquele carro.
Inclino a cabeça, deixando meu cabelo longo cair sobre o ombro nu, e sorrio devagar, meloso. — Acho que os olhos do papai estão ficando velhos, né?
Sua mandíbula se contrai com tanta força que quase ouço o estalo.
— Pare de me chamar assim — rosna, dando um passo à frente na varanda, seu corpo enorme bloqueando o sol — e o mundo — atrás dele.
Deus, ele cheira a perigo.
Sândalo. Couro.
O tipo de aroma que mancha seus lençóis e sua alma.
Subo os degraus devagar, arrastando as pontas dos dedos pelo corrimão de pedra, o clique dos meus saltos ecoando como tiros.
— Não sei… — ronrono, parando a centímetros dele, tão perto que sinto o calor irradiando de sua pele. — Você gostava quando eu era pequena.
— Ivy. — Sua voz é um aviso. Uma ameaça.
Uma promessa.
Dou de ombros, fingindo não notar como seus olhos descem até o volume suave dos meus seios. — É só uma palavra, papai. Não precisa ficar de cueca embolada.
Ele se inclina, tão perto que seu hálito roça meus lábios. — Você está brincando com fogo, garotinha.
Meu coração dispara, os mamilos enrijecem sob a seda fina da blusa, mas mantenho a voz firme. Coquete.
— E se eu gostar de me queimar?
Suas pupilas dilatam. Sua mão se fecha ao lado do corpo, como se ele estivesse se segurando para não me agarrar, me prensar contra o batente da porta e me dar uma lição que eu nunca esqueceria.
Deus, eu quero que ele perca o controle.
Quero ver o homem por trás da máscara.
Em vez disso, ele respira fundo pelo nariz, as narinas se alargando como as de um animal enjaulado.
— Seu quarto está pronto. O jantar é às sete. Não se atrase.
— Ou o quê? — provoco, deixando a língua aparecer para umedecer o lábio inferior. — Vai me dar uma palmada, papai?
Ele estremece como se eu o tivesse esbofeteado — e então sua boca se curva em algo perigoso. Sombrio.
— Eu devia te colocar no meu colo e tirar essa pirraça de você à força.
Minhas coxas se apertam.
Ah, porra, sim.
Sorrio docemente, piscando os cílios. — Promessas, promessas.
Sem dizer mais nada, ele se vira e entra a passos largos, deixando a porta pesada aberta como um convite.
Ou um desafio.
Entro atrás dele, os saltos batendo no piso de mármore do saguão.
A casa cheira a cera de limão, couro envelhecido e ele.
O cheiro me atinge direto no peito.
Uma onda de tristeza antiga. De saudade.
De todas as noites solitárias em que me enrolei em uma de suas camisas sociais, rezando para que ele me enxergasse.
Agora?
Ah, ele me enxerga, sim.
E odeia pra caralho por isso.
Deixo minha bolsa ao pé da escadaria imponente, o lustre grandioso acima de nós banhando tudo em uma luz suave.
O ar entre nós vibra — carregado de coisas que ainda não podemos dizer.
Ainda.
— Reformou a casa? — pergunto, girando devagar, deixando a saia subir um pouco mais.
Seus olhos se estreitam.
— Não.
— Que bom — murmuro. — Sempre gostei dela do jeito que era. Fria. Vazia. Igual a você.
Por um segundo, algo passa pelo seu rosto. Dor. Arrependimento.
Desaparece tão rápido que quase acho que imaginei.
Mas não imaginei.
— Vá desfazer as malas — diz ele, áspero. — Você parece encrenca. Não tenho tempo para encrenca.
Dou um sorriso malicioso.
— Que bom que não estou te dando escolha.
E então, só porque posso, passo por ele de novo — dessa vez deixando a mão roçar em sua fivela de cinto.
Ele puxa o ar com tanta força que poderia cortar granito.
Dou uma risadinha baixa enquanto subo as escadas, sentindo seu olhar ardente queimando minhas costas.
Dessa vez, não sou a garotinha assustada esperando por migalhas de atenção.
Dessa vez, sou a tempestade.
E o papai está prestes a se afogar em mim.
Lá em cima. Meu antigo quarto.
No momento em que entro, tudo me atinge. A colcha rosa-clara ainda parece intocada, como se estivesse esperando meu retorno. As almofadas macias estão no lugar, perfeitamente arrumadas. Até a foto antiga da mamãe na cômoda — com as bordas desbotadas — continua ali, como um altar a um passado do qual nunca vou escapar.
Me jogo na cama, tirando os saltos com um suspiro. O peso familiar do quarto me pressiona. O cheiro de lavanda do aromatizador, o mofo leve do carpete velho e… ele.
Alexander. Papai. O homem que está no meu sangue desde que me entendo por gente.
Meu coração ainda bate forte, mas não é de nervosismo dessa vez. Não é por estar de volta a esta casa, um lugar que guarda memórias de conforto e dor profunda.
Não, é por causa dele. Por causa do jeito como me olhou.
Seus olhos — aqueles poços escuros e tempestuosos — ainda me enxergam.
Mas agora é diferente.
Hoje, pela primeira vez na vida, aqueles olhos não viram a garotinha que eu era.
Eles me viram.
Eles viram uma mulher.
E, Deus, como ele odiou isso. Odiou como mudei, como cresci e me tornei esse… problema que ele não sabe como lidar.
Deito, deixando o braço cair sobre os olhos, meu corpo afundando no colchão macio. Os lençóis frios contra a pele me lembram quanto tempo passou. O quanto evoluí.
Da garota tímida e quebrada que foi embora aos dezoito à mulher deitada aqui agora, imaginando como vou enlouquecê-lo.
Que porra estou fazendo?
Não.
Eu sei exatamente o que estou fazendo.
Vou provocá-lo. Vou quebrá-lo.
Fazê-lo me enxergar. De verdade.
Fazê-lo me desejar, como sempre desejei.
Fazer o papai pecar.
Continua…