Escolhida, Não Tomada: Um Romance de Lobos Livres

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Resumo

Este é o Livro 2 da série The Unclaimed Werewolf. O Livro 1 deve ser lido primeiro. Nora se recusou a ser reivindicada — e essa escolha traz consequências que ela não pode mais ignorar. À medida que o conselho volta sua atenção para ela, Nora é forçada a enfrentar expectativas que nunca desejou e decisões que podem remodelar seu futuro. Com Brooks ao seu lado e sua crescente alcatéia para proteger, ela precisa decidir o que significa liderança quando a liberdade está em jogo. Em um mundo onde o poder é frequentemente tomado à força, Nora insiste em escolher seu próprio caminho — ou seguir sozinha.

Status
Completo
Capítulos
55
Classificação
4.9 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Building Day

Nora acordou devagar, do jeito de sempre: sentindo primeiro o calor, depois o peso e, então, a respiração.

Morsel estava deitado junto ao seu lado, com as costas contra a barriga dela e a cabeça apoiada sob seu queixo, deixando-a meio encolhida em volta dele. Ele dormia profundamente, com uma das patas traseiras dando pequenos espasmos, como se perseguisse algo que só ele conseguia ver. A toca estava silenciosa, exceto pela respiração constante dele e pelos sons abafados que vinham da floresta, lá em cima.

Ela não se moveu de imediato.

Houve um tempo em que as manhãs significavam um silêncio tão completo que parecia sagrado. Quando acordar era um ato solitário, sem observadores, sem interrupções. Ela protegia essas horas com unhas e dentes, levantando-se antes do sol e saindo para a floresta enquanto o mundo ainda dormia.

Agora, ela encostou o rosto na cabeça de Morsel e sentiu o cheiro dele: pelo, terra e aquele leve toque metálico de sangue seco que nunca saía totalmente de nenhum dos dois. O peso dele era familiar, um ponto de apoio. Ele a prendia a este lugar de uma forma que ela nem sempre gostava de admitir.

"Bem", ela murmurou, com a voz rouca de sono, "chegou a hora".

Uma orelha se mexeu. Ele não acordou.

Ela sorriu, apesar de si mesma.

"Dia de construção", disse ela baixinho. "Espero que esteja pronto para ter vizinhos."

Isso lhe rendeu um bufo e Morsel se aninhou ainda mais em seu peito, como se pretendesse ignorar o conceito inteiro. Ela apertou os braços ao redor dele, com os dedos afundando no pelo, e olhou para a escuridão baixa do teto da toca.

Hoje, as tendas seriam desmontadas.

Não de imediato — não de uma só vez —, mas o trabalho começaria. Postes seriam fincados. Estruturas seriam erguidas. Algo sólido, algo permanente, tomaria forma onde antes só havia intenção.

Um teto.

Não apenas para ela.

O pensamento pesou em seu peito, apertando de um jeito que a fez respirar um pouco mais devagar, um pouco mais fundo.

Ela sabia que este dia chegaria. Tinha planejado para isso, discutido por isso, adiado o máximo que pôde. A alcateia precisava de mais do que lonas e fogueiras. O chão endureceria com a geada em breve, e o inverno voltaria, estivesse ela pronta ou não.

Ainda assim.

Assim que a estrutura estivesse de pé, ela não conseguiria mais fingir que aquilo era temporário. Que ela estava apenas tolerando a companhia até as coisas se acalmarem. Não haveria desculpa depois — nenhuma mentira silenciosa que ela pudesse contar a si mesma no escuro.

Eles estariam abrigados.

Eles ficariam.

Ela engoliu em seco e soltou o ar lentamente, forçando a tensão a sair de seus ombros.

"Eu procurei por meses", ela disse a Morsel suavemente, como se ele não estivesse lá durante a maior parte do tempo. "Você sabe disso, né?"

O rabo dele bateu uma vez, de um jeito preguiçoso e tranquilizador.

Ela caminhou pelo seu território até as pernas doerem, circulando os mesmos trechos repetidamente, conhecendo-os não apenas como um campo de caça, mas como algo feito para ser vivido. Ela testou o solo e a inclinação, observou como a água escoava após a chuva e como as sombras mudavam ao longo do dia. Ela descartou lugares próximos demais ao riacho, muito expostos ao vento ou cercados por árvores que sufocariam o crescimento antes mesmo de começar.

Ela não confiava em si mesma no começo.

Cada opção parecia perto demais, visível demais. Parecia um convite.

E então houve Eamon.

"Precisa de espaço", ele tinha dito mais de uma vez, com a voz firme diante da resistência dela. "Mais do que você pensa."

Ela discutiu com ele no início, andando de um lado para o outro na clareira com os braços cruzados, apontando cada falha imaginada. Grande demais. Aberto demais. Óbvio demais. Ela não queria imaginar números tão grandes, futuros tão lotados ou a possibilidade de que as pessoas continuassem a chegar.

Mas Eamon foi paciente. Ele sempre era.

Ele expôs a lógica da mesma forma que fazia com tudo: calmamente, sem força. Caminhos de expansão. Linhas de visão defensivas. Espaço não apenas para estruturas, mas para vidas.

"Alcateias crescem", ele lhe disse. "Especialmente aquelas em que as pessoas se sentem seguras para entrar."

Ela não tinha acreditado nele. Não de verdade.

Mas ela lhe deu ouvidos, nem que fosse apenas para encerrar a discussão.

A clareira que escolheram ficava bem no centro do seu território, aberta o suficiente para permitir a expansão e protegida o suficiente para ser defensável. Grande demais, ela pensou na época. Exagerada.

Agora, ela já não tinha tanta certeza.

Morsel finalmente se espreguiçou, com as patas pressionando as costelas dela, e então levantou a cabeça para olhá-la com uma seriedade sonolenta. Os olhos dele seguiram o rosto dela, agora alertas, como se pudesse sentir o peso dos pensamentos dela, mesmo sem entender a forma deles.

"Sim", ela disse a ele, antecipando o olhar. "Eu sei. Temos que levantar."

Ele bufou de novo, claramente não convencido, mas se moveu assim mesmo, rolando até ficar de pé com um sacudão que espalhou poeira pela luz fraca.

Ela deu um beijo no topo da cabeça dele e se desenredou com cuidado, levantando-se com uma careta suave enquanto o frio picava sua pele. A toca estava mais quente do que o ar lá fora, agora que ela passava tanto tempo fora dela, movendo-se, trabalhando, falando.

Coisas de humanos.

Ela esticou a mão para a capa estendida sobre uma pedra perto da entrada.

A capa de Brooks.

Seus dedos hesitaram contra o tecido por um momento antes que ela a levantasse, o peso agora familiar de uma maneira que não era no início. Ela a enrolou nos ombros, prendendo-a frouxamente e deixando-a cair pelas costas.

Ela resistiu no começo — resistiu à ideia de se cobrir — mas a praticidade tem um jeito de desgastar até os instintos mais teimosos.

Os lobos mais jovens eram o verdadeiro problema.

Ela estava cansada de rostos vermelhos e olhares desviados, de conversas que travavam porque alguém não sabia onde olhar. De sentir que ela estava constantemente interrompendo sua própria autoridade apenas por existir. A capa resolvia isso, pelo menos.

E, ela admitiu a contragosto, mantinha o frio afastado.

Ela ainda não tinha chegado ao ponto de usar roupas completas. Isso parecia uma concessão grande demais, um passo que ela não estava pronta para dar.

Mas talvez um dia.

Ela afastou o pensamento e saiu da toca para o ar da manhã.

O acampamento já estava se agitando.

Fumaça subia baixinho de algumas fogueiras logo cedo, o cheiro de carne assada, fraco, mas presente. As vozes ecoavam suavemente, cuidadosas para não invadir demais o seu espaço. Ela notou o comedimento com uma aprovação silenciosa. Ninguém se aproximava dela diretamente. Ninguém exigia direção antes que ela estivesse pronta para dar.

Eles estavam aprendendo.

Ela examinou a clareira, contando formas, observando o movimento. Todos que prometeram estar lá estavam presentes. Ferramentas estavam empilhadas perto da borda do local escolhido, rústicas, mas úteis. Madeira esperava ali perto, descascada e pronta.

Aquilo era real.

Hoje, eles construiriam.

Não tendas. Não abrigos temporários.

Uma fundação.

Nora puxou a capa com mais força para perto de si e endireitou os ombros.

Não havia como voltar atrás agora.