A Lua a Encontrou Primeiro

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Resumo

Elodie sempre foi a garota quieta de cabelos loiros prateados, olhos suaves por trás de óculos redondos e um coração gentil. Criada por pais humanos amorosos, mas sempre se sentiu diferente. Na véspera do seu décimo oitavo aniversário, tudo está prestes a mudar. Uma voz calorosa e familiar sussurra seu nome dentro de sua mente. Não deste mundo, mas de algum lugar profundo dentro dela. Ela a chama como o luar atrai uma mariposa. Elodie não sabe que é a irmã gêmea desaparecida de um poderoso alpha. Ela não sabe que, quando bebê, foi escondida entre os humanos para sua própria segurança. Ela não sabe que seu irmão passou a vida procurando e esperando pela irmã que ele sente, mas não consegue encontrar. Mas a lua a conhece. A lua a encontrou primeiro. E agora, seu verdadeiro eu está despertando. À medida que a voz se torna mais forte, Elodie é atraída para um mundo que ela sabia que existia, mas temia, e para alguém que parece sentir seu despertar muito antes de ela mesma entendê-lo. Alguém que olha para ela como se ela fosse a resposta pela qual ele esperava. Elodie está prestes a descobrir quem ela realmente é. E ela está prestes a aprender que até os corações mais quietos podem pertencer a algo mais.

Gênero
Fantasy
Autor
BGayleRaven
Status
Completo
Capítulos
43
Classificação
4.5 8 avaliações
Classificação Etária
18+

O que estava escondido, foi chamado de lar

Elodie sempre gostou do silêncio.

Não o tipo de silêncio vazio e oco, mas aquele que se acomodava suavemente sobre ela como um cobertor quente, envolvendo-a enquanto se encolhia no canto da biblioteca da cidade com um livro. O silêncio que cheirava levemente a papel antigo e a partículas de poeira girando nos feixes de sol. Era o tipo de silêncio que a fazia sentir, por um breve momento, que pertencia a algum lugar.

Esta noite, porém, o silêncio parecia diferente.

Ele zumbia no ar.

Uma vibração baixa e constante causava formigamentos em sua pele, como se o mundo estivesse prendendo a respiração. Ela olhou para cima e pareceu que algo invisível, dentro da aura da lua, estava esperando que ela o notasse.

Elodie empurrou os óculos no nariz e tentou se concentrar no livro que segurava. Ela lia o mesmo parágrafo há dez minutos, mas as palavras não fixavam em sua mente. Seu cabelo loiro-prateado insistia em escorregar, cobrindo seus olhos e captando o luar que brilhava através da janela da biblioteca.

Ela o colocou atrás da orelha, soltando o ar que estivera prendendo.

"Controle-se, Elodie", ela sussurrou para si mesma.

Mas seu coração disparou, suave e freneticamente, como uma borboleta presa sob o vidro.

Ela fechou o livro e o pressionou contra o peito. Estava exagerando; talvez fosse apenas nervosismo por causa do seu aniversário de dezoito anos amanhã. Seus pais planejaram uma comemoração, nada grande, mas até aquilo parecia demais. Ela nunca gostou de ser o centro das atenções. Preferia desaparecer em cantos silenciosos e se perder em histórias que não exigiam nada dela.

Ela se levantou, passou a bolsa pelo ombro e saiu para o ar fresco da noite. A lua estava baixa e cheia acima das árvores, mais brilhante do que ela jamais notara. Ela envolvia a rua em prata, tornando tudo suave e onírico.

Elodie parou na calçada, com a respiração suspensa.

O zumbido no ar parecia penetrar sob sua pele e ficar mais forte.

"Certo... isso é diferente", ela murmurou.

Ela deu um passo em direção a casa, depois parou, como se estivesse congelada no lugar.

Um calor floresceu em seu peito, espalhando-se suavemente para fora como uma corrente elétrica. Sua visão ficou turva por um momento e o mundo mudou levemente, como se o próprio luar tivesse se inclinado para mais perto dela.

E então ela ouviu.

Uma voz.

Não vinha da rua. Nem do mundo ao seu redor. Vinha de dentro de sua mente.

Elodie...

Ela arfou, tropeçando para trás contra a parede da biblioteca. Sua bolsa caiu do ombro e atingiu o chão com um baque suave que ecoou no silêncio.

Seu pulso batia forte nos ouvidos.

"Quem está aí?", ela sussurrou, embora já soubesse que não havia ninguém para responder.

A voz veio novamente, mais suave desta vez, como um sussurro em uma brisa leve.

Elodie... volte para casa.

Seu corpo inteiro tremia. Uma estranha e nostálgica familiaridade a invadiu. Era como se ela tivesse esperado a vida inteira para ouvir aquela voz, mesmo que não entendesse o que significava.

Ela pressionou a mão contra o peito, sentindo o calor irradiar sob sua palma.

"O que... o que está acontecendo comigo?"

A voz não respondeu. Mas o calor permaneceu, envolvendo seu coração, e parecia esperança.

O luar estendeu-se, derramando-se sobre sua pele em um brilho prateado suave.

Pela primeira vez na vida, Elodie sentiu algo antigo se agitar dentro dela, algo terreno e poderoso, algo que esperava para despertar há dezoito anos.

Algo que finalmente havia acordado.

Ela não sabia que, a quilômetros dali, no coração da Silverwood Pack, um alfa com o mesmo cabelo e os mesmos olhos tinha caído de joelhos, as lágrimas nublando sua visão enquanto o laço de gêmeos, pelo qual ele lamentara por tantos anos, voltava a se conectar.

Ela não sabia que, nas florestas além, um jovem alfa tinha parado no meio do caminho, sentindo um puxão luminoso em direção a uma garota que ele nunca tinha conhecido.

Tudo o que ela sabia era que o silêncio que ela sempre conhecera havia desaparecido.

E em seu lugar havia um sussurro que parecia pertencer ao seu lar.

Aiden Silverwood estava na orla da floresta Silverwood, com a lua pairando baixa acima das copas das árvores com um olhar vigilante. A noite estava calma e geralmente o acalmava, mas algo parecia errado.

Ou talvez... não errado. Apenas diferente.

Ele inalou profundamente, deixando o ar fresco encher seus pulmões. O cheiro de pinho, orvalho e folhas secas. Seu lobo andava de um lado para o outro, inquieto, agitado.

Calma, Timber, ele murmurou internamente. O que deu em você?

Seu lobo não respondeu. Ele apenas pressionou com mais força contra suas costelas, como se tentasse forçar a saída.

Aiden franziu a testa.

Ele não sentia esse tipo de agitação em Timber desde...

Uma pulsação repentina e aguda atingiu o centro de seu peito.

Ele cambaleou para trás.

O mundo mudou. Sua respiração falhou. Ele foi levado de joelhos ao chão da floresta, uma mão apoiada na terra, enquanto uma onda de calor, forte, luminosa e chocantemente familiar, surgia por seu corpo.

"Não", ele sussurrou, com a voz falhando quase em um soluço. "Não pode ser..."

Ele sentiu outra pulsação. Mais forte. Mais clara.

Um batimento cardíaco que não era o dele.

Um batimento cardíaco que ele pensou que nunca mais ouviria.

A visão de Aiden turvou-se enquanto o laço que ele lamentara, aquele que ele enterrara profundamente, aquele que ele acreditava estar rompido para sempre, explodia em vida dentro dele como uma supernova.

"Elodie..." Sua voz quebrou ao dizer o nome dela.

O nome de sua gêmea.

O nome que ele gritou na escuridão quando criança, implorando à lua que a trouxesse de volta. O nome que ele carregou como uma ferida. O nome que ele nunca parou de sentir, mesmo quando todos lhe diziam que ela se fora.

Lágrimas queimavam seus olhos.

Ele pressionou a mão trêmula contra o peito, sentindo o laço novamente. Era suave, prateado, pulsando com reconhecimento.

"Ela está viva", ele sussurrou. "Deusa... ela está viva."

Seu lobo uivou dentro dele, um som de pura alegria e desejo desesperado.

Aiden levantou o rosto para a lua, com lágrimas escorrendo pelo rosto e, pela primeira vez em dezoito anos, sentiu-se completo.

"Elodie", ele sussurrou para a noite. "Aguente firme, estou indo buscar você."

E então ele se transformou, pelo prateado explodindo através de sua pele, olhos brilhando com determinação feroz, e correu em direção à sua matilha. Ele queria seguir o laço que finalmente, finalmente havia despertado, mas precisava de respostas primeiro.