Sensory Deprivation

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Resumo

Ele não queria o corpo dela da maneira convencional. Damien queria mapear suas reações. Em um estúdio mergulhado na escuridão absoluta, a única coisa que existia era a vontade de ter pelos seus dedos o controle do corpo e a respiração dela falhando a cada novo estímulo.

Gênero
Erotica
Autor
Damien Nox
Status
Em Andamento
Capítulos
5
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

O Arquiteto

O champanhe na taça de cristal estava morno, mas Damien não se importou. Ele não estava ali pela bebida, nem pela conversa fútil que preenchia o salão de pé-direito alto da galeria de arte. Ele estava ali para caçar.

Não da maneira vulgar e desesperada que os outros homens faziam, cercando mulheres como abutres famintos por um pedaço de carne. Damien Nox era um predador silencioso. Ele ficava nas sombras, encostado em uma coluna de mármore, seus olhos escuros varrendo o ambiente com a precisão de um laser cirúrgico.

Para a maioria, aquele evento era uma celebração social. Para Damien, era um catálogo.

Ele observou uma mulher de vestido vermelho rir alto do outro lado do salão. Muito histriônica, pensou avaliando o seu redor cercado de homens lhe dando atenção. Muito barulho, pouca sensibilidade. Seus olhos deslizaram para outra, uma loira de postura rígida que segurava a bolsa com força excessiva. Tensa demais. O corpo dela quebraria antes de dobrar, mas levantava o questionamento sobre se era apenas alguém que não gostaria de estar ali, ou precisava apenas de uma ou duas taças de champanhe.

Damien não procurava apenas beleza. A beleza era comum, comprável, entediante. Ele procurava responsividade.

Seu fetiche não era a penetração. O ato mecânico de entrar e sair, a fricção básica que a biologia exigia para a reprodução, o entediava profundamente. O que excitava Damien era a arte da reação, o corpo. Ele via o corpo feminino não como um objeto, mas como um instrumento complexo de cordas e teclas, esperando pelo músico certo para extrair uma sinfonia de gritos, tremores e espasmos.

Ele levou a taça aos lábios, lembrando-se da última “sessão” em seu estúdio. A garota — como era mesmo o nome dela? — tinha uma pele que corava violentamente sob o menor estímulo. Ele havia passado horas mapeando as terminações nervosas da parte interna das coxas dela com seus instrumentos, assistindo fascinado como os músculos dela contraíam involuntariamente, sem que ele precisasse tocá-la com as mãos.

Era isso que ele amava: o controle absoluto. A capacidade de transformar uma mulher racional e composta em uma massa trêmula de instintos puros, apenas manipulando seus sentidos.

— Senhor Nox? — Uma voz o tirou de seu devaneio.

Ele baixou o olhar. Um dos organizadores do evento sorria nervosamente. Damien apenas assentiu, dispensando o homem sem dizer uma palavra. Ele não tinha tempo para gentilezas. Ele havia encontrado o que procurava.

Ela estava parada perto de uma escultura moderna, sozinha. Não era a mulher mais chamativa da festa, mas havia algo na maneira como ela existia no espaço que capturou a atenção de Damien instantaneamente.

Ela usava um vestido preto simples, que deixava os ombros expostos. A pele dela parecia fina, quase translúcida sob a luz dos spots. Mas o que o atraiu foi o movimento involuntário de sua mão: ela traçava, distraidamente, a ponta dos dedos sobre o veludo de uma poltrona próxima. Ela buscava textura. Ela era tátil.

Ele conseguia imaginar, com clareza cristalina, como aquela pele reagiria à privação sensorial. Como aqueles ombros se curvaram na escuridão total do seu estúdio. Como deixar a luz entrar pela janela levemente para iluminar seu corpo. Ele visualizou o corpo dela conectado à sua mesa de controle, os sensores biométricos monitorando a aceleração do coração dela enquanto ele, Damien, decidia quanto prazer — ou quanta agonia doce — ela suportaria.

Ele não queria foder o corpo dela. Ele queria invadir o sistema nervoso dela. Queria ser o arquiteto de cada arrepio, o dono de cada respiração suspensa.

Damien desencostou da coluna, ajustando as abotoaduras de ônix nos punhos. O predador havia escolhido a presa.

Ele caminhou em direção a ela, o passo firme e silencioso de quem sabe que a noite está apenas começando. Quando ela se virou e seus olhares se cruzaram, Damien viu a pupila dela dilatar minimamente. Medo? Interesse? Não importava.

— A textura é fascinante, não é? — ele disse, a voz grave e aveludada, parando ao lado dela. — Mas o veludo é grosseiro comparado ao que a pele humana pode sentir quando devidamente... estimulada.

Ela prendeu a respiração. Damien sorriu internamente. O jogo havia começado.

Ela virou o rosto lentamente para encará-lo, os olhos levemente arregalados. A proximidade dele era invasiva, mas ela não recuou. Pelo contrário, ela sustentou o olhar, embora suas narinas dilatassem sutilmente — um sinal biológico de excitação ou perigo que Damien arquivou imediatamente em sua mente.

— Estimulada? — ela repetiu, a voz saindo um pouco mais rouca do que pretendia. — Você fala como se a pele fosse um mecanismo.

— E não é? — Damien deu um passo à frente, diminuindo ainda mais o espaço entre eles, forçando-a a erguer o queixo para manter o contato visual. — Um mecanismo requintado, esperando pelos comandos certos. — Damien se virou para o centro da sala chamando a atenção para uma escultura de bronze no centro do salão: uma forma abstrata, fluida e curva, que parecia estar sendo esmagada — ou sustentada — por aros rígidos de aço escuro.

— O que você vê ali? — Damien perguntou, sussurrando perto o suficiente para que sua respiração tocasse a orelha dela.

— Tensão — ela respondeu, cruzando os braços, um gesto defensivo. — Parece... desconfortável. O metal está apertando demais. Parece que a forma quer escapar, mas está presa.

— Interessante... — Damien murmurou, analisando a peça com um sorriso clínico. — Eu vejo o oposto. Veja como o metal frio não apenas aprisiona, mas define a forma. Sem essa pressão externa, sem esse... aperto rigoroso, a forma seria apenas uma massa disforme, perdida. O aço lhe dá propósito.

Ele viu um arrepio percorrer o pescoço dela.

— É uma interpretação cruel — ela rebateu, virando-se para ele novamente. — A peça parece estar no limite de se quebrar.

— O limite é o lugar mais fascinante que existe — Damien contrapôs suavemente. — A maioria das pessoas vive no conforto, no meio-termo morno. Mas ali, onde o metal morde a superfície... é onde a verdadeira sensação acontece. Você não acha que a escultura aprecia a firmeza de quem a segura?

A respiração dela ficou um pouco mais rápida. O duplo sentido pairava pesado entre eles, denso como a fumaça.

— Você acha que algo inanimado pode sentir prazer na restrição? — ela desafiou, embora suas pernas parecessem instáveis.

— Eu acho que qualquer coisa, quando colocada sob a pressão correta, revela sua verdadeira natureza. — Damien baixou o olhar para as mãos dela, que agora apertavam a própria bolsa com força, os nós dos dedos brancos. — Algumas coisas precisam ser contidas para não transbordarem. Precisam de alguém que saiba exatamente quanta força aplicar antes que a ruptura aconteça.

Ele estendeu a mão, não para tocá-la, mas para apontar um detalhe na base da escultura. O movimento fez sua mão passar a milímetros do braço nu dela. Ele sentiu o calor irradiando da pele dela; ela nem piscou.

— O artista chamou essa obra de Rendição — Damien mentiu, inventando o nome na hora apenas para testá-la. — Porque chega um momento em que lutar contra o aperto é exaustivo. E ceder à força que te domina é... libertador.

Ela mordeu o lábio inferior, encarando a escultura com uma nova perspectiva, visivelmente perturbada, mas incapaz de ir embora.

— Deve ser assustador — ela sussurrou, quase para si mesma. — Perder o controle desse jeito. Ficar à mercê da estrutura.

— O medo aguça os sentidos, minha cara — Damien disse, a voz caindo uma oitava, assumindo um tom de comando velado. — Imagine estar nessa posição. Sem ver quem te segura, apenas sentindo a frieza do metal, a pressão aumentando, esperando no escuro pelo próximo movimento... sem saber se será um carinho ou um aperto mais forte.

Ele viu as pupilas dela engolirem a íris. Ela estava visualizando. Ela já estava no estúdio dele, mesmo sem saber.

— Eu tenho uma peça similar na minha coleção particular — ele lançou a isca, casualmente. — Mas ela é interativa. Ela não foi feita para ser olhada, foi feita para ser... experimentada.

Ele fez uma pausa calculada, observando o pulso dela acelerado na base do pescoço.

— Você gosta de arte interativa? Ou prefere apenas observar de longe, segura e intocada?