Café, Mentiras e O PAI DO MEU ALUNO

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Resumo

Uma herdeira em desgraça. Um pai solteiro com um segredo. E uma dívida que pode destruir ambos. No mundo brilhante e de apostas altas da elite de Jacarta, Elara Dwijaya já foi a filha de ouro de um império. Mas quando os negócios da sua família colapsam sob uma montanha de dívidas, ela percebe que não é mais uma filha — ela é uma moeda de troca para ser negociada com um homem que ela despreza. Para salvar sua alma, Elara deixa para trás o luxo de Brawijaya e desaparece nas ruas molhadas pela chuva de Senopati. Trocando seus vestidos de seda por um modesto uniforme de professora, ela encontra uma paz frágil em sua nova escola. É lá que ela conhece Dio Atmanta, o pai de sua aluna mais quieta, Lyra. Dio é tudo o que o antigo mundo de Elara não era: gentil, sensato e aparentemente um homem simples que encontra paz na arte de um latte perfeito. Para ele, ela é apenas "Srta. Ela" — a professora que trouxe um sorriso de volta ao lar solitário de sua filha. Mas Dio é mais do que aparenta. Por baixo de sua vida tranquila e calor humano casual, reside uma conexão oculta com um vasto poder financeiro — um segredo que ele guarda para proteger a paz de sua filha. À medida que o passado de Elara se aproxima e a dívida vence, Dio é forçado a sair das sombras. Em um mundo onde toda dívida tem um preço, Elara deve decidir: o homem que se tornou seu refúgio é um salvador por coincidência, ou a mentira mais perigosa de todas?

Gênero
Romance
Autor
MrNoxVane
Status
Completo
Capítulos
86
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
16+

Gaiola Banhada a Ouro

POV: Elara Dwijaya

O relógio digital na parede marcava 06:15, piscando com uma indiferença rítmica que combinava com a minha pulsação.

Meus saltos estalavam contra o chão de mármore enquanto eu entrava na sala de jantar. A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas leves, projetando sombras longas e pálidas sobre a mesa de mogno — um móvel que sempre parecia grande demais para apenas três pessoas que mal sabiam como conversar umas com as outras.

O ar cheirava a chá de jasmim e torradas caras, mas, por baixo do aroma, havia o perfume metálico e distinto da tensão. Era o tipo de atmosfera que avisava que o dia já estava arruinado antes mesmo de você tomar o primeiro gole de cafeína.

Meu pai sentava-se na cabeceira da mesa. O jornal estava aberto à sua frente, mas seus olhos não se moviam. Seu dedo indicador batia contra a madeira polida.

Toc. Toc. Toc.

O som corroía meu apetite como um cinzel na pedra.

Minha mãe sentava-se à direita dele, rolando a tela do celular com uma mão bem cuidada enquanto a outra tocava distraidamente seu coque perfeito. Ela não olhou para cima. Nesta casa, contato visual era uma moeda que não podíamos nos dar ao luxo de gastar.

Puxei a cadeira à frente deles. Minha bolsa de trabalho atingiu o chão com um baque suave. Alcancei uma fatia de torrada, determinada a ser invisível. Se eu me movesse devagar o suficiente, talvez pudesse sumir no papel de parede.

Mastiguei em silêncio. Apenas mais cinco minutos. Então eu poderia escapar.

Mas meu pai abaixou o jornal. Apenas alguns centímetros. O suficiente para revelar olhos que pareciam cansados, derrotados e desesperados por um alvo.

“Elara”, ele começou, com a voz rouca.

“Até quando você vai fingir com esse hobby de escola? Já fazem três anos.”

A torrada virou serragem na minha boca.

Deus. Nem sete da manhã são.

Coloquei o pão de volta no prato de porcelana com cuidado deliberado. Respirei fundo, prendendo o ar no peito para impedir que o súbito lampejo de raiva queimasse minha garganta.

“Pai, nós já discutimos isso. Não é um hobby. É minha carreira. Eu sou professora.”

Ele dobrou o jornal agressivamente; o papel crocante soou alto no silêncio.

“Pense nisso, Elara. Olhe a diferença salarial. Olhe seus primos. Você está desperdiçando seu potencial em…”

“Vou chegar atrasada”, interrompi, levantando-me. As pernas da cadeira arranharam o mármore, um som áspero que fez minha mãe estremecer.

“Com licença.”

Peguei meu chá, bebi de um gole só, sentindo queimar, e virei as costas para eles.

“Elara! Não saia andando enquanto seu pai estiver falando!” A voz da minha mãe era aguda, perfurando a sala como um vidro quebrado.

“Estamos tentando te ajudar! Você sabe o quão embaraçoso é quando a Sra. Gunawan pergunta o que você faz da vida?”

Não parei. Não me virei. Meus ombros ficaram tensos, subindo até as orelhas enquanto eu marchava para a porta da frente. A pesada porta de carvalho bateu atrás de mim, cortando suas reclamações estridentes sobre status social e mensalidades desperdiçadas.

Blam!

Lá fora, o ar era respirável novamente. Puxei o oxigênio como se estivesse debaixo d’água há horas. Minhas mãos tremiam levemente enquanto eu destravava o carro.

Uma vez no banco do motorista, o silêncio me envolveu. Silêncio de verdade. Não o silêncio carregado e usado como arma na sala de jantar, mas a paz da solidão. Apoiei a testa no volante, fechando os olhos.

Eles nunca entenderiam. Para eles, felicidade era um balanço financeiro. Para mim, era sobrevivência.

Trinta e cinco minutos depois.

O peso sufocante do meu sobrenome evaporou no momento em que meus pneus tocaram o asfalto do estacionamento da escola.

Caos. Um caos lindo e espontâneo. Crianças corriam pelo pátio, com os uniformes já para fora e mochilas pulando contra seus corpos pequenos. Pais ficavam perto dos portões, dando tchau com sorrisos genuínos — um contraste gritante com o cenário congelado que eu tinha acabado de deixar.

“Bom dia, Sra. Ela!”

Acenei de volta para um grupo de alunos do segundo ano. Este era o meu reino. Aqui, eu não era a filha decepcionante de uma dinastia decadente. Eu era apenas a Sra. Ela.

Empurrando a porta da sala dos professores, fui recebida pelo cheiro de caneta marcador, papel velho e café solúvel barato. Era o melhor cheiro do mundo.

Saskia surgiu de trás de uma pilha de exercícios, parecendo que já tinha tomado quatro espressos.

“Bom dia, raio de sol”, ela cantarolou.

“Você parece que mastigou um limão no café da manhã.”

“Menu padrão na residência Dwijaya”, murmurei, jogando minha bolsa na mesa.

“Acompanhado de culpa e um copo cheio de agressividade passiva.”

“Delicioso.” Saskia sorriu, pegando uma pilha de livros.

“Pronta para moldar mentes jovens?”

Estávamos andando em direção ao corredor quando um menino pequeno veio correndo na nossa direção, com a gravata torta e o pânico estampado no rosto.

“Sra. Ela! Sra. Ela!”

“Calma, garoto”, eu disse, segurando-o antes que tropeçasse.

“O que houve?”

“A Lyra bateu no Gafa!”

Saskia e eu trocamos um olhar. Minhas sobrancelhas subiram. Lyra? A menina mais quieta e doce da turma 1A?

“Onde?”, perguntei, já me movendo.

“Na frente da sala!”

Aceleramos o passo. As risadas habituais no corredor tinham morrido, substituídas pelo som distinto e cortante de uma criança chorando. Uma pequena multidão tinha se formado.

Passei pelo meio com cuidado.

Lyra estava lá, rígida como uma tábua. Seus punhos pequenos estavam cerrados ao lado do corpo e seu rosto estava vermelho. À sua frente, Gafa soluçava, segurando o braço.

“Lyra, querida...” Ajoelhei-me, ficando na altura dos olhos dela. Saskia imediatamente se moveu para controlar a multidão, com a voz calma, mas autoritária.

“Por que você bateu nele?”, perguntei baixinho.

Lyra não falou. Seus lábios tremiam e seus olhos grandes e cinzentos estavam cheios de lágrimas que ela se recusava a deixar cair. Ela parecia tão pequena, mas tão incrivelmente feroz.

“Foi o Gafa que começou”, uma menina corajosa chamada Gita comentou de lado. Ela apontou um dedo acusador para o menino que soluçava.

“Ele disse para a Lyra que ela era patética porque não tem mamãe.”

Tum.

Meu coração caiu no estômago. O corredor ficou em silêncio absoluto.

Fechei os olhos por um segundo, soltando um suspiro trêmulo. Crianças podiam ser as criaturas mais honestas da Terra e, também, as mais cruéis.

Virei-me para o Gafa.

“Isso é verdade?”

Gafa fungou, limpando o nariz na manga.

“Eu... eu estava só brincando, Sra. Ela...”

“Brincar é quando todo mundo ri, Gafa”, disse eu, com a voz firme, mas sem gritar.

“Se alguém se machuca, não é brincadeira. É bullying.”

Olhei de volta para a Lyra. Vi a mim mesma nela — a pressão, a solidão, a necessidade de defender um coração frágil com um muro de pedra.

“Lyra”, sussurrei.

“Você precisa pedir desculpas por bater nele. Nós usamos palavras, não as mãos. Tudo bem?”

Ela olhou para os sapatos, raspando a ponta no chão, antes de concordar com a cabeça. O pedido de desculpas foi resmungado, mas aconteceu. Gafa também pediu desculpas, parecendo adequadamente envergonhado.

Crise contornada. Mas o dia estava longe de acabar.

12:30.

A sala de aula estava vazia, exceto pelas partículas de poeira dançando ao sol da tarde. Gafa tinha sido buscado pela mãe, que pediu mil desculpas pela boca do filho.

Agora, estava apenas a Lyra.

Ela sentava-se em sua carteira, balançando as pernas, encarando o quadro-negro. Observei-a da minha mesa. Ela era uma criança linda — pele clara, aqueles olhos cinzentos fascinantes e cabelos escuros que caíam em ondas suaves. Claramente de herança miscigenada.

Eu nunca tinha conhecido os pais dela. Sempre era um motorista ou uma babá. Mas, depois do soco, eu insisti em uma reunião com os pais.

Crec.

A porta da sala de aula se abriu. Saskia entrou, parecendo exausta, mas ainda vibrando energia. Ela caminhou até a Lyra e bagunçou o cabelo da menina. Lyra sorriu, a escuridão anterior desaparecendo instantaneamente.

“O pai ainda não chegou?”, perguntou Saskia, encostando-se na minha mesa.

“Está a caminho, pelo visto”, respondi, organizando a folha de presença.

“Boa tarde. Eu sou o pai da Lyra.”

A voz era um barítono grave. Calma. Profunda. Ela vibrou através do piso e se instalou bem na base da minha coluna.

Saskia e eu nos viramos para a porta em uníssono.

Tum.

Um homem estava parado na porta.

Ele não era o que eu esperava. Eu esperava um terno, gravata, talvez uma barriguinha e uma linha capilar recuando.

Em vez disso, eu estava olhando para um homem que parecia sugar o oxigênio da sala apenas por existir. Ele era alto, vestindo uma camisa preta simples de botões com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços que pareciam ter sido esculpidos em mármore.

“Papai!”

Lyra se jogou da cadeira.

O homem se moveu com uma graça fluida, agachando-se instantaneamente para pegá-la. Seu rosto, que estava estoico e indecifrável um segundo atrás, suavizou-se em algo incrivelmente caloroso enquanto ele abraçava sua filha.

Saskia me deu uma cotovelada nas costelas. Forte.

“Puta merda”, ela sussurrou, com os olhos arregalados.

“Você não me disse que ele era um supermodelo.”

Eu não conseguia responder. Eu estava ocupada demais tentando lembrar como respirar.