By The River: Skeeter (Livro 1)

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Resumo

Com expectativa e nervosismo, Dane embarca em um ônibus para encontrar seu pai, Doc Henderson. Ele segue para a pitoresca cidade de Grand River. O médico do interior, que outrora teve um caso apaixonado com a mãe de Dane, é agora o homem que Dane está determinado a conhecer. No entanto, quando Dane chega ao pequeno café, ele fica arrasado ao descobrir que seu pai biológico não está lá. A notícia do ataque cardíaco repentino e do subsequente falecimento do Doutor Henderson despedaça as esperanças de Dane. É hora de voltar para a cidade, com o coração pesado por esta causa perdida. Buscando consolo em uma fatia de torta de pêssego, Gage, também conhecido como Skeeter, entra no Grand River Café. Seus olhos são imediatamente atraídos por um homem que irradia uma sensualidade avassaladora. Um encontro casual leva Gage a fazer um pedido ousado. Mesmo sentindo-se um tolo, ele pede a Dane que finja ser seu namorado por alguns dias. O que começa como uma farsa rapidamente evolui para uma luxúria inegável. Gage se vê apaixonado por Dane, mas a realidade se impõe. Dane tem uma vida na cidade e Gage ainda está se curando de seu passado. O conflito entre seus sentimentos crescentes e suas circunstâncias individuais torna-se uma verdade dolorosa que eles não podem ignorar. Então é isso. Adeus ao amor. A menos que Gage consiga convencer Dane de que a vida é melhor à beira do rio.

Gênero
Lgbtq
Autor
AuthorCMMoore
Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
5.0 7 avaliações
Classificação Etária
18+

Skeeter and Dane.

Sacudindo a neve de seus tênis, Dane entrou no café da cidade pequena em Grand River. Ele chutou a lama acumulada, e o baque rítmico ecoou pelo silêncio do lugar. Ele examinou o recinto. O silêncio ocupava as mesas vazias. Isso não era surpresa para uma noite de quinta-feira, quando a neblina do rio virava gelo. Ele limpou as solas no tapete de entrada, seu olhar percorrendo o linóleo lascado em direção à vitrine de doces variados e à pesada caixa registradora antiga.

Nenhum sinal do Dr. Henderson. Dane endireitou os ombros. Ele sentaria ali até o homem passar pela porta.

“Posso ajudar, querido?” Uma mulher usando uma rede no cabelo surgiu da cozinha. “Você parece estar congelando até a alma.” Ela se apoiou atrás do balcão, seu sorriso criando rugas nos cantos dos olhos.

“Claro.” Dane caminhou até a vitrine. Sua carteira parecia leve, leve demais, mas ele precisava comprar algo para poder sentar. Se fingisse comer um doce, poderia se proteger da neve enquanto ligava para o Doutor. Eles haviam marcado às oito, mas ele sabia que o médico morava na cidade vizinha. Talvez o tempo estivesse dificultando as coisas. Os olhos de Dane foram até um relógio perto de uma placa de ‘café fresco’. Já eram quinze minutos depois do horário combinado.

“O tempo está de rachar lá fora.” A mulher arrastou-se até uma cafeteira industrial preta. “Que tal um café por conta da casa? Eu vou jogar o resto fora às nove de qualquer jeito. Esse é o nosso horário de fechar.”

Ele percebeu que ela fez questão de mencionar o horário de fechamento.

“Obrigado.” Dane notou um pratinho na vitrine com uma etiqueta escrita torta de pêssego. “Vou querer um pedaço dessa torta também.”

“Boa escolha.” A mulher colocou um copo de isopor no balcão e foi buscar a sobremesa. “Foi a Ginger quem fez, e é a melhor da cidade.”

“Eu sei que vocês vão fechar logo, mas estou esperando alguém. Você se importa se eu sentar?”

“Sente-se um pouco. Você parece ser novo em Grand River.” Ela registrou o pedido, e Dane pagou antes de pegar o prato e o copo. “Quem você está esperando?”

“Não sei se você conhece.” Dane hesitou. “Doutor Henderson?”

A mulher pegou um garfo e parou. Ela ficou lá parada por tanto tempo que Dane pensou que ela estivesse tendo um derrame.

“Você está bem?”

“O Doutor faleceu há dois dias, querido.” Ela fungou, e o garfo ficou suspenso entre eles. Seus olhos se encheram de lágrimas, o suficiente para que ele quisesse pedir desculpas. “O coração dele simplesmente parou. O condado inteiro está de luto.”

“Eu não sabia.” A notícia tirou o ar dos pulmões de Dane. Morto? Que porra ele ia fazer agora?

“Talvez seja melhor você se sentar.” A senhora apontou para uma mesa. “Quer mais alguma coisa?”

“Não. Estou bem.” Era mentira. Ele não estava nada bem.

Dane sentou-se com seu café e a torta, jogando sua mala no chão. Olhando para os pêssegos, ele tentou pensar no que fazer agora. Viajar até aqui para ver o Doutor era seu último plano para salvar sua casa. De repente, todos os seus problemas pareciam impossíveis de resolver. O que ele precisava era de dinheiro, e rápido. Infelizmente, ele não era um criminoso. Sem ter a quem recorrer, a não ser assaltar uma loja de bebidas, ele não tinha ideia de como consertar sua vida para que o banco não tomasse sua casa.

A porta tocou, sinalizando um novo cliente, mas Dane nem se deu ao trabalho de levantar a cabeça. Ele estava chateado demais para se importar com quem estava pedindo muffins.

“Ei, Skeeter,” a mulher chamou.

O nome foi o suficiente para fazer Dane olhar para cima. Skeeter? Ele nunca tinha ouvido um nome daqueles na cidade grande.

Um homem robusto e desgrenhado mancou até a vitrine. Ele era um pouco mais velho que Dane, pelo menos era o que parecia. Dane tinha apenas vinte e dois anos, e aquele cara parecia ter uns vinte e cinco, mas era inegavelmente bonito. Ele era alto, com ombros largos, cintura fina e coxas que pareciam capazes de esmagar pedra.

O homem empurrou um mullet castanho grosso e desarrumado com a mão direita. Dane franziu o nariz para o corte de cabelo, mas não conseguia parar de apreciar a bunda daquele estranho. O rapaz mantinha o braço esquerdo colado ao corpo, protegido por uma tala preta que ia dos dedos ao cotovelo.

Dane observou, hipnotizado, enquanto o homem se arrastava até o caixa. Ele não era um modelo de revista ou estrela de cinema, mas havia algo na maneira como seu jeans grudava no traseiro arrebitado que fazia Dane babar.

“Boa noite, Sharon.” A voz dele era grave, áspera e carregada com um sotaque sulista arrastado. “Sobrou um pedacinho daquela torta?” O tom mexeu com algo lá no fundo de Dane. “Estou tendo um dia do caralho, senhora.”

Entra para o clube, resmungou Dane em silêncio.

Enquanto o estranho dizia à caixa o que queria, ele colocou dois sacos de papel no balcão. Mais uma vez, os olhos de Dane percorreram o casaco volumoso. Ele se perguntou se eram camadas de tecido ou músculos reais. Ele apostava que aquele era o tipo de músculo que implorava para ser tocado.

Dane deu um sacolejo mental em si mesmo.

Ele não tinha nada que ficar secando um caipira qualquer naquela cidadezinha de Grand River. Ficar, namorar, sexo, tudo isso era a última coisa que ele tinha tempo para fazer na vida. Dane tinha problemas reais, e mesmo que aquele cara tivesse ombros largos e uma bunda bonita, não significava nada. O homem provavelmente era hétero, e Dane não curtia rednecks malbarbeados com as calças enfiadas dentro de botas de trabalho gigantes. Além disso, Dane agora tinha que descobrir como voltar para casa. Quando retornasse à cidade, precisava arrumar um jeito de pagar a hipoteca atrasada antes que o banco tomasse tudo.

“Tenha uma boa noite.” Skeeter se virou para sair, e Dane levantou o olhar.

Seus olhos se cruzaram. Uma descarga de desejo inquieto o atingiu, faíscas estalando no ar silencioso. Ele não acreditava em amor à primeira vista, mas, enquanto olhava para Skeeter, algo dentro dele rugiu para a vida.

Olhos cor de avelã, escuros e profundos, travaram nos de Dane. O mundo lá fora, a neve, o médico morto, a hipoteca atrasada, tudo desapareceu. O tempo pareceu diminuir. Eles se olharam por muito mais tempo do que seria adequado em qualquer situação, mas Dane não conseguia desviar o olhar.

A sensação era como se eles já tivessem se conhecido antes. Talvez em uma vida passada, já que Dane tinha certeza de que nunca tinha visto aquele cara na cidade. Skeeter não era polido nem bem cuidado, mas seu rosto ainda era atraente com a barba por fazer e os olhos inteligentes. Aquele homem parecia honesto, sólido e gentil. A sensação de confiança que ele passava era mais excitante do que ser apenas bonito e ter um pau enorme.

Como se tivessem percebido ao mesmo tempo que estavam se encarando, os dois desviaram o olhar. Dane baixou os olhos para o café. Skeeter atrapalhou-se com seus sacos de papel, pegou a sacola plástica do balcão e apressou-se para a saída.

A campainha tocou.

Dane soltou o ar lentamente.

“Quer mais alguma coisa?” a funcionária perguntou. Aquela frase soou como um código para ‘vá embora’. Ela provavelmente não queria ser rude, já que tinha sido ela quem lhe contou que o Doutor estava morto.

“Já estou bem.” Dane se levantou, pegou sua bolsa e checou o celular. O café fecharia em dez minutos. Ele deveria sair. Odiaria fazer uma funcionária ficar até tarde. Além disso, ele sabia que o Doutor não viria. “Obrigado.”

“Tenha uma boa noite.” Sharon pausou. “E sinto muito pelo Doutor. Nós todos o amávamos.”

“É.” Dane saiu pela porta e parou. E agora?

Puxando sua jaqueta de couro para mais perto do corpo, ele afastou todos os pensamentos sobre o médico morto. Ele não podia pensar naquilo agora. Precisava encontrar uma carona de volta para a rodoviária. Depois, comprar uma passagem e ir embora. Já era tarde, então provavelmente dormiria na rodoviária.

Parado na pequena varanda em frente às portas de vidro do café, Dane jogou sua mala sobre o ombro. Então ele ouviu algo. Ele inclinou a cabeça e escutou.

“Você parece um guaxinim bêbado que caiu num esgoto, Skeeter.” A voz do homem era ríspida. “Quando você vai parar de palhaçada e admitir que é um mentiroso?”

Dane espiou pela esquina de tijolos.

O homem chamado Skeeter estava engatinhando na calçada, na neve. Um de seus sacos de papel tinha rasgado no fundo. As latas, bebidas e caixas estavam espalhadas pelo cimento. O estranho não ajudava a pegar os itens enquanto Skeeter juntava a comida com seu único braço bom. O outro homem falava enquanto Skeeter lutava de joelhos.

“Não tem uma alma nesta cidade que acredite nessa história de namorado da cidade que você fica inventando,” o estranho zombou. “Você mente como um advogado de porta de cadeia em divórcio.”

“Eu não sei do que você está falando, Mule,” Skeeter pegou uma garrafa de água e enfiou no bolso do casaco.

“Admita logo que você inventou esse cara.” Mule, como ele era chamado, exigiu. “Qual é o nome dele mesmo? Você consegue ao menos lembrar?”

“Ele não é inventado.” Skeeter agarrou uma jarra de suco de laranja antes que rolasse na neve que se acumulava no chão. “O nome dele é DJ, ele mora na cidade grande, e ele é—” A mão de Skeeter agarrou uma caixa de bolachas. “Ele é alto como eu, e é bonitinho com cabelo preto curto e um monte de tatuagens, e tem piercing na sobrancelha, e no lábio e na orelha esquerda.”

Enquanto o homem no chão vomitava todas aquelas palavras, Dane encostou na porta de vidro da varanda. Skeeter estava descrevendo-o exatamente. Parecia que Skeeter estava mentindo sobre ter um namorado e, em pânico, usou Dane para uma descrição rápida. Havia algo naquilo que Dane odiava, e não era a mentira de Skeeter. Aquele babaca, Mule, estava humilhando Skeeter enquanto o pobre coitado engatinhava na neve.

Aquilo foi baixo demais.

Uma lata de sopa rolou pela calçada. Dane agachou-se e pegou o item perdido.

“E ele tem essa jaqueta de couro preta sexy,” Skeeter continuava falando apressado. “E ele fica gostoso naqueles jeans pretos, e o tênis preto e branco me lembra aqueles filmes dos anos cinquenta.”

Dane limpou a lata e deu um sorriso para os próprios sapatos. Ele supôs que eles funcionariam bem no filme Grease.

“E sabe de uma coisa?” Skeeter ainda não tinha parado de falar. “Ele é sexy, inteligente e divertido, e—você quer saber a melhor coisa sobre ele?”

Dane espiou a esquina de novo enquanto o homem se levantava e enfrentava o outro. Ele amassou um pão dentro do saco de papel.

“Ele é gentil,” Skeeter disparou, sua voz falhando com um orgulho desesperado. “Ele me trata bem, o que é muito melhor do que o que você está fazendo agora.”

Dane limpou a neve da jaqueta de couro. Talvez ele estivesse prestes a fazer aquilo porque gostou de como Skeeter o descreveu. Aquela foi a coisa mais leal que alguém já tinha dito sobre ele, e eles nem tinham se conhecido de verdade.

Mule era um idiota.

Endireitando a postura, Dane saiu da varanda e foi direto para os dois homens na rua. Uma vozinha perguntou o que ele estava fazendo, mas Dane não estava com vontade de ouvir. Ele estava com vontade de fazer Mule calar a porra da boca.

“Você precisa de mim, amor?” Dane entrou na luz de um poste próximo. Um sorriso brincou em seus lábios. Ele estendeu a lata de sopa de tomate como um ramo de oliveira, seu coração martelando contra as costelas enquanto esperava Skeeter agarrar a tábua de salvação.