Kingston (Livro 4 da Série The Land of the Forgotten)

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Resumo

Kingston Draig é o Rei dos Dragon Shifters há quase duzentos anos e ainda não tem uma Rainha. Ele é o solteiro mais cobiçado do clã Blár Dreki e a maioria das fêmeas dragão adoraria cravar suas garras nele e reivindicá-lo como seu. E certa noite, durante uma celebração, uma delas, Catalina, decide arriscar. Com a pressão crescente tanto do clã quanto de sua família para que ele encontre uma companheira, Catalina parece a escolha óbvia. Ela é bonita, jovem e uma fêmea dragão de sangue puro. Mas Kingston sabe que, graças a Aeres, ele deverá encontrar sua fated mate nos próximos vinte anos. Será que ele sucumbirá à pressão de sua família e do clã e se unirá a Catalina, ou irá contra todos e esperará pelo seu destino?

Gênero
Fantasy
Autor
Autumn
Status
Completo
Capítulos
86
Classificação
5.0 21 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

O Reino Humano

Dois Mil e Setecentos Anos Atrás

Aeres Baudelaire contemplava a imensidão do campo, com o coração aquecido pela vista daquela terra vasta e indomada. Colinas suaves estendiam-se até onde a vista alcançava, banhadas pela luz pálida do dia, e o ar estava carregado com o perfume da grama e da terra. Ela apressou o cavalo, guiando-o em direção ao salão de madeira bruta onde se encontrariam com Erik Draig.

“Tem certeza de que isso vai dar certo?”, perguntou Carwyn, seu companheiro, com a testa franzida de preocupação. Ele estava montado em seu próprio cavalo, mantendo o passo igual ao dela.

“Tenho certeza”, respondeu ela, lançando-lhe um sorriso.

O alívio suavizou as feições dele. “Que bom. Erik Draig é um dos melhores homens que já conheci. Ele merece essa chance. Mas ele é astuto e vai fazer um jogo duro.”

“Eu sei que vai”, ela respondeu, colocando para trás uma mecha de cabelo dourado que havia escapado da cobertura em sua cabeça.

Carwyn estendeu a mão, roçando a bochecha dela com dedos gentis. “Então, se alguém pode convencê-lo, esse alguém é você, minha flor.”

Os lábios de Aeres se curvaram. Carwyn era firme e bondoso, um companheiro de paciência e força. Ela não poderia ter pedido alguém melhor. Ele tinha sido bom para ela ao longo de todos aqueles anos infinitos.

Ele também era bonito, com seus cabelos escuros e olhos azuis gentis. Era musculoso e sua magia era poderosa. Eles formavam um bom par.

Eles pararam diante do salão, e os homens de Erik se aproximaram, com olhares afiados e avaliadores, as mãos pousadas sobre as armas. A suspeita brilhava em cada olhar.

Carwyn manteve a postura ereta na sela, com a voz firme. “Viemos falar com Erik Draig.”

Um guarda de cabelos loiros deu um passo à frente, seus olhos azuis alternando entre Carwyn e Aeres.

“Eu sou Carwyn Baudelaire, e esta é minha esposa, Aeres Baudelaire”, declarou Carwyn.

O guarda sustentou o olhar por um longo momento e depois inclinou a cabeça. “Venham.”

Carwyn desmontou e moveu-se para ajudar Aeres a descer. Outro homem levou seus cavalos e, com o braço de Carwyn firme ao redor dela, eles seguiram o guarda para dentro do salão.

Lá dentro, Erik Draig esperava. Seu cabelo era castanho e comprido, puxado para trás em uma trança. Sua estrutura era magra, mas cheia de músculos de anos de trabalho árduo. Olhos castanhos penetrantes observavam a aproximação deles, inabaláveis enquanto ele se debruçava sobre a mesa com as mãos entrelaçadas à frente.

“Carwyn”, disse Erik, sua voz carregando o peso do reconhecimento. “Você retornou.”

“Retornei.” Carwyn deu um passo à frente, com Aeres mantendo-se ao seu lado.

Uma sobrancelha se arqueou. “E você me traz uma mulher? Para aquecer minha cama?” Ele se levantou, seu olhar percorrendo Aeres. “Ela é linda.”

O maxilar de Carwyn travou. “Ela é minha esposa.”

Aeres viu o sorriso sarcástico de Erik antes que ele assentisse uma vez. “Que assim seja. O que você me traz, então?”

“Um acordo”, disse Carwyn.

A expressão de Erik escureceu. “Você me deve.”

“Estou ciente. E o que Aeres lhe oferece vale mais do que qualquer tesouro.” Ele fez um sinal para que ela se aproximasse.

Erik recuou para sua cadeira, gesticulando para os assentos à sua frente. “Sentem-se. Digam suas condições.”

Aeres sentou-se ao lado do marido, com os olhos fixos no homem a quem seria oferecido um presente que nenhum mortal jamais conhecera.

“O que acha de ter o poder de assumir a forma de qualquer fera que desejar?”, perguntou Carwyn.

Por um longo momento, Erik apenas encarou, antes de cair na risada. “Certamente você está brincando. Achei que traria algo que valesse a pena.”

Carwyn olhou para Aeres. Ela levantou a mão e, de imediato, vinhas brotaram da terra batida, subindo pelas pernas de Erik e enrolando-se em seus braços.

“Que feitiçaria é essa?”, ele rosnou, forçando-se contra os laços vivos.

Com um movimento de pulso dela, as vinhas murcharam até desaparecer. Erik levantou-se num salto, com os olhos em chamas. “Você é uma bruxa?”

“Fae”, corrigiu Carwyn, com tom de voz calmo. “Nós não somos deste mundo. Oferecemos a você este dom e, para sua linhagem, a imortalidade.”

A raiva de Erik deu lugar a uma curiosidade cautelosa. “Que tipo de fera?”

“Qualquer uma que escolher”, disse Carwyn.

“Vou precisar de provas”, rosnou Erik. “No momento, não confio muito em vocês.”

“Então venha”, respondeu Carwyn. “Veja com seus próprios olhos o que temos a oferecer.”

“Não posso sair por muito tempo. Não agora.” Erik cruzou os braços, resoluto.

Os lábios de Aeres se curvaram em um leve divertimento. Ela já havia previsto aquela resposta muito antes.

“Então faremos ser rápido”, disse ela. Ela atravessou o salão, colocou a mão no ombro de Erik e, num piscar de olhos, eles estavam no Portal do Norte. Carwyn esperava por eles lá, e Aeres soltou Erik para ficar perto de seu companheiro.

O sorriso de Carwyn era caloroso, e ela retribuiu, com o coração cheio de amor por ele. Seus cabelos escuros roçavam seus ombros, e seus olhos azuis brilharam quando ele ergueu a mão para abrir o portal cintilante.

Erik ofegou ao ver a cena. Carwyn agarrou seu braço e o puxou para dentro. O portal se fechou atrás deles, e Erik se virou, atônito, com os olhos arregalados enquanto contemplava o mundo além.

“O que é isso?”, exigiu ele.

“Bem-vindo a Tir Anghofi”, disse Aeres, com a voz calma. “Este é o nosso lar.”

O olhar de Erik percorreu a terra. “Onde estamos?”

“Você está além do reino mortal”, disse Carwyn a ele.

“Isso é loucura”, murmurou Erik.

A risada de Aeres foi suave e leve. “Venha. Falaremos mais em nosso castelo.”

Carwyn pegou o braço de Erik mais uma vez e, num suspiro, eles se teletransportaram para Castell Iris.

Erik cambaleou, mas Carwyn o segurou. Ele balançou a cabeça como se tentasse clarear os pensamentos. “Isso é... impossível.”

“Venha”, disse Carwyn. “Vamos nos sentar e conversar.”

Eles entraram em uma câmara com paredes de pedra esculpida e tapeçarias, com bancos almofadados e ornamentados. Os olhos de Erik se demoraram em cada detalhe.

“Vocês são da realeza?”, perguntou ele, por fim.

“Eu sou o Rei dos Fae”, respondeu Carwyn. “E ela é minha Rainha.”

Erik curvou a cabeça. “Suas Majestades, eu aceitarei o presente que vocês oferecem.”

Carwyn e Aeres compartilharam um sorriso silencioso. Ele colocou a mão nas costas dela. “Depois de você, minha Rainha.”

Eles sentaram-se juntos, e Erik acomodou-se diante deles.

“Você já decidiu que forma vai tomar?”, perguntou Carwyn.

“Será permanente?”, perguntou Erik, com tom cauteloso.

“Sim. Mas você sempre poderá retornar à sua forma humana”, garantiu Carwyn.

Erik assentiu lentamente. “Então eu serei como os grandes wyrms de antigamente — a besta da qual meu nome é derivado.”

“Um dragão?”, a voz de Carwyn continha tanto curiosidade quanto peso.

“Sim.” Erik cruzou os braços, com o olhar desafiador, como se os instigasse a negá-lo.

O olhar de Carwyn suavizou-se enquanto ele estendia a mão para tocar a bochecha de Aeres, buscando seu conselho silencioso. Ela sorriu de volta e deu-lhe a garantia sem usar palavras.

Ele beijou a têmpora dela antes de se virar novamente. “Então vamos fazer o acordo. Minha oferta: torná-lo um metamorfo de dragão.”

Os olhos de Erik ficaram intensos. “O que isso realmente envolve?”

“Você terá o poder de gerar outros da sua espécie”, disse Aeres a ele. “Através do seu sangue. Mas escolha com cuidado, Erik Draig. Nem todos são dignos de tal presente.”

Erik inclinou a cabeça gravemente. “O que mais?”

“Sua família — a linhagem Draig — deve governar para sempre. Todos os filhos nascidos de metamorfos de dragão carregarão o dragão dentro deles. E sua linhagem não envelhecerá nem morrerá.”

A expressão dele era solene. “E essa imortalidade? Ela se estenderá a todos os meus parentes?”

“A toda a sua linhagem”, confirmou Aeres. “E àqueles que você tomar como companheiro ou companheira.”

Erik inclinou-se para a frente. “Então ouçam minhas condições.”

“Fale”, disse Carwyn.

“Quero um lar nas montanhas do seu reino. Mudar de forma em minhas próprias terras chamaria atenção demais.”

Carwyn olhou para Aeres. Ela inclinou a cabeça. “Concedido.”

“Quero transitar livremente entre os reinos. E quero empunhar minha própria magia”, exigiu Erik.

Os lábios de Carwyn se abriram, mas Aeres tocou o braço dele. “Eu posso conceder isso.”

Ele se virou para ela, preocupado. “Aeres—”

“Eu posso fazer isso, meu amor”, disse ela suavemente.

Ele estudou os olhos dela, cheios de certeza, antes de assentir com seu consentimento, embora o peso da preocupação permanecesse.

“Mais uma coisa”, disse Erik, com a voz baixa. “Eu quero o que vocês dois têm.”

Tanto Carwyn quanto Aeres ficaram imóveis.

“O vínculo entre vocês”, continuou Erik. “A maneira como vocês olham um para o outro. A força que há nisso. Eu quero o mesmo.”

A voz de Carwyn estava medida. “Você está pedindo por uma alma gêmea vinculada?”

“Estou”, respondeu Erik com firmeza.

Carwyn olhou para sua rainha.

Aeres fechou os olhos, um calafrio percorrendo-a enquanto uma visão surgia diante dela — destruição e fogo, ruína estendendo-se para o futuro. Ela afastou a visão à força, estabilizou a respiração e abriu os olhos para encarar Erik com seu olhar penetrante.

“Levará tempo para aperfeiçoar, mas eu posso lhe dar isso”, disse ela, por fim. Sua voz estava firme, embora seu coração ainda ecoasse com a visão. “Eu concederei tudo o que você pede, Erik Draig. Mas, em troca, você deve me jurar uma coisa.”

Os olhos dele se estreitaram. “Carwyn me deve. Não eu, mas ele.”

“Você pede muito”, disse Aeres, com a voz rígida. “Jure, ou sua linhagem cairá.”

Por um longo momento, Erik não disse nada. Então, ele inclinou a cabeça. “Muito bem. Eu juro.”