Casa do Desejo

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Resumo

Ao que parece, meu recomeço inclui ficar espremida entre dois deuses do sexo enquanto o terceiro calmamente nos informa que "não é imune". Mudei-me com três homens. Nenhum deles pediu que eu escolhesse. Sem tensão. Sem rosnados territoriais. Sem ultimatos dramáticos. Apenas três homens que sabem exatamente o que está acontecendo... e não vão recuar. Era para eu estar recomeçando. Sem complicações. Em vez disso, estou morando em uma casa onde a tentação prepara o café da manhã e a tensão paira no corredor. Rafe observa. Aiden espera. Eli sorri como quem é um problema. E nenhum deles está fingindo que isso é normal. Eu sei como isso deveria funcionar. Um homem. Um enredo. Um final seguro. Mas estar no meio de três? Isso parece honesto. Talvez eu não precise escolher ainda. Talvez eu não queira. Pela primeira vez, não estou interessada em ser a garota sensata da sala. Eu quero a faísca. A tensão. O risco. Eu quero ver o que acontece quando paro de jogar pelo seguro.

Status
Completo
Capítulos
113
Classificação
5.0 12 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - KAT. Novo Começo

KAT

A primeira coisa que noto é a risada.

Não é uma risada educada.

Não são risadinhas de vizinhos passando por cima de uma cerca.

É uma risada masculina, alta e real. Do tipo que não pede permissão. Do tipo que ocupa espaço e acha que tem todo o direito disso.

Eu pauso no portão lateral, a alça da mala cravando na palma da minha mão.

A casa parecia calma vista da frente. Respeitável. Tijolos. Janelas. Com aquela cara de "eu pago meus impostos em dia".

Vista dos fundos?

Parece testosterona, fumaça e decisões ruins.

Empurro o portão apenas o suficiente para olhar através da fresta.

Três homens.

No quintal. Uma churrasqueira soltando fumaça lentamente. Garrafas na mão. A luz do sol batendo nos antebraços nus e na pele tatuada como se aquilo fosse algum tipo de anúncio de colônia chamado "Más Escolhas".

Claro.

Claro que o meu recomeço envolve dar de cara com três homens gatos rindo, como se o destino estivesse tirando uma com a minha cara.

Estou prestes a pigarrear quando um deles fala.

"Ei, Rafe", diz aquele que está largado na cadeira como se pagasse aluguel com audácia. "Sua nova colega de quarto não chega hoje?"

Rafe olha o relógio. Casual. Tranquilo. Como se o mundo girasse conforme a agenda dele.

"É. Entre meio-dia e três."

Outra voz. Mais baixa. Divertida. Perigosa de um jeito que não precisa de volume.

"Como ela é?"

Rafe dá de ombros. "Não faço ideia. Só sei que o nome dela é Katalina."

Uma pausa.

Então—

"Espero que ela seja gostosa."

Eu pisco.

Ah, é assim que vai ser?

Rafe nem se abala.

"Puta que pariu, Eli. Tenta segurar a porra do seu pau por uma vez na vida."

O terceiro solta uma risada baixa. Ácida. Observadora.

"Pelo que você sabe, ela pode ser uma psicopata. Ou uma virgem carola."

Eli geme. "Não manifesta isso."

"Você deveria fazer entrevistas melhores", acrescenta o de voz baixa. "Você atrai o caos."

Rafe levanta sua cerveja lentamente, com os olhos semicerrados e um ar presunçoso e conhecedor.

"Nah", diz ele. "Qual seria a graça disso?"

Oh.

Então essa é a energia do lugar.

Meu estômago aperta — não de medo. Nem de nervosismo.

É interesse.

Eu me endireito e empurro o portão de vez.

Ele range.

As três cabeças se viram.

Os olhos de Rafe pousam em mim primeiro.

Lentamente.

Sem surpresa. Sem nervosismo. Apenas... avaliando.

Seu olhar não é superficial. Ele leva o seu tempo. Como se fosse dono do que vê.

Então sua boca se curva.

"Bem", ele arrasta as palavras, alto o suficiente para os outros dois ouvirem. "Parece que a diversão acabou de chegar."

Ah, ele acha que é muito charmoso.

"Espero que ela seja gostosa?", eu digo com um tom neutro, entrando de vez no quintal. "Encantador. Realmente elevando o nível da harmonia comunitária."

Por meio segundo, silêncio.

Então—

"Porra", Eli murmura, inclinando-se para frente. "Ela é gostosa mesmo."

"Eli", Rafe diz suavemente, sem desviar os olhos de mim.

"O quê? Estou reconhecendo a realidade. Sou honesto."

O mais quieto bufa dentro da sua garrafa.

Deixo minha mala cair com um baque proposital.

"Para constar", eu acrescento, cruzando os braços, "o portão não é exatamente à prova de som."

O sorriso de Rafe se abre um pouco mais.

"Bom", diz ele. "Odeio ter que me repetir."

Aí está. Aquele tom. Calmo. Controlado. Levemente safado, sem ser explícito.

Inclino a cabeça. "Você deve ser o Rafe."

"Em pessoa."

"E vocês devem ser..." eu faço um gesto vago para os outros dois, "...o elenco de apoio?"

Eli se levanta imediatamente, com um sorriso largo e sem nenhum sinal de arrependimento.

"Elliot. Eli. O charmoso da casa. Por favor, não julgue a gente pela minha primeira impressão."

"Eu vou julgar com certeza", respondo. "Você começou com 'espero que ela seja gostosa'."

"Justo", ele diz. "Em minha defesa, você é."

Ele diz isso como se estivesse comentando sobre o tempo.

Aiden — porque eu já saquei que essa é a vibe dele — levanta sua garrafa levemente.

"Aiden."

Só isso.

Sem sorriso. Sem mão estendida. Apenas olhos calmos e firmes que não fingem que não estão me analisando.

Ele não me encara de forma libidinosa.

Ele me avalia.

Claro que ele é o perigoso.

Eu olho de volta para Rafe. "Então essa é a entrevista?"

Ele ri levemente. — Você já passou.

— Eu não respondi nada.

— Você apareceu na hora certa — diz ele. — Não pediu desculpas por ter nos ouvido falando merda. E continua aí, em vez de dar no pé.

Eli concorda. — Green flags enormes. Estamos obcecados.

— Eu não estou obcecado — Aiden diz, seco.

Eli olha para ele. — Você é reprimido emocionalmente.

— Correto.

Eu pisco.

Certo. Essa foi boa.

Aponto para Eli. — Você está andando no fio da navalha.

— Vale a pena.

Rafe aponta com o polegar para a casa. — Vamos. Vou te mostrar o interior antes que o Eli passe dos limites.

— Eu nem comecei — Eli protesta.

— Deus nos ajude — Aiden murmura.

Pego minha mala e sigo Rafe pelo pátio, ciente de três pares de olhos nas minhas costas.

Meu cérebro, sem ajudar em nada:

Três homens muito bonitos. Uma casa. Eu deveria ter usado uma lingerie melhor.

A cozinha se abre — linhas limpas, bancadas escuras, um lugar onde se vive, mas sem bagunça.

Intencional.

Rafe deixa sua cerveja no balcão. — Sente-se. Quer uma cerveja?

— É meio-dia — eu digo.

— É dia de mudança.

…justo.

— Tudo bem.

Ele pega uma garrafa e desliza pelo balcão.

Eu pego.

Eli bate palmas uma vez. — Ah, ela é coordenada. Estamos ferrados.

— Fale por você — diz Aiden.

Dou um gole e olho para Rafe. — Então. Nada daquelas perguntas sem graça de "conte-me sobre você"?

Ele se encosta no balcão, com os braços cruzados. Uma dominância natural. Ele não faz esforço. Ela simplesmente está lá.

— Você já respondeu à mais importante.

— Qual seria?

— Por que aqui.

Franzo a testa. — Eu não...

— Você não hesitou — ele diz, calmo. — A maioria das pessoas hesita.

Isso me atinge mais do que deveria.

Aiden se mexe um pouco perto da porta, como se estivesse esperando para ver se eu vou desviar ou ceder.

Ergo o queixo. — Eu queria um lugar novo.

Rafe concorda com a cabeça uma única vez.

Chega.

Sem curiosidade intrusiva. Sem pena.

Eli sorri. — Gostosa e misteriosa. Fizemos um upgrade.

— Eu não sou misteriosa — eu digo.

— Você entrou num jardim cheio de homens estranhos e nos insultou em trinta segundos — ele rebate. — Isso é confiança ou caos.

— Talvez os dois.

A boca de Rafe se curva levemente.

— É só isso que você trouxe? — ele pergunta, apontando para minha mala.

— O resto está no carro — respondo. — Não sei quanto tempo vou ficar.

O clima no ambiente muda.

Só um pouco.

O olhar de Rafe desce para a mala e, lentamente, volta pelo meu corpo até meu rosto.

— Veremos.

Não foi uma brincadeira.

Foi uma promessa.

Um desafio.

Encaro seus olhos. — É. Veremos.

Atrás de mim, Eli solta um assobio baixo. — Ah, eu gostei dela.

— Você gosta de todo mundo — diz Aiden.

— Verdade. Mas gosto especialmente de mulheres que não parecem assustadas.

Olho para ele. — Eu deveria estar?

Eli abre a boca.

Rafe responde no lugar dele.

— Só se você for entediante.

Sinto isso no meu estômago.

Não é medo.

É expectativa.

— Então — eu digo, gesticulando entre eles —, todos vocês moram aqui?

Rafe solta uma risada nasal. — Não. Só eu. Ben e Millie por enquanto.

— Criadores — Eli murmura.

— Eles ficaram juntos. Tem um bebê a caminho — Rafe explica.

— Traidores — diz Eli. — Ben já está praticando piadas de pai.

— E quando eles se mudarem? — eu pergunto.

Os olhos de Rafe voltam para os meus.

— Só nós — ele diz. — Por enquanto.

Esse deveria ter sido meu sinal para correr.

Carregar o carro.

Achar um lugar mais silencioso. Mais seguro. Menos… combustível.

Eu não corri.

Obviamente.

Eu não vim para cá porque queria sossego.

Eu vim para cá porque o silêncio estava me sufocando.

E parada na cozinha de Rafe, com três tipos muito diferentes de perigo ao meu redor —

Tenho a sensação de que acabei de resolver esse problema.

Tédio?

É.

Isso não vai ser um problema.

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