OBSESSÃO PERIGOSA (STALKER DARK ROMANCE 🌶️🌶️🌶️🌶️)

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Resumo

O sangue de Jax "Reaper" Harlan correu para o sul tão rápido que ele sentiu uma tontura. Seu membro endureceu, pressionando o zíper do jeans, e ele precisou mudar o peso do corpo para acomodar a ereção repentina e urgente. Ele leu as palavras novamente. E de novo. A cada vez, elas atingiam mais forte, pintando imagens em sua cabeça — uma garota, jovem, macia, abrindo as pernas para mostrar onde ela havia escrito. Um nome. O dele? Não, ainda não. Mas seria. Tinha que ser. "Jax? Tudo bem, irmão?" "O que diabos você está encarando, VP?", perguntou Mace, sua voz rouca ecoando pela sala que ficou subitamente silenciosa. Jax olhou para o celular. Depois, de volta para a sala. Um sorriso se espalhou por seu rosto — lento, perigoso, a expressão de um lobo que acabara de sentir um rastro que valia a pena perseguir. "Isso..." Ele ergueu o celular. "Recebi uma ligação por engano, uma porra de um poema erótico de alguma universitária. Acho que é o número errado." A sala explodiu. "Lê! Lê essa porra!" Slick abandonou a mesa de sinuca, com o taco ainda na mão. Ele era um desgraçado esguio, com tatuagens de cobras subindo pelo pescoço e um sorriso malicioso permanente. "É sobre peitos? Me diz que é sobre peitos."

Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
5.0 26 avaliações
Classificação Etária
18+

CORAÇÕES NEGROS

🥀 ──── ⋆⋅☆⋅⋆ ──── 🥀

(Nota da Autora

Antes de mergulhar nessas páginas, prepare o cenário direito.

Aperte o play em Gangsta’s Paradise de Kehlani da trilha de Suicide Squad, a versão orquestral, se conseguir achar. Deixe as cordas subirem. Deixe a batida bater como um coração sob suas costelas. Deixe a música se infiltrar na sua corrente sanguínea.

Esta história respira em sombras e caminha com o peso de um coração sobrecarregado. Tem gosto de perigo, devoção e daquele tipo de amor que machuca antes de curar. A música certa não vai só ambientar o clima, ela vai enrolar em volta da sua garganta e puxar você para baixo, devagar.

Tem uma playlist completa esperando no final do livro. Se você é do tipo que gosta de se preparar para a queda, pule para o último capítulo antes de começar e monte sua fila no YouTube, Spotify ou onde quer que você alimente seus ouvidos.

Confie em mim.

Este mundo fica mais escuro quando tem trilha sonora.)



PRÓLOGO


---


*Um número errado.*

*Uma mensagem enviada por engano.*

*Um poema feito só para os olhos de uma amiga.*


*Ela não sabia que estava digitando seu destino.*

*Ele não sabia que estava lendo seu futuro.*


*Em algum lugar entre*

*"apaga isso"*

_e_

*"você é meu bebê"*

*um fósforo foi riscado.*


*O fogo demoraria meses para queimar.*

*Mas a faísca?*


*A faísca viveu em seis palavras:*


*"Escrevi seu nome onde meu pulso bate devagar."*


---


**🖤 Que a obsessão comece. 🖤**





JAX


O clube fedia a suor, cerveja velha e aquele cheiro metálico de sangue seco que tinha penetrado tão fundo no piso de madeira que nada jamais conseguiria tirá-lo. A sede principal dos Iron Wolves ficava nos arredores do distrito industrial, como um tumor que crescera ali — um forte de dois andares feito de blocos de concreto e chapas de aço corrugado, convertido décadas atrás de uma oficina mecânica abandonada. As paredes estavam cobertas por insígnias de gangues desbotadas, cartazes descascados de corridas antigas do Iron Wolves MC e um mural de um lobo rasgando a garganta de uma serpente que ocupava toda a parede sul — uma mensagem nada sutil para quem entrasse.


Naquela noite, a sala comum vibrava com a tensão típica de um planejamento de guerra. Os Crimson Vipers tinham se atrevido, atacado um dos caminhões de transporte dois dias antes e deixado um prospecto sangrando na rua. Não morto — queriam que a mensagem fosse entregue. Os Lobos não esqueciam mensagens.


Mace "Iron" Callahan, presidente dos Iron Wolves, estava curvado sobre uma mesa de carvalho maciço que já tinha visto mais sangue derramado do que a maioria dos pronto-socorros. A mesa estava marcada por facadas, queimaduras de cigarro e círculos de garrafas de cerveja. Aos quarenta e três anos, Mace tinha o corpo de um tanque — um e noventa e cinco, uns cento e quinze quilos, com uma barba grisalha que descia até o meio do peito e braços cobertos de tatuagens que contavam a história de vinte e cinco anos no clube. O colete estava aberto, revelando uma regata suja de suor e as bordas desbotadas de antigas cicatrizes de faca. Ele apontava um dedo grosso para um mapa do território, marcando pontos de entrada, rotas de fuga, zonas de emboscada.


— Gutter, você e o Slick pegam a rota norte. Eles vão esperar a gente pelo sul, então entrem em silêncio, sem motos, sem luzes. Esperem pelo meu sinal. — A voz de Mace era áspera e autoritária, o tipo de tom que não admitia perguntas.


Gutter, um cara magro na casa dos trinta, com uma orelha a menos e um sorriso debochado permanente, assentiu de onde estava esparramado num sofá de couro rachado. — Silêncio de igreja, Prez.


— Igreja não é silenciosa quando você tá lá — alguém murmurou. Risadas se espalharam pela sala.


Do outro lado do salão, perto do bar que ocupava toda a parede leste, outro tipo de caos acontecia. Jax "Reaper" Harlan, vice-presidente do clube, segurava um prospecto pelo colarinho, mantendo o garoto na ponta dos pés como um filhote desobediente. Jax tinha trinta e seis anos de músculos definidos e más intenções, um e oitenta e cinco de ombros largos que bloqueavam a luz e mãos que tinham acabado com mais vidas do que a maioria dos cirurgiões. Seu corpo era um mapa de violência — cicatrizes de faca nas costelas, um buraco de bala logo abaixo da clavícula e tatuagens suficientes para parecer que tinha sido pintado por demônios. O apelido Reaper vinha da tatuagem do ceifador que cobria suas costas inteiras, foice erguida e pronta, mas os irmãos sabiam que o verdadeiro ceifador era o próprio Jax. Frio. Eficiente. Absoluto.


O prospecto, um garoto chamado Danny que tinha sido integrado do clube de apoio três meses antes, tinha ferrado tudo. Simples assim. Deixou uma porta destrancada durante uma entrega, e agora faltavam dois quilos de mercadoria e um Viper tinha entrado como se fosse o dono do lugar.


— Me desculpa, VP, juro, eu não—


— Cala a boca. — A voz de Jax era baixa, quase casual, mas cortou o pânico do garoto como uma faca em manteiga. — Você não pensou. Esse é o problema. Você não tem que pensar. Tem que seguir ordens. Quando eu mando trancar uma porta, você tranca essa porra como se sua vida dependesse disso, porque depende. Quando eu mando ficar de vigia, você fica até as pernas cederem. Não pode ficar cansado. Não pode se distrair. Não pode cometer erros.


Ele apertou mais o colarinho do garoto, observando o rosto de Danny passar de vermelho para roxo. Ninguém na sala deu bola — isso era disciplina, parte do ritmo da vida no clube. Os pés de Danny arranhavam o chão de concreto, as mãos tentando, sem sucesso, se soltar do antebraço de Jax.


— Quer usar esse colete? — Jax continuou, o rosto a centímetros do do garoto. — Quer se chamar de Iron Wolf? Então mereça. Todo. Santo. Dia. Mais um erro e eu mesmo te entrego pros Vipers. Entendeu?


Danny conseguiu assentir, engasgado. Jax o manteve ali por mais cinco segundos, deixando o medo assentar, então o soltou. O garoto caiu no chão, ofegante, segurando a garganta.


— Some da minha frente.


Danny se arrastou para longe, sumindo nos fundos, onde o clube mantinha os quartos. Alguns irmãos riram, mas a maioria apenas observava com olhos frios e avaliadores. Era assim que as coisas funcionavam. Era assim que se sobrevivia.


Perto das mesas de sinuca, um grupo de garotas do clube ocupava o espaço entre decoração e mobília. Eram a mistura de sempre — mulheres de olhar duro na casa dos vinte, com maquiagem demais e esperança de menos, usando shorts cortados e regatas que exibiam as tatuagens que tinham feito para provar que pertenciam. Candy, uma loira oxigenada de rosto em formato de coração e pavio curto, arrumava as bolas com eficiência enquanto Trixie e Nova bebiam cerveja e observavam os homens com a atenção cuidadosa de predadoras que conheciam seu lugar na hierarquia.


— O Reaper tá de mau humor hoje — Nova murmurou, os olhos seguindo Jax enquanto ele se dirigia ao bar. — Alguém vai perder uns dentes antes da noite acabar.


— Alguém já perdeu — Candy disse, acenando na direção do prospecto que tinha fugido. — O garoto teve sorte de manter os dele.


Trixie, a mais nova das três, com maquiagem borrada nos olhos e um piercing no nariz, observava Jax com uma expressão que misturava medo e desejo. Todas as mulheres na sala olhavam para Jax daquele jeito. Ele era bonito como uma arma carregada é bonita — perigoso, preciso, capaz de causar estragos. Quando ele atravessava um cômodo, o ar mudava, ficava mais denso. Até os homens lhe davam espaço.


O celular de Jax vibrou no bolso. Uma vez. Duas. Uma terceira, com aquela insistência que dizia que alguém queria sua atenção.


No começo, ele ignorou, pegando a garrafa de uísque no balcão. Mas o celular não parava, a vibração batendo contra sua coxa como uma coceira que não dava para coçar. Ele ainda segurava o prospecto com uma mão, a outra enfiada no bolso atrás do aparelho preto e liso.


Quase deslizou para ignorar o número desconhecido. Quase.


Mas algo o fez parar. Talvez fosse o DDD — perto demais do bairro da universidade. Talvez fosse a prévia na tela de bloqueio, que mostrava mais texto do que a maioria dos números errados. Talvez fosse o destino, a sorte ou o universo de sacanagem.


O polegar deslizou pela tela.


A mensagem abriu.


**Número Desconhecido:** *Oi, Mia... você vai pegar o cheesecake pro aniversário da Lu no próximo domingo? Também mandei o rascunho do livro de poesia pra revisão e coloquei o título de Amira porque não quero que o Sr. Radcliffe diga que tenho fixação por glândulas mamárias... deixa eu te mostrar um trecho do poema...*


Jax franziu a testa. Cheesecake. Poesia. Glândulas mamárias. Que porra era essa?


Então o poema chegou.


**Número Desconhecido:** *Escrevi seu nome onde meu pulso bate devagar,*


*Tatuado num lugar que só mãos inquietas conheceriam.*


*Chegue perto, não me peça pra me comportar,


*Tenho gosto de pecado e não pretendo me salvar.*


**Número Desconhecido:** *Adivinha o que aconteceu quando fui na cafeteria da faculdade... O Craig tava lá... aff, ele tava no meu lugar como se estivesse esperando... é como se ele soubesse pra onde eu vou... se ele me paquerar mais uma vez, vou dizer que sou lésbica e te beijar na frente de todo mundo... tô de saco cheio... O Needles tem que ir no veterinário... depois te ligo pra falar do projeto... tchau, linda...*


A mão de Jax afrouxou.


O prospecto caiu no chão com um baque, ofegante, mas Jax não notou. Não notou nada. O mundo inteiro tinha se reduzido à tela brilhante na sua mão, às palavras que tinham se enfiado sob sua pele como parasitas.


*Escrevi seu nome onde meu pulso bate devagar.*


*Tatuado num lugar que só mãos inquietas conheceriam.*


Puta que pariu.


O sangue desceu tão rápido que ele sentiu a cabeça girar. O pau endureceu, pressionando o zíper da calça jeans, e ele teve que se ajeitar para acomodar a ereção súbita e urgente. Leu as palavras de novo. E mais uma vez. Cada vez, elas batiam mais forte, pintando imagens na sua cabeça — uma garota, jovem, macia, abrindo as pernas para mostrar onde tinha escrito. Um nome. O nome dele? Ainda não. Mas seria. Seria.


— Jax? Tá tudo bem, irmão?


A voz de Gutter veio de algum lugar distante. Jax ergueu os olhos, e a sala voltou a entrar em foco. O prospecto tinha sumido — provavelmente correu assim que a mão de Jax afrouxou. Os irmãos estavam olhando. Mace tinha se afastado do mapa, os olhos afiados de curiosidade.


— Que porra tá olhando, VP? — Mace perguntou, a voz rouca ecoando pelo salão que de repente ficou em silêncio.


Jax olhou para o celular. Depois para a sala. Um sorriso se abriu no seu rosto — lento, perigoso, a expressão de um lobo que acabara de sentir um cheiro que valia a pena perseguir.


— Isso... — Ele ergueu o celular. — Recebi uma mensagem errada com poesia safada de uma garota da faculdade. Acho que é número trocado.


A sala explodiu.


— Lê! Lê essa porra! — Slick largou o taco de sinuca, ainda na mão. Era um cara magrelo com tatuagens de cobra subindo pelo pescoço e um sorriso malicioso permanente. — É sobre peitos? Diz que é sobre peitos.


"Rosas são vermelhas, balas são azuis, quero sentar na sua cara até eu... o quê?" Gutter deu de ombros para as caras que recebeu. "Qual é? Eu tenho jeito com as palavras."


"Cala a boca, Gutter, deixa o VP ler essa merda."


Mace tinha se aproximado, um sorriso raro puxando o canto da boca por baixo da barba. "Qual é o nome dela?"


Jax balançou a cabeça, ainda olhando para a tela. "Não tem nome. Só mandou pra alguém chamada Mia. Falando de cheesecake, publicação de poesia e um professor babaca chamado Radcliffe. E um pseudônimo—Amira."


"Amira", Candy repetiu da mesa de sinuca, a voz pingando desdém. "Parece coisa de artista fresca."


"Ah, é arte, sim", Jax disse, e havia algo na voz dele que fez a sala ficar em silêncio de novo. Ele leu em voz alta, a voz caindo naquele tom grave e áspero que deixava os homens nervosos e as mulheres molhadas: "*Escrevi seu nome onde meu pulso bate devagar, tatuado num lugar que só mãos inquietas conheceriam.*"


Silêncio.


Depois, o caos.


"Caralho, VP, ela escreveu isso?"


"Isso é muito sacana."


"Qual é o resto? Lê o resto!"


"*Chega perto, não me peça pra me comportar*", Jax continuou, os olhos ainda grudados na tela, "*tenho gosto de pecado e não pretendo me salvar.*"


Nova até se abanou, um gesto teatral que fez Trixie dar risada. Até a Candy pareceu impressionada, as sobrancelhas subindo até quase sumirem no cabelo descolorido.


"Essa garota tem uma boca suja", Gutter comentou. "Já gostei dela."


Mace observava Jax com uma expressão que dizia que ele via mais do que os outros. "Vai responder?"


O polegar de Jax já estava se mexendo.


**Jax:** *Número errado, querida. Mas esse poema? Me deixou duro numa sala cheia de babacas. Quem diabos é Amira?*


Ele apertou enviar antes que pudesse pensar duas vezes. A sala prendeu a respiração.


Um minuto passou. Dois.


"Ela não vai responder", Slick arriscou. "Deve estar cagando de medo."


"Deve estar bloqueando ele", Candy acrescentou com um sorrisinho. "Eu faria isso."


Então o celular vibrou.


**Número Desconhecido:** *Meu Deus, sinto muito, eu não queria mandar isso pra você. Por favor, apaga. Por favor..*


Jax quase conseguia ouvir o pânico dela. Quase conseguia vê-la—mãos delicadas segurando o celular, bochechas coradas, coração disparado. A imagem o deixou ainda mais duro.


**Jax:** *Nem pensar.*


**Desconhecido:** *O quê?*


**Jax:** *Não vai rolar. Manda o resto, poeta. Isso foi quente.*


A bolinha de digitação apareceu. Desapareceu. Apareceu de novo.


**Desconhecido:** *O quê? Não. Eu nem te conheço. Vou te bloquear.*


**Jax:** *Você me ouviu, gata. Manda o resto.*


A resposta veio na hora.


**Desconhecido:** *Eca. Não me chama de gata.*


Jax bufou. *Eca*. Ela tinha dito *eca*. Como se ele fosse algum cara num café dando em cima dela. Como se ele fosse o Craig, o babaca que não saía do pé dela. A comparação fez algo sombrio se enroscar no peito dele. Ele não era o Craig. Ele não era nada que ela já tivesse encontrado antes.


Ele clicou na foto de perfil dela. Era só uma imagem recortada—dois olhos, cílios longos, íris castanhas contornadas com kohl, que os deixavam esfumaçados e sensuais pra caralho. Mas aqueles olhos. Aqueles olhos tinham profundidade, e ele queria se afogar neles. Eram o tipo de olhar que te encarava como se já conhecesse seus segredos e gostasse deles mesmo assim.


Ele salvou a foto no celular. Depois digitou:


**Jax:** *Você é minha, gata. Só não sabe ainda.*


A bolinha de digitação apareceu. Desapareceu. Então a foto de perfil sumiu, substituída pelo ícone cinza padrão.


*Usuário bloqueou você.*


A sala explodiu.


"Puta merda! Ela te bloqueou!"


"O Reaper levou um fora de uma poetisa!"


"Caramba, VP, vai deixar a garotinha escapar assim?"


Jax ergueu os olhos do celular, e as risadas morreram na garganta de todos. A expressão dele não tinha mudado—ainda aquele meio-sorriso perigoso—, mas os olhos estavam frios e vazios. O tipo de frio que antecede a violência.


"Não é meu estilo", ele disse, baixo.


Ele foi até o armário de metal encostado na parede do fundo, onde guardavam uma dúzia de celulares descartáveis para operações. Pegou um, quebrou o plástico e começou a configurar. Número novo. Linha impossível de rastrear.


Mace o observava, os braços cruzados sobre o peito enorme. "Calma aí, cowboy. Ela é só uma garota de uns vinte e cinco anos que mandou a mensagem errada. Vai atrás dela assim? Você vai assustar a coitada."


Jax não tirou os olhos do celular. "Ela é minha. Só não sabe ainda."


As palavras pairaram no ar, pesadas de convicção absoluta. Não era tesão. Nem obsessão ainda, embora fosse virar. Era algo mais profundo—um reconhecimento, uma reivindicação. Ele tinha lido as palavras dela, visto aqueles olhos, e algo dentro dele tinha se encaixado. Ela pertencia a ele agora. Só não tinha percebido.


Gutter trocou um olhar com Slick. "Caramba, o VP virou predador de vez."


"Sempre foi", Mace murmurou, mas havia algo quase como preocupação nos olhos dele. Ele via Jax em ação há quinze anos. Já o tinha visto matar sem piscar, torturar sem hesitar, tomar territórios com eficiência implacável. Mas nunca o tinha visto olhar para uma mulher daquele jeito. Como se ela já fosse dele, como se o universo tivesse cometido um erro de entrega e ele estivesse prestes a consertar.


Jax terminou de configurar o celular descartável, depois pegou o pessoal e transferiu o número. Já o tinha decorado—tinha lido vezes suficientes. O DDD indicava que ela morava perto do campus da universidade. Uma rápida consulta aos recursos do clube daria o nome, o endereço, a rotina. Ele ia encontrá-la. Era só questão de tempo.


"Voltando aos negócios", Mace anunciou, voltando ao mapa. "Temos uma guerra pra planejar. Jax, você tá com a gente?"


Jax guardou os dois celulares no bolso e voltou para a mesa. "Sempre."


Mas a cabeça dele não estava nos Vipers. Estava num par de olhos contornados de kohl e em palavras que tinham se enfiado debaixo da pele. Numa garota que escrevia sobre tatuar nomes onde o pulso batia devagar. No jeito como o sangue dele tinha fervido ao ler os versos dela.


Ele ia encontrá-la. E, quando encontrasse, ia fazê-la sua de todas as formas possíveis. Ela ia escrever poemas sobre ele—reais, íntimos, palavras que só pertencessem a ele. Ia aprender o que significava ser reivindicada por um homem que não sabia largar o osso.


A reunião continuou ao redor dele—falavam de rotas de suprimentos, esconderijos, planos de retaliação. Jax participava, dava ordens, tomava decisões. Mas uma parte dele já tinha ido embora, já estava caçando.


O celular descartável vibrou no bolso. Ele tinha instalado um aplicativo de rastreamento de números. Qualquer mensagem para o número original agora seria encaminhada para ele. Ela o tinha bloqueado, mas isso não importava. Ele tinha seus meios.


Ele sempre conseguia o que queria.


E o que ele queria era ela.


LINA

Lina estava sentada na cafeteria.


Não era uma cafeteria qualquer—era *a* cafeteria dela, aquela escondida entre uma livraria de usados e uma loja de roupas vintage numa rua que cheirava a chuva e papel velho. O Moedor de Páginas, como chamavam, era exatamente o tipo de lugar que uma estudante de Letras deveria frequentar: paredes de tijolo aparente, móveis descombinados, um cardápio de giz que mudava conforme o humor do barista e barulho ambiente suficiente para parecer intelectual sem atrapalhar.


Lina Evergreen tinha vinte e quatro anos e era bonita de um jeito incômodo, daqueles que ela nunca soube muito bem como administrar. Com um metro e cinquenta e três, passava despercebida numa multidão, mas, quando alguém *realmente* olhava para ela, desviar os olhos virava missão impossível. O cabelo caía em ondas de seda preta que, sob a luz da tarde, ganhavam reflexos de chocolate amargo, a mesma cor dos olhos—aqueles olhos grandes demais para o rosto, emoldurados por cílios que se curvavam naturalmente e faziam cada expressão parecer levemente trágica ou levemente sedutora, dependendo do ângulo. O corpo dela era um estudo de contradições: curvas macias que o suéter de cashmere creme não conseguia esconder, quadris largos sob as leggings pretas, uma cintura que implorava por mãos para se apoiarem. Era como se tivesse saído de uma pintura renascentista num mundo que preferia filtros do Instagram.


Naquele dia, ela tinha caprichado. Brincos de ouro balançavam nas orelhas, pegando a luz quando se mexia. As unhas estavam feitas num rosa suave, combinando com o interior dos lábios. Um lenço de seda, lavanda claro com minúsculas flores bordadas, estava amarrado no pescoço num laço frouxo. Ela parecia tudo o que havia de macio e doce no mundo, um doce que dava vontade de morder, algo precioso que precisava de proteção.


E também parecia completamente, absolutamente horrorizada.


O celular estava em cima da mesa de madeira riscada, entre o laptop e uma pilha instável de livros: *Ariel*, de Plath, *Mergulho no Wreck*, de Rich, uma antologia gasta de poesia beat e três livros da biblioteca sobre teoria feminista contemporânea. A tela ainda estava acesa, exibindo a conversa que tinha feito seu estômago despencar vinte minutos antes.


**Desconhecido:** *Você é minha, gata. Só não sabe ainda.*


Ela tinha lido doze vezes. Talvez catorze. Cada vez, a mensagem caía de um jeito diferente—primeiro como confusão, depois como alarme, depois como um estranho frio na barriga que ela se recusava a admitir.


Que tipo de pessoa fala assim com um desconhecido?


Ela queria ter mandado mensagem para a Mia. Mia, sua melhor amiga desde o primeiro ano, a única que sabia da coletânea de poemas, que naquele momento estava pegando cheesecake para a festa de aniversário da Lu no domingo. Ela tinha digitado a mensagem inteira—o lembrete do cheesecake, a piada sobre o pseudônimo Amira (o professor Radcliffe podia enfiar no cu o comentário sobre "obsessão por glândulas mamárias"), o poema que estava *especificamente* revisando para a tese, o desabafo sobre o Craig aparecer *de novo* na cafeteria como se fosse uma praga persistente, o lembrete da consulta do Needles no veterinário—


Um dígito. Um único dígito errado no contato da Mia, e, em vez de ir para a melhor amiga segura e conhecida, tudo tinha ido parar para um desconhecido. Um desconhecido que respondeu *aquilo*.


*Me deixou duro numa sala cheia de babacas.*


Lina sentiu o rosto queimar só de lembrar. Tinha lido aquelas palavras e sentido o calor explodir nas bochechas, descer pelo pescoço, chegar em lugares que ela não costumava pensar em público. A vulgaridade casual. A presunção. O jeito como ele a chamou de *poeta*, como se fosse um apelido carinhoso, como se tivesse algum direito.


Ela o tinha bloqueado logo depois de mandar aquele último *Eca. Não me chama de gata.*


Mas não antes de ler a última mensagem dele. Não antes de aquelas palavras se gravarem em seu cérebro.


*Você é minha bebê. Só ainda não sabe.*


Havia algo naquela frase que não estava nas outras. As primeiras mensagens tinham sido grosseiras, sexuais, do tipo que ela esperava de tarados anônimos da internet. Mas aquela última... aquela última tinha sido *certeira*. Como se ele soubesse de algo que ela não sabia. Como se já tivesse decidido algo em que ela não tinha voz.


Aquilo fez sua pele arrepiar de um jeito que ela não sabia explicar.


"Lina? Terra chamando Lina?"


Ela piscou. Craig estava parado ao lado da mesa dela, segurando um copo de café com aquele sorriso no rosto — aquele que deveria ser charmoso, mas sempre caía entre o metido e o desesperado. Era bonito de um jeito convencional: cabelo loiro-arenoso, olhos azuis, um suéter desgrenhado que provavelmente custava mais do que o aluguel dela. Candidato a mestre em escrita criativa. Há três meses, ele "esbarrava" com ela.


"Ah. Oi, Craig." Ela forçou um sorriso, grata pela distração dos pensamentos que não paravam de girar.


"Você parecia estar a quilômetros daqui." Ele apontou para a cadeira vazia à sua frente. "Tá ocupada?"


Ela hesitou. Estava. Pela bolsa, pelo cachecol, pelo direito de ficar sozinha. Mas Craig já puxava a cadeira, já se sentava como se aquele fosse o lugar dele.


"Trabalhando em algo bom?" Ele se inclinou para a frente, tentando ler a tela do notebook dela de cabeça para baixo. Lina virou o aparelho na hora.


"Só... coisa da tese."


"Ah, é. A obsessão por Plath." Ele sorriu como se estivessem compartilhando uma piada. "Eu escrevi um artigo sobre ela no semestre passado. A gente podia trocar umas ideias qualquer dia. Num jantar, quem sabe."


*Se ele flertar comigo mais uma vez, vou dizer que sou lésbica e te beijar na frente de todo mundo.*


O pensamento em Mia fez seu peito doer. Mia saberia o que fazer com aquele tarado das mensagens. Mia faria ela rir daquilo, transformaria em história, lembraria que homens esquisitos eram só parte do barulho de fundo de existir num corpo de mulher. Mas Mia não estava ali. Mia estava no trabalho, e Lina estava presa com Craig e seu otimismo insistente.


"Na verdade, tô cheia de trabalho", ela disse, educada, mas firme. "Talvez outra hora."


"Claro, claro. Entendo." Ele não se mexeu. "Ei, esse é o novo livro da antologia? Tava querendo comprar." Ele esticou a mão para um dos livros da biblioteca dela, e Lina teve que se segurar para não dar um tapa na mão dele.


"Tá emprestado", ela disse. "Pra mim."


"Eu só vou dar uma olha—"


"Craig." A voz dela ficou mais afiada. "Eu preciso me concentrar."


Algo passou nos olhos dele — irritação, talvez, ou orgulho ferido —, mas ele disfarçou com aquele sorriso. "Tá. Claro. A gente se fala depois, Lina."


Ele se levantou, e por um momento ela achou que tinha acabado. Então ele se inclinou, perto o suficiente para ela sentir o cheiro do perfume, e disse baixinho: "Sabe, você ficaria mais bonita se sorrisse mais."


O sangue de Lina gelou. Depois esquentou. Depois gelou de novo.


Ela o viu se afastar, se enfiando entre as mesas, se sentando num lugar perto da janela onde — ela tinha certeza — podia vê-la pelo reflexo. O mesmo lugar de sempre. O mesmo lugar onde ele estava quando ela digitou aquela mensagem para Mia sobre ele *saber exatamente por onde ela andava*.


O pensamento caiu como uma pedra agora.


*É como se ele soubesse exatamente por onde eu ando.*


Ela tinha escrito aquilo para Mia. Uma brincadeira. Um exagero. Mas era mesmo? Quantas vezes ela tinha mencionado sua cafeteria favorita? O horário das aulas? Os caminhos que fazia entre a faculdade e o apartamento? Craig sempre *estava lá*. Sempre aparecendo. Sempre com aquele sorriso que deveria ser charmoso, mas que agora, depois de tudo, parecia outra coisa.


Lina sacudiu a cabeça. Estava ficando paranoica. Craig era chato, não perigoso. O tarado das mensagens era só um cara qualquer que tinha errado o número. Ela o bloqueou. Tinha acabado.


Ela puxou o caderno para mais perto, abriu numa página em branco e tentou se concentrar nas palavras que tinha escrito na aula daquela manhã.


**Uivo. Ginsberg. O nervo cru, o jeito como ele pegava sua loucura e a tornava universal, a fazia cantar. "Vi as melhores mentes da minha geração destruídas pela loucura" — talvez houvesse uma tese nisso. A poesia feminista contemporânea como uma espécie de loucura sagrada, uma recusa em ser sã num mundo que exige das mulheres silêncio e pequenez.**


Mas a caneta não parava de divagar.


*Escrevi seu nome onde meu pulso bate devagar.*


De onde tinha saído aquilo? Ela tinha escrito semanas antes, num surto de inspiração depois de ler os poemas de amor de Anne Sexton. Nem era para ser erótico, na verdade. Era sobre posse, sobre reivindicação, sobre o jeito como o amor marca a gente em lugares que ninguém mais vê. Mas o homem do telefone tinha lido diferente. Ele tinha lido como um convite.


*Me deixou duro.*


A grosseria deveria tê-la repelido. E repelia. Mas ainda assim—


Lina largou a caneta e pressionou as palmas das mãos contra as bochechas quentes. O que havia de errado com ela? Um tarado qualquer tinha dado uma espiada acidental nos seus escritos particulares e respondido como um homem das cavernas, e ela estava ali *pensando naquilo* em vez de se concentrar no trabalho de verdade.


Olhou as horas. O seminário de poesia era em quarenta minutos. Tempo suficiente para revisar as anotações sobre Ginsberg, preparar suas ideias sobre a interseção entre a poesia beat e a raiva feminista contemporânea, esquecer que aquilo tudo tinha acontecido.


Guardou a mochila com eficiência — notebook na capa, cadernos empilhados, canetas recolhidas, cachecol refeito. Não olhou para Craig ao passar pela mesa dele, mas sentiu os olhos dele nas suas costas como um peso físico.


Lá fora, o ar estava frio e limpo, carregando a promessa de chuva. Lina apertou mais o suéter e seguiu em direção ao campus, a mente já mudando de marcha.


Quando chegou ao prédio de humanas, quase tinha conseguido esquecer. A arquitetura antiga de pedra, a hera subindo pelas paredes, os alunos apressados entre as aulas — aquele era o mundo dela. Seguro. Familiar. Previsível.


O seminário de poesia acontecia numa salinha no terceiro andar, janelas com vista para o pátio, carteiras dispostas em círculo para facilitar a discussão. A professora Whitmore já estava lá quando Lina chegou, organizando suas anotações à frente do círculo. Era uma mulher miúda, na casa dos sessenta, de olhos afiados e opiniões mais afiadas ainda, o tipo de professora que tinha visto todas as modas acadêmicas irem e virem e as tinha sobrevivido por ser simplesmente brilhante.


"Srta. Evergreen." Ela ergueu os olhos quando Lina entrou. "Li o seu último trabalho. O texto inspirado em Plath."


O coração de Lina deu um solavanco. "Ah. Hum. Obrigada?"


"Está bom. Bravo nos lugares certos. Não deixe ninguém te dizer para amenizar."


A simples validação fez o peito de Lina se encher. "Não vou deixar. Obrigada, professora."


Ela se sentou enquanto os outros alunos chegavam — a mistura de sempre de poetas dedicados, teóricos e pelo menos dois que claramente só estavam ali pelo crédito. Quando a aula começou, a sala estava cheia, e Lina tinha conseguido enterrar os acontecimentos da manhã sob camadas de foco acadêmico.


"Hoje vamos discutir Ginsberg", começou a professora Whitmore, "mas quero abordá-lo por um ângulo que talvez vocês não esperem. Já falamos de *Uivo* como um manifesto da rebeldia beat, como um grito contra o conformismo, como um texto queer à frente de seu tempo. Hoje quero falar de *uivo* como um poema de amor."


Um murmúrio de interesse percorreu a sala.


"Porque é isso que ele é, no fundo. Um poema sobre ver as pessoas que a gente ama serem destruídas por um mundo que não tem lugar para elas. Um poema sobre a sacralidade da loucura, sobre a santidade dos excluídos. E quero que vocês pensem nisso — na interseção entre amor e raiva, no que significa escrever de um lugar de tamanha ternura pelos quebrados."


A caneta de Lina corria pelo caderno, capturando frases, ideias, conexões. Mas sua mente ficou presa em outra coisa.


*Amor e raiva.*


*Ternura pelos quebrados.*


Ela pensou na própria poesia — a coleção secreta, o pseudônimo Amira, o jeito como despejava todos os desejos escondidos em versos que nunca mostrava a ninguém. Havia raiva ali, sim. Raiva de um mundo que queria as mulheres dóceis, quietas, pequenas. Mas também havia ternura. Uma ternura desesperada, dolorida, pelas partes dela que mantinha escondidas.


"Quero que vocês tentem uma coisa essa semana", continuou a professora Whitmore. "Escrevam um poema que contenha amor e raiva. Não um depois do outro — os dois ao mesmo tempo. Na mesma linha, na mesma imagem, contendo os dois. É mais difícil do que parece."


Lina já estava rascunhando na cabeça quando o celular vibrou na mochila.


Ela o ignorou.


Vibrou de novo.


E de novo.


Um ritmo conhecido. A pulsação insistente de alguém que queria atenção *agora*.


A mão de Lina se moveu antes que o cérebro pudesse impedi-la, tirando o celular da mochila e olhando a tela por baixo da mesa.


**Número Desconhecido:** *Gostei do seu poema.*


**Número Desconhecido:** *Aquele sobre escrever nomes.*


**Número Desconhecido:** *Eu penso nele quando me masturbo à noite.*


O sangue sumiu do rosto de Lina.


**Número Desconhecido:** *Você me bloqueou, poetisa. Isso não foi legal.*


**Número Desconhecido:** *Mas eu entendo. Você ainda não me conhece.*


**Número Desconhecido:** *Vai conhecer.*


O polegar de Lina se moveu no automático, bloqueando o número de novo. O coração batia tão forte contra as costelas que ela tinha certeza de que alguém ia ouvir.


"Srta. Evergreen? Você está bem? Está pálida."


A voz da professora Whitmore cortou o pânico. Lina ergueu os olhos e viu a sala inteira olhando para ela.


"Eu—sim. Tudo bem. Só... notícia ruim. Coisa de família. Desculpa."


Ela enfiou o celular de volta na mochila, pegou a caneta e tentou parecer normal. Tentou parecer alguém cujas palavras particulares não tinham acabado de ser usadas como arma por um desconhecido. Tentou parecer alguém cujo mundo seguro e organizado não tinha acabado de rachar, deixando algo escuro vazar por entre as fissuras.


A aula continuou ao redor dela. Vozes subiam e desciam. Ideias eram debatidas. Lina ficou paralisada, o caderno em branco, a mente repetindo aquelas palavras sem parar.


*Vai me conhecer.*


Lá fora, o céu tinha ficado cinza. A chuva estava chegando.