Contrato
Ponto de vista de Meredith:
A luz da manhã parece forte demais, mesmo com as cortinas fechadas, e minha cabeça lateja com uma dor teimosa que irradia dos pontos na têmpora até o pescoço.
Qualquer movimentozinho piora tudo. O estômago embrulha, e estou irritada por causa da dor constante e daquela névoa que sobrou da concussão.
Estou no meio da cama grande, cercada pelos cinco. O lado não machucado de Jeremy está colado em mim, o braço dele cuidadosamente passado pela minha cintura. A perna de Sebastian está entrelaçada na minha. Edison respira devagar contra minhas costas. A mão grande de Dexter pesa no meu quadril. Alex segura meus dedos com os dele, frouxamente.
Quando me mexo só um pouquinho, a dor dispara. Não consigo evitar o resmungo rabugento que escapa.
Jeremy se mexe na hora, a voz rouca de sono, mas já cheia de preocupação. "Bom dia, principessa. Como está essa cabecinha dura?"
"Dói", resmungo, enfiando o rosto no peito dele para bloquear a luz. "Achei que já ia estar melhor."
A mão de Edison começa a fazer círculos lentos nas minhas costas. "Só se passaram dezoito horas, baby. Concussão leva tempo. O inchaço ainda está aí. Hoje, tudo vai ser bem devagar."
Sebastian olha para o curativo. "Nada de forçar, piccola. Parece que é o que você faz. Vai ficar na cama ou no sofá. A gente cuida do resto."
Quando Dexter se levanta e menciona café da manhã, meu estômago embrulha e a irritação cresce.
"Não estou com fome", respondo, encolhendo-me mais contra Jeremy. "A cabeça dói demais, e o estômago está ruim. Posso só dormir mais? Não quero nada agora."
A voz grave de Dexter é gentil, mas firme. "Hoje não, sweetheart. Os remédios precisam de comida no estômago. Você comeu um pouco ontem à noite, mas hoje vai comer direito. Nada de pular refeição."
Fecho os olhos para revirar — e me arrependo na hora.
Jeremy me ajuda a sentar devagar, ajeitando travesseiros atrás de mim. A mão dele segura meu rosto, o polegar roçando de leve embaixo do meu olho. "Babygirl, me escuta. Sei que a dor está teimosa agora… é normal, tão perto do golpe. Mas discutir por comida não vai melhorar a dor de cabeça. Você vai comer pelo menos um pouco de mingau com frutas e uma torrada. Pequenas mordidas. Isso não está em discussão."
De novo, como se eu tivesse escolha.
Faço cara feia, a teimosia acendendo apesar da dor latejante. "Mas pode me deixar mais enjoada. Por favor? Só dessa vez? Não quero comer."
Alex aperta minha mão, a voz suave, mas firme. "A gente sabe que você não está com vontade, baby. Mas estamos sendo firmes porque nos importamos muito com você. Ontem à noite, você foi boazinha com a comida. Pode ser boazinha de novo."
Sebastian volta com a bandeja: mingau quentinho com frutas, torrada cortada em pedacinhos e suco. Eles não recuam. Jeremy tenta me dar a primeira colherada, mas viro o rosto, emburrada.
"Já disse que não estou com fome", resmungo, cruzando os braços, mesmo que isso faça minha cabeça latejar mais. "Por que vocês estão todos se juntando contra mim? Sebastian, você nem é meu Dom, então não tem o direito de me dar ordens assim."
O quarto fica em silêncio por um segundo. Sebastian ergue uma sobrancelha, mas a voz continua calma. "Posso não ser seu Dom ainda, piccola, mas eles são. E agora eles estão dizendo para você comer porque é o melhor para você."
Bufo, olhando feio para todos. "Tá, mas por que vocês estão todos se juntando contra mim? Parece que estão todos contra mim."
Edison suspira baixinho, ainda fazendo carinho nas minhas costas. "Baby… você prefere que a gente esteja em páginas diferentes como seus Doms? Discordando um do outro enquanto você está sofrendo?"
Faço uma pausa, a irritação vacilando. Minha voz sai mais baixa. "Prefiro que vocês estejam do meu lado."
Sebastian dá uma risadinha. "Que fofo, mas não é assim que funciona quando você não está bem. Eles são seus Doms, e estão tomando a decisão certa. Come, principessa. Por eles."
O círculo firme e carinhoso deles, as vozes constantes, o jeito como todos me olham com preocupação e autoridade acabam minando minha teimosia. Deixo Jeremy me dar algumas colheradas de mingau, depois pego um pouco de torrada e suco. É devagar, relutante, e resmungo baixinho o tempo todo, mas consigo comer metade da tigela. Eles me elogiam mesmo assim — "Boa menina", "É nossa principessa durona", "Tá indo bem, mesmo rabugenta."
Quando tiram a bandeja, meu estômago já está um pouco mais estável, embora a dor de cabeça continue latejando, teimosa.
Jeremy me carrega para o banheiro, apesar dos meus protestos fracos de que consigo andar. Ele verifica os pontos de novo, sob a luz mais forte. A área está sensível e inchada, mas ele diz que parece normal para menos de um dia. Aplica pomada, coloca um curativo novo e beija a testa do lado que não está machucado.
"Isso vai doer por uns dias, babygirl. Nada de mexer. Um de nós vai te ajudar com tudo: banho, cabelo, o que você precisar. Não vai fazer nada sozinha."
Mais tarde, à tarde, eles me levam com cuidado para o grande sofá da sala, me enrolando em cobertores macios. Sempre tem alguém me tocando: fazendo carinho nas costas, segurando minha mão, afastando o cabelo do curativo.
Colocam um filme, algo leve e conhecido que eu escolhi. As cortinas já estão bem fechadas, e o brilho da TV está no mínimo, mas depois de vinte minutos, a tela ainda começa a piorar a dor. As cores brilhantes e até o movimento suave disparam pontadas agudas no meu crânio. Franzo os olhos, me mexendo sem jeito, tentando disfarçar.
Sebastian percebe na hora. A mão dele para no meu tornozelo. "Piccola, seu rosto está todo franzido. O filme está te machucando, né?"
Balanço a cabeça rápido demais e logo me arrependo, quando a dor aumenta. "Tá tudo bem. As cortinas já estão fechadas, e a TV está no mínimo. Não quero ficar deitada sem fazer nada. Já estou entediada de ficar só deitada o dia todo."
Os dedos de Jeremy passam devagar pelo meu cabelo, evitando o curativo. "Babygirl, não tá tudo bem. Mesmo com as cortinas fechadas e o brilho baixo, o movimento e a luz da tela ainda são demais para a sua concussão agora, tudo bem. Vamos desligar e te levar de volta para a cama, para descansar direito."
"Não quero!", protesto, a voz saindo mais manhosa e irritada do que eu pretendia. A teimosia volta com tudo. "Fiquei deitada o dia todo. Não quero só ficar olhando pro teto. Por que não posso assistir? Vocês estão todos se juntando contra mim de novo."
Edison suspira, já pegando o controle para pausar. "De novo, não estamos nos juntando contra você, baby. Estamos na mesma página porque é isso que bons Doms fazem quando a garota deles está sofrendo. Você precisa de descanso em silêncio agora, não de estímulos que só pioram a dor."
A voz grave de Dexter é suave, mas definitiva, enquanto ele se levanta. "Vamos, sweetheart. De volta para a cama. Sem discussão dessa vez."
Cruzo os braços, emburrada, mesmo quando Jeremy me pega no colo com cuidado. "Isso é ridículo. Não sou uma criança que precisa ser carregada pra todo lado e mandada deitar. As cortinas estão fechadas, já está escuro… eu devia aguentar um filminho."
Sebastian ri baixinho enquanto nos segue escada acima. "Você pode não gostar, mas agora é nossa bebê que precisa de cuidados. E estamos todos de acordo nisso, quer você goste ou não."
Resmungo baixinho o caminho todo de volta para a sala de jogos, mas não resisto quando me acomodam no meio da cama grande de novo, cercada de travesseiros e cobertores. As luzes ficam baixas. Nada de telas. Só vozes tranquilas e mãos gentis acariciando meus braços, minhas costas, meu cabelo.
Minha cabeça ainda dói. A dor teimosa persiste, como se tivesse vida própria. Mas, mesmo com a irritação, consigo sentir como estou segura, envolvida por todos eles, com a presença firme recusando-se a me deixar forçar a barra.
Suspiro, trêmula, enfiando o rosto no peito de Jeremy de novo. "Ainda dói pra caramba… mas acho que prefiro vocês todos na mesma página do que brigando por isso."
Jeremy beija o topo da minha cabeça, bem de leve, logo acima do curativo. "É minha boa menina. A dor é normal tão cedo. Vai passar devagar. Eu te seguro. Todos nós. Agora descansa. Nada de lutar contra o silêncio. Só deixa a gente cuidar de você."
Os outros murmuram concordâncias baixinhas, as mãos nunca parando, os toques sempre reconfortantes.
Fecho os olhos, o ritmo constante da respiração deles finalmente me puxando, apesar da dor teimosa na cabeça e dos ecos fracos do pesadelo.
Só se passou um dia.
O pesadelo ainda parece perto demais às vezes.
Mas estou segura.
Estou em casa.
E, mesmo quando estou rabugenta e teimosa, eles não me deixam passar por nada disso sozinha.
Estou de volta na cama grande depois da bronca sobre "o filme estar te machucando", apoiada numa montanha de travesseiros, com o braço de Jeremy em volta de mim e os outros espalhados por perto.
Minha cabeça ainda lateja, teimosa, mas o silêncio e os toques gentis constantes tornaram a dor um pouco mais suportável. A irritação de antes já virou mais um cansaço mal-humorado, e estou me sentindo corajosa o suficiente para provocar Sebastian um pouco.
Porque não tem nada que ele possa fazer.
Haha.
Inclino a cabeça devagar — bem, ai — e olho para ele, sentado na beirada da cama, uma mão no meu tornozelo, a outra segurando o celular, as sobrancelhas franzidas.
"Sabe", digo, a voz ainda meio manhosa, mas agora com um tom de provocação, "você estava me dando ordens mais cedo por causa do filme. 'Nada de forçar, piccola. Você vai ficar na cama.' Tentei imitar a voz dele. 'Como se você pudesse me mandar fazer alguma coisa.'"
Estreito os olhos, brincalhona.
— Se você continuar tão respondona e mandona comigo, vou acabar dizendo não para você pra sempre. Lembra que você ainda nem é meu Dom?
Sebastian arqueia a sobrancelha, aquele sorrisinho presunçoso e dominante puxando os lábios. Ele passa a língua neles. Depois, se inclina, e sua voz desce para aquele tom aveludado que os Doms usam tão bem, que sempre me faz o estômago dar uma cambalhota, mesmo quando a cabeça está latejando.
— Querida — ele diz, com a diversão escorrendo pelas palavras —, acho que você não aguentaria nem metade do que eu quero fazer com você. Marcou um monte de coisas como "não" no contrato dos meus irmãos que eu adoraria testar com você.
Pisco para ele, a curiosidade vencendo a dor de cabeça por um segundo. — Tipo o quê?
Ele nem hesita. — *Primal play*, para começar.
Faço uma careta na hora. — Eca, que nojo. Tipo... com animais?
A sala explode em risadas.
Jeremy ri ao meu lado, o peito vibrando contra mim.
Edison balança a cabeça, sorrindo.
Dexter solta uma gargalhada estrondosa, e até Alex cobre a boca, os olhos brilhando.
O que foi que eu disse?
O sorrisinho de Sebastian só aumenta, mas há carinho nele. — Não, *piccola*. Você está pensando em bestialidade, e isso é um "não" bem firme para todos nós também. *Primal play* é algo bem diferente: perseguição, captura, instinto puro, rosnados, mordidas, ser tomada como se fosse uma presa. Muito humano. Muito intenso. Quase como *CNC*.
Dexter enxuga uma lágrima do canto do olho, ainda rindo. — Meu Deus, *babygirl*. Achei que você tinha dado uma olhada nas coisas quando assinou nossos contratos.
Dou de ombros, as bochechas esquentando um pouco enquanto me afundo mais nos travesseiros. — Qual é o problema? Tinha um monte de coisa naqueles papéis. Dei uma olhada por cima em algumas. Eu estava nervosa, tá?
Edison se inclina, afastando uma mecha de cabelo do meu curativo com cuidado, a voz quente, mas provocante. — Bom... se você não leu direito, a gente pode refazer o contrato do zero. Pra ter certeza de que você sabe exatamente no que está concordando dessa vez.
Jeremy assente, dando um beijo suave no topo da minha cabeça. — Ele tem razão, *principessa*. Podemos sentar juntos quando sua cabeça melhorar. Vamos passar por cada item devagar. Sem pressa, sem adivinhação. Queremos que você entenda o que está dizendo sim — ou não — para cada coisa.
Os dedos de Sebastian apertam de leve meu tornozelo, os olhos ainda brilhando com malícia. — E aí, quem sabe você para de me ameaçar com um "não" eterno, hein? Porque, depois que você ler sobre *primal play*... pode acabar dizendo sim.
Dou um muxoxo, mas não consigo esconder o sorrisinho que insiste em aparecer, apesar da dor de cabeça teimosa. — Talvez. Ou talvez eu ainda diga não só pra te contrariar.
Alex sorri do outro lado da cama. — Não a teríamos de outro jeito, *babygirl*.
A provocação fica no ar como um cobertor quente e familiar, cortando a dor latejante na minha cabeça. Ainda estou aninhada no peito de Jeremy, o braço bom dele me envolvendo, enquanto os outros ficam por perto na cama grande. Os dedos de Sebastian continuam acariciando meu tornozelo, aquele sorrisinho presunçoso ainda nos lábios.
Dou outro muxoxo, mas dessa vez sai mais suave, quase uma risada. — Vocês são impossíveis. Tá bom. Podemos refazer o contrato quando minha cabeça parar de parecer que vai rachar. Mas só estou concordando porque vocês estão se juntando contra mim de novo.
Provoco, mas ainda um pouco séria.
Dexter ri, a voz grave ecoando pelo quarto enquanto se acomoda na cadeira. — Essa é a nossa garota. Teimosa até com concussão.
Jeremy dá outro beijo suave no topo da minha cabeça. — Vamos com calma, *principessa*. Sem pressão. Só respostas honestas. Queremos que você saiba exatamente no que está dizendo sim... ou não.
Edison se ajeita atrás de mim, a mão ainda fazendo círculos lentos nas minhas costas. — E vamos explicar tudo direito dessa vez. Sem pressa. *Primal play* não tem nada de nojento ou relacionado a animais. É sobre instinto puro, troca de poder, perseguição e entrega entre adultos que consentem. Muito humano. Muito intenso.
Faço outra careta, mas a curiosidade está vencendo o mau humor. — Então... tipo fugir e ser pega? Rosnar e essas coisas?
Os olhos de Sebastian acendem com aquele brilho perigoso e dominante. — Exatamente. Imagine eu te perseguindo pela mata à noite, te pegando e te prendendo no chão, tomando o que quero enquanto você resiste só o suficiente pra deixar tudo mais divertido. Sem animais de verdade. Só nós dois, primitivos, selvagens, completamente perdidos no momento.
Sinto as bochechas esquentarem, apesar da dor de cabeça, um calor que eu jamais admitiria se espalhando pela barriga. — Ah... isso não parece tão ruim assim.
Alex ri baixinho do outro lado da cama. — Viu? Eu disse que você ia gostar de algumas coisas que marcou como "não".
Lanço um olhar brincalhão para ele. — Não se empolga. Ainda posso dizer não para metade só pra vocês ficarem na ponta dos pés.
Sebastian se aproxima, a voz caindo para um tom baixo e provocante de novo. — Pode tentar, querida. Mas depois que a gente passar a lista direito, tenho a impressão de que você vai marcar bem menos coisas como "não" dessa vez.
Mostro a língua para ele, com cuidado, porque qualquer movimento brusco faz a dor latejar, e resmungo: — A gente vai ver. Mas se você continuar me dando ordens antes de ser oficialmente meu Dom, vou marcar *primal play* como um "não" bem firme. Só pra te irritar.
O quarto se enche de risadas quentes de novo. Dexter balança a cabeça, sorrindo. — Lá está ela. Com dor de cabeça ou não, nossa *principessa* respondona continua aqui.
O peito de Jeremy vibra com uma risada baixa enquanto me aperta um pouco mais. — Cuidado com o que deseja, *babygirl*. Sebastian não precisa ser seu Dom oficial para fazer você se arrepender de provocá-lo. Ele é paciente... mas não esquece.
Sebastian pisca para mim. — Exatamente. E eu tenho uma memória muito boa, *piccola*.
Me acomodo de volta contra Jeremy com um suspiro dramático, mas estou sorrindo agora. A dor teimosa na cabeça ainda está lá, latejando, mas as provocações e a proximidade deles fazem ela parecer menor. Mais segura.
— Tá bom — digo, fechando os olhos e me deixando afundar no calor deles. — Vamos refazer o contrato. Mas só depois que minha cabeça parar de doer e eu conseguir pensar direito. E nada de rir de mim quando eu fizer perguntas bobas sobre o que *primal play* realmente significa.
Edison beija a nuca suavemente. — Nada de rir. Prometo. Vamos explicar tudo até você se sentir confortável — diz, sério.
Dexter murmura em concordância. — E se você ainda disser não para *primal play* depois de entender... a gente respeita. Mas tenho a impressão de que você pode se surpreender.
Não respondo na hora. Em vez disso, me aconchego mais no peito de Jeremy, deixando as vozes e os toques suaves deles me acalmarem. O pesadelo de ontem parece mais distante agora, substituído por essa segurança, pelas provocações, pelo amor e pela promessa silenciosa de explorarmos as coisas juntos quando eu estiver pronta.
Ainda estou encolhida contra o peito de Jeremy, o batimento constante do coração dele sob minha mão ajudando a aliviar a dor teimosa na cabeça. As provocações sobre Sebastian e *primal play* deixaram o ar com uma energia leve e brincalhona, e, mesmo com a dor de cabeça ainda ali, a curiosidade está vencendo.
Inclino a cabeça só o suficiente para olhar para Sebastian, movendo-me devagar. — Tá bom... então *primal play* não é coisa de animal nojenta. Entendi. Mas já que vamos refazer o contrato todo mesmo... — faço uma pausa, mordendo o lábio. — Que outras coisas eu marquei como "não" que vocês gostam? Ou que acham que eu poderia gostar depois de entender melhor?
O quarto fica um pouco mais silencioso, mas de um jeito bom, atento, não tenso. A mão de Jeremy acaricia meu cabelo com delicadeza. Edison se aproxima mais atrás de mim. Dexter e Alex se inclinam um pouco, dando toda a atenção para mim.
A voz de Edison é calma e tranquilizadora contra minhas costas. — Tem amarração, mais do que só nos pulsos. Cordas, algemas, talvez suspensão, pra ser sincero. Você marcou muita coisa como "não", talvez porque parecesse restritivo demais. Mas tem jeitos de fazer que ainda te deixam segura e no controle, mesmo amarrada.
Me mexo um pouco, a ideia me causando um friozinho na barriga, apesar da dor de cabeça. — Tipo... corda bonita? Não aquela que deixa marca por dias?
Alex sorri, apertando minha mão. — Exatamente. Decorativa e funcional. Podemos começar com amarrações simples nos pulsos, nada que te prenda completamente ainda, mas acho que você ia gostar de ser uma *rope bunny*. E também acho que você curtiria *sensory play*: vendas, gelo, penas, brincadeiras com temperatura. Você marcou quase tudo como "talvez". É sobre potencializar tudo quando você não consegue ver ou prever o que vem depois. Você pareceu gostar quando a gente tentou.
Dexter retoma, o tom provocante, mas gentil. — Tem também o *breeding kink*. Você marcou como "não" firme. Muitas garotas fazem isso no começo porque parece intenso, mas é mais sobre conversa suja, possessividade, a fantasia de ser reivindicada e preenchida. Não precisa de gravidez de verdade... embora, na nossa família, o casamento venha com a expectativa de que a gente pelo menos tente ter um herdeiro. No pior dos casos, a gente adota, como nossa mãe fez com alguns de nós.
Faço outra careta, balançando a cabeça com firmeza. — Ainda é um "provavelmente não" pra mim. Sinceramente... eu nunca quis filhos, de verdade. Nunca. A coisa toda de gravidez e parto me dá nojo. Vi um vídeo na aula de saúde quando era adolescente e fiquei traumatizada.
O quarto fica visivelmente mais silencioso por um segundo.
A mão de Jeremy para no meu cabelo. Edison se mexe atrás de mim. O aperto de Dexter no meu quadril fica um pouco mais forte. Sebastian levanta uma sobrancelha, mais curioso do que surpreso.
Edison pigarreia, a voz calma, mas claramente surpresa. — A gente... não sabia que era um "provavelmente não" para bebês. Sempre achamos que era algo que você poderia considerar no futuro.
Dexter murmura, baixo. — É. Daqui a alguns anos, quando as coisas se acalmarem com a família e os negócios... um herdeiro vai ter que acontecer. A gente pensou... bom, a gente esperava que pudesse ser você carregando isso.
Jeremy fica em silêncio por um momento, mas consigo sentir a surpresa no jeito como seu corpo se tensiona levemente contra o meu. "Isso sempre fez parte do plano a longo prazo para nós, principessa. Não agora. Mas, eventualmente... ia acontecer."
Pisco para eles, genuinamente confusa, imaginando eu dando à luz. Me apoio num cotovelo, devagar, porque minha cabeça protesta. "E vocês querem que seja eu?! Já viram alguém parir? A pessoa faz cocô. Na frente de todo mundo. Não, obrigada. Eu não vou fazer isso. Nunca."
O quarto explode em risadas, quentes, profundas e genuinamente divertidas.
Jeremy ri, puxando-me de volta contra seu peito. "Babygirl... você acha que cocô assusta a gente? Tá enganada. A gente já colocou a língua naquele lugar sujo em você. Se a gente lambe seu cu e adora cada segundo imundo, um pouco de cocô no parto não vai nos assustar."
Minhas bochechas queimam na hora. "Jeremy!"
A risada estrondosa de Dexter enche o quarto. "Ele não tá errado, querida. A gente já enfiou a cara entre suas pernas um monte de vezes e curtiu cada segundo bagunçado. No parto? A gente ia estar lá, segurando sua mão, enxugando sua testa e dizendo o quanto você é linda e forte, cocô ou não."
Edison sorri e dá um beijo na minha nuca. "Exatamente. A gente não é de cristal. Somos homens. Já te vimos nos seus momentos mais vulneráveis, mais íntimos. Um pouco de função corporal normal durante o trabalho de parto não vai mudar o quanto a gente te quer. Ou o quanto a gente quer te engravidar um dia... se você mudar de ideia."
Eu gemo, enterrando o rosto queimando na camisa de Jeremy. "Vocês são os piores. Tô dizendo que não quero filhos, que o cocô é um deal-breaker, e vocês ficam rindo de lamber meu cu como se não fosse nada."
Alex também ri baixinho, apertando minha mão. "Pra gente não é nada demais, babygirl. A gente ama cada pedacinho seu, os bonitos e os bagunçados. Se ter nosso herdeiro significa estar lá pra tudo... a gente topa. Sem hesitar."
Sebastian se aproxima ainda mais, sorrindo para meu rosto claramente vermelho. "E se você realmente não conseguir ou não quiser engravidar? Sempre tem adoção, igual nossa mãe fez. Mas a expectativa pro casamento é que você pelo menos tente. Essa é a tradição."
Dou uma espiada neles, as bochechas ainda quentes, mas um sorrisinho relutante aparecendo nos lábios, apesar da dor de cabeça teimosa. "Vocês são todos ridículos. E nojentos. E eu ainda não quero filhos agora. O cocô é mais nojento do que qualquer coisa que vocês já fizeram no meu cu, muito obrigada."
Jeremy beija o topo da minha cabeça, com cuidado, bem ao lado do curativo. "Mensagem recebida, principessa. Sem pressão por enquanto. A gente conversa mais sobre isso quando você estiver melhor e quando a hora chegar de verdade. Mas saiba... se um dia chegar ao casamento, tentar faz parte do acordo. Cocô e tudo."
Eu gemo de novo e escondo o rosto, mas não consigo evitar uma risadinha que escapa.
Minha cabeça ainda dói.
A conversa é ridícula, constrangedora e um pouco avassaladora.
Mas estou segura, cercada pelo calor e pelas risadas deles, e até falar de cocô, herdeiros e lamber meu cu parece... normal. Amada. Como se eles realmente quisessem cada pedacinho de mim.
As risadas vão diminuindo aos poucos, deixando um silêncio aconchegante e quente no quarto. Minhas bochechas ainda queimam por causa da conversa sobre "cocô no parto", mas o jeito como todos me olham, com aquela mistura de diversão, carinho e zero julgamento, faz com que eu não consiga ficar envergonhada por muito tempo.
Mesmo com a dor latejante na cabeça, me sinto... acolhida. Como se cada besteira que eu dissesse estivesse segura aqui.
Me enfio mais no peito de Jeremy, deixando seu batimento cardíaco firme me acalmar. A mão de Edison continua fazendo círculos lentos e reconfortantes nas minhas costas, e os dedos de Sebastian ainda acariciam meu tornozelo de leve, como se já estivesse reivindicando aquele pedacinho de mim.
Depois de um minuto, murmuro contra a camisa de Jeremy, a voz ainda abafada e manhosa por causa da dor de cabeça: "Tá bom... mas sério. Chega de falar de filhos agora. Minha cabeça dói demais até pra pensar em empurrar um ser humano pra fora de mim. Não tô dizendo não exatamente, mas podemos voltar pro assunto do contrato? As partes menos assustadoras?"
Dexter ri baixo e profundo, o som ecoando pelo quarto como um trovão distante. "Tá certo, querida. Sem pressão. Vamos deixar a conversa sobre herdeiros pra quando você não estiver se recuperando de uma concussão."
Alex aperta meus dedos de leve, o polegar roçando meus nós dos dedos. "O que mais você quer saber, baby? A gente pode continuar revisando a lista. Ou qualquer coisa que você esteja curiosa."
Inclino a cabeça só o suficiente para espiar Sebastian de novo, tomando cuidado para não mexer nos pontos. Aquele sorrisinho convencido ainda está nos lábios dele, e isso faz algo se agitar lá no fundo da minha barriga, mesmo com a dor e o cansaço.
"Tá bom", digo, ainda tentando soar birrenta, mas saindo mais como cansada e mal-humorada. "Já que vocês tocaram no assunto de primal play... o que mais eu marquei 'não' que vocês acham que eu ia gostar? E não riam de mim de novo se eu errar."
Edison dá um beijo suave logo abaixo do meu curativo. "Pet play. Você marcou 'talvez', mas acho que estava imaginando outra coisa. Não são animais de verdade... é mais como você sendo nossa gatinha ou cachorrinha fofa numa cena. Orelhinhas, rabo plug, engatinhando, sendo elogiada e acariciada, e sendo chamada de boa menina enquanto a gente cuida de você completamente. Talvez até uma coleira, se você gostar de se sentir guiada e possuída. Uma gaiolinha macia pra momentos de tranquilidade, se um dia quiser essa entrega total."
Meu rosto esquenta de novo. "Um rabo plug? Tipo... no meu—?"
Dexter sorri, largo e sem arrependimentos. "Isso mesmo, querida. Bem no seu cuzinho lindo enquanto você fica de quatro, sendo nossa boa menina. Mas sem pressão, tá? Só algo pra pensar."
Eu gemo e escondo o rosto no peito de Jeremy de novo. Me mexo, tentando disfarçar a excitação. "Vocês vão me matar de vergonha antes da concussão."
Alex ri baixinho. "A gente adora como você fica vermelha fácil, baby. É uma gracinha."
Os dedos de Sebastian apertam meu tornozelo de leve. "E tem também a coisa de chamar de Mestre. Você marcou um 'talvez' fraco nisso. Algumas garotas adoram chamar o Dom de 'Papai' ou 'Mestre' enquanto ele cuida delas, mima e depois come elas de jeito. É a mistura perfeita de carinho e dominação suja."
Abro um olho, curiosa apesar de mim mesma. "Tipo... vocês querem que eu chame vocês de Mestre?"
Sebastian dá de ombros, aquele sorriso perigoso se aprofundando. "Só se fizer sentido pra você. Sem forçar. Mas é... eu não me importaria de ouvir isso desses lábios bonitos enquanto te tenho dobrada."
Solto um gritinho envergonhado e enterro o rosto de vez. O quarto se enche de risadas quentes de novo, mas são gentis, nunca maldosas.
"Para", murmuro, mesmo que um sorrisinho relutante apareça nos meus lábios. "Minha cabeça dói e vocês estão me deixando toda... agitada. Isso não é justo."
Jeremy beija o topo da minha cabeça, com cuidado e carinho. "Esse é o ponto, principessa. Mesmo quando você tá machucada e mal-humorada, a gente quer que você se sinta segura o suficiente pra ser curiosa. Pra fazer perguntas. Pra dizer não se algo realmente não funcionar pra você, mas tentar entender primeiro."
A voz de Edison é suave contra minhas costas. "Exatamente. A gente tá refazendo o contrato pra não ter mal-entendidos. Você pode perguntar qualquer coisa, perguntas bobas, nojentas, assustadas. A gente responde com sinceridade, e só vamos em frente com o que você realmente quiser. Se não, a gente explica cada coisa e vê o que te interessa quando você souber mais sobre isso."
Fico quieta por um momento, deixando as palavras deles assentarem. A dor de cabeça ainda lateja, teimosa e pesada, mas o calor deles ao meu redor faz com que pareça... suportável. Como se eu não precisasse lutar contra ela sozinha.
Finalmente, suspiro, o som trêmulo, mas mais suave do que antes. "Tá bom. Quando minha cabeça parar de tentar explodir, a gente senta e revisa tudo. Pra valer dessa vez. Sem pular nada. E eu posso fazer quantas perguntas vergonhosas quiser, sem vocês rirem demais."
Dexter murmura em concordância. "Combinado, querida. E a gente explica cada coisa até você se sentir confortável. Até o negócio do cocô no parto."
"Dexter!", reclamo, batendo fraquinha no ar na direção dele.
Mais risadas, quentes e carinhosas.
Edison se inclina e dá um beijo cuidadoso na minha têmpora sem curativo. "Você tá segura com a gente, Tesoro. Sempre. Mesmo quando você tá sendo uma teimosa birrenta com filmes, comida ou contratos."
Dou um muxoxo, mas vira um sorrisinho cansado. "Eu não sou birrenta. Tô com concussão."
"Tanto faz hoje", Jeremy provoca, gentil, apertando o braço ao meu redor.
Fecho os olhos, deixando as vozes e os toques deles me acalmarem de novo. O pesadelo de ontem parece distante agora, empurrado para trás pela segurança constante dos cinco homens que se recusam a me deixar enfrentar a dor sozinha.
Minha cabeça ainda dói pra caramba.
Mas estou em casa.
Sou deles.
E mesmo quando estou mal-humorada, teimosa e fazendo perguntas idiotas sobre primal play e rabos plug... eles estão bem aqui, rindo comigo, não de mim, e prontos para cuidar de cada pedacinho de mim.
A conversa vai se tornando mais leve, com provocações gentis, promessas de mais conversas quando eu estiver melhor e planos tranquilos para o resto do dia: mais descanso, mais cafuné e, infelizmente, nada de telas. Deixo-me relaxar, segura no meio deles, a dor teimosa na cabeça aos poucos amenizando sob os cuidados constantes.
Pela primeira vez desde que acordei com pontos e a cabeça latejando, sinto que posso realmente descansar.
Porque eles me seguram.
Toda eu.
Eu não estava sozinha.