Três Desejos

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Resumo

O nome Vance é sinônimo de poder. E de controle. Estou prestes a descobrir que eles controlam tudo — até o meu próprio coração. Anya Thorne está desesperada. Trabalhar como a discreta atendente de café na imponente sede corporativa bilionária dos Vance é sua única tábua de salvação. Ela precisa do emprego, precisa do dinheiro e precisa continuar invisível. Mas Elias, Alexander e Gabriel Vance estão prestes a tornar a invisibilidade impossível. Os três irmãos — O Estrategista, O Bad Boy e O Protetor — estão presos em uma competição cruel e de alto risco. O pai doente lhes deu um desafio único e ambíguo: provar quem é digno de ocupar seu lugar. Incapazes de confiar um no outro, eles transformam a diretriz em uma aposta sombria e secreta: o irmão que conseguir conquistar a inocente novata e reivindicar sua lealdade ganha a empresa inteira. Elias quer possuir sua mente. Ele oferece mentoria, promoção e a ilusão de segurança, prendendo-a em uma gaiola dourada feita por ele mesmo. Alexander quer dominar seu corpo. Ele a vê como um jogo de conquista imprudente, tentando-a com um charme perigoso e um prazer explícito que ameaça reduzi-la a cinzas. Gabriel alega que quer salvá-la. Ele oferece uma devoção feroz e protetora, mas sua necessidade possessiva de controlar o destino dela pode ser a prisão mais perigosa de todas. Eles acreditam que ela é um prêmio a ser conquistado. Um peão em seu jogo de poder corporativo. Eles acreditam que o segredo deles jamais será descoberto. Eles estão enganados. Em um mundo onde o amor é uma arma e a lealdade é uma mentira, Anya precisa navegar por três obsessões e duas traições. Se ela escolher um, transformará os outros dois em inimigos. Mas, se não escolher nenhum, corre o risco de perder a si mesma para os três.

Gênero
Romance
Autor
Joy Morshel
Status
Completo
Capítulos
47
Classificação
4.8 11 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

A chuva cai em lufadas contra o vidro, traçando linhas lentas e brilhantes no septuagésimo terceiro andar. Além da parede panorâmica de janelas, a cidade parece semiviva — luzes piscando através do nevoeiro, o tráfego rastejando como veias de fogo. Dentro da sala de reuniões da Vance, a única luz vem da longa mesa de mármore e do reflexo atenuado de três homens sentados à cabeceira.

Os irmãos Vance.

Herdeiros de um império construído sobre aço, silêncio e medo.

Elias, o mais velho, senta-se no centro. Sempre foi assim. Sua postura é reta, seu terno escuro o suficiente para engolir a luz. O reflexo da tempestade dança sobre suas abotoaduras enquanto ele analisa um documento em seu tablet, inescrutável como vidro.

Sua postura é clinicamente perfeita, espelhando o vinco afiado de seu terno feito sob medida. Ele não está olhando para as luzes da cidade, nem para seus irmãos. Seu foco está inteiramente no único documento legal selado que jaz entre eles — a diretriz final. O documento promete poder absoluto àquele que provar ser "digno".

À sua direita, Alexander recosta-se, com as pernas abertas, girando um charuto apagado entre os dedos. A gola aberta de sua camisa mostra a corrente de prata que nunca sai de seu pescoço. Seu sorriso é preguiçoso, mas seus olhos são perspicazes — do tipo que corta quando ele fica sério.

Do outro lado, Gabriel, o mais novo, senta-se rígido, com as mãos entrelaçadas e o maxilar travado. Ele é o único que não finge estar à vontade, o único que ainda parece se importar com o homem cujo retrato paira atrás deles — seu pai, Richard Vance, fundador do império que eles estão prestes a dividir como carniça.

Gabriel Vance é sempre o último a falar. Ele é enorme e imóvel, uma fortaleza de lã cara e ameaça silenciosa. Ele não tocou no uísque. Seu olhar está fixo no documento, sua desaprovação uma presença fria e palpável na sala.

A diretriz está ali, zombando deles. O pai deles não escolheu um herdeiro. Ele escolheu apenas o conflito.

O silêncio entre eles vibra, vivo com velhos fantasmas.

Alexander quebra o silêncio primeiro, porque Alexander sempre faz isso.

"Então, o velho já morreu?"

Ele pega um copo de cristal, gira os três dedos de uísque âmbar, mas não bebe.

Elias não levanta os olhos. "Ele está se recuperando."

"Recuperando", ecoa Alexander com um sorriso irônico. "Essa é uma forma elegante de dizer que ele está com um pé na cova e cercado por máquinas."

O maxilar de Gabriel tensiona-se. "Cuidado com o que diz."

"O quê? Você acha que ele não sabe o que estamos fazendo aqui em cima?" Alexander bate o charuto na mesa. "Foi ele quem nos chamou, lembra? Disse para 'decidirmos entre nós quem merece liderar'. Palavras dele, não minhas. Acho que ele finalmente percebeu que criou três lobos e nenhum herdeiro."

Elias finalmente levanta o olhar, lento e deliberado. Seus olhos — cinza-ardósia, frios, avaliadores — prendem Alexander à cadeira.

"Ele não quis dizer para nos destruirmos", diz Gabriel, com a voz controlada, mas tensa. "Ele quis que provássemos nosso valor. Para ele. Não um para o outro."

"Provar como?" Alexander zomba. "Beijando a mão dele e bancando os filhos modelos? Esse tempo já passou faz uma década."

Elias recosta-se, unindo a ponta dos dedos. "Ele quis dizer lealdade."

Alexander ri. "Lealdade? De qual de nós, exatamente? De você? Aquele que tem tramado fundir a empresa com a Denvers & Co. pelas costas dele? Ou de mim — a desgraça da família que apareceu mais em capas de tablóides do que em salas de reuniões?"

"Lealdade não é obediência", diz Elias calmamente. "É persuasão. É influência. É saber como fazer as pessoas ficarem quando elas têm todos os motivos para ir embora."

Os olhos de Gabriel brilham. "Você está distorcendo o que ele quis dizer."

"Não", responde Elias. "Estou refinando."

Ele coloca o tablet sobre a mesa, o movimento é seco e definitivo. A sala parece encolher ao redor de sua compostura. Elias não levanta a voz — ele nunca precisa. O controle o segue como um perfume.

"O pai disse que aquele mais capaz de conquistar lealdade merece liderar", continua Elias. "E eu concordo. Liderança não tem a ver com charme ou carisma. Tem a ver com devoção — conquistada ou... fabricada."

Alexander sorri. "Fabricada. Gostei dessa palavra."

Os lábios de Elias tremem. "Claro que gostou."

"Então", diz Alexander, inclinando-se para frente, "como você sugere que a gente teste isso? Fazer uma enquete com os funcionários? Deixar a equipe votar no Vance favorito?"

Gabriel lança-lhe um olhar fulminante. "Não deboche disso."

Mas Alexander está sorrindo agora, predatório e brilhante. "Não estou debochando. Estou sugerindo algo melhor."

Elias o observa. Um convite silencioso.

"Encontramos alguém puro", diz Alexander, baixando a voz. "Alguém intocado pelo nosso sobrenome, nosso dinheiro, nossa bagunça. Uma página em branco. Veremos qual de nós consegue fazer com que ela escolha um de nós acima de tudo o resto."

Elias não pisca. "Você quer dizer seduzi-la."

"Eu quero dizer conquistá-la." O sorriso de Alexander se alarga. "Lealdade é só outra palavra para rendição, não é? Quem conseguir fazer com que ela desista disso — de sua razão, seu orgulho, seu autocontrole — prova que pode fazer qualquer um segui-lo."

"Isso não é liderança", rebate Gabriel. "Isso é corrupção."

"Dá no mesmo, irmão. Só os mentirosos fingem que não."

Gabriel levanta-se, caminhando até a parede de vidro. A tempestade lá fora lança uma luz fragmentada em seu rosto — raiva e contenção presas em um equilíbrio único e perigoso. "Isso está abaixo de nós."

"Está?" pergunta Elias, com a voz baixa. "Ou você está com medo de perder?"

Gabriel vira-se, a fúria brilhando em seus olhos. "Você usaria uma pessoa — uma mulher — como um teste? Para quê? Para ver quem consegue manipulá-la melhor? Não foi isso que o pai quis dizer."

Elias levanta-se. Seu tom é calmo, mas há uma faísca por baixo, algo próximo da empolgação. "Ele quis dizer exatamente isto. Liderança é manipulação. Negócios são uma sedução. Você não lidera pela virtude, Gabriel. Você lidera pelo poder. Pelo controle. Pelo que as pessoas te entregam quando você não pede nada."

Alexander faz uma saudação sarcástica. "Finalmente, algo em que concordamos."

"Claro que você concorda", murmura Gabriel. "Você transformaria qualquer coisa em um jogo."

"E você transformaria qualquer coisa em um sermão", rebate Alexander. "Acho que um equilibra o outro."

Elias dá um passo em direção à janela, seu reflexo cortando entre os dois. "Vamos tornar isso justo", diz ele. "Escolhemos alguém novo. Alguém sem motivo para confiar em nós. Sem vantagem, sem histórico. O primeiro a ganhar a lealdade dela ganha o cargo."

Gabriel balança a cabeça. "E o que esse prêmio deve provar?"

"Que ele merece liderar", diz Elias suavemente. "Que ele pode tornar o impossível possível."

Alexander sorri. "Então eu topo."

Gabriel hesita. Por um momento, seu silêncio parece pesado o suficiente para parar a chuva lá fora. "Vocês dois são insanos", diz ele finalmente. "Mas, se eu não jogar, um de vocês vai ganhar. E esta empresa não sobrevive na mão de nenhum dos dois."

Ele olha para cima, encontrando o olhar frio de Elias, e então o sarcástico de Alexander. "Está bem. Eu entro no jogo. Mas quando isso nos destruir, lembrem-se de quem avisou vocês."

Elias faz um aceno de cabeça satisfeito. "Anotado."

Alexander bate palmas uma vez. "Perfeito. Então, quem é o alvo?"

Elias não responde imediatamente. Ele atravessa a sala, tocando no tablet novamente.

"Papai nos disse para decidir quem é o mais apto a liderar", continua Elias, recostando-se. A leve mudança em seu corpo irradia poder. "Ele quis dizer aquele que tem a lealdade mais pura. Mas a lealdade é comprada ou quebrada. E como não podemos confiar um no outro, precisamos encontrar um meio de provar nossa capacidade individual de comandar devoção absoluta."

Uma pasta abre, o brilho suave iluminando seu rosto. Elias coloca um tablet fino e criptografado sobre a mesa e toca na tela. Um único arquivo aparece: um nome, uma foto de crachá e um histórico de trabalho mínimo. "Tem uma nova estagiária começando segunda-feira. Anya Thorne. Vinte e quatro anos. Mestrado em finanças. Bolsista integral. Sem contatos. Sem proteção."

"Eu digo que provamos nosso valor adquirindo a forma mais pura de lealdade que pudermos encontrar", finaliza Elias. "Ela não tem nada a ganhar, nada a oferecer além de sua verdade. Aquele que a quebrar, ou a conquistar, prova que tem o carisma irresistível e a ambição implacável necessários para ser CEO."

Alexander finalmente leva o uísque aos lábios, dando um gole lento e perigoso. Um sorriso, malvado e predatório, estende-se em sua boca. "Ah, agora sim estamos nos entendendo. Um desafio com dentes." Ele olha para a foto da jovem. "Que beleza!"

Alexander assobia baixo. "Carne fresca."

"Não a chame assim", dispara Gabriel.

O tom de Elias permanece nivelado. "Ela é um teste. Um teste ridiculamente gostosa. Não uma vítima."

Alexander inclina-se para frente, sorrindo. "Dá na mesma."

Elias o ignora. "As regras são simples. Aquele que ganhar sua lealdade total — documentada, inquestionável — vence. Prazo: três meses. Prova: ela deve escolher um de nós acima dos outros. Explicitamente."

Gabriel encara-o. "E quando ela descobrir?"

"Ela não vai", responde Elias. "Não somos amadores."

A chuva aperta, batendo contra o vidro. As luzes da cidade tremeluzem em seus reflexos — três homens, uma face de poder fragmentada em cacos.

Alexander levanta-se, alongando-se, e guarda o charuto no bolso. "Três meses, três irmãos, uma garota. Soa bíblico."

Elias olha para ele sem humor. "É negócio."

Gabriel pega seu casaco, o desgosto em sua voz cuidadosamente enterrado. "Não", diz ele baixinho. "É ridículo."

Ele sai primeiro, seus passos ecoando pelo corredor.

Alexander ri por baixo do nariz. "Ele vai mudar de ideia. Ele sempre muda."

Elias permanece imóvel, olhos fixos na chuva além do vidro. "Claro que vai."

"Me diga uma coisa, irmãozão", diz Alexander, virando-se para a porta. "O que te faz tão certo de que vai ganhar?"

Elias olha para ele, um leve toque de sorriso brincando em seus lábios. "Porque, Alexander... você vai atrás do corpo dela. Gabriel vai atrás do coração dela. E eu", diz ele suavemente, "vou atrás da mente dela. Assim que eu tiver isso, ela pertencerá a mim. O resto virá por consequência."

O sorriso de Alexander se alarga. "Que comece o jogo."

A porta fecha atrás dele, deixando Elias sozinho com a tempestade.

Lá fora, um relâmpago fratura o céu sobre a torre Vance. Lá dentro, o reflexo de Elias encara-o de volta através do vidro — calmo, paciente, certo.

Ele já sabe que o jogo não é sobre amor ou lealdade.

É sobre posse.

E ele já decidiu a quem ela pertence.