A Vigésima Quinta Noite
O Sonho
Pare.
O comando ecoou pela câmara de mármore, mas o corpo atrás dela não obedeceu.
As palmas das mãos de Lina pressionavam a pedra fria — um altar, ela percebeu vagamente, enquanto as bordas esculpidas cravavam-se em sua pele. Suas costas se arqueavam à medida que mãos calejadas agarravam seus quadris, puxando-a para trás a cada estocada devastadora. O som úmido da pele batendo contra a pele preenchia o vasto espaço, obsceno e ecoante.
Ela não conseguia ver o rosto dele. Apenas senti-lo.
Ahh—
O som escapou de sua garganta antes que ela pudesse impedi-lo. Seus joelhos arranhavam as almofadas de seda, sua coluna curvava-se em um arco profundo e seus dedos arranhavam inutilmente a pedra lisa. Pulseiras de bronze tilintaram em seus pulsos — quando elas tinham aparecido? — e o incenso se enrolava espesso pelo ar, sândalo e algo mais sombrio, algo que fazia sua cabeça girar.
“Você me aceita tão bem.”
A voz dele era grave e melódica, ressonante de uma maneira que nenhuma voz humana deveria ser. Antiga. As palavras não eram inglês, mas ela as compreendia perfeitamente, como se o significado ignorasse seus ouvidos e se fixasse direto em seus ossos.
O qu—que é—
Ela tentou falar, mas outra estocada roubou o ar de seus pulmões. Profundo. Tão impossivelmente profundo que ela conseguia senti-lo em seu estômago, em sua garganta, no calor pulsante entre suas pernas que ameaçava desfazê-la completamente.
A mão dele se fechou em seu cabelo, puxando sua cabeça para trás. A extensão de seu pescoço expôs a pele fina sobre sua pulsação, e ela o sentiu inclinar-se para frente, sentiu o calor de sua respiração roçando seu ombro.
“Diga o meu nome.”
O seu nome—eu não—
“Você sabe.” Um movimento de seus quadris. Lento, deliberado, devastador. “Ele está escrito na sua alma, pequena esposa. Diga.”
A palavra surgiu de algum lugar mais profundo que a memória. Ela escapou de seus lábios sem ser convidada, um soluço quebrado de sílabas que ela nunca tinha ouvido e, ainda assim, sempre soube:
"Kaelen."
Ele a recompensou com um rosnado de aprovação que vibrou por todo o seu corpo. O ritmo dele mudou — mais forte agora, mais rápido, cada impacto empurrando-a ainda mais contra o altar até que a borda de pedra marcasse hematomas em suas coxas. O som era sujo: viscoso, úmido, o som obsceno de seu corpo aceitando-o repetidas vezes.
Ela deveria estar envergonhada. Deveria estar aterrorizada. Em vez disso, um calor derretido se acumulou no baixo ventre, apertando-se a cada golpe, a cada grunhido, a cada carinho sussurrado naquele idioma perdido.
A mão dele soltou seu cabelo e deslizou para a frente. Dedos calejados traçaram o volume de seu seio antes de encontrar o bico sensível, rolando-o entre o polegar e o indicador. O prazer surgiu — intenso, elétrico — e ela pressionou contra ele, desesperada por mais.
“Ansiosa.” Uma risada sombria. “Mesmo depois de todo esse tempo.”
Todo esse tempo? Eu não entendo—eu nunca—
“Shh.” A palma da mão dele se espalmou contra seu esterno, pressionando-a de volta contra o peito dele. O novo ângulo permitiu que ele afundasse impossivelmente mais, e ela soltou um gemido com a extensão, com a plenitude. “Você vai se lembrar. Quando chegar a hora, você se lembrará de tudo.”
Sua outra mão desceu até onde seus corpos se uniam. A ponta de um único dedo encontrou o ponto inchado em seu ápice, e Lina se despedaçou.
"Kaelen—!"
O orgasmo a atingiu como uma onda de fogo branco. Suas paredes se contraíram ao redor dele, espasmódicas, puxando, e ela o sentiu segui-la para além do limite — um rugido gutural contra seu ombro enquanto ele se enterrava até o talo e pulsava dentro dela. O calor inundou seu núcleo. De novo. De novo. Ela conseguia sentir cada onda, conseguia sentir seu corpo absorvendo-o, ganancioso e desesperado e—
A mão dele pressionou-se contra seu peito. Sobre seu coração.
E lá, sob sua palma, algo queimou.
Ela olhou para baixo. Uma marca de nascença que ela carregou a vida toda — o formato de uma lâmina quebrada, estendida sobre seu seio esquerdo — brilhava em um dourado tênue através de sua pele. Uma luz correspondente tremeluzia de seu peito, de uma cicatriz irregular esculpida diretamente sobre seu coração.
O que—
A luz se intensificou. Cegante. As paredes do templo se dissolveram em radiância, e os braços dele ao redor de sua cintura tornaram-se fumaça, e sua voz em seu ouvido tornou-se um eco—
“Encontre-me.”
As Consequências
Lina acordou com um suspiro, as costas arqueando-se fora do colchão com tanta violência que ela quase caiu da cama.
Sua mão voou para o peito. A pele sobre sua marca de nascença estava quente ao toque, quase febril, e quando ela puxou sua regata para olhar, a marca estava com um tom rosado agressivo — mais escuro do que ela já tinha visto.
Só um sonho. Só um sonho. Só um—
Suas coxas estavam úmidas.
Seu rosto ardia. Ela fechou os olhos com força, tentando afastar a sensação fantasma de mãos em seus quadris, de pedra contra suas palmas, de uma voz que a envolvia como correntes de veludo.
Foi só um sonho.
O relógio na mesa de cabeceira marcava meia-noite. Exatamente meia-noite. O primeiro momento do seu vigésimo quinto aniversário.
"Belo presente, subconsciente", ela murmurou, balançando as pernas para fora da cama. Seu corpo doía em lugares onde não deveria doer — seus joelhos, seus pulsos, a carne de suas coxas. Ela pressionou um dedo no joelho e gemeu com a sensibilidade. Como se ela tivesse realmente se ajoelhado em pedra por—
Não. Pare com isso.
Ela tentou voltar a dormir. Revirou-se. Virou-se. Olhou para o teto. Toda vez que fechava os olhos, sentia mãos fantasmas em seus quadris, ouvia aquela voz antiga sussurrando em seu ouvido.
Às 5:47 da manhã, ela desistiu.
A água fria do chuveiro não ajudou. Se é que algo aconteceu, piorou as coisas — o frio arrepiando seus mamilos, o spray escorrendo por seu estômago, o caminho inevitável que seus pensamentos tomavam de volta para mãos de bronze, altares antigos e uma voz que dizia pequena esposa como uma prece e uma reivindicação ao mesmo tempo.
Ela deixou a água mais fria. Sua marca de nascença pulsava em protesto.
Quando ela saiu, enrolada em uma toalha e tremendo, a luz do início da manhã entrava pelas persianas. A voz de sua colega de quarto vinha da cozinha, acompanhada pelo chiado de algo em uma panela.
"Lina? Você acordou?"
A cabeça de Maya apareceu na porta, seus cachos escuros presos em um coque bagunçado. Sua expressão mudou para preocupação quando viu o rosto de Lina. "Nossa. Noite ruim?"
"Algo parecido." Lina conseguiu um sorriso fraco. "Só um pesadelo."
"Credo. No seu aniversário?" Maya atravessou o quarto e a puxou para um abraço de um braço só, cuidando da toalha. "Bem, feliz vigésimo quinto de qualquer jeito. Fiz panquecas. Estão só um pouco queimadas."
“Você é um anjo.”
“E não se esqueça disso.”
Lina se vestiu mecanicamente — um moletom da universidade desbotado, jeans e suas botas mais confortáveis. Seus dedos encontraram seu caderno de desenho na mesa de cabeceira, e ela o abriu distraidamente, procurando algo para prendê-la na realidade.
As páginas se abriram em uma série de desenhos que ela não se lembrava de ter feito.
Sua respiração parou.
A mesma imagem, repetidas vezes. O peito de um homem, largo e cicatrizado, feito em grafite com uma precisão que beirava o obsessivo. Mas a cicatriz—
Tinha o mesmo formato de sua marca de nascença — uma lâmina quebrada, irregular e inconfundível.
Ela virou mais páginas. Mais desenhos. A mesma cicatriz, esboçada de diferentes ângulos. Uma coluna de templo. Um altar. Mãos que pareciam grandes demais, fortes demais, envolvidas ao redor de algo que ela não conseguia ver direito.
Quando foi que eu desenhei isso?
Os traços eram dela — ela reconhecia sua própria técnica de sombreamento, sua tendência de pressionar demais nas sombras — mas as memórias não. Ela se lembraria de desenhar aquilo. Lembraria do modo como a cicatriz parecia brilhar sob seu lápis, do modo como sua mão se movia sem sua permissão.
“Lina? As panquecas estão esfriando!”
“Já vou”, ela chamou, mas sua voz era quase um sussurro.
Ela fechou o caderno e o enfiou na bolsa.
O Chamado
O laboratório da universidade estava quase vazio a esta hora, o zumbido das luzes fluorescentes sendo o único som no corredor. A porta do escritório do professor Aldridge estava entreaberta, uma fresta de luz quente caindo sobre o carpete institucional.
“Entre, entre.” Ele não desviou o olhar da pasta de arquivos em suas mãos, seus óculos pousados na ponta do nariz. “Tenho algo para você. Considere um presente de aniversário, se quiser.”
Lina acomodou-se na cadeira em frente à sua mesa. “Professor, o senhor não precisava—”
“Bobagem. Você é a estudante de pós-graduação mais promissora que tive em vinte anos. Se alguém deve dar uma olhada nisso primeiro, é você.”
Ele deslizou a pasta pela mesa. O rótulo dizia: MONTANHA BLACK PEAK — DADOS DE ESCAVAÇÃO (PRELIMINAR).
A marca de nascença de Lina pulsou.
Ela a ignorou.
“Nunca ouvi falar deste local”, disse ela, abrindo a pasta. Fotografias, mapas topográficos e relatórios de datação por carbono. Seus olhos percorreram os dados sem processá-los.
“Nova descoberta. Trilheiros encontraram uma entrada no mês passado. A datação é... incomum.” Aldridge recostou-se na cadeira, unindo as pontas dos dedos. “A arquitetura é consistente com estruturas celtas pré-romanas, mas a preservação é notável. Quase suspeita.”
Suspeita.
Lina virou para a próxima fotografia e sentiu o sangue fugir de seu rosto.
Uma escultura em pedra. Um guerreiro, maior que a vida, esculpido na parede de um templo. Sem camisa. Braços musculosos cruzados sobre um peito largo.
E lá, sobre seu coração, uma cicatriz no formato de uma lâmina quebrada.
Sua marca de nascença queimou.
“Isso—” Sua voz falhou. Ela limpou a garganta. “Onde é isso?”
“Abordagem ocidental. Cerca de três horas de carro da cidade, depois uma trilha. Já providenciei um passe de pesquisa, se estiver interessada.” Os olhos de Aldridge ficaram atentos. “A menos que você tenha outros planos de aniversário?”
Planos.
Ela tinha planos. Maya daria uma festa hoje à noite. Havia um bolo na geladeira, uma pilha de presentes na mesa da cozinha e amigos que ficariam preocupados se ela desaparecesse.
Mas a marca de nascença sobre seu coração pulsava no ritmo de seus batimentos, uma batida constante de encontre-o encontre-o encontre-o que abafava todo o resto.
“Eu aceito”, disse ela. “Vou partir hoje.”
A Ascensão
A montanha estava silenciosa.
Sem pássaros. Sem insetos. Nem mesmo o farfalhar do vento nas árvores. Apenas o estalar das botas de Lina contra as folhas secas e o som irregular de sua própria respiração.
Isso é loucura.
Ela tinha dito a Maya que precisava de solidão. Um retiro de aniversário. Tempo para pensar. A mentira tinha gosto de cinzas em sua língua, mas Maya tinha acreditado — abraçou-a forte e fez com que ela prometesse mandar mensagens a cada poucas horas e não fazer nada imprudente.
Tarde demais para isso.
A trilha ficou mais íngreme. Suas coxas queimavam, seus pulmões doíam e sua marca de nascença tinha passado de um latejo surdo para um calor constante e abrasador. Ela deveria voltar. Deveria desistir de tudo, ir para casa e fingir que nunca viu as fotografias, nunca sonhou os sonhos, nunca ouviu uma voz que a chamava de pequena esposa em um idioma que não existia.
Mas seus pés continuaram se movendo.
O templo apareceu entre as árvores como uma miragem.
Lina parou, com a respiração suspensa. Não deveria ser assim. As fotografias mostravam ruínas — paredes desmoronando, colunas quebradas, séculos de decomposição. Mas esta estrutura estava completa. Intacta. A madeira das portas brilhava como se tivesse sido recém-oleada, e os degraus de pedra não mostravam sinais de desgaste.
Impossível.
O perfume a atingiu primeiro. Sândalo. Incenso. A mesma fragrância inebriante do seu sonho.
Sua marca de nascença brilhou.
Ela subiu os degraus com pernas que tremiam. As portas surgiram diante dela, esculpidas com símbolos que ela quase reconhecia — palavras que pairavam no limite da memória, bem fora de alcance.
Sua mão pressionou a madeira. Estava quente.
A porta se abriu em dobradiças silenciosas.
O Encontro
O interior estava iluminado por cem velas que não estavam ali um momento atrás.
Os olhos de Lina se ajustaram lentamente, o brilho dourado pintando sombras nas paredes de pedra. Tapeçarias que ela não deveria ser capaz de identificar retratavam batalhas que ela não deveria lembrar. Um trono ficava na parede oposta, vazio, seu encosto alto esculpido com a imagem de um guerreiro em repouso.
Mas foi a plataforma no centro da sala que atraiu seu olhar.
Era uma cama. Era um altar. Naquele lugar, ela percebeu, não havia diferença. Almofadas de seda se espalhavam por sua superfície em carmesim profundo e dourado, e o ar acima dela tremeluzia com calor — ou magia, ou algo para o qual ela não tinha nome.
E sentado na borda, observando-a com olhos que brilhavam em um âmbar tênue à luz de velas—
Ele.
Ombros largos. Pele bronzeada. Cabelo escuro que caía além do maxilar, emaranhado e selvagem. Um rosto esculpido pela guerra e adoração, ângulos agudos, lábios carnudos e olhos que carregavam o peso dos séculos.
Ele estava sem camisa. E lá, sobre seu coração, a cicatriz brilhava como uma marca de ferro em brasa.
A marca de nascença de Lina queimou em resposta.
A porta se fechou com força atrás dela.
Ela se virou, com o coração martelando, mas a madeira tinha se selado — sem maçaneta, sem dobradiças, sem como escapar. Quando ela se virou novamente, ele estava de pé.
Deus.
Ele era alto. Muito mais alto do que qualquer homem deveria ser, sua estrutura pesada de músculos que falavam de combate, não de esporte. Suas calças largas pendiam baixas em seus quadris, o tecido antigo no design, mas imaculado em condição, como se ele tivesse vestido apenas momentos atrás.
Seus olhos nunca deixaram os dela.
“Você está atrasada.”
A voz era a mesma. Grave e melódica. Um som que ignorou seus ouvidos e se fixou em seus ossos.
A boca de Lina se abriu. Fechou. Abriu novamente. “Quem—”
Ele caminhou em direção a ela. Um passo. Dois. A luz das velas tremeluziu a cada movimento, as sombras dançando sobre sua pele. “Você sabe quem eu sou.”
“Eu não—”
“Você chamou meu nome.” Outro passo. Perto o suficiente agora para ela ver os detalhes de sua cicatriz, o modo como combinava perfeitamente com a dela. “No sonho. Você chamou, e eu respondi.”
“Aquilo foi um sonho.”
“Foi mesmo?” Sua mão se ergueu, pairando logo ao lado do rosto dela sem tocar. Seus dedos tremiam — levemente, quase imperceptivelmente, como se ele estivesse lutando contra a vontade de alcançá-la. “Então por que sua pele se lembra das minhas mãos? Por que seu corpo conhece o formato do meu?”
A respiração de Lina ficou curta. “Eu não conheço você.”
“Você me conhecia antes deste mundo existir.” Seus olhos brilharam mais intensamente, o âmbar sangrando para o dourado. “Você me conhecia antes que a morte a reclamasse, antes que eu caísse, antes que os próprios deuses nos separassem. E você me conhecerá novamente.”
Ele deu o passo final.
Sua mão encontrou o rosto dela. Sua palma estava quente, áspera com calos, e quando seu polegar roçou sua maçã do rosto, todo o seu corpo estremeceu.
“Quem é você?” ela sussurrou.
Seus lábios se curvaram. Não era exatamente um sorriso.
“Seu marido.”