Confissões no Gelo: Um Romance Secreto com o Capitão

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Resumo

Dylan Mercer é o capitão perfeito. Disciplinado. Intocável. O rosto de uma franquia construída sobre legado e controle. Noah Bennett é tudo o que a equipe não deveria querer. Brilhante. Explosivo. A um escândalo de perder a carreira. Após três trocas em quatro anos, a última chance de Noah na liga o coloca na primeira linha, bem ao lado do homem mais respeitado do hóquei. No gelo, a química entre eles é instantânea. Elétrica. Imbatível. Fora do gelo? É perigoso. Dylan passou uma década construindo uma armadura que ninguém consegue romper. Em uma liga que idolatra a força e o silêncio, não há espaço para fraqueza, e definitivamente não há espaço para um desejo que poderia acabar com tudo pelo que ele trabalhou. Noah sabe como é ser descartável. Treinadores o culparam. Companheiros de equipe duvidaram dele. Diretorias o trocaram. A última coisa que ele pode se dar ao luxo é se apaixonar pelo único homem poderoso o suficiente para protegê-lo… ou destruí-lo. Em um esporte onde a imagem é tudo e a mídia se alimenta de escândalos, um erro pode custar a temporada, a Copa e suas carreiras. Mas, quando a blue line é cruzada, não há caminho de volta. Agora, Dylan precisa escolher entre o legado que jurou proteger e o homem que o faz querer algo a mais. No gelo, eles são imbatíveis. Em segredo, eles são combustíveis. E nesta temporada, o maior risco não é perder o campeonato... É perder um ao outro.

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
3.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: O Novo Winger

A arena às cinco e meia da manhã era o único lugar no mundo onde Dylan Mercer conseguia respirar.

Estava em silêncio, exceto pelo zumbido mecânico dos resfriadores de gelo vibrando pelo chão de concreto. Sentado sozinho no banco do vestiário, Dylan passava meticulosamente a fita preta de tecido na lâmina de seu taco de hóquei. Sobreposição por sobreposição perfeita. Suave, justa e controlada. Era um ritual de contenção. Lá fora, sob o brilho ofuscante das luzes da arena e o escrutínio de vinte mil fãs gritando, ele era a franquia. Ele era o legado. Ele era o capitão estoico e impenetrável que carregava o peso da fome de um campeonato da cidade em seus ombros largos.

O logotipo na frente importa mais do que o nome nas costas.

A voz de seu pai, um fantasma que assombrava as vigas de cada rinque em que Dylan já tinha jogado, ecoava na sala silenciosa. Dylan puxou a fita, arrancando-a do rolo com um rasgo seco. Ele pressionou a borda desfiada com o polegar, suas juntas machucadas com manchas roxas de uma briga de três noites atrás. Ordem. Disciplina. Era assim que se vencia. Era assim que se sobrevivia a uma vida onde cada microexpressão era dissecada por especialistas em esportes e executivos da diretoria.

As pesadas portas de aço do vestiário se abriram, estilhaçando o santuário.

O técnico Davis entrou, com uma prancheta debaixo do braço e uma xícara fumegante de café ruim na mão. Mas os olhos escuros de Dylan ignoraram o técnico completamente, pousando com um impacto pesado e inevitável sobre o homem que vinha alguns passos atrás dele.

Noah Bennett.

A diretoria tinha finalizado a troca à meia-noite. A mídia já estava fazendo a festa. Noah era um winger de ponta, de vinte e cinco anos, com eletricidade nos patins e uma reputação de queimar todas as pontes que cruzava. Os especialistas o chamavam de câncer de vestiário. Um risco. Um garoto que não conseguia manter a boca fechada ou controlar o temperamento.

Dylan colocou o taco devagar entre os joelhos. Ele tinha passado as últimas três horas preparando um discurso. Ele ia ditar as regras. Ele ia explicar o jeito da franquia, estabelecer a hierarquia e deixar bem claro que o estilo caótico de hóquei de Noah seria contido e treinado.

Dylan engoliu a tensão súbita e irracional em sua garganta, forçando seu rosto a assumir a máscara inexpressiva que lhe rendeu sua reputação. Ele deu um passo lento e deliberado para trás, colocando um centímetro crucial de distância entre eles. Noah não recuou. Na verdade, o mais jovem parecia se inclinar para o espaço que Dylan deixou, seus olhos escuros e expressivos acompanhando o movimento sutil do maxilar de Dylan.

“Bennett”, disse Dylan. Sua voz era um barítono baixo e ressonante que naturalmente comandava o ambiente, um tom que normalmente fazia os novatos encararem os próprios patins. Noah sustentou seu olhar, com um leve sorriso sarcástico no canto da boca. “Bem-vindo ao time. Nós jogamos um jogo estruturado aqui. Você compra o sistema, protege seus companheiros de linha e deixa seu ego na porta. Entendido?”

Noah ergueu o queixo. Ele ainda não estava usando o terno exigido pela liga; estava com uma jaqueta de couro gasta sobre uma camiseta desbotada, parecendo uma tempestade que tinha acabado de chegar da rua. “Eu jogo para vencer, Mercer. Não me importo com a aparência do sistema em um quadro branco. Eu me importo em colocar o disco na rede.”

O técnico Davis pigarreou, o som alto no ar tenso. “Noah vai ficar no seu lado esquerdo, Cap. Primeira linha. Quero que vocês dois acertem o tempo antes do treino da manhã.” Davis deu um tapinha no ombro de Dylan, completamente alheio ao fio desencapado faiscando entre seus dois melhores jogadores. “Fique de olho nele, Dylan.”

“Eu sempre fico, técnico”, murmurou Dylan, sem desviar o contato visual de Noah.

O ar entre eles parecia perigosamente rarefeito. Foi preciso cada gota do autocontrole de ferro de Dylan para virar as costas para o winger desafiador. Ele pegou seu taco recém-enfitado, com seus dedos machucados segurando o cabo composto com força suficiente para quebrá-lo, e caminhou em direção ao túnel que levava ao gelo. Ele precisava do ar congelante. Ele precisava do rinque vazio. Porque, pela primeira vez em seus vinte e nove anos, o mundo perfeitamente ordenado de Dylan Mercer parecia assustadoramente frágil.

***

Noah soltou um fôlego que nem sabia que estava segurando, a adrenalina drenando lentamente de suas veias e deixando para trás uma dor familiar e vazia. Ele passou a mão pelo cabelo desalinhado e olhou para sua bolsa de equipamentos.

Era isso. Sua última chance na NHL. Três trocas em quatro anos. Toda vez, a história era a mesma: ele era apaixonado demais, opinativo demais, relutante demais em se curvar à política tóxica da diretoria. Seu último treinador praticamente o jogou aos lobos durante uma coletiva de imprensa pós-jogo, culpando a “atitude” de Noah por um colapso defensivo que nem era culpa dele. Noah lutou, e isso lhe custou a camisa.

Ele esperava que Mercer fosse apenas mais um fantoche corporativo, um capitão que se importava mais com sua marca e suas respostas aprovadas pelo marketing do que com os homens que sangravam no gelo. Mas, no momento em que suas mãos se tocaram, Noah sentiu a intensidade aterrorizante e contida irradiando do homem mais velho. Mercer não era um robô. Ele era um cofre. E o que quer que ele estivesse mantendo trancado lá dentro era pesado o suficiente para arrastar os dois para o fundo.

“Seu lugar é aqui, Bennett.” O gerente de equipamentos, um cara mais velho de olhos gentis, apontou para o cubículo de madeira impecável bem ao lado do lugar central.

Noah piscou. O lugar central era um santuário. Era enorme, perfeitamente organizado, com uma camisa de casa pendurada orgulhosamente no centro, o “C” em destaque costurado sobre o lado esquerdo do peito. O lugar de Dylan.

Fique de olho nele.

Noah zombou baixinho, abrindo o zíper de sua bolsa e jogando seus patins sobre o tapete de borracha. É claro. Eles estavam colocando a ovelha negra bem ao lado do diretor.

Nos vinte minutos seguintes, o vestiário começou a encher. O santuário silencioso foi substituído pela sinfonia caótica do hóquei profissional: o rasgo áspero da fita, o baque dos equipamentos, os gritos e provocações sobrepostas de vinte homens se preparando para o treino. Noah manteve a cabeça baixa, amarrando seus patins metodicamente. Ele podia sentir os olhares sobre ele. Ele sabia o que estavam sussurrando.

“Ora, veja só quem o gato trouxe”, uma voz arrastou-se a alguns lugares de distância.

Noah não olhou para cima. Ele puxou os cadarços violentamente.

Os passos pararam bem na frente dele. Era Hayes, um defensor veterano com um dente da frente faltando e uma reputação de se impor. “Ouvi dizer que você expulsou seu último treinador do prédio, Bennett”, disse Hayes, seu tom escorrendo condescendência. “Só para a gente se entender — tente qualquer uma dessas merdas arrogantes aqui, e a gente te deixa na pista de pouso. Estamos em busca da taça. Não precisamos de distrações.”

O maxilar de Noah travou. As paredes defensivas que ele passou a vida inteira construindo caíram como portas de aço. Seu coração martelava na garganta, a sensação familiar e sufocante de ser um pária subindo como bile. Ele se levantou lentamente, seus patins fazendo-o parecer um centímetro mais alto que o veterano. Ele abriu a boca, uma resposta afiada que encerraria sua carreira já na ponta da língua.

“Hayes.”

A palavra única cortou o vestiário barulhento como um tiro.

O quarto inteiro ficou em silêncio absoluto.

Noah virou a cabeça. Dylan Mercer estava parado na entrada do túnel. Ele não estava gritando. Ele não tinha elevado a voz acima de um murmúrio de conversa. Mas o peso dominante de sua presença parecia sugar o oxigênio da sala. Os olhos escuros de Dylan estavam fixos no defensor, frios e sem piscar.

“Desculpa?”, gaguejou Hayes, dando meio passo para trás.

Dylan entrou lentamente na sala. Ele não olhou para Noah. Parou a poucos metros de Hayes, cruzando seus braços enormes sobre o peito. “Bennett está na minha linha”, disse Dylan, sua voz baixa ecoando nas paredes de concreto. “Ele é meu winger. O que significa que você não fala com ele, a menos que esteja chamando uma cobertura defensiva. Estamos entendidos?”

Hayes engoliu em seco, sua bravata evaporando instantaneamente sob o peso esmagador do olhar do capitão. “Sim. Entendido, Cap. Só estava garantindo que o novato soubesse como as coisas funcionam.”

“Eu defino como as coisas funcionam nesta sala”, respondeu Dylan, a autoridade absoluta em sua voz não deixando margem para discussões. “Coloque seu equipamento. Treino em dez minutos.”

A tensão se quebrou. A sala lentamente voltou à vida, os jogadores deliberadamente olhando para o outro lado, voltando para suas fitas e conversas. Hayes correu de volta para seu lugar sem dizer mais nada.

Noah permaneceu perfeitamente imóvel, seu pulso rugindo em seus ouvidos. Ele encarou o perfil de Dylan. Ele estava acostumado a ser o bode expiatório. Estava acostumado a ser o cara que a liderança jogava aos leões para salvar as aparências. Ninguém — ninguém — jamais tinha usado sua autoridade para protegê-lo.

Dylan finalmente virou a cabeça, seus olhos escuros encontrando os de Noah. Por três segundos agonizantes, o resto do vestiário desapareceu. Não havia julgamento no olhar de Dylan, nem sermão corporativo esperando para ser entregue. Havia apenas um aviso feroz e possessivo que fez o estômago de Noah afundar. Eu cuido do que é meu.

Então, tão rápido quanto apareceu, a emoção desapareceu por trás da máscara estoica. Dylan pegou seu capacete e saiu em direção ao gelo.

Noah afundou lentamente de volta no banco, suas mãos tremendo um pouco enquanto alcançava seu segundo patim. Ele olhou para o lugar vazio ao lado do seu, para a camisa pesada com o “C” descansando contra a madeira.

Ele tinha vindo para esta cidade esperando uma guerra. Esperava lutar pelo seu direito de existir no gelo, batalhar contra um capitão que o queria silenciado. Mas enquanto Noah terminava de amarrar seus cadarços, uma percepção aterrorizante se assentou profundamente em seus ossos.

Dylan Mercer não ia lutar contra ele. Dylan Mercer ia protegê-lo.

E para um homem que tinha passado a vida inteira fugindo da vulnerabilidade, aquela era a ameaça mais perigosa de todas.